Desvalor: injusto e inconsciente

Quando nos referimos a nossos times como fortes tendo base em seus elencos, que, pressupondo, disputam uma temporada competitiva, temos a ideia centrada em um aproveitamento de todos os campeonatos que estes clubes possuem para jogar.

Digo, seu time é forte o bastante para suportar duas competições? Se for, de fato, mande-o jogar com força semelhante a que atua no Brasileirão – e não o desgosto e a apatia que joga o seu estadual.

Pois, de uma forma, seu time preza por uma vaga na Libertadores via Brasileirão, mas, da mesma forma, dá de ombros para a Sul-Americana – ou melhor, já deu de ombros uma vez. Minimiza a competição, pede para não jogá-la, ou outra coisa do gênero.

Da mesma forma, sabe-se que ela tem nível semelhante ao do campeonato nacional, e, se pode ser vencida por uma equipe que não está nas posições do figurões do Brasileirão, que a equipe faça tudo para completar tal feito.

Pois ir para a Libertadores vencendo um título que é importante é algo diferente de ir a competição de maior importância sul-americana via-nacional, classificando-se em um quarto lugar, um tanto suado e comemorado, a mesma medida que se lamenta o amargo gosto de nenhum título para a temporada que se passa. A vaga é uma consequência da sua disputa vislumbrando o título. Se quer mais a Libertadores do que o Brasileirão. Somente não consideram que podem fazê-lo ponderando as ações de um campeonato que já está perdido e dedicando-se a Sul-Americana.

O desvalor de um título, que hoje já não acontece tanto, não é tão aceitável. Como se não valesse a pena vencer a Copa Sul-Americana antes de se ter a vaga para a Libertadores via Sul-Americana, de fato. Um desvalor mais do que consolidado.

Injusto com a competição e, ao mesmo tempo, inconsciente com a capacidade de seu time. Desvalorizá-la anteriormente não era aceitável – somente para os que de fato se preocupavam com um título, ou estavam crendo na classificação do time para a Libertadores. Para os que estavam perto da Libertadores, é aceitável. Que se pondere, todo time competitivo, para mim, pode brigar com duas competições. Ao mesmo tempo que, sabendo da dificuldade imensa de seu time atingir a Libertadores, é mais aceitável para alguns desprezar a Sul-Americana e passar mais um ano sem título.

Compreensível, não aceitável. Para mim, ao menos.

A questão da Sul-Americana ser mais valorizada e “aceitada” para disputa comum de seu time é a vaga na Libertadores.

Até que ponto uma competição tremendamente importante influencia apenas em participar dela, e não somente em jogar a Copa Sul-Americana por ser um título? – considerando que seu time não tenha mais nada de concreto em chances de atingir a zona da Libertadores e não briga para o título.

A questão é abrangente, e, por isso, deixo claro o relato.

A Libertadores é a competição mais importante das Américas. Sabendo que a Sul-Americana agora concede uma vaga para essa competição, é fundamental ao time em questão saber até que ponto pode atuar, simultaneamente, em nível semelhante ao do nacional na competição. Isso é aceitável.

Inaceitável é desprezar um título, vislumbrando uma vaga na Libertadores que, mesmo podendo acontecer no Brasileirão, é remota.
E a Sul-Americana é um título importante. Somente valorizou-se pela Libertadores.
Um desvalor que se tinha pelo título em si, e não pelo que o título, depois, poderia oferecer. Como acontece hoje.

Por: Felipe Saturnino

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