Copa América XX – Uruguai 3 x 0 Paraguai: Proposta e contraproposta

Os uruguaios venceram o Paraguai mostrando a melhor exibição da Copa América 2011. Um jogo de imposição de uma seleção que renasceu e subiu do lugar que jamais deveria ter estado, porém, frequentou.

A seleção bicampeã mundial bateu o Paraguai que chegou à final empatando todos seus jogos, – feito incrível – vencendo um figurão nos pênaltis, e derrotando a Venezuela no mesmo enredo. Contra o Brasil, uma proposta defensiva, também imposta pela superioridade brasileira, mas a displicência em não converter gols. A equipe tinha talento suficiente para tentar algo diferente. Estigarribia jogou, mesmo assim foi pouco contra o Brasil. Mesmo assim, os paraguaios passaram. Na semi-final, vitória paraguaia contra a Venezuela. A mesma proposta, cedendo a bola, hesitando em atacar e ser agressivo. O que, de fato, é válido no futebol.

Uruguaios campeões - contraproposta eficiente

A proposta paraguaia se baseia em bloquear avanços adversários por meio de marcação imposta por seus volantes, barrando demais subidas de laterais e meias adversários. Ao adversário, resta atacar e se impôr. Porém, também requer cuidado na retaguarda, já que um contragolpe pode ser mortal. A única saída qualificada que se viu no Paraguai nesta Copa América surgiu de Marcelo Estigarribia, que fez bons jogos na competição.

Para vencer os paraguaios, era preciso um avanço mais “preparado”, de fato. Precisava-se de participação de volantes, algum avanço de lateral, e etc.
Seus atacantes precisavam definir como poucos, e não poderiam perder chances como muitos. O Uruguai teve um pouco disso, que bastou para derrotar o Paraguai em Buenos Aires.

Ambas as equipes jogaram no 4-4-2: o Uruguai teve um desdobramento – 4-4-1-1 -, pois Forlán é o enganche que faz a ligação meio/ataque. Álvaro González jogava pela direita e, do lado oposto, Álvaro Pereira se postava mais defensivamente para proteger o lado de Cáceres, o lateral-esquerdo uruguaio. Arévalo e Pérez eram os volantes. Nenhum desses dois tem recursos para participar da criação do jogo pela frente. Era preciso que Forlán, mais preso aos volantes adversários, fizesse a ligação da transição meio e ataque.

O Paraguai, também no 4-4-2, foi na proposta defensiva: Ortigoza e Víctor Cáceres eram volantes, com Riveros e Vera como jogadores mais periféricos. Em suma, todos eram volantes, de fato. Nenhum destes, ao contrário do Uruguai – que tem Forlán – poderia carregar a bola ou ligar o meio/ataque. Riveros era o que tinha um pouco mais de “operância” no ataque, pela esquerda; pela direita, Vera protegia mais do que avançava. No ataque, Váldez e Zeballos tentavam algo que resultasse em gol. Nada.

Até pelo fato de o Uruguai ter pressionado desde o primeiro momento – mesmo fazendo parte da devida proposta do Paraguai. E teve chance logo com dois minutos de jogo, após boa cabeçada de Lugano – Ortigoza pegou a bola com a mão, e foi pênalti não-marcado. O Uruguai já monopolizava as ações, mas dessa vez não faltaria competência aos finalizadores. Suárez, sucinto, fez seu lindo gol aos 11 min, após ter limpado Verón com sutil toque do pé direito para o canhoto.

Já era notável a superioridade uruguaia. E, finalmente, foi mostrada em gol. Muito se deve à inoperância paraguaia, que não conseguiu articular seu jogo. Com Forlán flutuando pelo campo, mais precisamente jogando por trás dos volantes adversários, o Uruguai era sublime. Jogava com autoridade, mesmo com um Paraguai que ia ascendendo no jogo, aos poucos, claro.
Bastou um erro na saída de bola para o melhor volante da Copa América – Arévalo Ríos – passar a bola para Diego Forlán faze seu tento e praticamente sacramentar uma vitória que representava o 15º título das Américas para o Uruguai.

No segundo tempo, o panorama começou com um Uruguai exercendo um “pouco” da proposta paraguaia, cedendo a bola ao adversário e o esperando em seu campo. Os paraguaios resolveram atacar, e avançaram seu lateral, Piris, para liberá-lo ao apoio, e colocaram Estigarribia em campo para dar mais uma opção de jogo – ou melhor, dar ao menos uma opção de jogo. Uma proposta defensiva paraguaia que não funcionou em nada e era quebrada, com a entrada ainda de Pérez, atacante, e ainda com Barrios.

Nada funcionou. Os paraguaios mantiveram o esquema 4-4-2, com Estigarribia pela esquerda e Pérez pela direita. A equipe de Martino já estava quebrada o suficiente para o Uruguai se autoproclamar campeão das Américas. Com Cavani, os uruguaios foram atuar no 4-3-3 que não funcionou nas primeiras partidas, mas que pouco influenciaria neste entrave. Forlán fez sua melhor partida na competição, assim como Luis Suárez. O Uruguai, também.

A contraproposta campeã apresentou o domínio evidente das ações do jogo, com proteção, ligação, finalização qualificada, segurança, consciência e responsabilidade. Foi brilhante o jogo que os uruguaios fizeram no dia de hoje. Pode-se afirmar até mesmo que deve-se pela covardia paraguaia, mas os uruguaios fizeram os invictos e convictos de sua estratégia, os paraguaios, derrotados por três a zero.

Assim sendo, algumas coisas devem ser constatadas ao final da Copa América:

– O melhor time da América do Sul é sim o Uruguai, e é também o que possui mais tempo de trabalho sob o mesmo comando (6 anos e 4 meses);

– O Paraguai é bom time, porém desfrutou de uma proposta defensiva em excesso, o que o fez ter atitudes discutivelmente “covardes”;

– Argentinos e brasileiros sofrem de problemas de reformulação e renovação, o que faz o trabalho mais cadenciado. Mesmo assim, pode-se exigir maior competência e atuações melhores de seus jogadores;

– A surpresa maior da Copa América, para mim, foi a Venezuela; em segundo, vem o Peru;

– Ao meu ver, mesmo não estando no mesmo nível de futebol, o Uruguai habita o 1º escalão do futebol mundial, que é constituído, hoje, por Espanha, Holanda e Alemanha.

NOTAS:

Uruguai

O melhor da final e da Copa América - Suárez triturou a defesa uruguaia ao lado de Forlán


Muslera 6,5
M. Pereira 6,5
Lugano 6,5
Coates 6,5
Cáceres 6
Arévalo Ríos 7
Pérez 6,5
A. González 6,5
A. Pereira 6,5
Forlán 8
Suárez 8
Cavani 7
Eguren 6
Godín sem nota

Paraguai

Villar 6
Piris 6,5
Da Silva 6
Verón 5,5
Marecos 5,5
Vera 5,5
Víctor Cáceres 5,5
Ortigoza 6
Riveros 6
Zeballos 6
Haedo Váldez 6,5
Estigarribia 6
Pérez 6
Barrios sem nota

Por: Felipe Saturnino

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