Archive for maio, 2011

29/05/2011

Simplesmente, Barcelona

O Barcelona não é um clube de futebol. É uma escola do esporte bretão, que une filosofia de jogo à execução mais categórica e elegante que já tenhamos visto deste mesmo esporte. Unir finesse, exuberância, elegância e alguns outros atributos que posso citar é algo que o faz ser o que de fato hoje é: o melhor time do mundo. Talvez, da história.

Messi é um dos maestros. Mas de fato, quando pega na bola, é o que quer ditar o ritmo por si só. Xavi e Iniesta são os outros dois que comandam o meio-de-campo com mais maestria ainda. Mas eles são jogadores de menor ” arrogância”. Geralmente, não fazem isso. E verdade seja dita, a arrogância no termo aqui colocado não é em um mau sentido. É no dos melhores da palavra.

Porque para definir Messi, não tem muita coisa. Não tenham medo se ele vir a ganhar mais uma Champions League no ano que virá. Não temam se por acaso, marcar mais 50 gols na temporada 2011/2012. Messi é craque, é gênio. Ou melhor, parece entrar nesse estágio.

O United me decepcionou. Começou o jogo de uma boa forma: marcando forte e consistentemente o Barça no seu campo de defesa. Pouco resultou. Em 5 minutos, se deu ao Barça o direito de tocar a bola de cá pra lá, virar daqui pra acolá. O United tomou um baile. E foi de uma forma bem pior. A equipe deu muito espaço ao time de Pep Guardiola. Xavi, Iniesta e Messi atuaram como sempre. Dessa vez, porém, tinham mais espaço na confusa marcação dos Devils, que hoje não assustaram em nada o Barça. Acho que Ferguson deveria ter começado com Fletcher. Pois, não o fez. Teve a audácia de não colocá-lo, mostrando confiança. O Barça fez o primeiro, e o United empatou. O Barça manteve o nível enquanto o United nem almejou um lampejo de perigo de gol. Um dos times mais frios da Europa hoje conseguiu se complicar no jeito de marcar. E o United é bom, aliás, muito bom time. Somente atuava contra um dos melhores esquadrões da história. O maior time que eu já vi jogar em toda minha vida.

Alguns jogadores do United puderam somente ver o ao Barcelona. Park e Valencia foram dois deles. Dois que não viram a bola hoje, lá em Wembley. Dois dos muitos do United que não conseguiram deter o Barça. Aliás, um time que dificilmente pode ser batido.

Mas, é claro que o United merece ser vice. Cito novamente aqui: é muito bom time. Porém, o Barcelona foi simplesmente, o Barcelona.

Um pouco do jogo: O United começou bem, mas não pôde para o esquadrão de Guardiola. Depois de começar em pressão, o Barça se propôs a jogar em seu tradicional estilo de jogo. Deu certo. Pedro fez o primeiro em Wembley, após um passe magnífico de Xavi Hernández. E cabia mais ao Barcelona, que jogava com espaços e muitas brechas no Manchester Unnited displicente na marcação. Confusão entre Park e Giggs, que se alternavam na esquerda, era um dos pontos que o Barcelona jogava ao seu favor no jogo. Até que Rooney foi lá e deixou sua marca de tento. Depois de boa jogada entre ele e Giggs, que estava impedido, o inglês chutou e marcou. 1 a 1. Nada que impedisse o gol de Messi na segunda etapa. Bonito. Lindo foi o de Villa, que tirou a bola do alcance do seu adversário à frente e ainda tirara de Van Der Sar. Brilhante.

Messi incorpora o sentido do Barcelona. É mais que um time, é mais que um craque.

Por: Felipe Saturnino

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27/05/2011

A divindade do futebol arte e o pragmatismo do futebol circunstancial: Barcelona e Manchester são opostos na final de amanhã

Era 14 de setembro do ano que passou. O Manchester United, com um time de pouco brilho e sem grandes estrelas, fez uma estreia medíocre diante de um Rangers que nada amedronta os figurões europeus há tempos, no jogo de abertura da primeira rodada da fase de grupos da Liga do Campeões da Europa. O 0 a 0 digno de time médio jogando em casa contra o Rangers não deveria deixar os torcedores dos “Devils” tão pessimistas, mas poderia deixá-los de cabisbaixo, com o realismo diante das perspectivas que o time de Ferguson apresentava. Também no mesmo dia, o Barcelona, mais favorito do que nunca para levantar a taça da maior competição do mundo, estreara e vencera o Panathinaikos em apresentação que não deixou dúvida alguma sobre a equipe de Guardiola. Mesmo estando atrás do Real Madrid na Liga espanhola, o Barcelona ainda tinha de fato, o futebol mais divino do mundo.

Aconteceu que o Manchester evoluiu. Ou melhor, o Manchester evoluiu para um patamar de regularidade, para não falhar mais em jogo algum. O time se encaixou para atingir o ápice da meia temporada, na partida diante do Blackburn, que a equipe de Manchester levou por 7 a 1. Depois desse jogo, o time entrou na liderança do campeonato britânico, e de lá não saiu nunca mais. Bastou ao Chelsea chegar bem para disputar novamente o título da Premier League. Aconteceu de o United elevar o seu jogo ao máximo e derrotar o Chelsea por 2 a 1. A equipe de Ferguson começou a temporada de forma questionável. Mas, a equipe se acertou para ser campeã do inglês e disputar a final da Champions League. Seu jogo é circunstancial. Se precisa da bola, faz de tudo para tê-la. Se joga com um time de maior apego para com a mesma, deixa a equipe adversária ficar com ela e sai rápido para armar seus contragolpes. Se joga com um time de mais valores individuais, aumenta o nível do jogo para se tornar no conjunto que sabe jogar um futebol de primeira. Marca bem, tem seus jogadores notáveis e atua com frieza quando precisa.
O Barcelona tem estilo eterno. Precisa da bola, joga com ela, toca com ela, corre com ela, cruza com ela, dribla com ela, corta com ela. O jogo mais bem jogado é o da equipe catalã. O esporte bretão talvez jamais tenha visto algo como um time desse. Praticar o futebol com tanta maestria, sutileza e elegância só o Barça é capaz de praticar. O único time que conseguiu atacá-lo, jogando de igual pra igual por certo tempo foi o Madrid, utilizando a tática de ocupação de espaços e marcação avançada aos meias do Barça. Foi o único time que conseguiu atacar e inibir um pouco o que é o futebol barcelonista. Serviu para a Copa do Rei. Para a Champions League, não. A fórmula tática ruiu ao que Messi pegou na bola. E pegou duas vezes. E fez dois gols.

Ao que de um lado pode se ver o melhor futebol da história do esporte, talvez o Manchester United mesmo vencendo o Barça, esteja sempre marcado por atuar no tempo de um dos maiores esquadrões que já tivemos a chance de ver jogar. Mas, o que ressaltaria mais a história brilhante que o time de Ferguson já possui seria de fato vencer o Barcelona do toque de bola e movimentação, numa final de Champions League, atuando com um jogo de pragmatismo e de sem tanto renome que o de origem catalã. Ao Barcelona, seria a consolidação da temporada de futebol mais vistoso que já se viu. Talvez tenha sido. Messi, Iniesta, Xavi, Villa, Pedro, Daniel Alves são alguns dos nomes que compõem a melhor equipe do mundo.

O pragmatismo vs. o futebol arte. O jogo de amanhã será o jogo de muitos anos, que vai ser lembrado com a manchete de “O Manchester que conseguiu vencer o time de Messi” ou a de “O time de Messi que ditou as regras em Wembley“.

Amanhã é dia de final de Liga dos Campeões. Não perca, de jeito algum.

Guardiola comanda o time que pratica o futebol mais vistoso e lindo no mundo

Ferguson é dono do time que aplica o futebol mais pragmático e inteligente da Europa

Por: Felipe Saturnino

27/05/2011

Peñarol venceu, mas tem limite

No clima de Champions League que vivemos hoje, me coube assistir ao embate entre Peñarol e Vélez Sarsfield ontem. E o jogo foi “interessante”. Não foi de um nível alto, não. Aliás, de fato, foi baixo. Mas, ver um time de tradição como é o caso do Peñarol fazer a festa que fez no estádio é algo para ser lembrado. E ainda mais após os gritos de Diego Aguirre, campeão com a equipe uruguaia em 1987 da Libertadores, o Peñarol se tornou mais forte do que de fato é. Fato é que a equipe tem alguns pontos fracos a serem ressaltados.

O time de Diego Aguirre atuou no tempo normal com o esquema de 4-4-1-1. Uma linha de quatro jogadores no meio-campo em que dois volantes atuavam com o intuito de marcar, e só. Mier e Corujo, que não fizeram grande partida no Uruguai, são os jogadores de mais apoio na equipe. Martinuccio é o o meia-atacante que volta e leva bola. Ao mesmo tempo que volta para buscar bola, avança para encostar em Olivera, o único atacante do Peñarol. Ontem, o Vélez engoliu o Peñarol. Os dois volantes da equipe uruguaia – Freitas e Aguiar – ficaram restritos à marcação de Zapata e Razzotti, os jogadores mais “recuados” do meio-de-campo do Sarsfield. Ocorreu dos mesmos dominarem as ações no jogo. E o Vélez tomou conta. Teve as melhores chances após trocas de bolas do lado canhoto de seu ataque; a mistura entre Papa, Alvárez e Martínez faziam o Vélez mais perigoso por sequência de lances do que por efetividade em suas conclusões. O Peñarol não conseguia progredir por tamanha falta de criatividade no seu meio-de-campo. Martinuccio, o jogador de mais habilidade no Peñarol, era o cara para buscar o jogo e progredir com a bola. Mas nem isso fez com eficiência. Mas, de fato, teve a chance do jogo, após jogada de linha de fundo e arremate na trave.
E acontece de, aos 45 minutos da etapa inicial, a equipe uruguaia abrir o marcador com tento de Darío Rodriguez. Foi injusto? Não. O Peñarol foi mais eficiente, mesmo que o Vélez tenha tido mais a bola e progredido mais no jogo com a mesma.

No segundo tempo houve um massacre absurdo dos argentinos para com os uruguaios. Mas, novamente, nada que resultasse em gol. Mais uma vez, a falta de criação com tamanha apatia dos volantes e dos jogadores que atuam nos extremos laterais, e agora com a falta dos laterais que não apoiavam, o Peñarol foi absorvido pelo Vélez. Que nada fez que desse em gol. Isto é, o Peñarol aproveitou a chance que teve. Se o Vélez teve mais volume e progrediu mais em campo, o Peñarol jogou na apatia e com a força que tem, para que saísse de casa com a vantagem mínima pela eficiência de um cabeceio uruguaio. Justo.

*E para mim, o Peñarol seria o time de maior dificuldade em um confronto diante do Santos. A equipe de Aguirre joga em um 4-4-1-1 que não permitiria a infiltração de jogadores santista na defesa do time uruguaio. A equipe, porém, peca muito em criação. Quero dizer, a falta dela. Além de tudo, o jogo do time do Peñarol é muito eficiente por se basear em jogadas aéreas, que parece que vem sendo um quesito que o Santos vem pecando. Para mim, jogar contra o time uruguaio seria mais difícil do que atuar contra o Vélez. Os argentinos jogam e deixam jogar. Os espaços que dariam as volantes seriam muito bons. Agora, se o Peñarol vai passar para a final, é outra história. Mas o que veremos a seguir, nos confrontos da Libertadores, será o time da casa tentando virar. E ouso apostar em Santos e Peñarol.

Por: Felipe Saturnino

26/05/2011

Foi melhor pra quem?

Após o jogo de ontem, entre Santos e Cerro Porteño, equipe do Paraguai, fiquei com uma sensação de bom-para-ambas-as-partes. É claro que o Santos mereceu, jogou melhor. Fez o gol em um momento que o Cerro estava se acertando. Ou melhor, em que o Cerro estava acertado. Fato é que, Neymar, após sem grandes lampejos na etapa inicial, deixou tudo para o último minuto do embate para começar a decidir o finalista da Libertadores. O atacante deixou três para trás e cruzou para Edu Dracena marcar de cabeça. Mas a questão não é essa.

O fato é que, poderia ter sido um pouco mais. Um pouco. Muito pouco. Um gol, em exato. E não quero culpar Alan Patrick. O resultado foi muito bom para o Santos; vencer em casa, sem tomar gol, por ora, é fundamental. O caso é de ampliar vantagem e consolidar uma possível vaga na final. O Cerro jogou bem. Aliás, muito. Mas poderia ter saído com dois tentos de desvantagem. De fato, não foi por acaso que os jogadores da equipe paraguaia saíram festejando o resultado. Mesmo sendo negativo, mesmo sendo, pode muito bem ser posto ao avesso na casa deles.

O Cerro pode muito bem vencer o jogo. Aliás, poderia ter saído com um empate do Pacaembu. A equipe atuando com duas linhas de quatro quando se defendia e também quando atacava soube se postar em campo. No meio-de-campo da equipe paraguaia, Torres era o que mais incomodava pelo lado direito da defesa santista, impedindo maior apoio de Pará, lateral santista. Assim sendo, o lado mais forte do Cerro era o esquerdo. Além das jogadas de Torres, o suporte ainda de Fabbro, que deixava muito a área santista, era por aquele lado. Havia ainda César Benítez, para subir pelo lado esquerdo. As complicações no meio santista eram algumas. Danilo tinha que se abster a marcar os jogadores que atacavam por seu setor, os já citados. Arouca, volante de maior constância quando subia ao ataque, não encontrava espaços para infiltrações, desde que o Cerro se postava com duas linhas de quatro jogadores, fazendo com que a chegada de efeito do volante santista não se concretizasse em chance alguma de gol. De Neymar, tivemos pouco. Mas, foi muito para originar o gol. O atacante santista atuava pelo lado do apoiador Piris, que o marcou constantemente no jogo. No final, quem levou melhor foi o santista. Após a jogada até o fundo do lado direito da defesa do Cerro, Neymar cruzou com precisão para Dracena escorar para dentro da meta do arqueiro do Cerro. 1 a 0. E foi suficiente.

O Cerro, seguidamente o gol santista, teve sua melhor chance. Não fez, pois Rafael fez defesaça. Fato é que o Cerro assustou o Santos no começo do embate, marcando forte e tornando escassa a criação do time do litoral. Se isso valeu por 45 minutos, tudo bem. Mas o Cerro é bom time e ainda está vivo. Jogar em casa, perdendo por 1 a 0 é estar em situação “boa” para o Cerro, se obviamente vir a usar a vantagem do fato de mandar o jogo em casa. Mas, o Santos venceu por 1 a 0 em casa, e tem um time pragmático que parece estar maduro o bastante para jogar fora de casa e administrar o jogo diante das situações dadas. Além de tudo, tem Neymar. Pois é, parece que entrei em imparcialidade novamente. Me parece que há vantagem santista, mas o Cerro comemora porque sabe que o resultado foi bom. Bem, desde que seja bom para ambas as partes…

O Santos venceu e tem vantagem - mas foi melhor pra quem? Está (quase) tudo igual

Por: Felipe Saturnino

23/05/2011

Primeiras impressões

Flamengo x Avaí: Luxemburgo não quis modificar muito o esquema flamenguista do jogo anterior. A equipe atuou em um 4-4-2 em que Ronaldinho tinha que buscar jogo para criar ao lado de Thiago Neves. Parece que valeu a pena. Mas vale ressaltar que o Avaí jogou com seus reservas. Porém, de fato, Ronaldinho jogou bem, dando seus lampejos de gênio. 4 a 0 foi merecidíssimo no final das contas, por, obviamente, a equipe apresentar um bom futebol. Contudo, calma. Foi a primeira rodada contra um time que nada privilegia por ora, o Brasileirão. Calma. É só uma impressão.

Grêmio x Corinthians: Foi um dos jogos que eu acompanhei e achei muito baixo tecnicamente para o nível de grandeza das equipes. Mas, o Corinthians foi mais time no 4-2-3-1 que Tite mostrou novamente. E o Grêmio não estava em um dia inspirado. Douglas errou muito, e as investidas em Lúcio pela esquerda foram um fracasso. Apesar de acuar o Corinthians nos primeiros momentos de jogo, a equipe alvinegra arrumou um jeito de estabilizar o jogo, apenas ficando com a bola. O resultado justo, pelo geral apresentado, seria um empate. Mas o oportunismo de um dos melhores centroavantes no Brasil hoje faz do Corinthians um time de uma chance. A vitória é um resultado ótimo, mas a carência na criação ainda pena no Corinthians. Porém, uma vitória é uma vitória. Ao Grêmio, resta repensar o que fazer. Num time com tremendo apoio de Mário Fernandes, Lúcio e ainda de Neuton – que depois foi pra zaga – a equipe não teve Douglas, o jogador de armação da equipe. Com os volantes sobrecarregados, o Corinthians achou o pênalti e foi melhor. Ponto. 2 a 1 para o alvinegro.

Fluminense x São Paulo: O Sampa foi investidor no jogo, e saiu rico. Diante dos problemas, Carpegiani armou a equipe com Souto na proteção de zaga, aparentemente, três zagueiros, contando com ele mesmo. Wellington anulou Conca e Casemiro teve liberdade no tripé tricolor paulista. No outro tricolor, destaque negativo à zaga lenta, que simplesmente não teve uma proteção, como ocorreu com o Sampa. Apostando em Lucas, o São Paulo venceu o jogo bem diante das adversidades. Nada que me faça repensar minha opinião sobre a equipe. Tem muita a acertar. Se acertar, vira uma das possíveis candidatas ao título. 2 a 0 no Rio com tentos de Dagoberto – que fez um dos melhores jogos com a camisa do São Paulo – e claro, de Lucas.

Ceará x Vasco – Neste jogo, a impressão se restringe ao que se deve dizer de Bernardo. Apesar de não ser o titular no meio-de-campo, é ótimo jogador. Fez dois gols na boa vitória vascaína que parece ter atuado em uma 4-4-2 desdobrado em 4-2-3-1, com participação de Bernardo no meio-de-campo. 3 a 1 fora de casa pode contar futuramente. Se Gomes não é ótimo técnico, alguns resultados interessantes podem estar aparecendo. Porém, é só uma impressão.

De resto, o Palmeiras venceu. Jogou no 4-2-3-1, a moda de agora. 1 a 0 com gol de Kléber. Ao Botafogo resta se preocupar.

O Santos empatou num chato 1 a 1. Pior para o Inter. Um ponto ganho contra os bons reservas do Santos. Olha a juventude aí!

O Atlético-MG venceu com autoridade o xará de Paraná. 3 a 0. Vou tentar me informar mais sobre a equipe de Dorival.

No duelo dos times da série B, o Bahia saiu derrotado. 2 a 1 em Minas contra o América.

O outro Atlético, de Goiás, venceu o Coritiba, em Curitiba, por 1 a 0. Gol de Marcão.

E na zebra da rodada, o Figueira derrotou o Cruzeiro. Estranho, não? E o Cruzeiro jogou no tradicional 4-4-2, com Monti e tudo. Ribeiro jogou ao lado de Wallyson no ataque. Cuca tem algumas coisas a ver na equipe. Perder contra um time teoricamente mais fraco expõe a questão do dia: não há parâmetro. Não há jeito de se ter ideia se um time está pronto ou não. É tudo prognóstico.

Enfim, começou o Brasileirão. Mais imprevisível do que nunca.

Por: Felipe Saturnino

20/05/2011

Didática de jogo: teoria do 4-2-3-1

Em falar de tática de jogo, há certo tempo vejo um deslumbramento de equipes por esse esquema de jogo optando por duas linhas na faixa intermediária de campo. De fato, é verdade. Basta olhar para Holanda, Alemanha, Espanha, todas que estavam nas semi da Copa de 2010. Tivemos o Real de Mourinho. Depois, também temos os times brasileiros, como Inter e Corinthians, que por ora optam por essa opção desdobrada de um esquema tradicional deste esporte bretão: o 4-4-2.

Me veio a cabeça recentemente, lendo textos de outros blogs, de especialistas em didática de futebol. Compreendi a predileção de técnicos pelo esquema de jogo. A teoria está implícita em uma versatilidade entre um time de uma linha anterior a linha principal. Essa linha anterior atua com dois jogadores, um primeiro volante, e o outro é segundo. Na segunda linha de faixa intermediária atuam três meias. Um centralizado, coordena as ações de transição de jogo meio-de-campo/ataque. Este é o meia central, o meia de armação no jogo. Os jogadores que atuam pelos flancos são os wingers, ou seja, os jogadores que trabalham abrindo espaço na defesa adversária.

Na Holanda vice-campeã mundial, Sneijder, Kuyt e Robben compunham a segunda linha do 4-2-3-1 de Bert van Marwijk. Com a contenção de seus dois volantes e a saída qualificada, a Holanda tinha versatilidade com os wingers ora se aproximando ora jogando distantes de Van Persie, à frente.

Com essa formação, torna-se muito mais natural a aproximação de jogadores em faixas mais extremas do campo. Por isso a opção prévia por usar o 4-2-3-1 atualmente.

No Real Madrid de início do ano, até Mourinho utilizou o esquema que parece ser a nova moda entre os técnicos de futebol pelo mundo

O desdobramento parece mais comum e comum não é? Então, não fique atônito se começar a ver isso no Campeonato Brasileiro que começa amanhã.

Por: Felipe Saturnino

20/05/2011

O Brasileirão 2011 em prognóstico

Amanhã começa a competição de maior importância nacional: o Campeonato Brasileiro. Sabendo de todo o regulamento, da regra de turno e returno, da regra da soma em todo jogo, brevemente vamos ver o campeonato de mais competição. Mais que todos os outros. Simplesmente pelo fato de a maioria estar realmente preocupada com o Brasileirão. De 20 clubes, temos 15 que não dividirão atenções entre outras competições. De fato, apenas Vasco, Avaí, Ceará, Coritiba – que jogam a Copa do Brasil – e Santos, que está na disputa pela Libertadores, não olham para o Brasileirão com prioridade. Porém, brevemente, dois times por obrigação, terão que olhar para o mesmo com cuidado e carinho. E esses dois serão os perdedores das semifinais da Copa do Brasil. Quem sabe lá o que também pode acontecer com o Santos, apesar de ser mais time na Libertadores.

Sem mais enrolação, fiz uma distribuição de times por faixas de acordo com o rendimento que espero que os mesmos podem ter. São projeções. Para tanto, tive que recorrer ao analista de futebol André Rocha, que me auxiliou brevemente para todos os times no Brasileirão. Aliás, para quem quiser acessar o seu blog, deixo aqui o endereço e recomendação: http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/

Vamos ao que interessa.

Faixa 1 – Zona dos “mais times”

Cruzeiro, que jogou sem Montillo no triunfo contra o Atlético-MG, lidera o grupo. A equipe joga em um 4-4-2 que pode sofrer alterações pelas opções que alguns jogadores lhe dão. Gilberto, atuando como meia e lateral-esquerdo é uma delas; Roger também é um veterano que dá variação à equipe de Cuca. No ataque, Thiago Ribeiro tem feito boas atuações, sem falar mesmo de Montillo, meia citado no início do trecho. O Cruzeiro é bom time. Sem dúvida, figura na Zona 1, a mais “nobre”.

Internacional, o time de Falcão que vai arriscar no esquema da moda nas táticas de futebol: o 4-2-3-1. Após o desastre que aconteceu em poucos minutos contra o Peñarol no Beira-Rio, a equipe venceu o Gaúcho. Resta saber se manterá o esquema da moda e, além de tudo, conseguirá algo que não consegue há 31 anos: vencer o Brasileirão. O time é de respeito, com destaque a mais para Leandro Damião, que tem 21 gols na temporada e é o melhor marcador. No meio-de-campo, D’Ale vai comandando as ações. Kléber jogou como meia esquerda na partida de volta diante do Grêmio e seu apoio é um ponto positivo. Nei é outro que consegue apoiar, porém espaços deixados pelas suas costas são os problemas colorados. Nada que não possa ser resolvido.

Santos, de Neymar. Time pragmático que, se não encanta, dá lampejos de futebol arte. E isso se restringe a Neymar e, quando joga, Ganso. A marcação é o ponto forte hoje na equipe. Além, obviamente, de Neymar. O jogador que está cada vez mais completo joga algo que nunca havia jogado antes. É um time que se por acaso não sair vitorioso da Libertadores, vai jogar no Brasileirão o que tem. E está na Zona “nobre” porque também tem comandante que conhece a competição como poucos: Muricy é apenas teracampeão da competição.

Faixa 2 – Zona dos “que tendem a evoluir”

São Paulo, de Ceni, tem muita coisa pra resolver. O problema é que a coisa não se restringe ao campo, o problema transita pelos ares do clube. Dentro do campo, a equipe vem atuando em algo parecido como 3-4-1-2. Lucas voltou recentemente de lesão e é o destaque. Retomemos aos defeitos. Outro problema tem sido Alex Silva e suas más atuações. O jogador joga no nome e por ser um zagueiro de bom nível técnico, tem coisas a ser resolvidas. Outra coisa: espaço deixado pelas frequentes subidas de volantes e, também, finalização. Como dizemos: tem muito a aprender. Tende mais a errar do que acertar no início. Vaga na Libertadores por hoje.

Corinthians, de Tite. Se as atuações não trazem grandes lembranças aos corintianos, o futuro poderá trazer. Alex é a contratação diferencial. O problema é a janela que permite a entrada do mesmo apenas na décima quarta rodada. A equipe que desde o começo do ano vem atuando no 4-2-3-1, pode migrar futuramente para um 4-4-2, se Alex, JH, Willian e Liédson jogarem juntos. Outro que vai brigar pela Libertadores e tem algumas deficiências. A pobre armação é uma delas. Outra é o apoio de laterais. Talvez mais proximidade entre laterais e meias tragam capacidade de jogadas mais criativas do Corinthians. Esperemos para ver.

Fluminense, de Conca. A base é a mesma e o esquema parece se desenhar em um 4-4-2. A equipe não entra no primeiro grupo por apresentar atuações decepcionantes. A mais recente delas, a vantagem estampada do Fluminense no duelo diante do Libertad terminou em eliminação por 3 a 0 no Paraguai. É time para evoluir também. Conca é o fator diferencial da equipe. Time de respeito, pelo menos por hoje. Abel Braga também é treinador de respeito que pode levar o time a um futuro bicampeonato. Para mim, a equipe começa de olho na Liberta. Outros pontos com ressalvas: Fred, atacante que pode estar na Seleção Brasileira, é um jogador que tem ido bem; laterais: apoiam com qualidade até a linha de fundo. É bom time.

Flamengo, de Ronaldinho Gaúcho. O craque já não habita seus melhores tempos. Ele não tem feito boas apresentações, apesar de elogios ao mesmo na partida de volta contra o Ceará, na Copa do Brasil, pelas quartas. O time que tem Gaúcho é de Neves. Gols decisivos o deram o aval de fator decisivo da equipe comandada por Luxemburgo. O padrão da equipe é no tradicional 4-4-2. O meio-de-campo parece, no papel, ser um de boa qualidade. Bottinelli, Willians, Renato e Thiago Neves. Ronaldinho ao lado de Wanderley ou até mesmo de Negueba. O time peca na marcação, rende espaços aos adversários por ter na lateral-direita um jogador de grande apoio: Léo Moura. Nisso está implícito um dos defeitos da equipe. Outra que, resolvendo problemas e defeitos, pode evoluir e chegar na tão sonhada Libertadores.

Grêmio, de Victor. Um time que parece ser forte. Parece. Ao meu ver, falta um atacante de maior qualificação à equipe de Renato Gaúcho. Douglas é o destaque, por ser o meia articulador que consegue armar as jogadas que seu time precisa. A equipe joga com Lúcio como meia pela esquerda, dando apoio as jogadas de meio de Douglas. Fábio Rochemback e Adilson compõem o meio-de-campo do time num 4-4-2. A contenção, o apoio e a capacidade de armação exaltam o Grêmio. Talvez haja falta mesmo de um atacante. Leandro é revelação. Na meta, Victor. Uma defesa com Mário Fernandes, Vilson e Rodolfo. Gilson é o lateral-esquerdo, dando suporte para as frequentes idas para frente de Lúcio. Um time que parece ser forte pode se confundir com mistos de inconsistência. Vou observar no domingo. Esperemos até lá.

Palmeiras, de Marcos e Felipão. A consistência do começo do ano em alguns jogos à derrota humilhante vinda de um Coritiba que deve ter algo mais. A equipe jogou a volta diante do Coritiba em um 4-4-2, com Chico, Márcio Araújo, Assunção e Lincoln no meio-de-campo; no ataque Kléber e Wellington Paulista completam a esquadra alviverde. E é em Kléber, acima de tudo, que está a esperança alviverde sobre gols. Wellington também é opção. Valdívia, lesionado, fará falta na faixa intermediária de campo enquanto estiver presente a sua ausência. A equipe de Felipão pode passar de um 4-4-2 para um 4-3-1-2 naturalmente, pelo posicionamento de seus volantes em faixas mais anteriores do campo. As carências se restringem à articulação de jogo e marcação. Há também falta de apoio dos laterais, que é quase nulo. Opção pela lateral-direita seria uma bela dica à Felipão, pela carência de um. João Vitor atuou na última partida, mas acho que não tem ido muito bem não. Perdeu pênalti e foi isso. Outra equipe que baba pela Libertadores da América. Tem deficiências a serem postas na mesa e serem acertadas também.

Vasco, de Ricardo Gomes. Poderia colocar o time das Colinas numa faixa em lugar separado que quaisquer outros times, por ser a incógnita para mim. A equipe evoluiu com Gomes, jogou o último jogo com Diego Souza fazendo boa apresentação, Éder Luís e Alecsandro atuantes na área de ataque. É, de fato, um time a ficar de olho para o decorrer do campeonato. No entanto, por ora, a equipe disputa a Copa do Brasil. Tem jogado com um padrão de 4-3-1-2. Destaco Bernardo. Jovem que começou no Cruzeiro é talentoso. Porém, o destaque aqui iria a Diego Souza. E o Vasco pode figurar nos candidatos à Libertadores, mas, de fato, é uma incógnita. Talvez a postura da equipe tenha que ser revista em alguns pontos. Espaços tem de ser reavaliados dentro do campo, em relação a marcação e cobertura de espaços. Tem um time que pode evoluir, até mais do que já evoluiu.

Faixa 3 – Zona intermediária

Botafogo, que não é mais de Joel. Outro time que está em incógnita. E minha dúvida pertinente: a saída de Joel foi boa? Enfim, o padrão da equipe parece ser um ortodoxo 4-4-2. Faltam opções de qualidade para o meio-de-campo, para que a bola chegue bem para Loco Abreu, Caio ou Herrera. Arévalo é o volante de contenção em um meio-de-campo que ainda conta com Marcelo Mattos. E neste tradicional 4-4-2 será que o Fogão consegue alguma coisa? Pelas opções atuais no elenco, acho que não. Time para brigar pela Copa Sul-Americana. De olho no rebaixamento.

Atlético-PR, de Paulo Baier. Com um tripé de respeito no meio-de-campo, Baier, Kléberson e Cléber Santana compõem a equipe dirigida por Adilson Batista. Ainda no setor intermediário, pelo esquema de 4-4-2, a equipe deve ter ainda mais um volante para fechar seu time. No ataque, Guerrón e Adaílton deverão editar a dupla do Furacão. Para mim, é um time que ainda vai se acertar e pode vir a briga pela Copa Sul-Americana. E a Libertadores? Em um campeonato como esse, os times que se acertarem mais rapidamente sairão vencedores na disputa de 20 clubes por 4 vagas na Libertadores. E o Atlético-PR não faz parte da minha lista.

Coritiba, de Marcelo Oliveira. Talvez o melhor time dessa zona. A equipe vem bem e clama pelo trunfo na Copa do Brasil dando a vaga na Liberta. Difícil? Na Copa do Brasil, não. No campeonato, será mais difícil. A equipe que carrega a moda do 4-2-3-1 está aí para ir ao maior torneio de clubes da América do Sul. E é um time bom. Vencer por 6 o Palmeiras não é algo para qualquer um. Mas, creio eu que, o gás acaba no Brasileiro. A falta de elenco talvez seja a principal causa de minha discórdia. Por isso, a equipe terá que se dedicar à Copa do Brasil, título nem tão distante assim. Aliás, mais perto do que se imagina.

Atlético-MG, de Dorival. Time que tem opção e é outro que transita de 4-4-2 para 4-2-3-1 durante jogos. O elenco parece ser bom e Kalil tem grana para trazer quem for. No entanto, não espero tanto quanto uma Copa Sul-Americana para a equipe. Rebaixada? Não. Vai brigar pra cima. Não tão para cima assim, mas sem tantas chances de ser rebaixado. Libertadores? Um passo bem longe. Para mim, a Sul-Americana bastará para um time com opção, mas sem time concreto.

Avaí, de Paulo Silas. Organização é o sobrenome. Eficiência é a assinatura. Em um pragmático esquema de três zagueiros, com liberdade para seu ala esquerdo, Julinho, o Avaí pode almejar coisas maiores do que antes almejava-se. Copa Sul-Americana é algo a ser prezado. Vaga direta na Liberta é algo mais hipotético. Porém, possível. Obteve bom resultado na ida contra o Vasco pela Copa do Brasil e joga forte e intensamente em casa. É um dos times mais frios que existem hoje no Brasil. Consciente do que faz, responsável, encaixotou o Sampa em seu esquema de 3-5-2. Destaque para o arqueiro Renan e claro, para Silas.

Faixa 4 – Zona dos “da degola”

Para mim, Ceará, Figueirense, Bahia, América-MG e Atlético-GO brigarão por seus futuros na Série A. Caso nenhum “figurão” se dê ao luxo de se perder no campeonato, quatro desses serão rebaixado e somente um ficará. E se fosse apostar em um, apostaria no Ceará. Parece ser um time forte quando atua em casa. Ainda não vi nenhum desses jogar e por isso, aqui acaba a análise geral do post.

Ainda ressalvo: as impressões tomadas para as projeções são referidas no processo atual de cada equipe. Não quero prever o futuro. Só uso lógica aqui.
Por tudo isso, amanhã começará o BR11. Depois da primeira rodada, as primeiras impressões.

Por: Felipe Saturnino

19/05/2011

Entre todos os assuntos: Santos, Brasileirão e convocação

Então, vamos ao que importa.

Santos

Se classificou com o pragmatismo característico de Muricy que deu “modo de jogar” ao time da Vila. Neymar jogou bem, mas o pênalti perdido borra parcialmente sua atuação. De modo geral, o Santos mereceu a classificação por ser hoje, ao menos para mim, o melhor conjunto no Brasil. E ainda mais com Muricy…

Dentre outros assuntos, também temos o melhor – ouso a dizer – campeonato nacional das Américas, passando por argentinos e uruguaios. Me refiro ao Brasileirão, que se não compensa tanto em relação à técnica, que de fato, tem evoluído, podemos dizer que temos emoção nas rodadas que ocorrem entre 6 meses de disputas por Libertadores, Copa Sul-Americana e o tão querido título do torneio. Começa sábado. Não vou arriscar um palpite para os campeões, mas posso citar os melhores para disputar a taça pelo menos ao início do campeonato: Cruzeiro, Internacional e Santos são meus favoritos. Porém, times como Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Fla e Flu podem figurar entre os mandões no campeonato. Esperemos para ver o que acontece desde o sábado até o primeiro domingo de dezembro.

A convocação de Mano que me deixou um pouco confuso. Mais, de fato, por causa de Marcelo. Creio que se, não é relevante, tem de ser constatada a ausência do lateral-esquerdo madridista da lista de Mano Menezes. Para mim, o jogador foi um dos melhores na temporada do Madrid e está muito mais completo do que já era. Bom jogador, com repertório ofensivo em apoios eficientes, e com repertório defensivo de marcação e desarme que têm funcionado pelo lado canhoto do Real Madrid. Adriano é uma convocação muito aceitável. O apego de Mano à André Santos que pode ser questionado. E deve. O jogador não tem feito atuações que o façam ser o desprendível das partidas brasileiras. Talvez seja o apreço que há desde os tempos corintianos entre ambos.
De resto, a convocação é aceitável. Quer dizer, há algumas outras coisinhas que tenho que dizer aqui.

1 – Quatro goleiros para quê?
2 – Me abstenho a Pato, Robinho, Nilmar e Neymar. Chance para Damião também, já que “correspondeu” diante da Escócia em Emirates. Questiono um pouco sobre Fred. Será ainda mais questionável se Mano não utilizá-lo. 3 – Pois é, MM ainda disse que tem lista pré-Copa América. Espero que tenha time até lá. Aliás, espero que tenha Ganso também, já que há carências na faixa intermediária do campo no Brasil.

Por: Felipe Saturnino

18/05/2011

Santos x Once Caldas – Preview

O Santos joga hoje o seu futuro que é rico na Libertadores. Futuro que se vê em plena e brilhante forma ao falar de Neymar. E hoje é mais um dos dias para ele brilhar. Hoje, é o dia que ele tem que jogar o que pode. Aliás, todos nós temos falado de modo excessivo sobre Neymar, enquanto o conjunto do Santos em geral, tem jogado de forma consistente nas últimas partidas.
Por isso que hoje, como todos os outros, creio em Santos. E o Santos deve passar. Não só por jogar em casa. Se fosse em Manizales, jogando desse jeito, a equipe sairia vencedora. Como saiu, semana passada.
Por qual motivo hoje o Santos é um time como esse? Além do conjunto, o seu comandante também conhece o caminho. E para aqueles que, anteriormente se esquivavam de Muricy, terão que ficar para ver o resultado que parece estar saindo.
Dentro de um jogo que hoje se mistura de pragmatismo e comprometimento tático até mesmo jogo de posse de bola e ofensividade pura, quase nenhum time pode manter um mesmo DNA de jogo histórico. Faço exceção ao Barcelona, que carrega a essência do seu jogo como uma mãe que guarda a receita do bolo. Com o Santos, isso não ocorreu. Aliás, não pode ocorrer. Um jogo que se derivou tanto culturalmente, em que novas táticas surgem de mais desdobramentos táticos que já existem, nenhum pode superar tanta evolução assim. Por isso, o Santos hoje consegue ser um time pragmático mas com lampejos de futebol arte. E isso pode muito bem se misturar. Com o passar do tempo, isso vai se tornar mais comum.

O Once Caldas não mostrou nada de muito na ida. Pouca criação e muita consistência dos volantes santistas não deixaram um Dayro Moreno atuar com muita liberdade. Mesmo ele tentando abrir espaços pelos lados. A equipe colombiana, também há de se falar, não é das mais habilidosas. Porém, o triunfo diante do Cruzeiro nos deixa com um pé atrás. Por isso, não vai ser fácil.

Mas, o Santos passa. Dois a zero é meu palpite.

E que o pragmatismo santista não faça o jogo chato demais. Que isso só faça o jogo mais “disciplinado”. E Neymar garante uma certa diversão. Convenhamos.

Por: Felipe Saturnino

16/05/2011

Liberta e Paulistão são do Santos; e os paulistanos?

O Santos é bicampeão paulista. Ou é dezenove vezes campeão. De qualquer maneira, o Santos venceu de forma merecida o Corinthians de Tite, esse que jogava com extrema apatia.
Mas com exceção feita ao Santos, que antes era dado por mim mesmo como um time ainda não-pronto, quais outros times do estado de SP são compatíveis com o caráter de campeão de algum torneio neste momento?
Pois é, nenhum. De sólido, é fato, só há o Santos. E de quebra, o time do litoral não é paulistano. É paulista.

Difícil o que acontece nos times paulistanos. Fazer de tudo para justificar taticamente é a resposta. Porém, no caso do São Paulo, é clara a crise interna que o clube vive. E isso, coincidência ou não, acontece desde o momento em que Juvenal corrompeu o Estatuto Oficial da equipe. E desde então, a equipe vem sendo rotulada merecidamente com a etiqueta de “não-confiável”. Venceu o Corinthians, em uma das melhores atuações de seus zagueiros e perdeu para o Avaí, em jogo que tinha a absoluta vantagem na mão. Pois é, perdeu a vaga na Copa do Brasil. Talvez seja o reflexo da “desorganização” que ocorre quando falamos da parte administrativa. Também há a crise de Carpegiani com seus comandados. Ou nem tão comandados assim. Nem a pau, Juvenal!

O Palmeiras é um caso diferente. Pelo menos parece ser. O objetivo aqui é arrumar justificativas táticas. Com o São Paulo, por exemplo, posso citar as falhas que vêm se tornando frequentes dos zagueiros são-paulinos. Melhor, as falhas de Alex Silva. E tem jogado pouco mesmo. Talvez o nome tenha chegado até a cabeça e o confundiu. Fato é que o conjunto não consegue funcionar quando um jogador falha tanto. E além dele, o meio-de-campo da equipe também foi engolido pelo Avaí. Mas, vamos mudar de muro. No CT palmeirense, o caso parece ser consistentemente tático. Perder de 6 a 0 não é muito caso de falha psicológica. Pode ter se tornado após levar o quarto ou o quinto. Mas enquanto há a igualdade, nula é a vantagem. Talvez a falta evidente de um articulador seja o centro do problema. E o que chama a atenção também foram os erros de marcação de volantes no Palmeiras. O que, em teoria, é o que um volante deve fazer. Pois os volantes não fizeram. Massacre curitibano. Merecido. E também, outra coisa: há mal-estar no clube. De dirigente a técnico. Vida difícil.

Talvez o Corinthians seja o time que tenha chegado mais perto. Mas passou longe de jogar bem. Com muita apatia e pouca criatividade, a equipe corintiana venceu o Oeste, o Palmeiras – jogo que, de fato, não conseguiu inibir as ações do adversário atuando com um homem a menos – e perdeu na volta contra o Santos. Pois na ida havia jogado bem. Empatou, e faltou pontaria. Mas o articulador e no mínimo seu atacante, Liédson, jogaram bem. Aqui, adendo nas atuações de Ralf e Paulinho, que pouco jogaram na ida. Deixavam espaços, e não davam combate a Neymar no caso. Ralf ficava estático ao ficar posicionado na frente de Alan Patrick. Na volta, do lado santista, o diferencial foi Arouca. Se Danilo não aparecia bem a frente, Arouca fez o que fez. E o Corinthians sabe que tem que mudar. Assim como Palmeiras e São Paulo, que parecem possuir casos transcendentes do campo de futebol. Ainda no alvinegro paulista ou paulistano, como pontos fracos temos os poucos combates de Paulinho e Ralf que inibem uma posição mais avançada de Alessandro e Fábio Santos. Porém, também há apatia dos mesmos laterais que apoiam deficitariamente.

No final puro e bruto, os paulistanos se saíram mal no primeiro semestre. Para Palmeiras e São Paulo, há a Cop Sul-Americana que agora dá vaga na Liberta e o Brasileirão. Mas desse jeito, os times não vão se sair bem. Ao Corinthians, a preocupação única e ânsia de ir ao torneio de maior importância na América do Sul. Enfim, agora só resta metade do bolo para os três paulistanos. Ao time do litoral, méritos à Muricy que deu tom ao padrão tático de 4-4-2, com Alan Patrick como meia articulador centralizado agora. E ainda, exaltações ao jovem Neymar, mais brilhante e completo que nunca. O diferencial, além dos dois, é o conjunto que joga bem. Maior comprometimento, com ou sem a bola, rege as regras no Santos de Muriçoca. Quarta tem mais uma decisão, de Peixe ao molho das Onze Caldas.
Não é consenso que o Santos vá ser campeão, mas agora a Libertadores é de Neymar. É do Santos. Que Muricy, Neymar, Elano e cia. saiam vitorisos. Desde que façam com competência e com disciplina. E, de fato, é o que tem acontecido.

Trio de ferro em chamas - agora só restam Brasileirão e Sul-Americana aos "paulistanos"

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Por: Felipe Saturnino