Os desafios de Sabella

Sabella - desafiado

A seleção argentina passará pelo primeiro teste, direcionando a equipe para a Copa-2014. Mas o momento é difícil.

É muito mais difícil do que não ganhar a Copa do Mundo há 25 anos. Muito mais. É também uma sequência de apatia dos técnicos, que se equivocam. E não importa culpar sempre o craque Messi.

No Mundial do ano passado, por exemplo, Maradona, ídolo maior do país, optou por “alguns questionamentos”. Armou a equipe da forma que quis, e, por predomínio tático, os alemães trituraram um meio-campo pouco combativo. Schweinsteiger jogou muito – como sempre – e Klose foi decisivo – novamente. Vitória dos alemães por 4 a 0. Com crueldade.

Na Copa América, um teste para Batista seguir seu trabalho. Falha. O técnico optou por dar a Lionel Messi uma posição de articulador, o que o faz ser algo que não é. A opção por dois volantes que qualificam a saída de forma mais limitada – Cambiasso e Banega – deu a Messi a responsabilidade de “pensar” o jogo dos argentinos. E com um primeiro jogo difícil diante a Bolívia, os argentinos, estreando no torneio, jogando no 4-3-3, criaram pouco, triangularam pouco, utilizaram pouco seus flancos e depositaram em Messi a função central do time. Sem válvulas. A primeira vitória veio na última rodada, e a campanha bem abaixo dos limites concedeu ao time de Sergio Batista o desafio de enfrentar o Uruguai. Vitória nos penais do time de Tábarez.

Sabella optou por voltar com Demichelis e Gutiérrez. Ambos da era Maradona. O desafio, porém, vai ser montar um time que reúna o equilíbrio partindo de seus dois jogadores do meio-campo defensivo, seguindo até a função dos mais ofensivos e, enfim, chegando na posição de Messi.

Alejandro – permita-me chamar Sabella assim – convocou com variedade.

Se ele for de 4-3-3, pode usar um meio-campo com Mascherano, Banega e Pastore. Porém, é pouco provável – sabemos da deficiência do trio em recompor e em ser combativo.

O 4-2-3-1 – esquema da moda – pode predominar, mas de uma forma distinta. Não tendo Messi por trás do atacante, sendo o meia central, mas fazendo-o jogar, de fato, na posição do falso-nove – como no Barça. A combinação do meio-campo/ataque seria Mascherano-Banega-Pastore-Di María-Gaitán-Messi – sabendo que Agüero sofreu uma contratura muscular e não joga.

O possível 4-2-3-1 de Sabella

O equilíbrio, neste caso, existiria. Javier Pastore joga bem no PSG, e pode ser o meia central que a Argentina precisa. Di María e Gaitán poderiam recompor. Mas o meia do time do Benfica é mais hipotético na questão.

Sabella tem variedade no banco: Higuaín, Gaitán – meia no Benfica – e Álvarez, da Inter de Milão. O avante do Real Madrid também pode ser utilizado – se Sabella pensar num possível 4-2-3-1 com Messi fazendo a meia central.

Como os outros não o fizeram, Sabella terá que, obrigatoriamente, encontrar o equilíbrio entre meio-campo e ataque. Tanto defensivamente – como não ocorreu na era Maradona – e ofensivamente – como não ocorreu no período Sergio Batista. O desafio é grande e intimida. Porém, se cogita um time que aspire confiança, Alejandro Sabella passará por isso e por pior.

Por: Felipe Saturnino

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