Archive for junho, 2011

30/06/2011

Como esperar?

Uma semana depois do título merecido do Santos, Ganso e Neymar, juntos ainda de Elano, despediram-se da equipe do litoral e foram à Argentina, com fins para se agrupar ao conjunto proposto por Mano Menezes. E isto é o Brasil.

Sim, aqui meu texto proposto vai à Argentina, que pouco vi jogar. Lembro do embate que entravou diante um Brasil pouco ascendente, que ainda pouco havia trabalhado. Assim como a própria Argentina. Pois bem, para quem tem Messi, o pouco trabalho de pouco restara contra um Brasil pouco inspirado. A Argentina venceu em Doha, no Catar, por 1 a 0. Foi a primeira derrota de Mano exercendo a função de técnico. Águas passadas. Se o Brasil não tem um time convincente quando Ganso está de fora, a Argentina, amigo, eu não sei como virá a campo.
Do que me recordo, a equipe vitoriosa diante o Brasil veio com Mascherano, Banega e Pastore no meio-de-campo. Di María, Messi e Higuaín compunham a faixa avançada argentina. Se Batista repetir a formação pode ser que haja Tévez no lugar de Di María, possivelmente. Higuaín pode entrar mais para os últimos jogos da competição, como em um entrave final da fase inicial da Copa América. Há também o atacante Lavezzi, integrante do Napoli, que pode figurar no ataque argentino de Sergio Batista.
Outra questão é se Pastore – ótimo meia para dar base à criação de jogo argentino – irá atuar entre os titulares. Se isso ocorrer, teremos dois volantes mais contidos, nas devidas proporções. Caso não ocorra de Javier Pastore entrar, Messi, naturalmente, com toda sua habilidade, voltará à faixa intermediária para distribuir e fazer circular o jogo albiceleste. Não que Banega, o provável volante titular de Batista não seja um distribuidor. Na verdade não é. Messi, sabendo do que tem que fazer, – e o que fará – também sabe que a equipe argentina está armada ao seu redor. Mesmo que Gago tenha dito que não é assim. Pois é meu caro, é assim. A Argentina de Checho Batista é o Barcelona, sem tanto talento em demasiada demasia, em uma hipérbole sem proporção e nexo algum. Messi é gênio. Que joguem, então, ao redor do gênio.

Com sinceridade, teria Pastore ao meio-de-campo, contendo mais Banega ao lado de Masche. Di María faria parte do meu time, mas também teria que cumprir tarefas mais defensivas – assim como estava executando no Real Madrid de Mourinho.

No mais, esta Copa América vai ser uma das melhores. Messi, Neymar, Ganso, Forlán podem e devem brilhar. Então, esperemos a Copa América. Os times? Bem, estes não sabemos como esperar.

Sergio Checho Batista - ele sabe como vai jogar a Argentina

Por: Felipe Saturnino

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22/06/2011

Panoramas e caminhos

O Santos da quarta-feira passada apresentou uma retração de produtividade, quando se relaciona e se compara o mesmo time que abateu o Once Caldas e o Cerro Porteño. Há, mesmo assim, de se ressaltar que, um jogo de final é algo mais complexo que todos os entraves anteriores no torneio; a tensão, os erros, o nervosismo é muito maior do que tudo que ocorrera antes.

O panorama de hoje vai depender de tudo isso citado. E um pouco mais. Afinal, como você vai prever um panorama?

Não quero fazer fazer previsão, não tenho habilidades suficientes para o mesmo. Mas, não seria um risco pressupor alguns caminhos que o jogo pode tomar.

Santos no 4-3-1-2 com Ganso e Peñarol tentando se postar em um defensivo 4-4-1-1. Neste caso o jogo se torna mais favorável, circunstancialmente, ao Santos, por monopolizar as ações na faixa intermediária de campo, ditando o ritmo com alternâncias de velocidade – com infiltração de volantes – e cadencia de jogo, com Ganso comandando a troca de passes fluente pelo setor. No caso, o Peñarol se posta defensivamente. Nada que não possa ser dramático. Com o uso dos espaços supostamente deixados por laterais e volantes, se pode tirar vantagem de um esquema como este. Os pontos fortes seriam o contragolpe fluente pelos lados, com incidência de Mier e Corujo, com Martinuccio atuando centralizado, voltando e buscando bolas, e a marcação que deixaria ainda menos espaços à Neymar e aos volantes santistas. Para isso, há Ganso. Dependendo do encaixe tático, o meia santista baterá de frente com Freitas ou Aguiar. Na teoria, os dois vão se alternar na marcação ao articulador clássico.

Santos sem Ganso inicialmente e Peñarol bem postado, jogo mais parelho. O jogo seria mais parelho, já que o Santos do Uruguai, no Centenario, sem Ganso, foi um time com Arouca comandando as ações centrais, Elano postado à direita e Danilo pela esquerda. A equipe pecou na finalização e pouco criou na primeira etapa. Na segunda etapa, a mesma disposição tática propiciou mais chances de gol, graças à infiltração de Alex Sandro, apoiador canhoto, que fez um bom jogo. Zé Eduardo desperdiçou duas chances de gol. Neymar pouco fez. Muito se deve à marcação dos uruguaios ‘carboneros’ que se postarão da mesma forma que se postaram, definitivamente. O jogo tende a ficar mais parelho, o Peñarol teria quase o mesmo tipo de situação com a qual se deu de frente em seus domínios, há sete dias. Como na ida, olho em Martinuccio. Destaque e avisos, novamente, aos “wingers” Mier e Corujo, que atiçam o Peñarol com jogadas laterais, que são perigosas.

Santos da ida, sem Ganso, Peñarol com Estoyanoff. Uma possibilidade mais remota. Todavia, é uma possibilidade. Se Aguirre realmente quer um time com maior presença, dando mais calafrios aos santistas, a opção de Estoyanoff seria aconselhável. O meia-atacante, que entra bem em jogos, na última semana, no jogo de ida, entrou, e deu certo trabalho a um Alex Sandro que apoia bem e deixa espaços; hoje ele teria pela frente Léo. O lateral jogará. Estoyanoff, também?

Mini-jogos

Léo/Alex Sandro x Corujo/Estoyanoff – Corujo é menos atuador no campo ofensivo adversário, mas não deixa de ser perigoso. Pelo menos, o Peñarol é ideal com ele. Estoyanoff, em contraponto, é mais incisivo, agressivo, persistente, características notáveis em um atacante de média qualidade. Ou boa. Fato dado e constatado é que atrapalharia a vida de Léo. E também de Alex Sandro. Dois laterais que podem ter carências em marcação – apesar de achar Léo um ótimo lateral, em marcação e apoio.

Adriano x Martinuccio – Martinuccio é o jogador mais talentoso do time uruguaio. Porém, há de se ressaltar também que, mesmo sendo a esperança de desafogo do jogo do time uruguaio, o meia não tem características de cadencia, e sim características de mantimento do ritmo de velocidade, a que se impõe o Peñarol. Adriano, volante santista, marcara bem o meia camisa 10 dos ‘carboneros’. Agora é hora de ver o tira-teima final. Martinuccio terá de mudar, se desprender, ser mais jogador do que é. Claro que ressalto mais opções para jogo são fundamentais no caso. Mas, o camisa dez, em um time que repete-se com o da ida, seria ou será a maior esperança de talento de jogo.

Pará x Mier – Um embate interessante. Pará é bom lateral, melhorou com o decorrer do tempo. Não é o melhor da posição, mas sabe apoiar e no quesito de marcação vai bem no combate individual. Mier é robusto, forte, leva as bolas ao fundo e as cruza ou arruma um jeito de jogar mais eficientemente. O entrave é equilibrado. Aqui, tudo pode acontecer. O que se sabe é que Mier não terá vida fácil. Pará, para levar a bola à linha de fundo, se for a situação, terá de atravessar o meia esquerda do Peñarol e ainda, o lateral/zagueiro Dario Rodriguez.

Ganso/Arouca x Freitas e/ou Aguiar – Se Ganso confrontá-los – sim, a marcação se alternar entre os dois volantes – o Peñarol terá que se preocupar. Porém, mais um volante terá espaço numérico para se infiltrar. No caso, Arouca e/ou Elano. Na outra suposição de Arouca atuar como meia centralizador, o Santos sofrerá mais, já que todos sabem quem é esse tal de PH Ganso. Seus passes e suas jogadas sempre gerarão grandes chances ao definidores-chave, ou, até mesmo, aos citados volantes, que teriam mais comodidade ao avançarem no campo do Peñarol, sabendo do que podem receber.

Chave do jogo. Marcação pressão e, especialmente, movimentação e ocupação de espaços por Neymar, já que terá de procurar mais espaços para se movimentar, sabendo da marcação que terá pelo lado direito da defesa carbonera. Talvez, atuando por de trás do volantes, vindo partindo com a bola, costurando jogadores, o jogador dê liga. O seu jogo da ida representou-se por muito pouco perto do potencial de Neymar. E, desta vez, terá ao seu lado Ganso.

Por: Felipe Saturnino

21/06/2011

O Santos tricampeão

Há dez minutos peguei-me comparando títulos e mais títulos para descrever o tamanho do feito que o Santos está perto de completar. Parece que descrever um feito da grandeza de ser campeão das Américas é algo complexo. O título que aqui está exposto remete algo bem mais simples, não só por ser curto, mas por ser bem preciso neste curto trajeto que percorre. O Santos tricampeão está muito perto. Distantes, longínquas, e, ao mesmo tempo, solenes, bem vindas, e próximas estão as memórias do Santos de Pelé – mas não só dele – que foi vencedor por duas vezes consecutivas, abatendo o mítico Peñarol que conseguiu vencer suas duas primeiras Libertadores e as duas primeiras Libertadores da história.
A lembrança de hoje (amanhã) será bem mais para tirar-lhes – torcedores santistas – o certo peso que há sobre os mesmos de darem de ombros – os outros torcedores – a valorização que se deve aos títulos primordiais da equipe na Libertadores, por acreditarem e creditarem os méritos místicos de um clube que tinha uma geração em si, e que nunca mais houve e haverá outra. O certo é que Pelé, como representação do misticismo, não existirá mais. Mas a geração campeã pela terceira vez, tirando um pouco do carregamento fortíssimo que há sobre uns, é simples assim: há, e tem como seus representantes Neymar e Ganso.

Tão simples quanto isso, apenas há o Santos tricampeão. Talvez, amanhã, a lembrança de hoje – do post – não seja tão solene e tão bem vinda quanto o momento em que o Santos venceu a Copa Libertadores nos anos de 1962 e 1963. Porém, talvez, as memórias solenes do que aqui publico – que pouco importará em final de contas – fiquem pra história. Não se lembrem do que passou, se recordem do que acontece. Pois o presente já passou.

E, amanhã, o Santos será tricampeão. Simples assim.

Por: Felipe Saturnino

19/06/2011

Frieza

Aquilo que chamava de hesitação, por parte do São Paulo, virou outra coisa. Aquela singularidade envolvida por passividade, entregando a bola ao adversário, mas não dando o campo. Lembra, daquilo de dar chance aos adversários? Então. Agora chamo aquilo de frieza.

Ao São Paulo não bastava ditar ritmos, controlar um jogo e tocar de lado. Diante de um Ceará veloz, por menção aos dois laterais da equipe, que avançam muito, o time de Rogério Ceni teria que ser algo mais. Aliás, já tinha sido este algo mais. Mas, agora, esse mais tem nome. E não é hesitação, que quase prejudicou o Tricolor contra o Atlético-MG. Nem mesmo a velocidade, que matou o Grêmio imortal em casa. A frieza de um time de meninos falou mais alto.
Até mesmo pois Carpegiani não substituiu de jeito tão certo. Ao menos, tirando Marlos, autor do tento do time paulista, fazendo um jogo dos melhores, PC Carpegiani parecia estar querendo se defender. Engana-se quem pensa que era somente isto. Engana-se muito. Liberar Jean e Juan para trabalharem com mais liberdade ajudando os volantes e o meia são-paulino – Lucas, no caso – foi o trunfo. Tudo isso diante de um Ceará que tinha tudo para empatar, e não empatou.
A frieza de garotos, que nem são tão garotos assim. Mas, há de se mencionar a atuação com 7 jogadores canteranos do Tricolor. Bem, de fato, parecem garotos. E são.

O Sampa, diante de um Ceará veloz de imposição de ritmos, soube se postar em campo. Jogando no seu 4-3-2-1, se remontou em um 3-4-2-1 com a entrada de Uvini no lugar de Marlos. O ditado de ritmos imposto pelo São Paulo constatou o que foi o jogo: uma frieza nas linhas tortas. O gol de Lucas, ao seu melhor estilo, restou ao time das três cores do Morumbi a liderança, com 100% de aproveitamento, completando um feito inédito. Porém, domingo tem clássico. Ainda há de se ressaltar que hoje, o Sampa é muito mais frio que outrora foi. Peca por, no lado esquerdo, ter Juan muito inconsistente na marcação. A zaga, mesmo sem tomar gols, ainda parece um pouco insegura. Mas, também há de se falar que é formada por garotos – Luiz Eduardo e Xandão, com Bruno Uvini entrando na segunda etapa. Hoje, o Sampa, veloz com Lucas e Marlos, contrasta com ditos de ritmos aleatoriamente, com toques verticais. Vai funcionar para domingo? Talvez funcione. Aliás, funcionou por 5 jogos.

Frieza - Ceni representa bem a maior qualidade são-paulina diante o Ceará

Por: Felipe Saturnino

16/06/2011

Ao acaso e o confuso

Foi um jogo típico de final. De uma final qualquer, não apenas de Libertadores. Mas o clima, de verdade, era o de um confronto do torneio.

Peñarol e Santos fizeram um bom jogo. Era final, ressalto novamente. É outra história, o nível de tensão é diferente em comparação à de um jogo qualquer. O Peñarol era favorito no jogo, por fazer valer os mandos em casa, já que não perdeu nos domínios locais na segunda fase da Libertadores. No confronto em si, todos sabem que o Santos é mais time.
Mas, em suma, o confronto era um pouco imprevisível. Tão imprevisível e confuso foi o primeiro entrave.

O Peñarol, foi armado no 4-4-1-1. O Santos, não foi no 4-3-1-2. Foi de 4-1-3-2. E o jogo foi confuso.
Para quem viu, pôde perceber uma alternância de ritmos confusa no jogo. O Santos, em tese, dita ritmos, ou seja, cadencia o jogo e domina o adversário monopolizando as ações no meio-campo. O Peñarol impõe ritmos parcialmente, forte na marcação, dificultando infiltrações, bem postado para se defender. As jogadas fluem pelos flancos, quando Mier, Corujo e Martinuccio conseguem participar no jogo. Sabendo de tudo isso, se viu a indecisão em ditar o ritmo. O Santos, ditador, não ditou não. Nem o Peñarol. Muito se deveu ao Santos ter dificuldade em trocar bolas com eficácia; Elano fez um jogo muito pobre na primeira etapa. Arouca, centralizado no esquema de Muricy, era o jogador para controlar a organização do setor santista. Danilo tinha que se manter consciente que, ao seu lado, havia Corujo, perigoso pelos lados. Mas, o volante santista conseguiu, casualmente, escapar para um pouco de jogo. O Peñarol manteve o jeito de jogar. Manteve, com convicção. A marcação sobre Neymar, que funcionou bem, se dá de um jeito bem prático para a equipe uruguaia. A questão permaneceu e se manteve no “criar & desenvolver” do jogo. O time de Aguirre tem dificuldade em manter a bola nos pés, mesmo chegando nas finais da Liberta, o problema se manteve. Martinuccio não tem tantas características assim. Não pôde exercer a função nesta quarta. Jogou pouco. Porém, o Peñarol vive de imposições de jogo que casam bem em momentos do jogo. Contra o Santos funcionou em alguns momentos, e pouco importou. O Peñarol não aproveitou e teve seus dois impositores pelos lados com muita escassez em jogadas. Mier e Corujo pouco fizeram no jogo. E o embate ficou no empate.

Note bem que as equipes tiveram chance de fazer vantagem. Não fizeram. Zé Eduardo teve a sua (aliás, teve duas). O zagueiro-lateral Darío Rodriguez também perdeu a sua. Mas, deu-se ao acaso de influenciar a partida e mudar alguns rumos. Na verdade, nem o acaso prevê tanta imprevisibilidade que rondará a Taça Libertadores até o jogo da semana que vem.

Um confuso embate que o Santos pode vencer. Mas, o Peñarol é muito bom time. Por tão confuso quanto tenha sido o jogo, o Santos tem que se cuidar. Por tanta culpa que tenha tido o acaso – óbvio que cobro aqui a incompetência de colocar a bola para dentro da baliza, mas também relaciono a obra do acaso como obra natural do jogo – que não se percam tantas chances assim. Aliás, o acaso é imprevisível. É confuso – é o que foi o jogo. Mas, Muricy vai ter de ter certeza que desta vez seu time não comporá para o acaso; ele vai ter de ter certeza que sua equipe faça gols e jogue mais do que jogou na quarta.
Caso contrário, do outro lado há um time babando por uma chance. E não será obra do acaso se, por um acaso, o Peñarol for campeão.

Acaso - questão de (falta de) competência

Por: Felipe Saturnino

15/06/2011

Entre uruguaios e brasileiros: a final da Libertadores

O Uruguai há tempos não tinha um time na final da Libertadores da América. Desde 1988, quando o rivalíssimo do Peñarol, o Nacional, venceu o Newell’s Old Boys na decisão.

Hoje o cenário remete à tradição clássica entre ambas as equipes. O Santos conseguiu vencer um Peñarol que havia sido bicampeão em 1960 e 1961, nas duas primeiras edições da maior competição das Américas. O triunfo santista surgiu em 1963.

Em tons atuais, para aqueles que reclamam do Peñarol, a equipe é boa e merecidamente está na final. E acho que o Santos não poderia esperar pior adversário. Um time que de tão pouco flexível em movimentação pode dificultar muito em marcação para um Santos que surge em desfalques no Centenário de Montevidéu. Neymar deverá ter menos espaço do que vinha tendo, já que nenhum jogador atuante da linha de quatro jogadores inicial do time uruguaio é móvel. Nenhum deles dá apoio algum.

Chave do jogo. Monopolizar o meio-de-campo do Peñarol não é lá das tarefas mais difíceis, já que mesmo com Martinuccio, a equipe tem um aproveitamento de troca de bolas muito fraco. Porém, o que se deve notar é que os dois jogadores mais abertos do Peñarol na faixa intermediária de campo – Mier e Corujo – participam muito e dão trabalho aos laterais adversários. Martinuccio é um jogador que atua nas jogadas laterais verticais com esses abertos, evoluindo em campo; ele ainda executa a função de marcar o volante adversário. A arma mais preciosa que o Santos terá em mãos será a conservação da posse de bola, sabendo que qualquer descuido de seus laterais poderá gerar gol ao Peñarol, sabendo dos dois jogadores mais abertos.
A segunda linha de quatro homens. O Santos não terá tanta facilidade em infiltrar volantes com jogadas rápidas de entradas surpresa, com Arouca, principalmente. A equipe no jogo de hoje terá Elano no comando do meio-de-campo, em teoria, o jogador vai exercer o papel de meia típico de armação. Mesmo não sendo mestre na função, vai ter que praticá-la bem no dia de hoje. Ficar com a bola e ditar o ritmo sobre um Peñarol que é deficiente em manter a posse é de extrema importância.
Neymar e seu companheiro. Neymar não terá facilidade hoje. Terá González marcando pelo seu lado de campo e não deixando muitos espaços em suas costas. Este lateral não sobe tanto assim, já que Corujo faz o trabalho em avanço lateral no campo desse lado falado agora e aqui. O Santos terá que achar outra alternativa. Possivelmente, mais movimentação de Neymar possa funcionar no caso.

Bom jogo e boa noite!
Ah, por hoje, meu palpite é empate.

Por: Felipe Saturnino

13/06/2011

Algum Palmeiras, alguma direção

O empate no jogo de ontem não foi justo, mas aconteceu porque o Palmeiras não soube se defender no último minuto da partida. Simplesmente errou, tomou o empate de um Internacional apático e bem medíocre, deixando o jogo em 2 a 2.

E o Palmeiras jogou bem. Jogar contra o Internacional é difícil. Apesar deste Inter ser bem apático. Mas, fato é que o Palmeiras foi bem. Armou-se bem no seu 4-2-3-1 que Felipão impôs ao time verde diante do colorado gaúcho, que Falcão arriscou no 4-4-2 com um Oscar e D’ale alternando os lados do campo.
O Palmeiras foi bem por marcar os meias do Inter – anulados por falta de movimentação e forte marcação nas laterais proposta pelo Palmeiras – e conseguir explorar pontos fracos da equipe. O lado de Nei, pela direita, o mais fraco, foi a origem do gol de Luan. Por falar em Luan, este foi uma peça-chave no jogo de Scolari. Ocupou os espaços para que não houvesse infiltração do lado esquerdo palmeirense. No outro lado, Adriano “Jackson” cumpria uma função semelhante, sem tanto sucesso em jogadas ofensivas. Mas a ocupação de espaços barrando Oscar e Kléber encaixotou o Internacional, perdido, sem rumo.
Com Oscar e D’ale periféricos, ao centro Tinga tentou se aventurar na criação. Nada conseguiu. Um Palmeiras forte na reestruturação, com Patrik, Araújo e Assunção recompondo uma linha importante na faixa intermediária da equipe.
Mesmo assim, o Palmeiras peca ainda por falta de um meia mais meia do que Patrik, que se limitou a recompor o jogo. Com alguns ajustes, com um meia, neste esquema, o Palmeiras parece se achar. No jogo diante do Inter, fez boa exibição, errou no último lance, que foi capital na história do entrave.

Mas, em alguma direção, o time de Scolari, que se baseia em solidez defensiva e marcação forte, com recomposição de jogo rápido, parece estar indo. Diferente do Inter, que nem caminho achado por Falcão ainda tem.

Por: Felipe Saturnino

10/06/2011

O Brasil em 22 jogadores

Mano Menezes convocou 22 jogadores para a Copa América na Argentina que vai do dia 1º de julho ao dia 24 do mesmo mês. E o time de Mano vai me preocupar um pouquinho.

Não penso aqui o que a revista inglesa FourFourTwo publicou nesta semana. O futebol brasileiro não morreu. Aliás, tem tudo para ser um futebol que jogue o jogo com a bola nos pés, de um jeito que convença-lhe mais, não é? Um jogo mais vivo. Muito mais, aliás. A geração com Ganso, Neymar, Lucas e Pato promete. Se engrenará, isso é algo que ninguém sabe.
O que realmente me preocupa é o retrocesso de esquema e time concreto que Mano possui nas mãos. Ele tem muito a acertar.

Ganso deverá chegar bem à Copa América. O time deve reeditar o 4-2-3-1, com Neymar pela esquerda e Robinho pela esquerda. Ganso jogará centralizado. E o entrosamento? Bem, pouco importará. Pouco mesmo. Na Copa América, um Brasil sem convencer e jogando um futebol pouco empolgante que ainda apresenta deficiências, terá um time mais coeso, com Ganso e o esquema antes proposto por Mano Menezes. Os 22 homens de Mano terão que suar o que podem e o que não para sair da Argentina com o título em mãos. Outros times como Uruguai e a albiceleste Argentina são mais concretos que o próprio Brasil. Por isso, Júlio César, Victor, Daniel Alves, Maicon, André Santos, Adriano, Lúcio, Thiago Silva, David Luiz, Luisão, Elano, Lucas do Liverpool, Ramires, Sandro, Jádson, Elias, Lucas do São Paulo, Ganso, Pato, Robinho, Fred e Neymar, façam o possível para tentar nos convencer de que a Seleção Brasileira dos tempos atuais é boa o bastante no que diz sobre a Seleção Brasileira. A Copa América não poderá ser apenas um laboratório para testes na equipe de Menezes. Terá de ser o campeonato em que se prove que o Brasil já consegue vencer times figurões, como Uruguai, Argentina e Paraguai.

Mano Menezes terá uma das tarefas mais difíceis da sua carreira, para mais que conte do Brasil. À Mano, uma atuação fraca e limitada poderá custar-lhe seu trabalho. Esperemos então para que a atuação não exija isso.

Por: Felipe Saturnino

09/06/2011

Ao São Paulo líder e o Vasco campeão

O São Paulo venceu o Atlético-MG ontem, merecidamente. Não que tenha sido brilhante, mas, de fato, foi mais time. Bem armado, se impôs nos momentos iniciais do entrave que terminou com o triunfo do time do ex-renegado Carpegiani, por 1 a 0. A equipe agora lidera o Brasileirão.
O São Paulo passa por um período de reformulação de time; a equipe de hoje tem muito jogadores da base da equipe. Ontem, Wellington, Casemiro, Lucas, Luiz Eduardo e claro, Ceni, eram os principais “canteranos”. E com esses jogadores, PC Carpegiani apostou no 4-4-1-1, com um desdobramento do 4-4-2 para que Lucas flutuasse livremente pelas duas linhas de 4 homens do São Paulo no jogo. A linha da faixa intermediária era composta por Rodrigo Souto, Wellington, – este atuando pela direita – Casemiro, jogando pelo lado esquerdo e explorando as jogadas pelo lado de Patric, com Carlinhos Paraíba atuando mais por dentro, para dar suporte à criação de jogadas. Vale ressaltar que o São Paulo não tem um meia que tenha um estilo “Ganso”. A condição de funcionamento do meio-de-campo tricolor é compartilhado desde o volante Wellington até o flutuante Lucas, meia que circula livre pelo esquema do São Paulo. A equipe vai se achando, apesar de não ter um jeito e esquema de jogar definidos. Esperemos pela volta de Luís Fabiano para reparar se o 4-4-1-1 no Sampa prevalecerá.
As melhores chances criadas pelo Atlético surgiram quando seu lateral Patric subiu ao ataque, dando trabalho no combate no entrave diante de Juan lateral tricolor, que sofre muito quando tem que dar combate a um homem do adversário.
No jogo de ontem, o Atlético teve muitas chances. Muitas. Não as aproveitou. Quando disse que o Sampa se impôs no início, isso se deu porque seus homens de meio-campo conseguiram monopolizar as ações diante de um Atlético ainda sonolento em sua faixa intermediária. O de mais que me chama atenção é a hesitação e o jogo circunstancial deste São Paulo das primeiras três rodadas. É muito cedo para prognóstico, mas fato é que o time de Ceni, quando acumula vantagem após uma imposição, hesita em atacar e se torna um time de defesa, dando a bola ao adversário, mas não cedendo espaço. Se o adversário fosse pouco mais competente, teria empatado o embate. Talvez se deva à atuação mais ousada do Atlético nos momentos da etapa complementar. Também pode se dever à apatia nos momentos da segunda etapa em relação aos volantes do tricolor paulista. Mas o fato é que as circunstâncias que o São Paulo passa durante um entrave e cede a bola ao adversário são verdades e têm de ser resolvidas. Às vezes, você tem que hesitar em hesitar, de contrário, poderá somar um ponto apenas. Fosse o Atlético mais eficiente e o resultado seria diferente.

O Vasco voltou ontem do lugar que jamais deveria ter deixado: o pedestal dos maiores do Brasil. Rebaixado em 2008, a equipe foi do pior ao melhor momento em 10 anos, já que em 2001 o clube venceu a Mercosul.
Armado inteligentemente em um 4-3-1-2 que Gomes adotou no Vasco, o time perdeu mas ganhou a Copa do Brasil. Congratulações à equipe que merece, por sua grandeza, os títulos que já possuía e, acima de tudo, o título mais recente e um dos mais importantes da história do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Dedicatória também ao Coritiba, outro que, apesar de rugir das profundezas da Série B após um ano péssimo com recordações à 2009, veio da segunda divisão e habitou os ares de final de Copa do Brasil.
Dedicatória também à Ricardo Gomes, que de renegado no tricolor paulista passou de técnico campeão no Vasco.

Mudança circunstancial de assunto:
E a convocação para a Copa América? Foi boa?

Por: Felipe Saturnino

07/06/2011

Entre festas e negócios

Claro que hoje tenho que abordar Ronaldo no texto sobre sua despedida. Óbvio que vou usar palavras como Fenômeno, artilheiro, sensacional, magnífico, craque, gênio etc para defini-lo. Claro que, hoje ele fará seus últimos 15 minutos vestindo o uniforme da seleção com maior importância no cenário do futebol mundial. Por tanto, Ronaldo tem de ser festejado hoje, com muito merecimento.

Entre festas e despedidas, também visualizamos uma equipe brasileira ainda necessitando de ajustes. Falta de articulador, chutes de média distância e jogadas laterais explorando os nossos atacantes, como atuou o Brasil de Mano contra a Holanda. O time de Mano, que antes regia o futebol em um 4-2-3-1 hoje não tem mais opção para jogar no esquema da moda do momento. Sem Ganso não há quem o substitua, apesar de achar que Hernanes seria uma boa à meia central brasileira. Porém, o ex-técnico do Corinthians que hoje verá seu ex-pupilo Ronaldo se despedir “em grande estilo” com a Seleção Brasileira em amistoso oficial, não convoca Hernanes desde o incidente que parece ter marcado o atual meia da Lazio da Itália e ex-são paulino. Aquela entrada faltosa que rendeu um vermelho merecido mudou os traços do jogo diante da França.

Águas passadas, enfim, estamos com problemas na seleção. E, por mais que hoje tenhamos uma parte festiva, Mano tem de resolver se vai prosseguir com um esquema que tem dificuldade em trafegar com a bola pelo meio-de-campo ao ataque sem um meia, vai mudar o jeito de jogar, ou simplesmente esperará por Ganso na meia do Brasil, com a legítima 10 verde e amarela.

Entre festas e negócios, Mano precisa acertar seu time. Nem que apresente uma atuação convincente diante da Romênia, o atual comandante da Seleção Brasileira ficará em créditos. O problema é maior. O Brasil precisa de um padrão que, de fato, renove as ideias que muitos dos nossos nativos tem sobre o Brasil nos tempos atuais. Um Brasil que é indeciso sobre o que faz com a bola e que não consegue emendar boas atuações contra grandes, este é o Brasil que temos em mente. Por mais que seja cedo, o Brasil não é o que esperávamos. Não é para ser vaiado, mas para ser, ao mínimo, questionado. Com razão. O torcedor não pensa assim. E se não tem razão, pouco importa. Se o Brasil não jogou bem, não convenceu, e não venceu, o torcedor, no caso, tem razão.

Entre festas e negócios, hoje Ronaldo diz adeus. Dizemos obrigado, meu caro.

Por: Felipe Saturnino