Copa América V – Paraguai 0 x 0 Equador: O empate da inconsistência

O melhor jogo da Copa América de 2011 até agora foi também mais um empate. E o segundo jogo sem gols do dia.

Mas Paraguai e Equador fizeram um jogo interessante. Uma das equipes foi muito bem na última Copa do Mundo, eliminada nas quartas pela Espanha em um jogo que os futuros campeões mundiais suaram sangue para ganhar. O Equador jogou a penúltima Copa do Mundo, em 2006.

E o jogo de hoje foi bom. Não foi o melhor que vi, mas foi um ótimo jogo para os padrões da Copa América atual. E poderia muito bem ter destacado no título “O melhor jogo da Copa América 2011” ou qualquer dos genéricos; porém, resolvi optar por um título mais ao gosto do jogo, que viveu de um misto de alternância de ataques, com chances criadas, com padrão elevado em alguns momentos e com quedas bruscas de nível em outros tantos.
O Paraguai dominou bem os primeiros 20 minutos de jogo. A monoplização e o aluguel do meio-de-campo equatoriano foi bem visto. Barreto, meia direita que participa da criação de jogadas, estava indo bem no Paraguai, assim como Estigarribia, espécie de winger que dá velocidade ao Paraguai. Podemos aqui ver uma diferença: o canhoto Estigarribia é um winger de agressividade, de imposição de ritmo, que procura o gol de maneira incisiva; Barreto é o que cadencia e participa de jogadas de criação, fazendo a transição do meio ao ataque com eficiência. No ataque paraguaio, Lucas Barrios – campeão pelo Borussia Dortmund na última edição da Bundesliga – e Roque Santa Cruz compunham a faixa avançada. Este último teve algumas boas chances de garantir a vitória do time de Gerardo Martino que colocaria o Brasil em situação preocupante. Não foi o caso. Aliás, o que salvou o Equador foi um caso interessante: o goleiro Elizaga é o mais velho da Copa América deste ano. E ele salvou os equatorianos.
Em falar de Equador, Benítez e Caicedo tentaram incomodar um Paraguai que tomava as rédeas do jogo nos momentos primordiais. Pois é, funcionou após Benítez ter a chance do jogo. Perdeu-a, mas o Equador conseguiu uma imposição momentânea, seguida do misto de alternância de ritmos do jogo. Valencia, atuando pelo lado direito do Equador, também tentou atrapalhar o Paraguai. Não conseguiu. O jogo foi para a virada confuso e inconstante. No segundo tempo, a mesma lógica.
O Paraguai é mais time, mas sofreu com a perda de Barreto na primeira etapa. Vera entrou no seu lugar, sem a mesma efetividade. Estigarribia, por sua vez, baixou um pouco o ritmo. O Equador apareceu mais com a bola na frente, mas as melhores chances surgiram de pés paraguaios. Que se diga, aliás, de cabeças paraguaias: Santa Cruz perdeu uma chance incrível com defesaça do arqueiro Elizaga.

O resultado foi justo pelo empate. Se fosse com gols, talvez teria sido até mais justo, de fato. Mas que conste aqui: Paraguai e Equador são bons times. O Paraguai é mais perigoso, por ter um jogador que pode cadenciar e ditar ritmo – Barreto – , em conjunto do meio-de-campo, e outro que é perigoso em jogadas laterais, que é Estigarribia – mesmo não tendo tanta eficiência no jogo de hoje. O Equador, por sua vez, tem um meio-de-campo que não é tão criativo, mas que conseguiu acalmar o jogo paraguaio por meio da velocidade do atacante Benítez, que incomodou muitos os beques paraguaios. Valencia é bom jogador, mas hoje também pouco fez. No maior dos casos, de olho neles Brasil.

Por: Felipe Saturnino

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