O equívoco de Guardiola e o ponto do Milan

Os catalães de Barcelona entraram em Camp Nou, mais uma vez, como favoritos. O melhor time do mundo. Um dos melhores esquadrões da história. Mas até erros podem acontecer com equipes tão fantásticas quanto essas que aparecem como fenômenos e tomam conta do futebol.

O Barcelona tomou, toma e não sabemos até que ponto monopolizará o esporte. Com o tiki-taka, a equipe manda na Europa e também no mundo. Porém, um gigante pode muito bem cair por algum equívoco próprio. Bingo.

O Milan, segundo maior campeão da Europa, sabia que não era nada de favorito. Era bem possível um atropelamento dos anfitriões. Allegri, com o seu 4-3-1-2, tendo base composta pelo ainda muito técnico Clarence Seedorf, tinha que temer o melhor do mundo. Aparentemente, não temeu.
Comprovou-se quando Pato marcou o primeiro, aos 24 segundos de jogo na Catalunha. O atacante brasileiro arrancou e, num toque, tirou Sergio Busquets e Mascherano da jogada.

O mais relevante aconteceu no momento pós-gol do Milan. O desenho de Guardiola, de um jeito ou de outro, estava se transformando em um outro tipo de esquema que tinha um lateral mutante – Daniel Alves era um ponta extremo pela direita, mas funcionava como um lateral, apoiando o corredor por completo. O 3-4-3 estava de volta ao Camp Nou, mas, desta vez, sem a configuração mais adequada: no meio-de-campo, Keita (primeiro-volante), Iniesta e Xavi (dupla de meias) eram os compositores. Daniel Alves abria ao extremo o lado direito, deixando três zagueiros para dois atacantes milaneses – estes que eram Cassano e Alexandre Pato. Messi era o falso nove, com Villa e Pedro aprofundando o jogo.
Um erro tático, que pode ter progredido de forma artificial ou natural, dependendo do pensamento de Pep Guardiola.

Nada que mudasse a beleza da jogada do craque genial Lionel Messi, concedendo um requentado passe para Pedro.
E também, nada que mudasse a beleza do gol de Villa. Uma falta cobrada incrivelmente bem aos 5 do segundo tempo.

Mas era um Barcelona errado. A configuração era equivocada dado o esquema que concedia a Iniesta a função de abrir o jogo pela extrema esquerda, e depois Fàbregas, que o substituiu. O espaço que a cabeça do círculo central dava ao Milan consolidava uma progressão ao time italiano que, cada vez mais, conseguia roubar bolas em um ponto alto do campo barcelonista.

O empate no fim – vindo de uma cabeçada do ótimo Thiago Silva – foi injusto. O Barcelona simplesmente dominou as ações. Todavia, há de se falar que o Milan empatou com o melhor do mundo fora de casa e, dito isso, mereceu o resultado. Pouco errou no jogo inteiro. E os equívocos de Guardiola tem de cessar. Senão, o Barcelona vai acumular um problema, seja artificial ou natural. Com as voltas de Piqué e Puyol, a situação se estabilizará, certamente. O que não desfavorece o adversário, que pode explorar o lado direito e seu corredor por completo, com as subidas do lateral mutante, Daniel Alves. E a cabeça de área deu espaço ao Milan. Bingo. Um ponto ao forte Milan.

Thiago Silva - a cabeçada e o ponto sonhado

Por: Felipe Saturnino

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