Archive for julho, 2011

31/07/2011

As causas para a derrota de um líder

O Corinthians sem dúvida ainda é o melhor time do campeonato no geral. Que não se questione, por isso ainda é líder.

Mas é de se ressaltar a virada que sofreu diante o Avaí, hoje, em SC.

Até pelo fato de o Corinthians não errar tanto e, talvez até mais importante, pelo fato de o Avaí ser um dos piores da competição.

Deu-se que o Corinthians enfrentasse uma equipe que lhe garantiria alguns pontos importantes na Ressacada. E é muito mais time.

Pois é. Quando o 4-2-3-1 de Tite enfrentou a espécie de 4-4-2 de Gallo – desdobrado em 4-3-1-2 ou algo do gênero – sabia-se que veríamos um confronto tático interessante. Até pelo fato de os corintianos levarem vantagem no meio-de-campo e, de outra forma, também serem mais incisivos e efetivos no ataque, com William aparecendo pelo lado direito. Ah, e tem de se falar que Danilo vinha fazendo uma partida muito boa.
O meia central corintiano atraía para si o volante avaiano, Marcos Paulo, o que fazia da equipe catarinense mais vulnerável, sem mais proteção. Pois bem se sabe que os zagueiros da equipe de Alexandre Gallo não são dos mais confiáveis.
O problema para Tite começou quando Danilo se retirou por lesão. Isto é, a principal arma técnica e tática no momento do jogo estava se retirando.
Quando Alex entrou em campo, esperava-se um nível de jogo semelhante ou melhor ao de Danilo. Errado.

O camisa 12 do Corinthians – sim, Alex é o 12 – entrou para confrontar Marcos Paulo, mas encontrou um Avaí diferente no campo de batalha. Com Diogo Orlando e Cléverson, a equipe de Gallo poderia chegar melhor ao ataque e, da mesma forma, ter mais ajuda no combate. E Alex atraiu Marcos Paulo para si. Porém, simplesmente ele fez um jogo horroroso e os meias mais defensivos do Avaí fizeram uma segunda etapa segura.

O erro maior do Avaí na etapa inicial foi atuar com um volante saindo no combate direto a Danilo, dando mais vulnerabilidade para a defesa, possibilitando infiltrações – vide subidas de Fábio Santos pela esquerda. Mas, Gallo reparou o erro e compôs seu meio-de-campo com maior responsabilidade. E isso se mesclou com o fato de Alex ter feito um jogo muito fraco.
Os volantes corintianos também pouco fizeram no ataque e também sofreram com o Avaí, nas investidas mais centralizadas de jogo – o Corinthians desarmou pouco para seu normal.

Com isso, o campeonato ganha mais vida. Um time que parecia imbatível, hoje, mostrou algumas deficiências. O Corinthians depende muito de seus volantes, e também de uma atuação razoável de seu meia central. Por isso Danilo é fundamental no esquema.
Pelo menos, temos um campeonato mais nivelado nesta 13ª rodada. O Corinthians é seguido de perto por Flamengo – que derrotou o Grêmio com ótima atuação de Ronaldinho – e São Paulo – que perdeu em casa para o Vasco, e não pôde se aproximar da equipe alvinegra.

Agora que entraremos em agosto, os corintianos compensarão um jogo chave diante o Santos, que perdeu do Atlético-PR nos minutos finais, em partida fraca de PH Ganso. Borges se destacou.

Agora, a briga pelo título se afunila entre corintianos, flamenguistas e são-paulinos, seguidos por palmeirenses e vascaínos. Os três primeiros se matarão até o fim. Os últimos dois vão segui-los de perto.

Por: Felipe Saturnino

28/07/2011

Controle e hesitação

A rodada foi a melhor do campeonato, basicamente por dois jogos. Um deles, falarei brevemente, nas próximas linhas. O outro, bem, este gostaria de ter visto.

O São Paulo de Adilson Batista já tem uma cara. Joga em losango no meio-de-campo, um 4-3-1-2. Fez um ótimo jogo em uma vitória que, por muito pouco, não virou uma tragédia.
Com este losango no meio-de-campo, Adilson permite uma versatilidade na participação direta de seus volantes na criação do jogo. Com Denílson, Wellington e Carlinhos Paraíba dando suporte a Rivaldo na criação, o São Paulo andou muito bem na primeira etapa, com infiltrações e chegadas de trás bem eficientes. Carlinhos, super vaiado pelos coritibanos, fez ótimo jogo pelo lado esquerdo do meio-de-campo são-paulino, – enquanto por lá esteve, já que iria atuar pela lateral-esquerda no segundo tempo – marcando seu tento após uma boa trama são-paulina, aos 18. O Coritiba pressionou, mas pecou por dar espaço para infiltrações, por permitir participação dos volantes são-paulinos, e ainda por não ter criado demais chances claras de gol e também por não manter o ritmo inicial que havia neutralizado o São Paulo por alguns minutos no princípio.
Depois do primeiro gol veio o segundo gol, feito por Juan, e ainda o tento de Dagoberto, após uma jogada brilhantemente construída, por Wellington, Lucas e Rivaldo. Rivaldo que, aliás, centralizado, foi vértice adiantado no losango de meio-de-campo proposto por Batista.
Um time seguro na primeira etapa, marcando três gols em um Coritiba que deu chance para o adversário, mas havia pressionado no princípio.

No segundo tempo, Lucas fez o seu – golaço, que se diga, de fato. Um golaço mesmo. Encobriu o goleiro Edson Bastos, após erro na saída.
Com 4 a 0, a proposta mais do que sabida era recuar e espera para um contra-ataque. Ficou evidente quando Marlos entrou no lugar de Rivaldo.
Que se diga, o Coritiba, desde o final do segundo, estava jogando com 10 – perdera Davi, com vermelho direto, após reclamação acintosa. A expulsão não foi injusta, mas não entendi pelo vermelho direto. O mais sensato eram dois amarelos. Mesmo assim, o Coritiba, com um a menos, seria valente, com coragem suicida e invejável. Armou-se em um 3-3-3, com saída pela esquerda com Éverton e Aquino. Mas foi pela direita que o carnaval aconteceu. Rafinha triturou Carlinhos Paraíba por aquele setor – deixando clara a qualidade do meia coritibano.

O Coritiba, então, foi para cima; fez o primeiro com Rafinha, o segundo e o terceiro foram com Bill. Tudo pelo fato de o São Paulo, a princípio, ter tido o controle do jogo e, após disso, ter hesitado. A proposta do contra-ataque substituindo Rivaldo por Marlos foi clara; e certa. Marlos era o jogador para fazer a ligação e ao lado de Lucas e Dagoberto, seria fundamental para puxar contragolpes. O Sampa hesitou tanto em atacar que desperdiçou seus contagolpes, e ainda teve um prejuízo para o próximo jogo, com Denílson sendo expulso ao final do jogo.

A proposta de Adilson é clara: seguir o trabalho proposto com o 4-3-1-2, mantendo o losango no meio-de-campo, monopolizando as ações por meio de criação partindo desde os seus volantes até o meia vértice-avançado do losango. Com isso, os volantes dão suporte a ligação do jogo, e ainda podem marcar com qualidade. O São Paulo toma o controle do jogo com isso, e hoje poderia ter saído do Couto Pereira com uma goleada histórica. Porém, hesitou e se desesperou. Um pouco mais de paciência em armar contra-ataques pode garantir um resultado mais contundente do que o de hoje. Pode funcionar com Adilson.

São Paulo fez primeiro tempo sublime, mas hesitou e cedeu a bola ao Coritiba na segunda etapa

Este foi o jogo que vi, e foi um jogão, de verdade. Muito pelo descuido do São Paulo e pela coragem do Coxa. Agora, o jogo que eu queria ver e o jogo mais relevante foi o 5 a 4 do Flamengo sobre o Santos na Vila. Neymar fez um golaço, e Ronaldinho decidiu como decidia na época de Barça. Hoje, além da vitória chorada do São Paulo, outra coisa relevante é a vitória mais importante do campeonato para um time: a do Flamengo.

Por: Felipe Saturnino

26/07/2011

Nada relevante

Quando Dunga foi para a Copa do Mundo com aquela chamada esquadra sem tanto talento para diferenciá-la das outras, o Brasil sentiu na pele.
A equipe precisava de um diferencial que mudasse um pouco o panorama do jogo em questão.

Hoje, com Mano, a situação é diferente. Temos ótimos jogadores, alguns que podem, futuramente, apontar como melhores do mundo. O que falta, em lógica, é um time.
A equipe tem talento, tem bons jogadores em todos os setores, só resta a Mano montar um time que seja decente e competitivo. Pois, de fato, nenhuma das duas qualidades reunimos.

Quando o técnico da seleção convocou para o amistoso da Alemanha, sua teimosia permaneceu. Quando vi a convocação, ela se constatou.
Mano Menezes não convocara Hernanes, nem ao menos Marcelo. Permaneceu em André Santos e chamou Luiz Gustavo, volante do Bayern que pode jogar na lateral.

Pela lógica, devemos continuar com André Santos na lateral-esquerda – sabendo que o jogador do Bayern é uma opção aleatória, dando maior segurança a André, o titular da posição.

Quanto a Hernanes, não é compreensível. A equipe de Mano precisa de maior qualificação na saída de bola, e também necessita de maior suporte de um volante – que hoje joga mais adiantado na Lazio – para a criação, originalmente feita por PH Ganso. Sobre Marcelo, a mesma coisa. Se o jogador tem mesmo alguns defeitos em relação a seleção, o convoque e resolva a situação. Somente não comprometa a qualidade da equipe em uma posição que temos tão poucos jogadores de alto nível jogando – arrisco-me a dizer, só temos Marcelo.

No ataque, Robinho, Pato e Neymar foram mantidos. Fred e Jonas completam os atacantes. Esquece-se de Nilmar e Damião – este último acho, particularmente, estar em forma muito melhor que Fred. Pode ser bem verdade que nosso problema seja no ataque, porém, não creio que um desses últimos dois que citei resolva. Talvez uma mudança tática – atuar com dois atacantes, descartando o 4-2-3-1 – possa resultar em algo melhor.

Ralf é citável, uma boa nova. Pode ser utilizado a longo prazo, mesmo que não seja titular na minha seleção. Seu ótimo desempenho como primeiro volante no Corinthians o premia com uma vaga merecida.
Dedé, o bom zagueiro do Vasco também merece. Mesmo assim, não é titular na minha seleção.

Fernandinho é um meia mais periférico, o que para mim, descarta-o de ser utilizado como titular a princípio no confronto diante a Alemanha.

Sendo mantida a ideia que parece ser traçada, Mano permanecerá no 4-2-3-1 inicial de seu trabalho. Ele pode insistir no plano, mas, penso eu, não tem uma peça no banco que poderá mudar o esquema que se rende a criação de Ganso e a movimentação de Neymar, Robinho e Pato. Nem ao menos Hernanes foi chamado.

Por isso, a convocação não me agradou muito. Nada de tão relevante, somente coisas citáveis. Ralf e Dedé, por exemplo.

Nada que faça mudar a ideia de Mano, que continuará no 4-2-3-1.

Mas que acho que Mano não relevou sua convocação, é verdade.
E que a convocação não me agradou e não é relevante, também, verdade.

Mano - convocação irrelevante

Por: Felipe Saturnino

24/07/2011

Copa América XX – Uruguai 3 x 0 Paraguai: Proposta e contraproposta

Os uruguaios venceram o Paraguai mostrando a melhor exibição da Copa América 2011. Um jogo de imposição de uma seleção que renasceu e subiu do lugar que jamais deveria ter estado, porém, frequentou.

A seleção bicampeã mundial bateu o Paraguai que chegou à final empatando todos seus jogos, – feito incrível – vencendo um figurão nos pênaltis, e derrotando a Venezuela no mesmo enredo. Contra o Brasil, uma proposta defensiva, também imposta pela superioridade brasileira, mas a displicência em não converter gols. A equipe tinha talento suficiente para tentar algo diferente. Estigarribia jogou, mesmo assim foi pouco contra o Brasil. Mesmo assim, os paraguaios passaram. Na semi-final, vitória paraguaia contra a Venezuela. A mesma proposta, cedendo a bola, hesitando em atacar e ser agressivo. O que, de fato, é válido no futebol.

Uruguaios campeões - contraproposta eficiente

A proposta paraguaia se baseia em bloquear avanços adversários por meio de marcação imposta por seus volantes, barrando demais subidas de laterais e meias adversários. Ao adversário, resta atacar e se impôr. Porém, também requer cuidado na retaguarda, já que um contragolpe pode ser mortal. A única saída qualificada que se viu no Paraguai nesta Copa América surgiu de Marcelo Estigarribia, que fez bons jogos na competição.

Para vencer os paraguaios, era preciso um avanço mais “preparado”, de fato. Precisava-se de participação de volantes, algum avanço de lateral, e etc.
Seus atacantes precisavam definir como poucos, e não poderiam perder chances como muitos. O Uruguai teve um pouco disso, que bastou para derrotar o Paraguai em Buenos Aires.

Ambas as equipes jogaram no 4-4-2: o Uruguai teve um desdobramento – 4-4-1-1 -, pois Forlán é o enganche que faz a ligação meio/ataque. Álvaro González jogava pela direita e, do lado oposto, Álvaro Pereira se postava mais defensivamente para proteger o lado de Cáceres, o lateral-esquerdo uruguaio. Arévalo e Pérez eram os volantes. Nenhum desses dois tem recursos para participar da criação do jogo pela frente. Era preciso que Forlán, mais preso aos volantes adversários, fizesse a ligação da transição meio e ataque.

O Paraguai, também no 4-4-2, foi na proposta defensiva: Ortigoza e Víctor Cáceres eram volantes, com Riveros e Vera como jogadores mais periféricos. Em suma, todos eram volantes, de fato. Nenhum destes, ao contrário do Uruguai – que tem Forlán – poderia carregar a bola ou ligar o meio/ataque. Riveros era o que tinha um pouco mais de “operância” no ataque, pela esquerda; pela direita, Vera protegia mais do que avançava. No ataque, Váldez e Zeballos tentavam algo que resultasse em gol. Nada.

Até pelo fato de o Uruguai ter pressionado desde o primeiro momento – mesmo fazendo parte da devida proposta do Paraguai. E teve chance logo com dois minutos de jogo, após boa cabeçada de Lugano – Ortigoza pegou a bola com a mão, e foi pênalti não-marcado. O Uruguai já monopolizava as ações, mas dessa vez não faltaria competência aos finalizadores. Suárez, sucinto, fez seu lindo gol aos 11 min, após ter limpado Verón com sutil toque do pé direito para o canhoto.

Já era notável a superioridade uruguaia. E, finalmente, foi mostrada em gol. Muito se deve à inoperância paraguaia, que não conseguiu articular seu jogo. Com Forlán flutuando pelo campo, mais precisamente jogando por trás dos volantes adversários, o Uruguai era sublime. Jogava com autoridade, mesmo com um Paraguai que ia ascendendo no jogo, aos poucos, claro.
Bastou um erro na saída de bola para o melhor volante da Copa América – Arévalo Ríos – passar a bola para Diego Forlán faze seu tento e praticamente sacramentar uma vitória que representava o 15º título das Américas para o Uruguai.

No segundo tempo, o panorama começou com um Uruguai exercendo um “pouco” da proposta paraguaia, cedendo a bola ao adversário e o esperando em seu campo. Os paraguaios resolveram atacar, e avançaram seu lateral, Piris, para liberá-lo ao apoio, e colocaram Estigarribia em campo para dar mais uma opção de jogo – ou melhor, dar ao menos uma opção de jogo. Uma proposta defensiva paraguaia que não funcionou em nada e era quebrada, com a entrada ainda de Pérez, atacante, e ainda com Barrios.

Nada funcionou. Os paraguaios mantiveram o esquema 4-4-2, com Estigarribia pela esquerda e Pérez pela direita. A equipe de Martino já estava quebrada o suficiente para o Uruguai se autoproclamar campeão das Américas. Com Cavani, os uruguaios foram atuar no 4-3-3 que não funcionou nas primeiras partidas, mas que pouco influenciaria neste entrave. Forlán fez sua melhor partida na competição, assim como Luis Suárez. O Uruguai, também.

A contraproposta campeã apresentou o domínio evidente das ações do jogo, com proteção, ligação, finalização qualificada, segurança, consciência e responsabilidade. Foi brilhante o jogo que os uruguaios fizeram no dia de hoje. Pode-se afirmar até mesmo que deve-se pela covardia paraguaia, mas os uruguaios fizeram os invictos e convictos de sua estratégia, os paraguaios, derrotados por três a zero.

Assim sendo, algumas coisas devem ser constatadas ao final da Copa América:

– O melhor time da América do Sul é sim o Uruguai, e é também o que possui mais tempo de trabalho sob o mesmo comando (6 anos e 4 meses);

– O Paraguai é bom time, porém desfrutou de uma proposta defensiva em excesso, o que o fez ter atitudes discutivelmente “covardes”;

– Argentinos e brasileiros sofrem de problemas de reformulação e renovação, o que faz o trabalho mais cadenciado. Mesmo assim, pode-se exigir maior competência e atuações melhores de seus jogadores;

– A surpresa maior da Copa América, para mim, foi a Venezuela; em segundo, vem o Peru;

– Ao meu ver, mesmo não estando no mesmo nível de futebol, o Uruguai habita o 1º escalão do futebol mundial, que é constituído, hoje, por Espanha, Holanda e Alemanha.

NOTAS:

Uruguai

O melhor da final e da Copa América - Suárez triturou a defesa uruguaia ao lado de Forlán


Muslera 6,5
M. Pereira 6,5
Lugano 6,5
Coates 6,5
Cáceres 6
Arévalo Ríos 7
Pérez 6,5
A. González 6,5
A. Pereira 6,5
Forlán 8
Suárez 8
Cavani 7
Eguren 6
Godín sem nota

Paraguai

Villar 6
Piris 6,5
Da Silva 6
Verón 5,5
Marecos 5,5
Vera 5,5
Víctor Cáceres 5,5
Ortigoza 6
Riveros 6
Zeballos 6
Haedo Váldez 6,5
Estigarribia 6
Pérez 6
Barrios sem nota

Por: Felipe Saturnino

23/07/2011

Copa América XIX – Os 11 e os palpites

Depois de 22 dias de jogos, – decepcionantes, há de ser dito – estamos chegando ao fim da Copa América. Hoje Peru e Venezuela duelam pelo 3º lugar e amanhã teremos uruguaios e paraguaios fazendo a final.

O nível da competição é relevante, de ser dito, obviamente. Não sei se leva o motivo de considerar o final da temporada europeia e os jogadores, possivelmente, estarem esgotados. Ou de fato o futebol está nivelando, ou, também, pode ser que os figurões de sempre, brasileiros e argentinos, tenham suas seleções ainda em reformulação e renovação. Os argentinos tem mais nomes veteranos no elenco, o que os brasileiros tem como quase igual. Porém, há de se falar que carregamos em alguns jovens nossa esperança, o que torna a seleção mais vulnerável a golpes. Não evoluímos, em nada.
Porém, os uruguaios e paraguaios se afirmaram. Seja por isso, estão na final. Ambos os dois derrotaram argentinos e brasileiros, respectivamente.

Os finalistas se afirmaram pois, de fato, trabalham há mais tempo juntos. Os uruguaios chegaram na final com maior merecimento – o que não pode se discutir em relação aos paraguaios. Mas, há de se falar que os paraguaios fizeram uma Copa América um pouco abaixo do esperado. Os empates refletem o nível técnico, de uma equipe pouco produtiva da seleção de Gerardo Martino.

Estamos aqui, então, para selecionar os melhores da Copa América. Para mim, estes são os 11 melhores.

Fernando Muslera – goleiro do Uruguai: sua atuação diante os anfitriões foi a melhor de um jogador na Copa América, quando analisado a fio. Fez defesas brilhantes e decisivas no jogo, e jogou regularmente na Copa América inteira – salve o lance diante o Peru, em que quase resultou numa falha. Nota: 7,5

Maximiliano Pereira – lateral-direito do Uruguai: não é brilhante, nem foi, mas de fato foi seguro nas suas atuações, mesmo sendo “atazanado” um pouco por Agüero nas quartas. Foi protegido por volantes, é claro, mas isso não tira o seu méritos em um bom apoio. A vaga teria ficado com o brasileiro Maicon, porém, teria que se manter em um nível regular. Maxi Pereira conseguiu, mesmo não sendo brilhante e eficiente em nenhum jogo do Uruguai. Nota: 6,5

Paulo da Silva – zagueiro do Paraguai: foi bem na competição, sendo o melhor defensor de uma zaga paraguaia um pouco insegura em alguns momentos. Fez par com Alcaraz, e também com Verón, nas vezes que este não foi lateral. Da Silva cometeu apenas uma falta na Copa América – acredite – e realizou 29 desarmes em 5 partidas disputadas. Não é o mais técnico da Copa, mas foi o que teve atuações mais regulares e interessantes. Por estes motivos já citados, ele ganha a vaga na seleção. Nota: 7

Oswaldo Vizcarrondo – zagueiro da Venezuela: foi bem em seus jogos, dando estabilidade para a defesa. Realizou 15 desarme – mias da metade que seu companheiro de seleção da Copa América – e fez 5 faltas. Compreensível para uma defesa que foi vulnerável para a competição e sairá com boa imagem, certamente. Nota: 6,5

Pablo Armero – lateral-esquerdo da Colômbia: mesmo com o fracasso dos colombianos na competição, a equipe mostrou peças interessantes e notáveis. Como os “portugueses” Falcao e Guarín, e também, destaco aqui, logicamente, o lateral Armero. Fez boa temporada na Udinese, fazendo dois gols em seus jogos. Apoia bem, aparece no ataque, havendo tempo para recompor a defesa colombiana. O colombiano de 24 anos fica com a vaga por se destacar no apoio qualificado e ser protegido por bons zagueiros colombianos. Nota: 7

Arévalo Ríos – volante do Uruguai: o ótimo volante uruguaio fez ótimas atuações na Copa América. Sua melhor, para mim, foi diante a Argentina, quando teve de se cuidar com Messi jogando pelo seu setor. Soube lidar e por isso está na seleção da Copa América. É mais um jogador que manteve-se regular em um Uruguai que começou com deficiências em articular jogadas pela frente, mas sempre obteve êxito em jogadas defensivas, mesmo com Lugano não sendo o de sempre na zaga central. Arévalo tem poder de marcação, e comanda os cabeças de área uruguaios. Nota: 7

Seleção da Copa América no 4-2-3-1: força pela esquerda com Armero e Estigarribia; pela direita, Messi com liberdade para flutuar pelo campo, tendo cobertura de Ríos; Guarín sai sendo segundo-volante para dar suporte a Forlán, o enganche da articulação

Fredy Guarín – volante da Colômbia: outro que destacou-se apesar do fracasso colombiano. Sua temporada em um forte Porto de Villas-Boas o trouxe para a Copa América como um dos melhores segundo-volantes que existem, um jogador com boa presença pela frente, que passa bem a bola e consegue compor o meio-de-campo. Está na seleção por apresentar isso em seus jogos, superando neste quesito o brasileiro Ramires, outro que decepcionou muito na seleção brasileira, que poderia estar aqui também. Guarín merece a vaga aqui. Nota: 6,5

Marcelo Estigarribia – meia do Paraguai: o bom canhoto paraguaio fez ótima competição até aqui, sendo a arma paraguaia nas saídas de jogo. Foi bem no empate contra o Brasil, ainda na primeira fase, participando dos dois gols. Sendo a opção do jogo paraguaio, reagiu bem e foi o melhor na posição, com boa velocidade em suas jogadas. Por isso, ganha a vaga até aqui. Nota: 7

Lionel Messi – meia/atacante da Argentina: o melhor do mundo não fez tudo o que podia, mas jogou muito bem nas últimas duas partidas. Por este motivo, ganha a posição, até pelo fato de nenhum ganhar a sua posição na seleção da Copa América. Messi fez suas melhores atuações atuando do lado direito para dentro, e por isso foi bem contra a Costa Rica e o Uruguai. No final da era Rjikaard no Barça, era o que ele fazia. Justamente, foi o que Batista fez. Deu certo, mas não bastou. Mesmo assim, ele ganha a vaga. Nota: 7

Diego Forlán – meia/atacante do Uruguai: jogou as últimas duas partidas bem, e por isso, ganha a vaga na seleção. Sua atuação contra o Peru foi boa, e isso o faz entrar aqui neste time. Como enganche, ele fez o jogo uruguaio fluir interessantemente, mesmo estando apagado nos primeiros dois jogos. Merece a posição por isso, e pelo que ainda está por vir – me refiro à final. Nota: 7,5

Luis Suárez – atacante do Uruguai: fez boas apresentações na Copa América, como diante o Peru e contra a Argentina, também. Mesmo estando apagado no início, ele também fez o time fluir e marcou gols fundamentais para classificação do Uruguai até a final. Merece a posição por isso e pelo que pode fazer na decisão. Nota: 7,5

Palpites:

Peru 0 x 1 Venezuela

Uruguai 2 x 1 Paraguai

Por: Felipe Saturnino

22/07/2011

Mou Manager

Estamos perto do começo da temporada europeia, então, nada melhor do que voltar ao assunto de futebol internacional.

O Real Madrid hoje anunciou que José Mourinho terá mais poder no seu clube. Quais poderes? Bem, esta é a questão.
O suposto desentendimento, que até hoje deixa algumas questões no ar, entre Mou e Valdano, pode ter sido uma questão de poderes e direitos internos. Aliás, com certeza, foi.

O motivo da briga entre os dois é incerto. Sabe-se que envolve uma questão de poder. Assim dada a “rixa”, rumores foram soltos nos mais diversos veículos de notícias. Mourinho teria recebido ofertas de clubes, e por conseguinte, poderia deixar os madridistas. Não ocorreu, como sabemos.

Quem saiu foi Jorge Valdano, campeão da Copa de 1986. E Florentino Pérez tratou de deixar claro que, no Madrid, quem manda é Mou. Entendido, tudo certo. Mourinho somava poderes já importantes.

Hoje, como já comecei falando, o Real Madrid deu a esta soma mais valores. José Mourinho é o novo manager do Real Madrid. Como Sir Ferguson no United, Wenger no Arsenal, e como alguns tentam fazer no Brasil, mas não se saem bem. Aliás, na Espanha os técnicos não assumem tanto poder como o português assumiu hoje. Na Premier League, ocorre. Então, é um caso diferenciado e peculiar.

Mourinho, então, hoje, manda mais no Madrid do que qualquer diretor. Até certo ponto, claro. Quando se trata de negociações, bem, agora Mou terá influência mais direta do que antes tivera.

Aliás, poder é importante, mas também tem de ser utilizado com responsabilidade. Agora Mourinho é mais que um técnico, é um manager. E que tenha ficado claro para todos: o homem manda mesmo.

Mou - manager e mandão

Por: Felipe Saturnino

20/07/2011

Copa América XVIII – Peru 0 x 2 Uruguai: Quando seu craque e seu artilheiro jogam

Para se ter um futebol qualificado em um time, deve-se possuir, primordialmente, um elo para criação, com um jogador ou um conjunto que pode criar chances para serem concluídas finalmente em gol. Este é o setor mais importante de um time de futebol.
Tão importante quanto este elo de ligação é o setor ofensivo de conclusão de chances, para enfim, converter-se em gol.

Quando os setores funcionam em alguma harmonia, algum resultado convincente se tem também. Hoje, foi o Uruguai que finalmente fez uma apresentação convincente, sem descartar o jogo diante a Argentina. Mas aquele foi uma exceção – sabendo que os uruguaios jogaram com um a menos por 50 minutos ou pouco menos que isso. Hoje, Forlán jogou bem, e Suárez aproveitou seu oportunismo, dando uma aula de conclusão e finalização em gol.
No 4-4-2 de Oscar Tabárez, Diego Forlán jogou mais recuado, como um enganche para criação de jogadas, desdobrando o esquema em 4-4-1-1. Álvaro Pereira atuou pelo lado esquerdo, dando suporte à marcação e tentando carregar a bola e abrir o jogo por aquele lado. Assim, mas mais ofensivo, Álvaro González o fez pelo lado oposto.

Com Forlán fazendo a ligação tão devida e necessária, fazendo bons passes em um Uruguai bem arrumado, a vitória apareceu. O Peru tinha no lado esquerdo o seu maior trunfo, com Vargas. No lado direito, Advíncula aparecia, mas com menos eficiência, mesmo dando trabalho para Álvaro Pereira e Cáceres. Sérgio Maskarían optou por um tipo de 4-1-3-2, com Balbín fazendo a proteção e confrontando Forlán, Cruzado e Yotún variando as posições e Advíncula, já citado, fazendo o lado direito.

Talvez uma variação que tenha finalizado mais opções peruanas do que apenas e somente jogar com Vargas, o ótimo canhoto que foi expulso justamente, foi a mudança de posicionamento de Advíncula, indo do lado direito para atuar mais pela esquerda. Por lá, o lado forte do Peru, um espaço foi deixado por ambos, fazendo com que Maxi Pereira chegasse batendo de frente com Vilchez, um prático

Luis Suárez - o melhor do jogo fez dois

zagueiro peruano da linha de quatro jogadores ultra defensivos.
Por conseguinte, Forlán tomou conta no confronto do meio-de-campo, contra um Peru possuindo apenas um “lado bom“. Assim, deu-se a todo momento do embate um tempo para Luis Suárez e Diego Forlán brilharem. E brilharam, quando mais precisaram.

Quando seu craque e seu artilheiro jogam bem, ambos saem satisfeitos. Aliás, ajudam o time também, por serem muito importantes no desempenho. Forlán vai evoluindo quando os uruguaios mais precisam, assim como Suárez, o melhor do jogo de hoje.

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVII – Brasil 0 x 0 Paraguai – 0 x 2 nos pênaltis: Displicência, incompetência e evolução

O futebol é brilhante. Quem o inventou é brilhante. O único jogo que, vencer ou perder, em suma, não retrata em fidelidade aberta o que foi o jogo.

O Brasil jogou bem, dominou. Mas, pouco importa. Os paraguaios foram robustos como sempre e, venceram e, estão nas semis. Mereceram.

Mano Menezes esteve convicto que manter o esquema 4-2-3-1 seria a chave. Chave que levava o nome de Ganso, Neymar e Robinho. Porém, além deles, citei aqui no post passado que os volantes teriam de aparecer para dar suporte aos santistas e, bem, um ex-santista. Ramires e Lucas apareceram, mais e melhor do que nos últimos jogos. O atual blue – Ramires – foi mais eficiente nas suas subidas; Lucas, como de se esperar, se conteve por algumas subidas pouco impactantes, mas subiu, de fato.
O Paraguai era robusto. 4-4-2, valente, duro como pedra. Marcavam forte, chegavam forte e faziam faltas até a última geração. Estigarribia, o jogador mais talentoso do Paraguai, compunha o lado esquerdo. Pela direita Vera atuava. Riveros e Cáceres eram volantes mais contidos.

Villar foi brilhante, mas brasileiros displicentes

O Brasil criou muito. Massacrou, em chances, claro. Robinho foi ótimo. Neymar, regular, foi displicente. Ganso, foi normal. Os volantes foram melhores que antes. Ramires subiu de produção na segunda etapa, mas mesmo assim os paraguaios conseguiram manter a Seleção em igualdade no marcador. O segundo tempo poderia ser de Neymar – que perdeu duas chances – ou de Ganso, que perdeu uma. Pato perdeu uma em defesa sensacional de Villar. Fred perdeu também, substituindo Neymar.

Mas, simplesmente penou. Por uma causa questionável, que envolve displicência e incompetência, nosso time ainda está na estaca de era pós-Dunga, e não era Mano Menezes. Um time que sai da forma que saiu não deve ser cobrado em demasia, mas, simplesmente, os erros em tamanho exagero exigem que a situação se torne de valor um pouco exorbitante. Mano, de fato, recorrerá a outro esquema, ou pode manter a mesma formação e esperar por resultados.

Os paraguaios, em contraponto, foram robustos e duros até o último nervo existente. Erraram pouco, e Villar – brilhante – , o melhor do jogo, pegou tudo e um pouco mais. É um exemplo para atribuir méritos a Paulo da Silva e Verón, defensores paraguaios que tiveram trabalho até demais hoje. E venceram.

Bem, os pênaltis foram uma ironia sem fim. Depois de perder diversas chances, do falado modo mais fácil, a seleção sucumbiu. Elano, Thiago Silva e André Santos perderam seus penais, no que culminou a eliminação brasileira da Copa América.

Injusta chega a ser. Não menos que seja, desmerecida não foi. Os paraguaios mereceram por ter segurado os brasileiros, até quando ficaram se mAlcaraz, fazendo assim Cáceres, antes volante, recuar para compôr a defesa. Foram fortes, robustos e persistentes.

E antes de tudo, não consigo ver progressões no Brasil. A Copa América serviu mais como um grupo de amistosos, onde, na equipe em si, não se estabeleceram grandes certezas.

A única certeza é que displicência e incompetência não fazem parte de evolução. Espero que não.

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVI – Brasil precisa de volantes, Ganso e cuidado na marcação

Quando o Brasil confrontou o Paraguai na primeira fase, ficaram óbvios os problemas.
Os gols paraguaios surgiram principalmente por erros brasileiros que chegam a ser escandalosos. No primeiro, desde Daniel Alves até Thiago Silva e André Santos. No segundo, os mesmos envolvidos. Erro de cobertura, antecipação e posicionamento. Outra situação problema é quando se refere aos volantes brasileiros, que não conseguem exercer funções menos burocráticas que exercem e vem exercendo. Além de tudo, Ramires e Lucas estão fazendo jogos regulares, sem chegar eficientemente ao ataque.
Foi duro empatar com o Paraguai. Ganso também não jogou bem. Assim como sua atuação diante o Equador não foi das melhores. Mesmo assim, os brasileiros venceram pois tiveram o apoio de Maicon, que lembrou os velhos tempos. Robinho não foi mal, mas também não foi bem. Abriu espaços para Maicon se infiltrar pela direita, carregando o lateral Ayoví – que também se deu ao luxo de deixar brechas para Maicon entrar pela direita.

Mas a verdade é que Ganso não tem ido bem. Joga “batendo” com os volantes adversários e precisa do auxílio dos volantes que vem fazendo jogos ruins. Contra o Paraguai, Riveros conflitava com o Santista. Como hoje a situação repete-se, exigimos os volantes bem. Lucas, apesar de ser primeiro volante, pode fazer um jogo melhor do que regular. Ramires é o melhor brasileiro na posição que está, e mesmo assim precisa aparecer.

Na marcação, teremos Maicon mais precavido com as subidas do bom Estigarribia, pelo lado esquerdo paraguaio. Do outro lado, Vera deverá jogar. Atenção deve-se ter pela defesa com Barrios.

O Paraguai é um dos piores adversários que podíamos enfrentar. A equipe é robusta, muito forte com seu esquema e seu futebol. Por isso, se o Brasil quiser vencer e convencer, terá de agrupar o fator Ganso, com maior auxílio dos volantes, uma defesa sólida, e ainda mais um pouco de uma boa atuação vinda de Neymar, encostando em Ganso para abrir espaços pela defesa adversária.

Por: Felipe Saturnino

17/07/2011

Copa América XVI – Argentina 1 x 1 Uruguai – 4 x 5 nos pênaltis: Inóspito

É notório que o Uruguai não teme anfitriões. Resgate o exemplo clássico – o Brasil falhou ao perder a Copa de 1950 para os uruguaios, no Maracanã.

Os uruguaios se superam como poucos. Remetem heróis, dos mais valentes, com mais garra, que chegam até mesmo se exceder. Mas, de fato, eles têm doses de heroísmo no sangue que poucos possuem. Poucos mesmo.

A Argentina de Batista manteve o 4-3-3, e valorizou a bola mais do que tudo. Há de se ressaltar que no 4-4-2 uruguaio, não havia um jogador que conseguisse, em momento algum, segurar a bola e administrar o jogo, fazendo a ligação. Forlán estava comprometido em jogar pela frente, ao lado de Suárez. Enquanto isso, Messi dava problemas a Álvaro Pereira e Cáceres, no lado esquerdo uruguaio. Messi jogava da direita para dentro. Criou chances, costurou adversários, deu passe pra gol, – e outros que simplesmente não foram convertidos – driblou, fez tabela, chutou…
Simplesmente, quando houve a chance, Muslera estava lá para barrar o atacante que estava para converter a bola, tornando-a um tento constatado. E nisso, o jogo estava 1 a 1, na prorrogação. Pérez fez o primeiro – erro total da defesa argentina – e Higuaín empatou – com passe brilhante de Messi.

No segundo tempo normal, Tévez entrou para fazer a meia esquerda argentina, substituindo Agüero, que fez uma partida pobre. Enquanto isso, já na prorrogação, Lionel tentava fazer o seu. Pastore já havia entrado também, e estava compondo o meio-de-campo com Tévez e Biglia na prorrogação.

Muslera - fez a melhor partida da carreira

Voltamos a Messi. Que jogou bem. Então como os uruguaios passaram dos argentinos? Simples. Como já citei acima, em quaisquer das linhas, os uruguaios conseguem se superar como poucos. Foi assim em 1950, no ano passado – diante Gana – e ontem, bem, ontem também foi deste jeito. Muito se deve a Muslera, – que fez uma defesa brilhante e outra sensacional – Lugano, Arévalo Ríos, Forlán, e outros.

Quando houveram os pênaltis, os uruguaios foram mais fortes: venceram. Fortes, não desperdiçaram chance alguma, jogaram com um a menos quase a partida inteira, se seguraram bem e se fecharam em um 4-3-2; seguraram Messi, Agüero, Higuaín, Tévez, e qualquer um que for.

E não foi culpa do Tévez, nem de Messi. Os argentinos tiveram chances para vencer os uruguaios; porém, quando não foram incompetentes para converter a chance em gol, encontraram Muslera, que fez a melhor partida da sua vida.

Assim como Muslera, inspirados estavam Lugano, Scotti, Ríos, Forlán…

Muslera foi brilhante. O Uruguai, inóspito, foi sublime. Venceu a maior rival, e está nas semis.

Por: Felipe Saturnino