Archive for outubro, 2011

28/10/2011

De onde vem o problema?

O São Paulo está muito próximo de amargar seu 3º ano consecutivo sem título algum – desde o tricampeonato ganho com Muricy Ramalho naquela série histórica de títulos da equipe do Morumbi. Mas a expressão “muito próximo” pode e deve se tornar definitiva nos momentos seguintes do Brasileirão. E só do Brasileirão.

Pois da Sul-Americana a equipe de Leão foi eliminada pelo Libertad. Mesmo com a vantagem mínima, que nem por isso era pouco importante. O problema foi que, mesmo mantendo o traço tático que Batista vinha implementando e Milton Cruz também, o São Paulo sucumbiu – ainda que ressalve pela mudança de Marlos. O 4-2-3-1 que o São Paulo utilizou na ida contra a equipe paraguaia, por exemplo, juntou Cícero, Dagoberto e Lucas na linha dos meias ofensivos – a chamada “linha do 3”. Nessa linha, o eixo de variação, isto é, de movimentação dos jogadores, se dava entre Dagoberto e Cícero, que se revezavam ao centro. Lucas, mais preso ao lado direito, tinha o apoio de Piris.
A mudança por Marlos tem ressalvas por enfatizar o revezamento no posicionamento tático nessa linha. Havia variação, mas o São Paulo sofreu com o penal tolo feito por Luís Fabiano, e apesar de criar, pecou na conclusão.

Todos sabemos, também, que com variações ocorrendo, as posições ficam menos exigidas, mas os jogadores tem funções diferentes dependendo da posição que ocupam. Isto também é um ponto a ser analisado quando um jogador como Lucas vem atuar centralizado: não é um articulador central, mas a tentativa de tornar o esquema da moda menos pragmático é válida.

E as trocas de esquema têm sido frequentes no São Paulo. A equipe teve quatro técnicos no ano: Paulo César Carpegiani, Adilson Batista, Milton Cruz e Leão.

O primeiro se alternava entre um time com disposição de 3 jogadores na defesa e um 4-4-2 ortodoxo; contrariando o 4-4-2 “pragmático”, Batista usou o “diamond midfield” – para caracterizar o losango do 4-3-1-2. Porém, o ex-técnico do Cruzeiro também utilizou o 4-3-2-1 e 4-2-3-1, ambos com Luís Fabiano. A mudança de um esquema com disposição de 4 e 4 – quatro defensores e quatro no meio-campo – para um esquema para com variação de 5 homens de meio-campo pode ter marcado o fim da era Adilson. Esta transição de uma disposição para outra pode comprometer um time. No caso do Sampa, comprometeu.

Como havia falado aqui, Leão devia estar pensando no 4-2-3-1 – já que Adilson havia usado o esquema em seus últimos jogos e Cruz resolveu prosseguir com a ideia. Usou o esquema, mudou o estilo da linha dos três meias e padeceu no Paraguai, pelas quartas-de-final da Copa Sul-Americana. E agora, pela figura que temos, Leão usará um time com linha de 3 zagueiros – apesar do Diário Lance ter publicado uma formação em 4-3-1-2, no estilo Batista.

Todas essas variações, sem manter um padrão, podem comprometer um time. O São Paulo testou no mínimo quatro desenhos diferentes e, no que mais utilizou – o 4-3-1-2 com Adilson -, praticamente descartou dos planos no ano. Tudo que faz lembrar Adilson parece uma praga.

E tudo isso sem falar do estado político da equipe – que não se compara à situação do vizinho de CT, mas ainda assim sofre.

A equipe tricolor do Morumbi, que antes se dava como Soberana, perdeu um pouco dessa soberania. Não seja por isso, a vaga da Libertadores parece difícil e muito hipotética no momento. O segundo ano em recesso da competição.

Leão e o grupo do São Paulo - problemas com muitas possíveis causas

Por: Felipe Saturnino

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27/10/2011

Real de Mourinho é mais agressivo do que ano passado

Os times de José Mourinho, reconhecidamente por ele, são notáveis em segundas temporadas. Porém, isso não o impede de ter uma boa temporada, e uma segunda temporada de apenas alguns “aprimoramentos“.

O Real Madrid mantém seu esquema, seu desenho predominante, as movimentações ofensivas e o trabalho defensivo. O que ocorre mesmo é que, com o passar do tempo, a equipe assimila mais o trabalho, se adapta ao 4-2-3-1 e executa as funções com mais naturalidade nos jogos. Com isso, o time agride mais, é mais incisivo e, apesar de Mou simpatizar-se pelo contragolpe, a equipe madridista tem sido fatal em seus jogos por causa da sua ofensividade.

As movimentações do Real na última quarta, diante o Villareal

Avaliemos os últimos dois embates da Liga dos Campeões e os últimos dois jogos do Campeonato Espanhol: a equipe de Mou marcou 14 vezes, e não sofreu gol algum. Tem tido mais posse de bola média do que no ano anterior. Contra Málaga e Villareal, respectivamente, 56% e 66%.

Desde o setor mais defensivo, dos volantes, funções exercidas por Xabi Alonso e Khedira, com o alemão mais agressivo; Di María recompondo e marcando muito forte pelo lado destro, com Kaká articulando e Cristiano e Benzema concluindo as jogadas, um na extrema-esquerda e Karim Benzema na posição de avante central. Com todos os atributos, o Real Madrid de Mourinho tem aniquilado seus adversários com câmara de gás: rapidamente. Sem piedade. Na última quarta-feira, em 10 minutos, a equipe havia criado 5 chances, com dois gols anotados – por Benzema e Kaká – e um tento anulado, de Sergio Ramos.

Na Champions, diante o Lyon, a equipe de Mourinho foi soberana em todo o tempo. 62% da bola em seus pés, e 4 gols a nenhum.

O trabalho da linha dos três meias ofensivos, sendo esses Di María, Kaká e C. Ronaldo, em relação ao jogo diante o Villareal, só não foi perfeito pois Cristiano fez um jogo muito abaixo da sua real capacidade. E, apesar do Villareal centrar em Borja Valero, o bom volante-meia, a responsabilidade de marcar Kaká, o meia brasileiro foi articulador primoroso. E o dono do jogo, Di María, está cada vez mais aplicado ao estilo do Madrid que é mais agressivo a cada dia que passa.

Um espetáculo a cada jogo. Porém, equipe da capital tem de estar preparada para agredir o todo poderoso da Catalunha, azulgrana. E esse time de Mou é cada vez mais incisivo, e cada vez mais é o dominante numa partida. Posse de bola absurda, muitas finalizações – 26 no alvo, mediando mais de 6 chutes no gol nos últimos 4 jogos – e atuações cada vez mais primorosas do seu trio de meias. Pode ser o ano dos madridistas.

Por: Felipe Saturnino

24/10/2011

Leão e as possibilidades

Leão chegou para ser uma certa indefinição. Assinou até o fim da temporada, porém, sua permanência terá algumas variáveis. E todos sabemos por quais motivos.

O técnico tentará se reerguer e se ativar no mercado – isto é, mais que um simples trabalho, no São Paulo Leão tem a chance de fazer algo relevante. E para isso, o ribeirão-pretano terá que ponderar algumas de suas possibilidades táticas na equipe paulistana.

Adilson Batista falhou usando o losango, um 4-4-2 com maior variação, sem tanto pragmatismo do 4-4-2 das duas linhas britânicas. Porém, sem ser demodé, o técnico resolveu fazer uma transição: usar o 4-2-3-1. Contra Cruzeiro e Inter foi assim. Contra o Atlético-GO, com Lucas de volta, Batista foi de 4-3-2-1, e tornou Cícero um dos compositores da linha do 3 no meio-campo. O Tricolor não venceu uma partida sequer das três citadas.

O declínio de Adilson Batista pode ter se devido à transição do esquema. Passar do losango para um esquema mais ‘retílineo’, com uma linha bem definida no meio-campo, pode ter sido um trauma. Tudo isso pela mudança necessária por Luís Fabiano.

E era necessária. E a variação a que a necessidade é exercida é que Leão vai ter que ponderar. O losango está descartado – creio eu. As possibilidades do novo comandando do Tricolor se restringirão ao 4-2-3-1 e ao 4-3-2-1. No primeiro, ele seguiria o plano mais lógico do contexto atual – é o que Milton Cruz tem executado. No segundo, o plano tático deixado por Adilson após sua série negativa em mais uma passagem traumática por mais um clube de São Paulo seria o predominante. No caso atual, se Leão quiser ter vida longa, terá que optar no uso mais prático de um sistema que vem sendo usado por Milton Cruz e que já havia sido posto em campo com Adilson. Seria o 4-2-3-1. E deverá ser o 4-2-3-1.

Leão - pensando em sua carreira e no 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

23/10/2011

Histórico


O City, com o dinheiro, com seus jogadores, e, por conseguinte, com seu elenco, ainda assim, não era considerado um time grande.

Mas a história do futebol marca grandes times e potências por vitórias em grandes jogos contra outras grandes potências. E a importância desses jogos, no caso, é gigantesca.

O Manchester City fez algo histórico que pode delimitar em que era estamos. A vitória sobre o United com superioridade e predominância, hoje, em Old Trafford, é a maior no dérbi. E uma das maiores da história.

A equipe de Mancini começou recuada, e os mandantes iniciaram a partida tendo o domínio da bola predominantemente. Porém, nenhuma chance de gols clara, por um motivo muito simples: Mancini colou seus volantes – Yaya e Barry – na sua área, para sempre ter o rebote defensivo. Se havia espaço para Anderson aparecer – pois deduzimos que não havia marcação sobre o mesmo – tudo era compensado com uma defesa quase intransponível. No meio-campo adversário, Fletcher centrava-se pela direita, tentando auxiliar Smalling sobre David Silva – o organizador do City ao lado de Milner. A surpresa de Mancini, porém, foi escalar Balotelli e não Dzeko.
Se o United chegou a capitalizar seus 62% de posse de bola nos 15 minutos iniciais, o City, de forma natural e bem planejada, começou a se impor. Com a força de David Silva e Clichy pela esquerda, da mesma forma com que Milner e Richards no lado oposto.

Balotteli faz o primeiro

A grande ideia de Mancini foi ‘colar‘ seus volantes na sua área. O United, com a bola, não passava pela muralha. Os citizens, porém, sem o mesmo empecilho, iam executando seu plano com perfeição. Estratégia adequada, proposta de jogo sempre muito centrada. A chave foi explorar a deficiência do miolo de zaga do United, que era pouco protegido por Anderson, no lado esquerdo, o mesmo que Evans, beque do United, atuava. Sua expulsão não foi de todo acaso. Há de se destacar também, de forma negativa, a forma com que Young e Nani não se adequam à combatividade. Os dois meias são ótimos, mas quando são exigidos, compõem um desastre. O primeiro gol, de Balotelli, saiu aos 21 minutos da primeira etapa.

Nesse ponto, a estratégia já estava mudada. Agora, Yaya e Barry avançavam sobre Fletcher e Anderson, respectivamente. Após a expulsão de Evans, na segunda etapa, o jogo ficou mais simples ainda.

Balotelli – de novo ele – fez o segundo – após jogada espetacular do craque David Silva, que deu um passe de maestro para Milner cruzar.

Pelo mesmo lado direito do segundo tento, Richards apareceu e cruzou para Agüero fazer a goleada. E no panorama, o United já jogava com Smalling e Ferdinand na posição dos beques. Rooney já havia recuado para ser o médio-volante para fazer a transição do United.

Mas o City era fatal. Mesmo com a pintura de Darren Fletcher, aos 33, Dzeko, onze minutos depois, após um escanteio, fez um gol de joelho. E o dono do jogo, David Silva, fez o seu no 45º minuto. O mesmo Silva deu outro passe para gol – também espetacular -, aogra para Dzeko fazer o sexto.

O resultado histórico mostra um princípio de nova era. Se vivíamos num mundo inglês com United e Chelsea se alternando no posto de maior da Premier League, hoje o City, com um investimento pesado, teve um resultado espetacular para sua história. História que, compartilhada para o mundo, apresenta-nos um novo grande para o futebol mundial. Este é o City.

Mario após primeiro gol - Por que sempre ele?

Por: Felipe Saturnino

18/10/2011

O protagonista Kun Agüero

O Manchester City, apesar de rico há um tempo, sempre careceu de um protagonista. Ou quase sempre.

Por exemplo: passaram pelo clube Robinho e Carlos Tévez. O brasileiro não conseguiu ser o que podia. O argentino não passou pois ainda lá está, mas passou pelo que passou. É o que é, mas poderia ser mais – não fosse sua tamanha falta de disciplina e profissionalismo. Por isso, é mais um dos bons jogadores que por lá passaram.

Outro argentino é Sergio Agüero. Mas distinto de Tévez neste sentido.

Kun – permita-me chamá-lo deste modo – chegou e tomou conta do seu espaço. Na estreia diante o Swansea, na primeira rodada da Premier League, ele anotou dois tentos e deu um passe – espetacular – para outro de David Silva.

Hoje, diante o Villareal, Agüero entrou durante o entrave que foi marcado pelos evidentes limites do Villareal e pelo domínio do campo pelo City. Originalmente, ambas as equipes iniciaram o jogo no 4-2-3-1. O City tinha mobilidade no eixo Nasri-David Silva, mas Adam Johnson não tinha mobilidade para mudar o lado em que atuava – o direito – e fez um jogo muito limitado. Foi substituído, para que Yaya Touré, atuante na cabeça-de-área ao lado de De Jong, pulasse para a meia central empurrando David Silva para o lado direito. O Villareal, com um time muito cauteloso, vencendo o jogo após erro de De Jong e gol de Cani, tinha força na saída de Borja Valero, que saía da posição de segundo volante e agredir mais o City na sua cabeça de área – sabendo que o meia De Guzman era muito pouco produtivo no setor. Pérez, o extremo – winger -, variava o lado com Cani. Ambos recompunham pelas laterais, protegendo os lados da defesa dos avanços dos outros wingers do City.

A equipe de Roberto Mancini empatou, com gol contra de Marchena – ex-zagueiro da seleção espanhola. Porém, começou a se perceber que, na mesma medida em que o City pressionava pela ação dos três meias ofensivos, perdia-se a agressividade do setor anterior ao dos meias, neste caso, o setor dos volantes Gareth Barry e Nigel de Jong. Borja Valero, um dos melhores em campo pelo Villareal, fazia suas progressões por este setor aqui citado.

O City não conseguiu criar a sua chance para definir. Mas com Agüero em campo, descartando a opção de Barry, a equipe seria mais forte por trás do meio-campo do ‘submarino amarelo‘. E foi.

Nem por isso, ganhou-se o jogo. Mancini arriscou, de fato. Depois, colocou Milner no lugar do francês Nasri. Quis dar mais toque vertical ao meio-campo do Manchester, mais fluência nas jogadas. Deste fato, surgiu a jogada do gol. Zabaleta apareceu bem após grande jogada de Milner.

Mas o desfecho teve o fim do protagonismo de Sergio ‘Kun’ Agüero. O 16 dos citizens, mais uma vez, foi protagonista. Herói. Do City, da torcida e da cabeça ainda viva de Mancini. Cabeça mais que viva, aliás.

Kun Agüero - herói e protagonista

Por: Felipe Saturnino

12/10/2011

Para ressurgir

Ronaldinho Gaúcho - fim de jejum de 4 anos sem fazer gol e vitória para ganhar confiança

Em Torreón, no México, o Brasil encontrou a seleção que ele não costuma ter a maior tranquilidade de jogar contra. A equipe mexicana, hoje, é melhor que a brasileira, de certa forma. É time mais pronto que o Brasil.

São nestes jogos que ficam evidenciados defeitos de uma seleção – ou qualidades. Para Mano, mudar radicalmente o 4-2-3-1 que propunha no princípio de seu trabalhou ficou viável desde o momento que ele começou a perceber os erros do time.

Contra a Costa Rica, por exemplo. A linha dos três meias ofensivos – Neymar, Lucas e Ronaldinho Gaúcho – ficou estática. Não havia variação para tentar iludir a marcação dos donos da casa que se portaram bem no jogo, mesmo perdendo. Havia também a falta do fator surpresa, o valor individual que surge de trás para dar suporte aos meias que compõem o meio-campo num setor mais avançad. Ralf e Luiz Gustavo eram pouco criativos, e Mano “achou” Hernanes – finalmente – e o colocou no time. Tímida melhora. Apenas tímida. Ainda assim, a vitória num jogo fraco e pragmático da seleção brasileira.

Diante o México, equipe mais qualificada que a Costa Rica, Mano Menezes resolveu sair da sua proposta. Radicalmente. Propôs um 4-4-2 que, partindo do esquema padrão, o 4-2-3-1, possui muitos pontos distintos. E o problema da movimentação foi resolvido.

Mas outro foi criado: com o desdobramento tático natural, tornando a equipe híbrida, seguindo um 4-2-4 (4-2-2-2 com junção dos meias ao ataque), o Brasil simplesmente deixou de marcar. Os meias da ponta-de-lança, Lucas e Ronaldinho, não recompunham. Assim, a equipe ficou mais suscetível aos ataques mexicanos, que eram perigosos com a velocidade de Barrera sobre Marcelo e com Giovanni dos Santos por trás da cabeça de área. O México, de Manuel de La Torre, aliás, atuava num 4-4-1-1, que tinha como força explorar a versatilidade dos dois meias abertos – Guardado e Barrera. O gol contra de David Luiz, por exemplo, nasce de uma inversão de uma meia para outra, terminando na infelicidade do zagueiro do Chelsea.

O primeiro tempo teve o Brasil impondo o ritmo no jogo, com o quarteto ofensivo variando muito no ataque. O México, por sua vez, desejou o contragolpe mais que outra coisa. As saídas de Barrera, Guardado e Gio dos Santos sobre os laterais e a cabeça de área deixam evidente o equívoco brasileiro – mais que natural, julgando a formação usada por Mano. E assim, o time da casa poderia ampliar a vantagem, após um penal mais que tolo de Daniel Alves sobre Javier “Chicharito” Hernández. O lateral brasileiro, azulgrana, foi expulso. Justo.

E apenas não tivemos dois a zero contra no placar pois Jefferson realmente está em fase de grande goleiro. E, grande como é, defendeu o penal batido por Guardado.

O segundo tempo começou com o México melhor, tentando ter a segurança do jogo e o rumo também, em suas mãos. Mantendo o 4-4-1-1, os anfitriões tentaram ser incisivos. O Brasil voltou num 4-2-1-2 – Hulk e Neymar no comando do ataque.

Desenhado o contexto do jogo, os brasileiros não mereciam vencer. Em hipótese alguma. Mas, R10, em seus momentos de genialidade – que ainda possui – mostrou o motivo de ser quem é. Fez um gol espetacular de falta e empatou. No minuto seguinte, aos 36, Marcelo, desempenhando a função sobre Barrera de forma mais contundente, conseguiu virar o jogo e salvar a cabeça de Mano de uma vez por todas.

A vitória, de uma forma, deixa alguns pontos importantes sobre a seleção nacional e a sua situação:

1 – Pode-se argumentar que Mano demorou a variar ou a arriscar, porém, finalmente conseguiu tornar o time diferente. O 4-2-2-2 funcionou nos seus limites e mostrou que o técnico “acertou” em algo. Apesar dos erros táticos evidentes.

2 – Porém, a seleção não poderá repetir este esquema novamente. A fragilidade que ele dá à cabeça de área é muito grande e torna o time facilmente batível. É fato.

3 – Fernandinho, para Mano, disputa a função de segundo volante com Hernanes. O pensamento é questionável, sabendo que os dois não são volantes nos times que atuam, e sim meias centrais.

4 – Mano Menezes pode repetir a composição com 4 e 4, seja um 4-3-1-2 ou 4-4-2 das antigas.

5 – Deve-se usar mais Hernanes para haver um reforço técnico à frente no meio-campo. A carência brasileira na ligação também se deve a esse motivo.

A vitória, além de tudo isso, é para ressurgir. Apesar dos erros, uma boa vitória.

Por: Felipe Saturnino

07/10/2011

Messi, Di María e Higuaín. E basta.

A Argentina de Alejandro Sabella não poderia ter começado melhor o torneio que concede vagas ao mundial de 2014, aqui no Brasil.

O técnico ex-Estudiantes, campeão da Libertadores-2009 e atual técnico dos albicelestes fez a equipe que jogou em função de Messi dar um absoluto show na partida diante o Chile.
Mas a equipe que funciona por Messi também funcionou por causa de Di María. E por Higuaín.

Sabella, formando o esquadrão argentino no 4-2-3-1, – quem nunca o usou é demodé – fez o trio que está dividido entre Barcelona e Real Madrid jogar fantasticamente contra um Chile, é bom citar, muito desorganizado e confuso.

O trio decisivo

Di María foi o meia extremo esquerdo – como faz no Madrid de Mourinho. Higuaín foi o avante. Messi foi o maestro – fazia o que bem entendia no meio-campo. O Chile, no 3-5-2, com desdobramento tático em 3-2-3-2, teve Isla e Carmona como atuantes da primeira linha. O resultado foi a destruição do setor.

Primeiro: Messi, jogando na posição do 10, era cercado por um dos volantes. A indefinição entre o ala/meia da Udinese e o volante natural da posição – Carmona – fez com que Lionel brilhasse em campo. O espaço que ele tinha era grande. Muito grande.

Segundo: Matías Fernández, Valdívia e Beausejour compunham a segunda linha, dos três armadores. O primeiro recompunha o setor direito, porém, Di María teria de ser encontrado por Isla no lado do campo, pois Borghi queria fazer o madridista marcar Matías Fernández, e também exigiu que Isla marcasse Di María. Outra indefinição. Matías pouco criou, pouco auxiliou na marcação a Di María, e, em 20 minutos, a Argentina havia marcado duas vezes.

Terceiro: Beausejour, bom meia que joga como ala na seleção chilena, hoje, fez uma atuação fraquíssima. A chave do setor foi José Sosa, recompondo e auxiliando Zabaleta no lado direito argentino. O número 8 pouco criou, mas pouco foi exigido. Messi e Di María trucidavam o meio-campo com Higuaín anotando seus tentos.

Para início, os pontos destacados são importantes. A Argentina foi segura no meio-campo, com exceção às constantes indefinições também dadas aos cercos de Banega ao meia Valdívia. Braña ficava na sobra, mas a Argentina perdia um homem ao atacar. Nem precisou, de fato.

A defesa preocupou. Burdisso e Otamendi não são técnicos, mas não são péssimos. Porém, quando se trata de bola aérea, a Argentina é pecadora. Das grandes. O gol do Chile se origina de uma jogada assim, acabada na conclusão de Suazo, que marcou para o Chile.

O fato que desequilibrou foi o conjunto Messi-Di María-Higuaín. Criando, marcando, anotando gols. Assim, a Argentina de Sabella começa a caminhada para 2014 melhor do que o esperado. 4 a 1 e domínio, tático e técnico. Belo espetáculo para uma primeira rodada de eliminatórias.

Por: Felipe Saturnino

06/10/2011

Os desafios de Sabella

Sabella - desafiado

A seleção argentina passará pelo primeiro teste, direcionando a equipe para a Copa-2014. Mas o momento é difícil.

É muito mais difícil do que não ganhar a Copa do Mundo há 25 anos. Muito mais. É também uma sequência de apatia dos técnicos, que se equivocam. E não importa culpar sempre o craque Messi.

No Mundial do ano passado, por exemplo, Maradona, ídolo maior do país, optou por “alguns questionamentos”. Armou a equipe da forma que quis, e, por predomínio tático, os alemães trituraram um meio-campo pouco combativo. Schweinsteiger jogou muito – como sempre – e Klose foi decisivo – novamente. Vitória dos alemães por 4 a 0. Com crueldade.

Na Copa América, um teste para Batista seguir seu trabalho. Falha. O técnico optou por dar a Lionel Messi uma posição de articulador, o que o faz ser algo que não é. A opção por dois volantes que qualificam a saída de forma mais limitada – Cambiasso e Banega – deu a Messi a responsabilidade de “pensar” o jogo dos argentinos. E com um primeiro jogo difícil diante a Bolívia, os argentinos, estreando no torneio, jogando no 4-3-3, criaram pouco, triangularam pouco, utilizaram pouco seus flancos e depositaram em Messi a função central do time. Sem válvulas. A primeira vitória veio na última rodada, e a campanha bem abaixo dos limites concedeu ao time de Sergio Batista o desafio de enfrentar o Uruguai. Vitória nos penais do time de Tábarez.

Sabella optou por voltar com Demichelis e Gutiérrez. Ambos da era Maradona. O desafio, porém, vai ser montar um time que reúna o equilíbrio partindo de seus dois jogadores do meio-campo defensivo, seguindo até a função dos mais ofensivos e, enfim, chegando na posição de Messi.

Alejandro – permita-me chamar Sabella assim – convocou com variedade.

Se ele for de 4-3-3, pode usar um meio-campo com Mascherano, Banega e Pastore. Porém, é pouco provável – sabemos da deficiência do trio em recompor e em ser combativo.

O 4-2-3-1 – esquema da moda – pode predominar, mas de uma forma distinta. Não tendo Messi por trás do atacante, sendo o meia central, mas fazendo-o jogar, de fato, na posição do falso-nove – como no Barça. A combinação do meio-campo/ataque seria Mascherano-Banega-Pastore-Di María-Gaitán-Messi – sabendo que Agüero sofreu uma contratura muscular e não joga.

O possível 4-2-3-1 de Sabella

O equilíbrio, neste caso, existiria. Javier Pastore joga bem no PSG, e pode ser o meia central que a Argentina precisa. Di María e Gaitán poderiam recompor. Mas o meia do time do Benfica é mais hipotético na questão.

Sabella tem variedade no banco: Higuaín, Gaitán – meia no Benfica – e Álvarez, da Inter de Milão. O avante do Real Madrid também pode ser utilizado – se Sabella pensar num possível 4-2-3-1 com Messi fazendo a meia central.

Como os outros não o fizeram, Sabella terá que, obrigatoriamente, encontrar o equilíbrio entre meio-campo e ataque. Tanto defensivamente – como não ocorreu na era Maradona – e ofensivamente – como não ocorreu no período Sergio Batista. O desafio é grande e intimida. Porém, se cogita um time que aspire confiança, Alejandro Sabella passará por isso e por pior.

Por: Felipe Saturnino