A falta que um meia (jogando bem) faz

Tcheco e Danilo - o corintiano fez jogo fraco; o coritibano atuou bem no jogo 'espelhado'

Espelhar: gíria técnica dos técnicos sobre implantar mesmo sistema tático de seu adversário e, assim, estabelecer confrontos táticos idênticos no campo

Quando no Couto Pereira Coritiba e Corinthians começaram a jogar, logo seu viu que a previsibilidade dos sistemas táticos definiria o jogo. Ou melhor, quem fosse imprevisível ao seu mais alto ponto, venceria o jogo.

No 4-2-3-1, os dois times espelhados estabeleceram confrontos táticos importantes no jogo. O Corinthians havia desistido de Danilo e Alex num mesmo esquadrão e foi com Willian, Jorge Henrique e Danilo, este último centralizado. No Coritiba, os meias ofensivos eram Marcos Aurélio – escapando pela direita e vindo por dentro -, Tcheco, como meia central, e Rafinha, indo pra cima de Alessandro no lado esquerdo curitibano.
Pela ideia lógica, o time que melhor aproveitasse a linha dos meias ofensivos, jogando-os para cima de um volante e dos laterais, venceria o jogo. Sim, quem fosse mais incisivo, ofensivo e intenso venceria o jogo do “espelho”. Pois pelo sistema estabelecido, prende-se o volante adversário para marcar o meia central, e joga-se o meia pela esquerda ou pela direita para cima de um dos laterais.

E o Corinthians não conseguiu produzir nada tão relevante. Apenas amedrontou o Couto Pereira em dois lances de Alex, um com o gol mais que claro, e outro em chute de longa distância. O outro momento perigoso foi de Willian, nos segundos finais. O 7 corintiano voltou a jogar em um nível aceitável, porém, mesmo assim, não conseguiu resolver a vida dos comandados de Tite.

Os 4-2-3-1s da perspectiva do meio-de-campo: Coritiba forte com Rafinha e Corinthians sem 'prender' Donizete

Pois sim, o meia central é importante no confronto. Danilo pouco produziu e assim não atraiu o volante coritibano, Leandro Donizete. E quando o fez, nada fez com a pelota nos pés.
Enquanto Tcheco, Rafinha e Marcos Aurélio faziam uma boa partida na linha dos meias do Coritiba. E uma hora, pela ofensividade de Rafinha, pela cadencia de Tcheco – que, aliás, sofreu uma luxação em um de seus dedos – e pelas investidas de Marcos, o gol sairia. Sim, o gol estava maduro. O Corinthians não produzia nada e era atacado. Constantemente.
Moradei é limitado demais para jogar no Corinthians, e sofreu muito depois que Marcos Aurélio foi jogar centralizado, com Éverton Costa entrando no lado esquerdo – substituição ousada e boa que Marcelo Oliveira executou

Até que, aos 28 minutos da etapa complementar, o Coritiba fez o tento. Merecido.

Mais uma vez, Tite pecava em insistir em um Danilo apagado, e também por não tentar tornar o sistema mais imprevisível. Tanto que Alex entrou bem no jogo.

Mais que tudo, agora, o Corinthians tende a mudar o sistema. Pois pela falta de um meia central que seja efetivo, mude por suportar mais pontos de criação. Um 4-4-2 pode funcionar. Mas vai por Tite, óbvio – que hoje, aliás, não teve a ousadia do treinador dos coritibanos.

Ainda assim, o Corinthians é líder. Mas sem a mesma força que antes tinha.

Por: Felipe Saturnino

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