Archive for setembro, 2011

27/09/2011

Uma volta “permanente”

Kaká é um caso diferente de craque. Ele é um, tem recursos que parecem normais, mas os eleva a nível diferente.

Quando, em 2007, numa partida pelas semifinais da Champions League, ele fez dois gols no Manchester em Old Trafford, definitivamente, ele adquiriu um status diferente. Óbvio que aquilo é apenas um marco em sua carreira. O seu desenvolvimento é bem maior e mais abrangente do que apenas um jogo. Mas, especificamente, aquele jogo nos mostrou qualidades inevitáveis em um craque: poder de decisão, recursos técnicos e o papel de um protagonista.

Kaká voltou hoje ao Real Madrid. Não é que voltou – ele não vem de lesão. Mas voltou diferente. Com um tom de maior permanência.

Ainda mais pelo fato de não substituir Özil, mas sim Di María. O ex-São Paulo e ex-Milan jogou por dentro do campo, como um típico meia de criação. Sua movimentação foi importante, concedendo a C. Ronaldo a chance de entrar em diagonal, criando mais possibilidades durante o jogo.

O Ajax de Frank de Boer foi de 4-1-4-1, que era um desdobramento tático do 4-3-3, que existiu com a bola. Destaque para o bom meia dinamarquês, Christian Eriksen; tecnicamente muito qualificado para compor o setor. A equipe holandesa incomodou na transição do Real Madrid, jogando em cima de Xabi Alonso e Khedira.

Aliás, o primeiro gol foi de contragolpe. Isto é, sem uma transição comum, mas com uma defesa desorganizada. O segundo tento surgiu após um lançamento lindo de Xabi Alonso para Cristiano Ronaldo, que apenas entregou a bola para Kaká marcar, com um chute cruzado, aos 41.

O brasileiro teve a maior nota de acordo com os especialistas da UEFA. Foi mesmo o melhor em campo, jogando em uma posição que permitiu a atuação de dois meias: ele e Özil. O alemão jogou em um setor mais periférico, mas deu suporte à produção do meio-campo. Assim, Cristiano se junta mais ao ataque, ao lado de Benzema.

A volta de Kaká parece ser mais ‘permanente’ do que nunca. Cheira a algo mais consistente na titularidade. O número 8 pode, finalmente, achar uma forma decente e aceitável no time de Madrid e, ainda mais, no Madrid de Mourinho.

Kaká e Cristiano - o brasileiro pode estar voltando


Por: Felipe Saturnino

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27/09/2011

Bayern se achou e é forte. Mas e o City?

O Manchester City praticamente deixou a possível primeira posição do grupo escapar. Ou simplesmente deixou a vaga nas oitavas da Champions escapar.

No jogo dos melhores dos grupos, e os favoritos para mim, o Bayern mostrou que é forte demais para o time de Manchester. A equipe de Jupp Heynckes é líder da Bundesliga e agora tem 100% de aproveitamento na Copa dos Campeões. No 4-2-3-1 de sempre, deixado pelo mesmo holandês Louis Van Gaal, que não deixou o clube de uma forma tão amistosa.

Heynckes escalou Thomas Müller, Toni Kroos e Frank Ribéry na linha dos três meias ofensivos. Porém, como todos sabem, o organizador primordial é Bastian Schweinsteiger, que surge por trás dos meias do time de Munique. E a relevância do funcionamento do meio-campo dos alemães depende da forma que Schweinsteiger exerce o que tem que exercer.

Se ele tem espaço, ele acaba com o jogo. Lembre-se do entrave diante o Brasil. Fernandinho ficou preso em Lahm, Ralf em Götze. Bastian teve o espaço para brilhar, ainda fazendo um dos tentos na ótima vitória do time de Löw.
Contra o City, a mesma coisa. Mas com alguns pontos diferenciais.

O primeiro foi a tentativa de Mancini para “reter” Schweinsteiger em um ponto mais baixo do campo; o que ocorreu foi uma mudança no posicionamento de David Silva, fazendo-o ficar mais fixo pelo flanco direito, tentando impedir Lahm de aparecer no ataque. E, ainda, o espanhol teria que ocupar espaços para tentar impedir o jogo de Schweinsteiger, segundo volante, organizador primário do Bayern de Munique. Mas ficou na indecisão de marcar um ou outro.
Em um segundo ponto, há de se ressaltar que Silva foi tentar fazer o que fez por um motivo claro: o City joga com duas linhas de quatro homens, clássico. Isto é, nenhum meia central, sem incidência de um incômodo para o número 31 do Bayern de Munique.

Com as mudanças, Nasri foi jogar pelo lado esquerdo do campo. Pouco fez – apesar de ter ido melhor que Silva.

Quando Bastian começou a aparecer, por volta dos 30 minutos da etapa inicial, o time da casa começou a criar. E fez o primeiro com Gómez. O segundo também foi de SuperMario. Como um herói, de fato.

O City foi muito indeciso. Poderia ter recuado Agüero para jogar em um 4-2-3-1, espelhando o adversário e incomodando os volantes. O argentino apareceu pouco, apesar de tentar compor a linha de três meias com Nasri e Silva.

Os bávaros são favoritos na disputa da liderança. Agora, ao City, resta se concentrar na vaga pela segunda posição com o Napoli. A vantagem desta vez é dos italianos, que contarão certamente com o San Paolo no jogo do segundo turno do grupo A.

Mario Gómez - voando em campo

Por: Felipe Saturnino

23/09/2011

No Dragão, empate heroico

O maior clássico de Portugal teve, hoje, seu primeiro round, no Estádio do Dragão.

Vítor Pereira, ex-auxiliar de Villas-Boas no Porto, hoje técnico da equipe, levou o 4-3-3 para dentro de campo – como é de praxe. O triângulo que tem como base a presença de bons volantes-meias, Guarín e Moutinho, já é o padrão do time do Porto. Hulk foi ponta-direita, Varela ponta-esquerda, e Kléber, recém-convocado por Mano, funcionou como o centroavante da esquadra. O Benfica veio de 4-2-3-1, com o trio de meias ofensivos muito “sonolento” na primeira etapa. Aimar, Gaitán e Nolito não conseguiram impor ritmo para o Benfica. E o argentino, principalmente, é o maior culpado. Aimar, apesar de ser um trintão, tem técnica suficiente para reger a equipe. Mas o meia não fez um jogo nada bom, apesar de ter a função primordial no setor: a criação.

Há de se dizer que o Benfica apenas entrou no jogo pelo fato do Porto querer se complicar. A equipe de Vítor Pereira simplesmente dominou as ações no primeiro tempo; Kléber, número 11, fez o tento aos 27 minutos de jogo. Na segunda etapa, porém, o time da casa deu de ombros: tomou o empate no 1º minuto. Gol de Óscar Cardozo. Já nesse ponto, o Benfica mostrava as dificuldades para fazer progressão no campo adversário. A equipe cresceu somente após o Porto parar de ditar o ritmo de jogo.

Otamendi – zagueiro argentino – apareceu bem na área após boa bola de Varela: 2 a 1. O Porto, aí, já mostrava os sinais de “preguiça”.
A inconsistência do segundo tempo deu ao Benfica a bola, que ele não tinha no primeiro tempo – depois do Porto simplesmente massacrar a equipe de Jorge Jesus. Justamente após as substituições de Aimar e Nolito por Saviola e Bruno César – este que veio atuar mais pelo flanco direito no 4-2-3-1 de Jesus – o time visitante melhorou. Saviola passou a ser um falso-articulador, atuando mais por dentro, ocupando a posição antes de um Aimar muito apático.

Em um passe, o camisa 30 do Benfica decidiu o jogo: bola para Gaitán, que era o melhor do Benfica em campo no momento, para o empate heroico.
Um ponto importante por motivos claros: o Porto é mais time e simplesmente perdeu por ter um rendimento ridículo na segunda etapa. Isso colocou o Benfica no jogo.

A queda do Porto se deveu às quedas de Guarín e Moutinho e, também, Hulk. Mas que o Benfica foi heroico, ah sim, foi.

Vítor Pereira - lamentando o ponto perdido


Por: Felipe Saturnino

22/09/2011

No pragmatismo e na marcação, o 0x0 decepcionante

No Morumbi, nesta quarta-feira, esperávamos, todos, um bom jogo de futebol. Aquele clássico que fosse eletrizante, tanto um ótimo jogo técnico como um interessante duelo tático no xadrez.

O 4-2-3-1 do Corinthians no clássico: Willian recompondo, pela direita ou esquerda; Alex recuado para auxiliar a compactação; Émerson flutuante; na prática, um 4-4-2 com dois meias abertos

Não valeu por nada. O São Paulo no 4-4-2 com duas linhas de quatro não fez um bom jogo. O Corinthians, com Alex super recuado auxiliando na recomposição, foi de 4-2-3-1 que, alternadamente, permitia a um dos jogadores extremos – Willian e Émerson – a aproximação ao centroavante Liédson.

O São Paulo do 4-4-2 no clássico: Casemiro pela direita, Wellington e Paraíba centrais, com Cícero à esquerda; erro foi não forçar jogo em cima de Ralf, o que tornou o São Paulo pragmático nas suas investidas

Já havia sido dito que o Corinthians é um time previsível até um ponto. Num 4-2-3-1 versátil, a equipe “encaixou” a sequência avassaladora do início de campeonato – com 28 pontos em 30 disputados. O problema começou a surgir quando os desfalques se deram e, de uma forma, o rendimento de alguns jogadores não era o mesmo de antes. Depois da vitória sobre o então líder São Paulo, o Corinthians venceu mais alguns jogos. Diante o Inter, por exemplo. Mas a contundência dos jogos iniciais já tinha ido embora.

O Corinthians do sensacional início de campeonato: 4-2-3-1 prático que tem suporte de Paulinho pelo lado direito, com Jorge Henrique recompondo pela esquerda; ataque pela direita com a ótima fase de Willian, e Danilo fazendo a ligação; apoio de Fábio Santos pela esquerda

A equipe hoje de Adilson Batista, depois do massacre sofrido para o Corinthians na goleada do clássico, começou a achar um conjunto na vitória diante o Coritiba, no Couto Pereira. Venceu por 4 a 3 depois de marcar 4 gols e ter tempo suficiente para construir uma goleada histórica.

O São Paulo que começou a se desenhar nas mãos de Adilson: 4-3-1-2, com Rivaldo como vértice avançado, Paraíba e Wellington nos flancos do losango do meio-campo; Lucas e Dagoberto, afunilando e abrindo espaços na defesa adversária

Ontem, ambos os times pouco fizeram de relevante. O São Paulo conseguiu imprimir um ritmo forte nos primeiros momentos. Após recuperação de Juan – que ia ser incisivo e agressivo em cima de Alessandro – Dagoberto pegou a bola e arriscou, já dentro da área. Júlio César espalmou para lateral. Isso foi aos 5 da primeira etapa.

O jogo ficou pragmático demais. O Corinthians, agora já em um 4-4-2 que liberava Willian e jogava Émerson para o flanco direito, permaneceu improdutivo e muito respeitoso ao São Paulo. E para o time de Adilson faltou aceitar um risco maior. Faltou mexer com a cabeça do Corinthians – que vivia um dos piores momentos desde que Andrés Sanchez se tornou presidente.

Ainda assim, com as exigências do jogo, o São Paulo não conseguiu ser imprevisível. Com Cícero atuando à esquerda, na linha com Carlinhos e Wellington mais centralizados, e Casemiro aberto pela direita, o São Paulo não conseguiu atacar os volantes corintianos. Cícero se tornou bastante periférico para o jogo, e os avanços eram impedidos pelas recomposições de Willian e Émerson. Forçar o jogo com um vértice avançado seria recomendado – jogando Cícero para a meia central e tornando-o o marcável para Ralf, que cobria o lado de Fábio Santos, substituto de Castán no entrave.

Um outro motivo de decepção foi a atuação de Lucas – decorrente também por um pragmatismo do São Paulo. O camisa 7 da equipe do Morumbi jogou em cima de Paulo André – que fez partida muito segura ao lado de Wallace.

O Corinthians tinha Paulinho, como segundo volante, ocupando espaço para impedir os avanços de Carlinhos Paraíba. Alex voltava mais para recompor o jogo. Em alguns momentos, até mesmo Liédson ocupava espaço para marcar o volante Wellington, do São Paulo. Quebrar o primeiro passe da saída era fundamental.
E a equipe de Tite jogava pela bola. Que apareceu, aliás. Duas, mais exatamente. A primeira com Émerson, aparecendo na área e cabeceando para fora. A segunda se originou pela mudança de Piris por Rodrigo Caio, que perdeu a bola após um erro ridículo e deu a chance ao Corinthians, agora com Willian. O chute foi em um dos beques são-paulinos. Neste momento, o São Paulo tinha um meio-campo com Rodrigo Caio – primeiro volante -, Carlinhos Paraíba – à esquerda -, Casemiro – à direita – e Rivaldo, que substituiu Cícero. Wellington foi para a lateral-direita.

Em nenhum momento, porém, o São Paulo assumiu um maior risco. Em ao menos 80 minutos de jogo, o time atuou com a linha de quatro, sem modificação. O Corinthians, brigando por um empate que amenizaria o mau momento, saiu do Morumbi com o resultado que queria. O São Paulo arriscou pouco e pecou pelo que seu rival no momento não tinha enquanto atravessou um momento de derrota: imprevisibilidade.

Por: Felipe Saturnino

21/09/2011

A Juventus de Conte: Pirlo ‘pensatore’

A Juventus, após uma temporada sem brilho no Calcio, voltou a ser “interessante” no cenário nacional.

A nova Juventus: 4-2-3-1 com Pirlo na função "cerebral"; Krasic e Pepe abertos, com Del Piero atuando atrás de Vucinic

A contratação de Antonio Conte foi oficializada em maio deste ano. O técnico foi jogador da Juventus, e ídolo, também. Atuou de 1992 até 2004, era meia.
Na temporada atual, os juventinos não entraram como favoritos a vencerem o campeonato italiano, mas, sim, possuem um time muito competitivo e promissor.

Como se vê na figura acima, Conte opta por um 4-2-3-1, com Del Piero atuando por dentro, exercendo a função de meia central. Krasic é o meia mais aberto, assim como Pepe, no lado canhoto do campo. Ambos recompõem e participam das jogadas ofensivas, impondo um ritmo acelerado. Vucinic é o centroavante.

Porém, como todos sabem, Del Piero nunca foi meia articulador. Sempre foi atacante – dos bons, aliás. Ídolo do time de Turim, o avante é técnico, e foi grande jogador no seu auge. Mesmo assim, a função de ‘armador‘ não pertence a ele.

Andrea Pirlo, ex-Milan, é o pensador na Juve. Mesmo não jogando por dentro, mas sim, atuando como um segundo volante, mais periférico no campo. Marchisio é mais fixo – mesmo assim, qualifica a saída. Pirlo é técnico a um nível diferenciado. O passe é refinado, o chute é diferente, o jeito que enxerga o jogo também. Mais um dos motivos que reforçam a tese da criação feita por parte dele. Mas no Milan, porém, Pirlo era mais um homem de meio-de-campo, com um tripé de volantes. Ainda com seu passe refinado, óbvio. Mas sim, tinha participação menor como “centro pensante”.

Hoje, o dono da camisa 21, que leva sua marca, Pirlo mostra que cumpre a função, mesmo não sendo tão constante em uma faixa mais alta do campo. Ele é o organizador que surge de trás, distribuindo e invertendo bolas para os “ponteiros” Krasic e Pepe, que criam espaços e impõem um ritmo mais acelerado.

A Juventus empatou com o Bologna em casa, não mais o Delle Alpi, mas sim a Juventus Arena. E a equipe de Conte não brilhou, mas parece ser promissora. Vucinic foi expulso tolamente, com uma infração totalmente desnecessária. Com um a menos, o time de Bolonha empatou, em 1 a 1, com o zagueiro Portanova.

Os visitantes, também em um 4-2-3-1, que podia sofrer desdobramento pelo posicionamento de Gastón Ramirez se juntando ao avante Acquafresca – formando um 4-4-2 -, não progrediram em campoe, a Juve, novamente, tomou conta do jogo. Pirlo, pensatore, era o organizador nato. Krasic – depois Giaccherini – e Pepe eram incisivos. Mesmo assim, o resultado permaneceu inalterado.

Mas o futuro da Juventus de Antonio Conte é interessante. Novo estádio, novo time, nova temporada. Velho e bom Pirlo.

Pirlo - pensando o jogo da Juve

Por: Felipe Saturnino

13/09/2011

O equívoco de Guardiola e o ponto do Milan

Os catalães de Barcelona entraram em Camp Nou, mais uma vez, como favoritos. O melhor time do mundo. Um dos melhores esquadrões da história. Mas até erros podem acontecer com equipes tão fantásticas quanto essas que aparecem como fenômenos e tomam conta do futebol.

O Barcelona tomou, toma e não sabemos até que ponto monopolizará o esporte. Com o tiki-taka, a equipe manda na Europa e também no mundo. Porém, um gigante pode muito bem cair por algum equívoco próprio. Bingo.

O Milan, segundo maior campeão da Europa, sabia que não era nada de favorito. Era bem possível um atropelamento dos anfitriões. Allegri, com o seu 4-3-1-2, tendo base composta pelo ainda muito técnico Clarence Seedorf, tinha que temer o melhor do mundo. Aparentemente, não temeu.
Comprovou-se quando Pato marcou o primeiro, aos 24 segundos de jogo na Catalunha. O atacante brasileiro arrancou e, num toque, tirou Sergio Busquets e Mascherano da jogada.

O mais relevante aconteceu no momento pós-gol do Milan. O desenho de Guardiola, de um jeito ou de outro, estava se transformando em um outro tipo de esquema que tinha um lateral mutante – Daniel Alves era um ponta extremo pela direita, mas funcionava como um lateral, apoiando o corredor por completo. O 3-4-3 estava de volta ao Camp Nou, mas, desta vez, sem a configuração mais adequada: no meio-de-campo, Keita (primeiro-volante), Iniesta e Xavi (dupla de meias) eram os compositores. Daniel Alves abria ao extremo o lado direito, deixando três zagueiros para dois atacantes milaneses – estes que eram Cassano e Alexandre Pato. Messi era o falso nove, com Villa e Pedro aprofundando o jogo.
Um erro tático, que pode ter progredido de forma artificial ou natural, dependendo do pensamento de Pep Guardiola.

Nada que mudasse a beleza da jogada do craque genial Lionel Messi, concedendo um requentado passe para Pedro.
E também, nada que mudasse a beleza do gol de Villa. Uma falta cobrada incrivelmente bem aos 5 do segundo tempo.

Mas era um Barcelona errado. A configuração era equivocada dado o esquema que concedia a Iniesta a função de abrir o jogo pela extrema esquerda, e depois Fàbregas, que o substituiu. O espaço que a cabeça do círculo central dava ao Milan consolidava uma progressão ao time italiano que, cada vez mais, conseguia roubar bolas em um ponto alto do campo barcelonista.

O empate no fim – vindo de uma cabeçada do ótimo Thiago Silva – foi injusto. O Barcelona simplesmente dominou as ações. Todavia, há de se falar que o Milan empatou com o melhor do mundo fora de casa e, dito isso, mereceu o resultado. Pouco errou no jogo inteiro. E os equívocos de Guardiola tem de cessar. Senão, o Barcelona vai acumular um problema, seja artificial ou natural. Com as voltas de Piqué e Puyol, a situação se estabilizará, certamente. O que não desfavorece o adversário, que pode explorar o lado direito e seu corredor por completo, com as subidas do lateral mutante, Daniel Alves. E a cabeça de área deu espaço ao Milan. Bingo. Um ponto ao forte Milan.

Thiago Silva - a cabeçada e o ponto sonhado

Por: Felipe Saturnino

13/09/2011

O jogo dos pobres meio-campos

De um lado, Song, Arteta e Benayoun. De outro, Kehl, Bender e Kagawa. Ainda existem os “wingers”, mas, nos 4-2-3-1s de Borussia Dortmund e Arsenal, os miolos da faixa central do campo foram pouco produtivos.

Primeiramente, o erro de Klopp. O alemão foi de Kehl e Sven Bender. Dois volantes que são pouco criativos, que pouco adicionam à qualificação na criação. Kagawa, o bom japonês, fez um jogo muito mediano para sua tamanha qualidade. Perdeu um gol no início do jogo, mas não pôde fazer muito atuando sobre os volantes londrinos, Song e Arteta.
Sim, o Arsenal também repetiu o 4-2-3-1, e, sem querer tornar proposital, fez o jogo ficar espelhado. Afinal, o esquema da moda passa pelo mundo. E Wenger dá ao Arsenal a cara do esquema há algum tempo.
Periféricos, dois jogadores que ajudam muito na abertura de espaços e na infiltração de jogadores mais recuados, pois afunilam o jogo e são velozes o bastante para ultrapassar os adversários. Gervinho, com muita velocidade e pouco técnica, ao lado de Walcott, são os dois que exercem a função no Arsenal. Mas no miolo de meio-de-campo, um problema. Benayoun, Arteta e Song. Parece um trio apurado, mas não é. O israelense tem o toque que cadencia o jogo, Arteta qualifica a saída de bola, e Song marca e protege a zaga. Mesmo assim, o Arsenal precisa se acertar. Na Premier League, a equipe tem somente 4 pontos. Na Champions League, um empate em Signal Iduna Park não é mau negócio, mas o time precisa de um ‘jeito‘ na parte central do campo.

O 1 a 1, num jogo que foi movimentado mas que pouco me convenceu sobre as duas equipes, configurou um resultado justo. O Borussia, mesmo com Götze, não conseguiu atacar eficientemente pelos flancos – mesmo sendo muito superior nos últimos 15 minutos de entrave.

Nos últimos momentos, o Borussia foi para o ataque, passando do 4-1-4-1 ao 4-1-3-2 em algumas substituições. Só não compreendo o erro de Klopp, escalando Kehl, e, assim, empobrecendo a qualidade técnica do time num setor tão fundamental para indicar progressão no campo adversário.

Sem falar que Kehl ainda perdeu a bola no gol do bom Robin Van Persie, centroavante no Arsenal. E, ainda, não nos esqueçamos do golaço de Perisic, croata do Borussia. Sem pulo, um chute que desmontou Sczesny. Nada ele pôde fazer para impedir o empate. No fim, foi justo.

Reação pós-gol - Perisic consegue o empate

Por: Felipe Saturnino

11/09/2011

O ‘hattrick’ e o penal

O Manchester City parece cada vez mais encorpado.

Mancini arrumou uma forma contundente e segura de escalar craques e fazer de um grupo de bons jogadores um time eficiente.

O italiano tem seus méritos, mas há de se dizer que Sergio Agüero está intocável. O argentino fez seu tento em quatro partidas disputadas na Premier League.

No 4-4-2, o genro de Dieguito fez dupla com Carlos Tévez. Este foi o fato mais relevante do jogo. Dois jogadores móveis atuando contundentemente, sem roubar espaços dos outros, e ocupando os lugares no campo de forma inteligente. O placar de 3 a 0 foi justíssimo.

E o Wigan, no 4-2-3-1, também chegou, mas foi discretamente. Com Rodallega e Moses, a equipe foi perigosa no City of Manchester – o estádio do City. A atuação de Kompany foi boa, assim como a de Joleon Lescott. Apesar de o belga ter falhado em um lance desperdiçado por Franco di Santo.

No mais, um passeio. Poderia ter sido maior, tivesse Tévez convertido o penal. Mas Agüero fez os três e sacramentou o mais que sacramentado.

Cada vez mais, um time que se movimenta conscientemente parece se desenhar pelos pensamentos de Mancini. Um time cada vez mais incorporado ao estilo do 4-4-2 com duas linhas, clássico.

E as atuações de Yaya Touré e David Silva elevam cada vez mais o nível do City, e a segurança da equipe nos jogos que faz.

O City é líder, ao lado do United.

E quarta tem jogo contra o Napoli.

Manchester City - cada vez mais time

Por: Felipe Saturnino

11/09/2011

Mal-entendido

Rafael é abraçado - brasileiro foi o dono do jogo

O Borussia de Jurgen Klopp iniciou a temporada na Alemanha sendo o favorito. É evidente. Afinal, a equipe foi a campeã da edição do campeonato nacional germânico de 2010/2011.

Mas a equipe não tem jogado o futebol que a tornou sensação na temporada passada, fazendo-a sempre estar no topo e sempre na frente do Bayern de Munique. Algo que não se repete.

A atuação de gala na estreia da Bundesliga, no começo de agosto, na jornada diante o Hamburgo, com vitória por 3 a 1, está distante de se repetir se os padrões forem mantidos. Muito por um motivo consolidado: a execução limitada e equivocada de seu esquema, 4-2-3-1. Sim, ele não é usado da mesma forma que uma vez já foi.

Contra o Hertha Berlim, do técnico Markus Babbel, o Dortmund não conseguiu fazer seu jogo evoluir. Teve dificuldades pelo “espelho” tático usado pelo time da capital. E foi utilizado inteligentemente.
Torun, winger-esquerdo, fechava em profundidade, incomodando Piszczek mas, ao mesmo tempo, entrando por dentro para jogar sobre os volantes do time de Dortmund. O brasileiro Rafael, meia central, foi o dono do jogo. Atuando sobre Bender, com sua esperteza, conseguiu desmembrar a base do meio-de-campo do Borussia. No lado direito, o alemão Ebert concedia suporte ao ataque e fechava para acompanhar Schmelzer, lateral-esquerdo dos donos da casa. A chave foi afunilar a marcação sobre o bom japonês, Shinji Kagawa. Ottl, o sempre regular volante ex-Bayern de Munique, e Niemeyer, recumpanham a faixa do começo do círculo central e davam suporte ao lateral e o winger na marcação do lateral ou do meia extremo do Borussia Dortmund e, ao mesmo tempo, conseguiam afunilar o jogo de Kagawa. Com os flancos inoperantes, o que o Borussia Dortmund conseguia fazer era centralizar o jogo. E nem Bender e nem Gundogan conseguiam produzir o esperado. Porém, as ações se iniciariam com os dois, que estavam em um nível aceitável para o jogo. Afinal, o Hertha Berlim não pressionava, mas se compactava em seu campo.

Klopp decidiu trocar o volante turco naturalizado alemão, Gundogan, por um brasileiro, Antonio da Silva.

Este entrou mal, sem conseguir recompor eficientemente o setor, ao lado de Sven Bender. E o brasileiro Rafael foi cruel.
Pois o Borussia tinha perdido chances, mas não a ponto de ter sido muito melhor dentro do jogo. Quando Rafael arrancou aos 5 minutos da segunda etapa, o Hertha Berlim fez o gol.
E tudo se manteve relativamente igual, até o segundo gol, de Niemeyer. Mesmo com a bola na trave de Bender, aos 26 minutos, antes do segundo gol do time de Berlim

Mal-entendido de Klopp. Sim. Colocar o brasileiro foi um ato equivocado, questionável. Deixando espaços, apesar de a jogada não ter sido originada ao ponto dele. Mas, o erro está implícito no trabalho geral do brasileiro no jogo, e agora me refiro ao jogador do Hertha, Rafael. Ele teve espaço para cadenciar e ditar o jogo, pacientemente.

Outra história interessante é a dos extremos de Dortmund. Götze, suspenso, não jogou. A falta dele se fez presente – digno de antítese. Mas, o mal-entendido ocorreu. E é bom o Borussia se recuperar logo, pois terça tem Champions League.

Por: Felipe Saturnino

04/09/2011

A falta que um meia (jogando bem) faz

Tcheco e Danilo - o corintiano fez jogo fraco; o coritibano atuou bem no jogo 'espelhado'

Espelhar: gíria técnica dos técnicos sobre implantar mesmo sistema tático de seu adversário e, assim, estabelecer confrontos táticos idênticos no campo

Quando no Couto Pereira Coritiba e Corinthians começaram a jogar, logo seu viu que a previsibilidade dos sistemas táticos definiria o jogo. Ou melhor, quem fosse imprevisível ao seu mais alto ponto, venceria o jogo.

No 4-2-3-1, os dois times espelhados estabeleceram confrontos táticos importantes no jogo. O Corinthians havia desistido de Danilo e Alex num mesmo esquadrão e foi com Willian, Jorge Henrique e Danilo, este último centralizado. No Coritiba, os meias ofensivos eram Marcos Aurélio – escapando pela direita e vindo por dentro -, Tcheco, como meia central, e Rafinha, indo pra cima de Alessandro no lado esquerdo curitibano.
Pela ideia lógica, o time que melhor aproveitasse a linha dos meias ofensivos, jogando-os para cima de um volante e dos laterais, venceria o jogo. Sim, quem fosse mais incisivo, ofensivo e intenso venceria o jogo do “espelho”. Pois pelo sistema estabelecido, prende-se o volante adversário para marcar o meia central, e joga-se o meia pela esquerda ou pela direita para cima de um dos laterais.

E o Corinthians não conseguiu produzir nada tão relevante. Apenas amedrontou o Couto Pereira em dois lances de Alex, um com o gol mais que claro, e outro em chute de longa distância. O outro momento perigoso foi de Willian, nos segundos finais. O 7 corintiano voltou a jogar em um nível aceitável, porém, mesmo assim, não conseguiu resolver a vida dos comandados de Tite.

Os 4-2-3-1s da perspectiva do meio-de-campo: Coritiba forte com Rafinha e Corinthians sem 'prender' Donizete

Pois sim, o meia central é importante no confronto. Danilo pouco produziu e assim não atraiu o volante coritibano, Leandro Donizete. E quando o fez, nada fez com a pelota nos pés.
Enquanto Tcheco, Rafinha e Marcos Aurélio faziam uma boa partida na linha dos meias do Coritiba. E uma hora, pela ofensividade de Rafinha, pela cadencia de Tcheco – que, aliás, sofreu uma luxação em um de seus dedos – e pelas investidas de Marcos, o gol sairia. Sim, o gol estava maduro. O Corinthians não produzia nada e era atacado. Constantemente.
Moradei é limitado demais para jogar no Corinthians, e sofreu muito depois que Marcos Aurélio foi jogar centralizado, com Éverton Costa entrando no lado esquerdo – substituição ousada e boa que Marcelo Oliveira executou

Até que, aos 28 minutos da etapa complementar, o Coritiba fez o tento. Merecido.

Mais uma vez, Tite pecava em insistir em um Danilo apagado, e também por não tentar tornar o sistema mais imprevisível. Tanto que Alex entrou bem no jogo.

Mais que tudo, agora, o Corinthians tende a mudar o sistema. Pois pela falta de um meia central que seja efetivo, mude por suportar mais pontos de criação. Um 4-4-2 pode funcionar. Mas vai por Tite, óbvio – que hoje, aliás, não teve a ousadia do treinador dos coritibanos.

Ainda assim, o Corinthians é líder. Mas sem a mesma força que antes tinha.

Por: Felipe Saturnino