No pragmatismo e na marcação, o 0x0 decepcionante

No Morumbi, nesta quarta-feira, esperávamos, todos, um bom jogo de futebol. Aquele clássico que fosse eletrizante, tanto um ótimo jogo técnico como um interessante duelo tático no xadrez.

O 4-2-3-1 do Corinthians no clássico: Willian recompondo, pela direita ou esquerda; Alex recuado para auxiliar a compactação; Émerson flutuante; na prática, um 4-4-2 com dois meias abertos

Não valeu por nada. O São Paulo no 4-4-2 com duas linhas de quatro não fez um bom jogo. O Corinthians, com Alex super recuado auxiliando na recomposição, foi de 4-2-3-1 que, alternadamente, permitia a um dos jogadores extremos – Willian e Émerson – a aproximação ao centroavante Liédson.

O São Paulo do 4-4-2 no clássico: Casemiro pela direita, Wellington e Paraíba centrais, com Cícero à esquerda; erro foi não forçar jogo em cima de Ralf, o que tornou o São Paulo pragmático nas suas investidas

Já havia sido dito que o Corinthians é um time previsível até um ponto. Num 4-2-3-1 versátil, a equipe “encaixou” a sequência avassaladora do início de campeonato – com 28 pontos em 30 disputados. O problema começou a surgir quando os desfalques se deram e, de uma forma, o rendimento de alguns jogadores não era o mesmo de antes. Depois da vitória sobre o então líder São Paulo, o Corinthians venceu mais alguns jogos. Diante o Inter, por exemplo. Mas a contundência dos jogos iniciais já tinha ido embora.

O Corinthians do sensacional início de campeonato: 4-2-3-1 prático que tem suporte de Paulinho pelo lado direito, com Jorge Henrique recompondo pela esquerda; ataque pela direita com a ótima fase de Willian, e Danilo fazendo a ligação; apoio de Fábio Santos pela esquerda

A equipe hoje de Adilson Batista, depois do massacre sofrido para o Corinthians na goleada do clássico, começou a achar um conjunto na vitória diante o Coritiba, no Couto Pereira. Venceu por 4 a 3 depois de marcar 4 gols e ter tempo suficiente para construir uma goleada histórica.

O São Paulo que começou a se desenhar nas mãos de Adilson: 4-3-1-2, com Rivaldo como vértice avançado, Paraíba e Wellington nos flancos do losango do meio-campo; Lucas e Dagoberto, afunilando e abrindo espaços na defesa adversária

Ontem, ambos os times pouco fizeram de relevante. O São Paulo conseguiu imprimir um ritmo forte nos primeiros momentos. Após recuperação de Juan – que ia ser incisivo e agressivo em cima de Alessandro – Dagoberto pegou a bola e arriscou, já dentro da área. Júlio César espalmou para lateral. Isso foi aos 5 da primeira etapa.

O jogo ficou pragmático demais. O Corinthians, agora já em um 4-4-2 que liberava Willian e jogava Émerson para o flanco direito, permaneceu improdutivo e muito respeitoso ao São Paulo. E para o time de Adilson faltou aceitar um risco maior. Faltou mexer com a cabeça do Corinthians – que vivia um dos piores momentos desde que Andrés Sanchez se tornou presidente.

Ainda assim, com as exigências do jogo, o São Paulo não conseguiu ser imprevisível. Com Cícero atuando à esquerda, na linha com Carlinhos e Wellington mais centralizados, e Casemiro aberto pela direita, o São Paulo não conseguiu atacar os volantes corintianos. Cícero se tornou bastante periférico para o jogo, e os avanços eram impedidos pelas recomposições de Willian e Émerson. Forçar o jogo com um vértice avançado seria recomendado – jogando Cícero para a meia central e tornando-o o marcável para Ralf, que cobria o lado de Fábio Santos, substituto de Castán no entrave.

Um outro motivo de decepção foi a atuação de Lucas – decorrente também por um pragmatismo do São Paulo. O camisa 7 da equipe do Morumbi jogou em cima de Paulo André – que fez partida muito segura ao lado de Wallace.

O Corinthians tinha Paulinho, como segundo volante, ocupando espaço para impedir os avanços de Carlinhos Paraíba. Alex voltava mais para recompor o jogo. Em alguns momentos, até mesmo Liédson ocupava espaço para marcar o volante Wellington, do São Paulo. Quebrar o primeiro passe da saída era fundamental.
E a equipe de Tite jogava pela bola. Que apareceu, aliás. Duas, mais exatamente. A primeira com Émerson, aparecendo na área e cabeceando para fora. A segunda se originou pela mudança de Piris por Rodrigo Caio, que perdeu a bola após um erro ridículo e deu a chance ao Corinthians, agora com Willian. O chute foi em um dos beques são-paulinos. Neste momento, o São Paulo tinha um meio-campo com Rodrigo Caio – primeiro volante -, Carlinhos Paraíba – à esquerda -, Casemiro – à direita – e Rivaldo, que substituiu Cícero. Wellington foi para a lateral-direita.

Em nenhum momento, porém, o São Paulo assumiu um maior risco. Em ao menos 80 minutos de jogo, o time atuou com a linha de quatro, sem modificação. O Corinthians, brigando por um empate que amenizaria o mau momento, saiu do Morumbi com o resultado que queria. O São Paulo arriscou pouco e pecou pelo que seu rival no momento não tinha enquanto atravessou um momento de derrota: imprevisibilidade.

Por: Felipe Saturnino

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