Os figurões na Premier League

Como no Velho Mundo as ligas estão começando a se movimentar – na Alemanha, já se movimentou – nada melhor do que apresentar previas do times figurões ao título no torneio da Terra da Rainha.

Fiz algumas análises sobre transferências, pontos fortes da equipe e alguns carmas das esquadras favoritas no campeonato.

Manchester United

Nas compras:
Ashley Young (meia)- Aston Villa – 18 mi £
David de Gea (goleiro) – Atlético de Madrid – 16 mi £
Tom Cleverley (meia) – Wigan – 3 mi £

Nas vendas:
John O’Shea (lateral-direito) – Sunderland – 4 mi £
Wes Brown – (zagueiro) – Sunderland – 1 mi £
Owen Hargreaves (volante) – sem time

Em Old Trafford, agora na terra do maior campeão inglês de todos os tempos, o United vem forte como sempre deve ser. Sir Ferguson deve permanecer no 4-4-1-1 proposto no ano passado para a Champions League e também para o decorrer da temporada nacional. Com os meias Nani e Young, a faixa intermediária do campo fica melhor preenchida e mais qualificada nas jogadas laterais – já que Young é um nato condutor de bola, tal qual Nani. Os volantes Carrick e Anderson – a possível dupla inicial – tem qualidade suficiente para executar uma saída de bola eficiente, mesmo ambos sabendo de suas limitações. Carrick, como primeiro volante, não tem uma saída meio/ataque tão boa, mas o brasileiro Anderson pode facilitar um pouco mais o trabalho de ligação aos meias. Rooney cumpre uma função mais especial, sendo o jogador mais ‘flutuante’ em campo, surgindo ao lado de Chicharito, este mais fixo, e ao mesmo tempo aparecendo no meio-de-campo, concedendo suporte aos meias, Nani e Young.

Pontos principais: Evrá apoia bem pelo lado canhoto, apesar de não ser o mesmo lateral que foi titular na conquista da Champions de 2008; Young e Nani vão abusar da velocidade e farão diferença em jogadas laterais, atuando da ponta para dentro. O craque é Wayne Rooney, com esperança de uma função importante, mesmo tendo ‘válvulas’ pelos lados.

Meta: o título é muito possível, por todos os motivos apresentados pela equipe de Ferguson, mais acima.

Chelsea

Nas compras:
Lucas Piazón (meia) – São Paulo – 6,5 mi £
Oriol Romeu (volante) – Barcelona – 4 mi £
Romelu Lukaku (atacante) – Anderlecht – 19 mi £

Nas vendas:
Nemanja Matic (volante) – Benfica – 4 mi £
Michael Mancienne (zagueiro) – Hamburgo – 2 mi £
Yuri Zhirkov (meio-campista) – Anzhi Makhachkala – 13 mi £
Jeffrey Bruma (zagueiro) – Hamburgo – 440 mil £

No Chelsea, que também fechou com André Vilas-Boas para esta temporada, as coisas não se modificaram tanto. O elenco é competitivo na mesma medida em que era o ano passado, porém, Ancelotti não conseguiu formar um time que fosse bom o bastante para desbancar o figurão inglês, o Manchester United. Na equipe do italiano, muitas vezes se usava o 4-3-3, ou havia uma mudança com Anelka mais trequartista, sendo o vértice adiantado do losango. O time sempre teve bons nomes, mas não emplacou na temporada. Mesmo com Fernando Torres, um ótimo atacante, que mesmo depois de fazer jogos fracos para seu nível, continua sendo um atacante de altíssimo nível. A boa saída com os volantes, Ramires, Essien e Mikel pode funcionar. Esta é apenas uma ideia para a formação inicial. Pode não ser a escolhida pelo português Vilas-Boas para a estreia diante do Stoke City.

Pontos principais: Ashley Cole é fundamental no apoio pela esquerda, com Ramires dando sustentação por aquele ponto do campo. Com Mikel e Essien, o Chelsea tem uma proteção sólida para a zaga, que deve ter o brasileiro David Luiz ou até mesmo Ivanovic, com Bosingwa fazendo a lateral-direita, no caso. Aliás, pelo lado direito, Vilas-Boas encontra problemas. Desde os tempos de Mourinho no Chelsea, a equipe não consegue consolidar um bom lateral pelo lado. Paulo Ferreira, em seus bons tempos, fazia um apoio um pouco qualificado ao ataque. Bem, mas era Paulo Ferreira em seus bons tempos.
Recordemos também que Didier Drogba, com situação indefinida no Chelsea, pode sair ou pode ficar. A equipe diante da situação contratou Romelu Lukaku para uma função de centroavante.

Meta: o título é possível, mas os fatores contribuintes como a montagem do time de Vilas-Boas e a própria adaptação do treinador ao ambiente da equipe londrina podem pesar na hora decisiva. Mesmo assim, é interessante almejar planos grandes para o Chelsea da temporada 2011/2012. Jogadores a equipe tem, falta um técnico que una todos estes como um time.

Liverpool

Nas compras:
Charlie Adam (meio-campista) – Blackpool – 7 mi £
José Enrique (lateral-esquerdo) – Newcastle – 7 mi £
Jordan Henderson (meia) – Sunderland – 15 mi £
Stewart Downing (meia) – Aston Villa – 20 mi £

Nas vendas:
Milan Jovanovic (atacante) – Anderlecht – 704 mil £
Paul Konchesky (lateral-esquerdo) – Leicester City – 1,5 mi £

O Liverpool, do ídolo Kenny Dalglish como técnico, tem bastante time para ameaçar Chelsea e Manchester na ponta do campeonato. A equipe de Luis Suárez, Andy Carroll, Meirelles e Lucas – o brasileiro da seleção – funcionou no final do campeonato passado – vencendo jogos e levando a equipe até a Liga Europa. Neste ano, a tendência é melhorar e vencer a Premier League no formato atual pela primeira vez no clube.
Na zaga, a equipe de Dalgish tem Jamie Carragher, veterano da equipe, mas as outras posições não demonstram muita segurança. Glen Johnson fez uma temporada regular, mesmo sendo titular na Copa do Mundo com o desastre britânico. Fabio Aurélio é bom jogador, mas tem suas limitações defensivas. Do mesmo sofre Emiliano Insúa, o argentino. Mesmo assim, o time tem tudo para ganhar jogos importantes e brigar lá em cima.

Pontos principais: Dalglish deve usar o time com uma linha de quatro. Digo isso pois no ano passado fez experiências com três zagueiros. Deram resultados, mas a equipe tem elenco para jogar em um 4-4-2. Se Glen Johnson emendar uma boa sequência de jogos, a equipe tem apoio qualificado pela direita. José Enrique foi contratado para suprir a necessidade na lateral-esquerda, enquanto na zaga Carragher e Skrtel devem atuar. O time tem saída boa com Lucas e Meirelles, mas pode faltar ligação sem Gerrard atuando. O ataque tem Suárez e Carroll. Sim, os avantes são bons o bastante para um time como o Liverpool. Kuyt pode aparecer como titular, assim como Downing, na estreia diante o Sunderland.

Meta: pelo início, dou o Liverpool como um time para a zona da Champions League. Se a equipe se arrumar, pode arrancar para atrapalhar os ‘chefões’, United e Chelsea.

Arsenal

Nas compras:
Alex Chmaberlain (meia) – Southampton – 12 mi £
Gervinho (atacante) – Lille – 10 mi£

Nas vendas:
Gaël Clichy (lateral-esquerdo) – Manchester City – 6 mi £
Denílson (volante) – São Paulo – 600 mil £

Arsène Wenger terá mais uma temporada nos Gunners, a 16ª, aliás. O grande treinador francês tem problemas para armar o time no início da Premier League. Fàbregas ainda pode aparecer no Barcelona e, por isso, Wenger tem algumas dificuldades. John Wilshere e Song deverão compor a dupla principal de volantes na temporada. Com isso, Nasri pode passar para a meia-direita, sabendo que Gervinho pode atuar por aquele lado. Walcott pode jogar como um atacante pelo lado direito Van Persie centralizado. O elenco do time da capital inglesa é ótimo, mas com um esquema tão agressivo e incisivo, pode-se sofrer.

Pontos principais: no 4-3-3 proposto por Arsène Wenger, a equipe tem Song como volante protetor, tendo Wilshere, o bom volante gunner, pela esquerda do tripé de meio-de-campo. Porém, neste caso, Wilshere é um meia, dando suporte para as jogadas de criação, ao lado de Nasri, pela direita. Com Gervinho e Walcott, a promessa é de muita velocidade e muitas jogadas laterais, com participação de Sagna, pela direita. Centralizado, Van Persie funcionaria como um centroavante que circula livremente pelo campo, participando das jogadas que desenvolvem a evolução do Arsenal. O problema é na proteção, com Song atuando antes dos zagueiros, agindo na marcação. Mas que o time é bom, sim, é, de fato.

Meta: o título não começa sendo disputado pelo Arsenal. A equipe começa almejando uma vaga na Champions. Mas tem chances de título, basta evoluir como um time que agride e não deixa ser agredido.

Manchester City

Nas compras:
Gaël Clichy (lateral-esquerdo) – Arsenal – 7 mi £
Stefan Savic (zagueiro) – Partizan Belgrado – 10 mi £
Sergio Agüero (atacante) – Atlético de Madrid – 39 mi £

Nas vendas:
Shay Given (goleiro) – Aston Villa – 3 mi £
Felipe Caicedo (atacante) – Levante – 800 mil £
Jérôme Boateng (defensor) – Bayern de Munique – 11 mi £

O City promete fazer uma temporada melhor do que a anterior. A equipe foi terceira o ano passado, mas hoje briga até mesmo pelo título. Com os nomes que possui, o time de Mancini é bom. O problema continua sendo a atitude diferente que a equipe toma quando enfrenta um adversário figurão. Neste caso, o City já é um dos figurões ingleses, e pode vencer quem quiser. Mas é quase certo que o italiano comandante da equipe pode não ser o melhor indicado para o serviço de treinador.
O time do Manchester pode e deve atuar no 4-4-2 para o início da temporada: a equipe deve ter David Silva, Touré, De Jong e Milner no meio-de-campo, ainda com opções como Adam Johnson, e no ataque há Agüero e Carlos Tévez. Com um time desses, pode-se vencer qualquer outra equipe. O problema é formar uma equipe coesa, com tantos investimentos e bons resultados, mas que ainda poderia ser melhor.

Pontos principais: com Clichy pela esquerda, o City tem apoio e suporte para David Silva. As jogadas podem acontecer com Kun Agüero, também. Os dois avantes da equipe de Manchester podem se alternar como primeiro e segundo atacantes. James Milner atua mais periférico, porém afunila mais o jogo. Importante também é o trabalho de Yaya Touré, segundo volante que participa tanto da marcação quanto da criação no meio-de-campo, ajudando De Jong em tarefas mais defensivas.

Meta: o título é possível, sim. E com a melhor – e maior – contratação desta janela, a de Agüero, o City se credencia como candidato ao título. O problema é administrar tantas opções como Dzëko, Barry, Kolarov, Balotelli e Adebayor. Mas time forte e elenco, o City tem mais do que suficiente para brigar com Chelsea e United.

Tottenham

Nas compras:
Não contratou

Nas vendas:
Jamie O’Hara (meio-campista) – Wolverhampton – 3,5 mi £
Jonathan Woodgate (zagueiro) – Stoke City – agente livre

O time de Redknapp jogou a Champions no último ano, mas não conseguiu se manter lá nesta temporada que passou. A equipe é boa, mas não tem tanto calão para brigar com os figurões United e Chelsea, com o City surgindo por trás.
Mesmo assim, há nomes interessantes na equipe. O galês Gareth Bale, meia que joga pela esquerda e também pode executar função de lateral-esquerdo, é habilidosíssimo, veloz e técnico demais para sua função. Van der Vaart, mesmo não jogando em seu auge, pode fazer estragos quando joga em nível alto. Aaron Lennon é o outro winger, assim como Bale é, que joga pela direita, dando sustentação ao ataque e suporte para a defesa.
O problema no começo será a contusão de Sandro. Huddlestone deve atuar nos jogos iniciais. Mas o brasileiro fará falta.

Pontos principais: o apoio de Hutton pela direita é bom, mas Lennon é bastante efetivo nas jogadas por aquele lado. Bale é muito bom jogador, como já dito, e participa ofensivamente e defensivamente, cobrindo a posição de Assou-Ekotto, camaronês que tem deficiências o homem-a-homem para o combate. Luka Modric é o destaque como segundo volante. O croata é muito bom jogador e dá suporte para a ligação, ao lado de Rafael Van der Vaart. Mas os problemas nas laterais são muito prejudiciais ao Hotspur.

Meta: a vaga na Champions League será mais do que uma conquista ao Tottenham. A equipe é boa mas tem seus limites.

Com as análises feitas, agora vou dar meus palpites para os primeiros da tabela:

Chelsea – campeão
United – vice-campeão
City – 3º lugar
Liverpool – 4º lugar
Arsenal – 5º lugar
Tottenham – 6º lugar

Por: Felipe Saturnino

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