Archive for agosto, 2011

30/08/2011

No 3-4-3 do Barcelona, não há apoio de laterais, mas meias dão suporte

Sánchez e Messi - no 3-4-3, Barcelona é o mesmo, mesmo diferente

Pep Guardiola sabe muito bem que a escola barcelonista possui uma filosofia que, embora venha carregada de um esquema tático muito bem definido, não se adapta ao esquema. O esquema usado se adapta à filosofia, mesmo que as modificações na formação tática sejam quase inexistentes no time catalão. O 4-3-3 é predominante.

Ontem, diante o Villareal, foi diferente. Guardiola resolveu mudar um pouco o desenho tático, prezando mais a linha de 3 homens na defesa. Aceito. Mascherano não compromete, e Sergio Busquets é muito bom marcador e contém as ações ofensivas adversárias como volante, ainda participando da transição defesa/meio. Abidal é mais que consolidado como um bom zagueiro, apesar de seu maior sucesso na seleção nacional ter sido como lateral, com o vice na Alemanha em 2006. Mesmo assim, no Barça ele é lateral-esquerdo.

Barcelona no 3-4-3: sem laterais, meias abrem o jogo, Fábregas se infiltra e Messi brilha (como sempre)


Prezando e aceitando uma formação diferente, o Barcelona não modifica o princípio básico: a posse de bola e o toque vertical. Um time que, marcando pressão, ganha todas as ações na faixa intermediária e, assim, vence os jogos com considerável tranquilidade. No 3-4-3 de ontem, o time de Guardiola jogou como sempre, mas como nunca.

Muito pelo esquema que, sem tanto apoio dos laterais, libera Iniesta e Thiago Alcântara para concederem o suporte aos atacantes ponteiros, como Sánchez e Pedro, no caso. Messi fez a posição do falso nove e Cesc Fàbregas ocupou espaço como o vértice adiantado no losango do meio-de-campo.

Isto é, o desenho muda, mas a razão para o clube estar onde está, não. Sim, não muda. A posse e o tiki-taka são marcas registradas da equipe catalã. Messi deu show, Cesc jogou muita bola, Iniesta teve um jogo com menos rendimento que os dois citados e o naturalizado espanhol, Thiago Alcântara, fez gol e deu passe para outros dois: um de Sánchez e outro de Lionel.

Enquanto isso, a proposta se assimila mais a cada jogo. Mesmo com as mudanças e sem um apoio de um lateral como Daniel Alves, o Barça tem time suficiente para vencer, convencer e golear adversários, em outro esquema. E ainda há tempo de dar show, tema mais exclusivo no que se refere a Lionel Messi. Barbaridade.

Por: Felipe Saturnino

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27/08/2011

Mais um título para Pep e os ensinamentos do “espelho” Porto

O Barcelona é cada vez mais campeão, mas já nesta temporada. O segundo título em dez dias mostra a força da equipe a ser batida no mundo.

Todos sabem que, para parar o Barça, é preciso barrar a transição meio/ataque. Ah, não se esqueça que você não pode deixar Lionel Messi jogar solto. Impeça os avanços dos laterais e, ainda, tenha uma linha defensiva combativa e inteligente o bastante para não deixar Villa e Pedro infiltrarem-se sozinhos na área adversária – vide linha de impedimento.

Mourinho, que tem elenco para fazer o possível e o mais que possível contra o Barcelona, seguiu a lista corretamente. Impediu a transição, não deixou Messi trabalhar solto entre as linhas dos volantes e dos zagueiros centrais e colocou seus “wingers” para impedir os laterais barcelonistas de jogar para o apoio. No 5 a 0 deu errado, na Copa do Rei funcionou. Mesmo assim, os madridistas fizeram sua melhor partida na temporada passada diante os rivais e, ainda assim, não foi possível parar o Barcelona de Josep Guardiola. Até pelo fato de sua equipe jogar cada vez mais e incorporar cada vez mais o estilo “tiki-taka“, de posse de bola, monopolização das ações e infiltrações.
Mas quando o português do Real propôs o 4-1-4-1 se desenvolveu um estilo para atuar contra o Barcelona. Você joga no extremo da marcação, mas produz pouco no ataque. Mesmo assim, na vitória por 1 a 0 em Mestalla, em abril deste ano, mostrou-se um Real Madrid combativo e criativo. Dois volantes batiam de frente com Iniesta e Xavi e não os deixavam jogar. Messi era acompanhado por Pepe em um ponto alto do campo dos madridistas. Di María e Cristiano se sacrificavam para impedir os laterais barcelonistas de apoiar. Não funcionou na Champions League.

É cada vez mais difícil parar o Barcelona. O Porto fez um jogo parelho, ou melhor, fazia, até o momento em que tomou o gol. Guarín, que tinha espaço para jogar por trás de Iniesta, jogou contra o patrimônio e Messi fez o de sempre: gol.
Enquanto isso, o auxiliar de Villas-Boas, Vítor Pereira, técnico do Porto, assistia ao Barça jogar mais ao gosto na etapa seguinte. O volante Souza auxiliava os zagueiros na missão de marcar Messi. Hulk e Cristian Rodríguez acompanhavam os laterais do time de Pep. Moutinho jogava com Xavi.

O Porto que tentou barrar o Barça: 4-1-4-1 na defesa que "impede" o estilo do Barcelona. Não funcionou.

Mas simplesmente não funcionou. Muito pelo fato de, enquanto Messi prende o volante adversário, sua equipe não tem mais uma peça no meio-de-campo para auxiliar a construção e evolução de jogo. E se sabe que, do outro lado, Xavi e Iniesta ditarão o ritmo do jogo de forma cadenciada, estilo mais do que consagrado pelos barcelonistas.

Ou seja, o Barcelona é cada vez mais “melhor do mundo“, e também há de se falar que ontem Messi jogou barbaridades novamente. E é outro que vai jogar cada vez mais.

O título da Supercopa da Europa promete uma temporada mais do que boa: teremos mais um ano de sublime Messi ou alguém parará o Barça? Boa pergunta.

Crédito da imagem: blog “Olho Tático

Por: Felipe Saturnino

25/08/2011

Na fase de grupos, nenhuma morte declarada

A UEFA sorteou os grupos para a primeira fase dentro da Champions League 2011/2012.

No grupo A o anfitrião da final encabeça a lista do grupo mais difícil, mas que não é o da morte: Bayern de Munique, Villareal, Manchester City e Napoli. O time alemão e os bilionários de Manchester são os favoritos para as oitavas. Napoli e Villareal podem incomodar, mas, ainda assim, estão em um patamar de disputa mais baixo que os dos dois figurões do grupo.

Palpite: Manchester City
2º Bayern de Munique
3º Napoli
4º Villareal

Pois sim, o City pode ficar por cima no primeiro grupo. Com o time que tem, reunindo peças de valor mais do que qualificadas, a equipe de Mancini pode levar a primeiro posição. E pra mim, leva. Os anfitriões bávaros ficam com o vice no grupo. Napoli vai para a Liga Europa.

Pelo B, a Inter de Milão não poderia esperar melhor resultado no sorteio. Afinal, além de encabeçar, caiu em um grupo folgado, com times facilmente “batíveis”. CSKA, Lille e o Trabzonspor, substituindo o Fenerbahçe, envolvido em escândalo na Turquia, completam a lista no grupo B.

Palpite: Inter de Milão
2º Lille
3º CSKA
4º Trabzonspor

O time francês do tão bem avaliado Eden Hazard se classifica para as oitavas; os interistas passam facilmente pela fase inicial; CSKA vai para a Liga Europa.

A chave C reúne dois campeões europeus: os ingleses do Manchester United – tricampeões, com títulos em 1968, 1999 e 2008 – e os portugueses do Benfica, bicampeões na década de 60 – 1961 e 1962. São os favoritos no grupo, que é completado pelo time da terra de Federer, o Basel, e pelo atual campeão romeno, o Otelul Galati, time que tem apenas 47 anos de existência.

Palpite: Manchester United
2º Benfica
3º Basel
4º Otelul Galati

Os Devils do United liderarão o grupo – pois são mesmo melhores que os portugueses -; o Benfica é segundo. O time suíço, predileto por Federer, vai à Liga Europa. Os romenos comemoram o quarto lugar, simplesmente por habitarem a Champions League.

O D é o grupo com mais títulos – 9 do supercampeão Real Madrid e 4 do Ajax, hoje de Frank de Boer. Pois, assim sendo, os dois são favoritos. Não, no caso, apenas o time de Mou é; o Olympique de Lyon vai brigar com o tetra Ajax, e ainda reencontrará os madridistas – serão 6 encontros em 3 edições de Liga dos Campeões.

Palpite: Real Madrid
2º Ajax
3º Lyon
4º Dinamo Zagreb

Os croatas ficam com a quarta posição no grupo D; os holandeses se classificarão e os franceses passam para a antiga Copa da UEFA, hoje Liga Europa; os madridistas passam com relativa tranquilidade.

O grupo E é equilibrado: Chelsea – ainda em montagem com André Villas-Boas -, Valencia, que perdeu Juan Mata para o próprio time londrino, e o Leverkusen, de destaques como Schurrle, Kiesling e um vicecampeonato na Bundesliga. Ainda assim, o cabeça-de-chave é o favorito para avançar como primeiro; o Valencia briga com os alemães. Os belgas do Genk terão que jogar o que podem, o que não podem, o que nunca imaginaram e o que nunca pensaram em imaginar para ir avante na Liga dos Campeões.

Palpite: Chelsea
2º Bayer Leverkusen
3º Valencia
4º Genk

Os ingleses são líderes; o time alemão, idealizado por Jupp Heynckes, hoje no time de Munique que recebe a final do evento, fica em segundo lugar, brigando até a morte com o Valencia, este que fica em terceiro; os belgas não jogam o impossível e ficam na última posição na chave.

O F tem um Arsenal perigando com as primeiras colocações, e um Olympique de Marselha vicecampeão com Didier Deschamps na Ligue 1, na última temporada, e ainda campeã da Supercopa da França, em tempos mais recentes. Porém, o destaque fica com um ótimo Borussia Dortmund que tem tudo para avançar como primeiro no grupo F.

Palpite: Borussia Dortmund
2º Arsenal
3º Olympique de Marselha
4º Olympiacos

O time de Jurgen Klopp, sensação na última temporada, passa para as oitavas sendo a primeira no grupo; o time de Wenger sofre mas também vai em frente; Deschamps leva o Marseille à Liga Europa; Olympiacos pode roubar pontos dos figurões do grupo.

O Porto encabeça o grupo G, completado pelo Shakhtar da Ucrânia e pelo Zenit de São Petesburgo, time russo. O Apoel do Chipre também figura.
A sensação é que os portugueses avançam, ainda com os ucranianos. O Porto pode sim perder pontos com a equipe campeão da Liga Europa – então Copa da UEFA – em 2009, falo do Shakhtar. O Zenit vai à Liga Europa.

Palpite: Porto
2º Shakhtar Donetsk
3º Zenit
4º Apoel

Mesmo sendo teorizado como o primeiro da chave, o Porto tem que ter cuidado com o jogo diante o time de Donetsk, na Ucrânia. No mais, a ordem será a do palpite.

No grupo H, Barcelona, Milan, Bate Borisov e Viktoria Plzen. Ponto.

Palpite: Barcelona
2º Milan
3º Bate Borisov
4º Viktoria Plzen

Com tudo considerado, nenhum grupo da morte declarado. Assim sendo, o sorteio da Champions deixou a desejar. Ao menos, nenhum figurão terá óbito, então, teremos ótimas oitavas-de-final – assim espero.

Por: Felipe Saturnino

25/08/2011

A importância de um bom passe e de uma referência

Há tempos insisto que algumas situações em equipes que não conseguem atuar bem são denominados problemas de “articulação”. Pois é, acontece muito nos times mas é algo que pode virar clichê.

No São Paulo de ontem, não faltou evolução de jogo e desenvolvimento no campo adversário, mas sim, um passe qualificado – a falta que um Rivaldo, mesmo com seus trinta e tantos anos, faz. Sim, o passe qualificado, com um tripé de volantes que parece ter recursos para fazer uma transição com qualidade suficiente.
Mas a falta de um jogador mais refinado consiste. Lucas é um condutor de bola, que tem muitos recursos. Dagoberto e Fernandinho são atacantes, mas nenhum deles é referência.

E ontem, no 4-3-1-2, o São Paulo idealizado por Adilson Batista só conseguiu se encontrar no segundo tempo, sabendo que não ameaçou a equipe do Ceará na etapa inicial. O time de Vágner Mancini clamava por uma jogada de maior velocidade, para encaixotar a equipe paulista. No 4-4-2 que libera os laterais e persiste com Edmílson aprofundando a posição de um volante, o Ceará nada conseguiu. Osvaldo caiu pelos lados, flutuando por trás de Marcelo Nicácio, preso entre os zagueiros. Egídio, um lateral apoiador mas pouco combativo, perdeu quase todos seus confrontos com Iván Piris, sempre atento à marcação.

No segundo tempo, com um passe mais qualificado, o time do Morumbi achou três gols. O primeiro demonstra a falta de um meia central avançado com mais recursos do que Lucas e uma referência, que foi executada por Cícero em um belo gol de domínio e chute.
Depois, as jogadas dos gols basearam-se em velocidade, uma marca deste São Paulo nos últimos confrontos.

O time ideal de Adilson Batista precisa de uma qualificação no passe e uma referência. Há de se dizer que um time pode funcionar sim, sem uma referência. Mas sem um bom passe, não, a transição meio/ataque não é executada.

Dagoberto - autor de um dos gols no jogo


Wellington fez jogo seguro como primeiro-volante e tem de se falar que o bom zagueiro João Filipe fez uma atuação digna de um 7,5. Como Ceni disse ao final do entrave, “jogou muito bem”.

Botafogo x Atlético-MG: no 4-2-3-1, Caio Júnior deu ao Botafogo uma cara. O time de MG foi de 4-3-1-2, com Fillipe Souto fazendo o volante primário, mas distribuindo bem o jogo. Richarlyson simplesmente fez um jogo muito esforçado mas pouco produtivo. O time de mineiro precisa se achar, caso contrário, amargará seriamente a ideia do rebaixamento. Os botafoguenses avançaram jogando em um nível mais baixo em relação a entraves anteriores, mas, mesmo assim, com um pênalti marcado de forma equivocada, foram superiores aos atleticanos. De olho no time de Caio Júnior, com jogos promissores. Com exceção desse, é claro.

Por: Felipe Saturnino

24/08/2011

Vida longa à Szczesny

O Arsenal está se desmontando em peças de valor muito pequeno. A equipe já deixou de ter Cesc Fàbregas e Samir Nasri, jogadores badalados, talentosos, técnicos e fundamentais para o francês comandante dos Gunners, Arsène Wenger.

Pois com a filosofia do francês, de somente revelar e não consolidar o jogador, – de fato – o Arsenal pena um título há 7 anos.

Nada que influenciasse os comandados de Wenger para serem derrotados pela Udinese. O resultado ao Arsenal foi satisfatório, pois está nos grupos da Champions.

Jogando em um 4-2-3-1 inicial, o time de Wenger se modificou. Mais um jovem, Frimpong, se juntou aos Gunners. Com Ramsey como meia central do meio-de-campo com três meias ofensivos, o Arsenal reunia Gervinho e Walcott como meias mais extremos no campo.
O marfinense, Gervinho, fez seu melhor jogo com o Arsenal. Porém, ainda precisa de uma atuação mais estável e regular, com mais prós do que contras. A atuação de hoje foi uma demonstração do que ele pode fazer – sim, ele pode um pouco mais. Walcott, apesar de seu gol, precisa cessar com acontecimentos que culminam em perda de chances, como aquela que Handanovic – o bom arqueiro esloveno – pegou, após uma das duas ótimas jogadas de Gervinho pela esquerda.
A segunda boa foi a que gerou o gol de Van Persie, o atacante com o maior faro de gol no time. O tento foi o de empate, pois antes, Di Natale mostrou como se faz um gol de cabeça bem feito. O avante italiano tem técnica de centroavante sobrando.

O jogador da Udinese – que repetia o 4-1-4-1 da terça anterior, com saída de Armero pela esquerda – tem tudo que um centroavante precisa. Não seja por isso, foi o goleador das duas últimas temporadas do campeonato italiano.
Mas aquele penal não poderia ser perdido. Sim, Di Natale perdeu um pênalti aos 13 minutos da etapa complementar.

Ao Arsenal, a classificação tira Wenger da corda bamba. O francês vive um momento delicado no cargo da equipe londrina e, pode sim, sair do lugar que a ele hoje pertence. Mas a este ponto da temporada uma negociação não é tão provável assim.

E Wenger deve agradecer muito ao brilhante arqueiro Szczesny. Pois se Di Natale perdeu – e não poderia perder – não foi pelo fato de ter batido mal. Longe disso. Szczesny saltou para pegar a cobrança. Vida longa a ele.

Szczesny - vida longa ao polonês

Por: Felipe Saturnino

21/08/2011

São Paulo x Palmeiras: o clássico dos que não convencem

“Clássico é clássico e vice-versa.”

“Clássico não tem favorito.”

“Clássico é jogo diferente.”

“Clássicos são sempre bons jogos.”

Verdades, dúvidas e mentiras. A primeira frase é emblemática, marcante. Mostra um pouco do que é um clássico.
Porém, clássicos têm favoritos, apesar de isso normalmente não se refletir em campo.
Clássico geralmente é eletrizante, emocionante. Pois é. E a última, bem, esta é uma mentira declarada e assinada.

Temos um exemplo de clássico comum: o Choque-Rei de hoje, tome este. Jogo morno, sem sal, mas com duelos táticos interessantes. Adilson “inventou” e foi de 3-5-2, com desdobramento em 3-4-1-2. João Filipe entrou na zaga para combater o problema mais que óbvio da proteção, numa tentativa de estabilizar o setor da defesa e da parte dos volantes. Estes – Wellington e Carlinhos Paraíba – não possuem as características que identificam um primeiro-volante.
O Palmeiras, por sua vez, tinha em campo um 4-3-2-1 mais que interessante. Era defensivo, mas inteligente. Era pouquíssimo criativo, mas muito marcador. Para entender, temos alguns confrontos tomados como base:

Juan x CicinhoPiris x LuanRivaldo x Chico (ou outro volante)

Juan foi péssimo no apoio e peca muito quando é exigido ao limite de sua qualidade em relação à marcação. Cicinho o prendeu até o fim da primeira etapa. Na outra ala, Piris e Luan duelaram para saber quem era mais consistente no apoio e na marcação. No final, quem saiu vitorioso foi o palmeirense. Rivaldo venceu o duelo em alguns momentos, mas o tripé de volantes da equipe alviverde – Chico, Márcio Araújo e Marcos Assunção – foi mais forte no geral.
Sem apoio qualificado no decorrer do jogo, a equipe do São Paulo teve de recorrer à centralização do jogo, com Rivaldo no centro da articulação. Tudo errado.
No final, o mais sensato seria recorrer ao 4-3-1-2 – pelo menos para mim. Com os volantes dando suporte à criação e atuando como apoiadores, o resultado poderia ter sido diferente. O problema seria a proteção da zaga, sabendo da ausência de um primeiro-volante e também que Denílson estava machucado.

O Palmeiras pode ficar feliz. Até pelo fato de ter empatado com uma equipe com maior limite técnico e ainda por ser fora de casa. A proposta de Felipão, mesmo com a mudança no segundo tempo para 4-2-3-1 com mais ofensividade, foi sempre manter um time postado de forma mais contundente e segura em campo. Quando Maikon Leite entrou na partida, o técnico quis segurar mais Cicinho para conter avanços de Dagoberto e Fernandinho pelo setor, mas, ainda assim, o ala tricolor fez um jogo deprimente. Juan, notoriamente, precisa de uma cobertura qualificada para a marcação. Neste caso, o primeiro-volante seria fundamental. Mas a equipe de Adilson não possui um destes.

Juan x Cicinho - o ala são-paulino foi deprimente na marcação

No mais, um jogo morno e inconvincente, configurando justamente o limite criativo e técnico do Palmeiras e a incompetência em ganhar pontos em casa do São Paulo.

Pois é, mais um fair play ao líder Corinthians, que também fez um jogo limitado e sucumbiu ao perder do Figueirense, sábado, no Pacaembu.

Por: Felipe Saturnino

21/08/2011

City é forte, criativo, autoritário e candidato a títulos

No City de Mancini se percebe uma opção por um esquema 4-4-2 que pode sofrer transição para o 4-2-3-1, dependendo de como Kun Agüero se posiciona em campo. O argentino, então, participa da criação e também da conclusão de jogadas em campo.
Com isso, Milner, David Silva, Yaya e Barry completam a zona intermediária do Manchester City, com velocidade e criatividade no setor. Um meio-de-campo que, de tão funcional, chegou a ter posse de bola digna de Barça hoje, no Reebok Stadium – 64% diante o Bolton.

Yaya Touré e Barry dominaram as ações e jogaram como gente grande, como de fato, são. No duelo contra os volantes adversários, Reo-Coker e Fabrice Muamba, os dois dos Citizens venceram um confronto simples. Afinal, são muito técnicos e participam tanto das tarefas defensivas quanto das ofensivas.
O que há de se dizer também que, dessa forma, Silva e Milner exclusivamente são wingers que não são imóveis. Silva, como chamei no post passado, era um falso winger que podia jogar por dentro e pela lateral. Mas hoje fica claro que a proposta de Mancini é fazer a equipe rodar o máximo possível, com Agüero, mesmo assim, sendo determinante no esquema. Sabe-se que o argentino também pode jogar pelos lados e assim, configura-se uma transição centrada em três dos ‘centros’ ofensivos do City – Agüero, Silva e Milner.

E o City foi autoritário. Só sofreu nos minutos iniciais diante o Bolton. Pouco importaria. A equipe de Manchester veio disposta a vencer, mandar no jogo e mostrar que pode brigar por muito mais do que uma Premier League – sim, o time pode ser competitivo, e muito, na Champions League.

Com o 4-4-2/4-2-3-1, o Manchester City venceu o jogo com gols de David Silva, – em falha declarada e assinada do goleiro Jaaskelainen – Gareth Barry e Dzeko, outro que fez um ótimo jogo.

O 3 a 2 representa um resultado relevante que, para uma temporada tão longa, mostra-se como uma janela para títulos e mais títulos.

Pois sim, o City empolga, manda no jogo com seu meio-de-campo poderoso, é autoritário, tem um dos 5 melhores elencos do mundo e, por isso, pode ganhar muitos títulos.

Já é líder, com 7 gols feitos e 2 sofridos e ainda 100% de aproveitamento. Lá em cima, vai disputar com United, ainda um degrau acima, e com Chelsea, um degrau abaixo dos Citizens.

Por: Felipe Saturnino

16/08/2011

Criação, filosofia, problemas, maturidade e juventude

Walcott - o jovem e talentoso de um Arsenal muito confuso


Arsène Wenger, notoriamente, é sabido como um dos maiores treinadores do futebol. Afinal, não é por qualquer coisa que um técnico se mantem num cargo por tanto tempo, e com a eficiência que tem.

Porém, sabe-se também que sua eficiência há tempos não é refletida em títulos. Desde a temporada 2003-04, os Gunners simplesmente não ganham títulos. E tem uma explicação.

Sabendo e conhecendo Wenger, creditamos os sucessivos fracassos do Arsenal à filosofia do clube. Ou do próprio Wenger – de fato, é a do treinador.
Tivera ganhado a Carling Cup diante o Birmingham, em fevereiro do ano atual, e a pressão sobre os ‘garotos’ do Arsenal certamente seria menor.
Mas a sina continuou e o clube permaneceu sem título, depois de 7 anos.

A saída de Fàbregas mostra o que o clube forma: jogadores que se formam e deixam a instituição.

Desde a criação de base, o Arsenal volta seus garotos ao clube com uma grande atenção. Mas não crê em alternativas mais experientes para dar maturidade ao grupo atual. E se necessita disso. Fica mais claro e evidente.

Hoje, diante a Udinese, Wenger não dirigiu os Gunners no campo, mas sim, dos camarotes do Emirates – punição em respeito às reclamações do jogo diante o Barcelona, pelas oitavas da Champions deste ano. A equipe não se achou em campo e, jogando em um 4-3-3, o jovem Ramsey, outro bom nome da base, decidiu o jogo com um passe.

Mas o time não conseguiu desenvolver a criação na partida. Muito pela vantagem da Udinese no meio-de-campo – sabendo que possuía 5 jogadores e o Arsenal três. O que não tira o demérito dos londrinos quando se refere ao jogo em si. Com Rosicky jogando mal, o time do técnico francês não conseguiu fazer ligação e dependeu basicamente de suas jogadas laterais, com Theo Walcott, ou de um lampejo de Aaron Ramsey. Gervinho fez um jogo fraquíssimo, o que acarretou em problemas na sua movimentação. O avante da Costa do Marfim não se achou em campo, e ‘circulou’ pelo campo de batalha.
O destaque para a Udinese fica para a vantagem que a equipe tomou no meio-de-campo, prendendo seus volantes para as saídas periféricas do bom apoiador Isla e do ex-Palmeiras, Pablo Armero. Tivera ele convertido sua chance em gol e o Arsenal estaria mais do que encrencado.

Mesmo ganhando, mais uma vez, o time de Wenger não parece confiável. O reflexo de uma filosofia de criação do técnico que, transmitida diretamente ao clube, gera prejuízos na produção de jogadores enquanto seus times se desenvolvem apenas de ótimos jovens valores, mas não de experientes certezas. A seca de títulos só reforça a tese.

Wenger - filosofia do francês parece ter fracassado

Por: Felipe Saturnino

15/08/2011

O City de Agüero pode ser o City do protagonismo


A estreia do City na Premier League foi empolgante. Mancini foi com o 4-2-3-1, usando Yaya Toure como meia central, na criação e também na recomposição com De Jong fazendo a função de primeiro volante. Gareth Barry fez um jogo regular, apenas deixando a ajustar alguns detalhes na marcação. Mas de resto, o City fez uma estreia muito boa.

Sem Milner, Roberto Mancini optou por Adam Johnson como winger pela direita – lembrando a definição de winger para jogador extremo do esquema. David Silva fez uma espécie de falso winger, afunilando o jogo, procurando e achando espaços para o Manchester City. O Swansea começou a partida bem, demonstrando uma calma e técnica, limitada, para trabalhar o jogo. Também há de se falar que Barry não ajudava De Jong na marcação e na ocupação de espaços, deixando dois meias – Sinclair e Dobbie – e um volante – Britton – sobrando para o holandês. A equipe galesa chegou a ter 66% da posse de bola no entrave por este motivo.

Mas durou por pouco tempo, pois o City começava a desencantar. Com Johnson, Silva e, principalmente, Toure fazendo boa partida, a equipe de Mancini começou a jogar pelos flancos. Mesmo com o goleiro do Swansea, Varm, em jornada brilhante até o momento, o chute de Adam Johnson foi mais sólido e bastou para Dzëko marcar o primeiro.

Mas o melhor veio quando Agüero entrou. Com o Swansea frágil diante um City demlidor, Agüero marcou dois tentos: o primeiro após boa subida de Richards com bom passe para o gol do argentino, e o segundo foi um petardo digno do jogador que é. E o avante ainda deu uma assistência sensacional a David Silva, um dos melhores no jogo.

E Yaya Toure, o volante que foi meia no jogo de hoje, fez mais uma jornada muito boa. Assim como Adam Johnson, De Jong e, óbvio, Sergio Agüero.

Tudo isso mostra o que o City pode fazer no ano: passar de um extraordinário coadjuvante para um protagonista. Digno da brilhante atuação de Agüero, em sua estreia pelo City.

Por: Felipe Saturnino

13/08/2011

Bayern vence mas tem problemas

Jupp Heynckes, o bom técnico do Bayern de Munique, campeão da Champions League da temporada 1997-98, tem muito coisa a organizar no time bávaro.

Heynckes manteve o esquema proposto por Van Gaal, desde o início de seu trabalho. O 4-5-1 com três meias ofensivos, que funcionou na campanha de Van Gaal para levar o Bayern até a final da Champions League 2009-2010.
Na ocasião, a equipe alemã desbancou times como Juventus, United e Lyon para chegar à decisão diante a Inter de Milão. Foram campeões nacionais e venceram a Copa da Alemanha.

Mas o trabalho foi conturbado. Mesmo assim, o 4-2-3-1 prevaleceu, e assim hoje prevalece com Jupp Heynckes.
Na equipe bávara de hoje, os meias ofensivos foram Thomas Müller, Ribéry e Kross. Os volantes eram Luiz Gustavo – aliás, foi ele que fez o tento – e o ótimo Schweinsteiger.

O problema é a criação. Sabendo que Kross é o meia central, fica evidente a falta de criatividade do meio-de-campo. A questão é que a equipe tem Schweinsteiger como um organizador natural vindo de trás. Mas os ‘wingers’ – Ribéry e Müller – fizeram um jogo fraquíssimo hoje.

E precisava-se muito de um meia central eficiente na articulação. Quando os volantes surgiram de trás, o problema se amenizou.

O trunfo surgiu logo quando Luiz Gustavo apareceu no ataque, chutando e não dando chance de Diego Benaglio pegar a bola.

Quando os volantes compartilham a função de criação, o jogo fica mais leve. Schweinsteiger não é problema, mas a questão é como ficam Kross e Luiz Gustavo. O primeiro é muito talentoso, mas não é um nato armador e o brasileiro é seguro e regular, e ainda possui boa chegada à frente. Há de se dizer que os jogadores mais extremos, que são Ribéry e Müller, também tem de fazer jogadas laterais com maior eficiência, e não devem centralizar tanto o jogo.

Com a vitória de hoje, o Bayern faturou seus primeiros três pontos na Bundesliga, mas a equipe apresenta problemas.

Mas, mais importante, os problemas tem soluções. E são soluções que podem se encontradas dentro do próprio time que jogou hoje.

Jupp Heynckes - técnico do time bávaro tem problemas, mas tem soluções

Por: Felipe Saturnino