A vitória de um estilo, ou melhor, dois

Quando Aguirre marcou aquele tento na final da Libertadores em 1987, eu não era nascido. Estava muito longe disso. Mas, quem dirá que aquele time deu muito do que o Peñarol é hoje. Ou foi ontem. Muito por causa do que é o time, não somente porque tem um remanescente daquela esquadra vencedora que foi a equipe naquele ano. Quando falo disso, falo de Aguirre.

E ontem o time de Aguirre deve ter incorporado a alma do Peñarol que ganhou em 1987. A equipe jogou como pôde, passou do limite e, ainda assim, passou para a final da Libertadores.

E quanto importa, de fato, se joga um futebol que não é dos mais bonitos? É o Peñarol. O time uruguaio, que joga em uma já rotineiro 4-4-1-1, mostrou como um grande renasce após o período de um médio, ou até mesmo de um pequeno. Porque o Peñarol sempre estaria no lugar que hoje está: entre os maiores.

Saber jogar a Libertadores é a questão. O Vélez, apesar de ter mais futebol do que o Peñarol, não é um time que tem tanto do que o Peñarol tem: a eficiência. E isso decretou, no dia de ontem, a vitória de um estilo, que nem remete ao futebol arte. Não passa nem perto disso. Está a quilômetros. Mas, somente com uma equipe que não tem apoio dos laterais, que depende extremamente de seus dois “wingers” extremos, – Mier e Corujo – e ainda de Martinuccio, e com uma equipe que sofreu para passar em todas as fases, e venceu no limite de todas, se conheceu o verdadeiro finalista. O Vélez é bom time. Muito bom time. O Peñarol teve competência, e, mesmo que não goste de falar disso, precisou de um pingo de sorte.

Ao Vélez restou o rótulo de semifinalista quase finalista. Ao Peñarol, a faixa de finalista é merecidíssima.

Ao que os nossos olhos viram

Ao que vimos, o Vélez, armado em um 4-4-2, com movimentação de Morález e de Martínez, pecou por alguns erros de passe e insegurança inicialmente. O Peñarol foi mais time e tomou as rédeas do jogo, administrando a vantagem obtida no Uruguai. O gol de Martinuccio com dois minutos de jogo, para mim, viria em um momento crucial da partida, em que se marcar seria fundamental pelos pecados que o Sarsfield cometia no jogo. Depois de um certo tempo, o time argentino se estabilizara na partida. Porém, a equipe não conseguia bater a barreira uruguaia de praticamente quatro jogadores fixos na retaguarda do time de Diego Aguirre. E então, numa das muitas jogadas confusas do embate, o Vélez perdeu a bola e, Martinuccio fez ótima jogada, limpou dois jogadores com a perna esquerda e passou para Mier fazer o primeiro. Ao Vélez, a recompensa nem tão merecida aos 45 minutos em ponto e ultrapassados. Gol de Tobio, no rebote do arqueiro Sosa.
Na segunda etapa, o Vélez ia se adaptando ao jogo de ataque e somente, ataque. O Peñarol absteve-se do poder ofensivo. A falta de um jogador para cadenciar o jogo e os muitos erros de passe da equipe uruguaia, ora gerados por falta técnica e ora gerados pelo pressing do Vélez, atraíram o Vélez para cima. E o Vélez veio. Chegava, mas sem aquela tanta eficiência. Até que, o melhor em campo, Martínez, em um cruzamento vindo da direita, deu um toque brilhante com o peito para El Tanque Silva, Santiago Silva, anotar o seu tento na súmula: 2 a 1. E pelo enredo, o Vélez estava para ameaçar até o último minuto. Deu-se uma expulsão de Ortiz, zagueiro do Sarsfield. Acabou? Nem tanto assim. Martínez foi para o ataque, na meia direita, entrou na área e foi derrubado. Penal. E agora era hora da onça beber água. Hora do gol decisivo. Hora da final do Vélez.
E Santiago Silva perdeu. Ao Vélez, não restava força. Peñarol na final.

O Peñarol tem uma defesa em que nenhum dos seus laterais avança. São laterais que atuam quase exclusivamente com convicções de marcação, restritos de apoios às laterais.

– A equipe de Aguirre dificultará na final diante do Santos, pois sabe marcar, e bem. Atua com uma linha de quatro jogadores na zona intermediária, na qual os jogadores se alinham, e se faz uma pressão cercana à bola e ao seu detentor.

– O Peñarol tem em Martinuccio ao maior esperança de criação. Mas o mesmo não se restringe à marcação. Ele atua na marcação, voltando para se posicionar na frente do volante adversário. Aos wingers, Mier e Corujo ou Estoyanoff, resta marcar aos laterais e ficarem alinhados para não permitir a infiltração de volantes da equipe adversária.

– Parece ser normal, em alguma parte do jogo, o Peñarol estar fora do embate em si. A falta de um jogador que tenha mais qualidade do que Martinuccio para cadenciar o jogo fere o time de Aguirre. É nessas horas que aparece a competência de uns ou a incompetência de outros. O Peñarol tem uma recomposição de jogo boa que pode armar contragolpes rápidos e sucintos. Mesmo assim, seu jogo não é só esse. A jogada forte é a entrada em diagonal de um de seus wingers para um outro jogador lhes passar a bola. Os gols contra Católica e Sarsfield foram assim.

Em suma, CUIDADO SANTOS!
O Peñarol é muito bom time. Se está na final da Libertadores, é porque merece.

E o Santos, com um pragmatismo, e um lampejo de futebol arte, é o estilo que vai travar um embate de escolas, à partir do dia 15. Vale a pena assistir.

Por: Felipe Saturnino

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