Ao acaso e o confuso

Foi um jogo típico de final. De uma final qualquer, não apenas de Libertadores. Mas o clima, de verdade, era o de um confronto do torneio.

Peñarol e Santos fizeram um bom jogo. Era final, ressalto novamente. É outra história, o nível de tensão é diferente em comparação à de um jogo qualquer. O Peñarol era favorito no jogo, por fazer valer os mandos em casa, já que não perdeu nos domínios locais na segunda fase da Libertadores. No confronto em si, todos sabem que o Santos é mais time.
Mas, em suma, o confronto era um pouco imprevisível. Tão imprevisível e confuso foi o primeiro entrave.

O Peñarol, foi armado no 4-4-1-1. O Santos, não foi no 4-3-1-2. Foi de 4-1-3-2. E o jogo foi confuso.
Para quem viu, pôde perceber uma alternância de ritmos confusa no jogo. O Santos, em tese, dita ritmos, ou seja, cadencia o jogo e domina o adversário monopolizando as ações no meio-campo. O Peñarol impõe ritmos parcialmente, forte na marcação, dificultando infiltrações, bem postado para se defender. As jogadas fluem pelos flancos, quando Mier, Corujo e Martinuccio conseguem participar no jogo. Sabendo de tudo isso, se viu a indecisão em ditar o ritmo. O Santos, ditador, não ditou não. Nem o Peñarol. Muito se deveu ao Santos ter dificuldade em trocar bolas com eficácia; Elano fez um jogo muito pobre na primeira etapa. Arouca, centralizado no esquema de Muricy, era o jogador para controlar a organização do setor santista. Danilo tinha que se manter consciente que, ao seu lado, havia Corujo, perigoso pelos lados. Mas, o volante santista conseguiu, casualmente, escapar para um pouco de jogo. O Peñarol manteve o jeito de jogar. Manteve, com convicção. A marcação sobre Neymar, que funcionou bem, se dá de um jeito bem prático para a equipe uruguaia. A questão permaneceu e se manteve no “criar & desenvolver” do jogo. O time de Aguirre tem dificuldade em manter a bola nos pés, mesmo chegando nas finais da Liberta, o problema se manteve. Martinuccio não tem tantas características assim. Não pôde exercer a função nesta quarta. Jogou pouco. Porém, o Peñarol vive de imposições de jogo que casam bem em momentos do jogo. Contra o Santos funcionou em alguns momentos, e pouco importou. O Peñarol não aproveitou e teve seus dois impositores pelos lados com muita escassez em jogadas. Mier e Corujo pouco fizeram no jogo. E o embate ficou no empate.

Note bem que as equipes tiveram chance de fazer vantagem. Não fizeram. Zé Eduardo teve a sua (aliás, teve duas). O zagueiro-lateral Darío Rodriguez também perdeu a sua. Mas, deu-se ao acaso de influenciar a partida e mudar alguns rumos. Na verdade, nem o acaso prevê tanta imprevisibilidade que rondará a Taça Libertadores até o jogo da semana que vem.

Um confuso embate que o Santos pode vencer. Mas, o Peñarol é muito bom time. Por tão confuso quanto tenha sido o jogo, o Santos tem que se cuidar. Por tanta culpa que tenha tido o acaso – óbvio que cobro aqui a incompetência de colocar a bola para dentro da baliza, mas também relaciono a obra do acaso como obra natural do jogo – que não se percam tantas chances assim. Aliás, o acaso é imprevisível. É confuso – é o que foi o jogo. Mas, Muricy vai ter de ter certeza que desta vez seu time não comporá para o acaso; ele vai ter de ter certeza que sua equipe faça gols e jogue mais do que jogou na quarta.
Caso contrário, do outro lado há um time babando por uma chance. E não será obra do acaso se, por um acaso, o Peñarol for campeão.

Acaso - questão de (falta de) competência

Por: Felipe Saturnino

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