Para ressurgir

Ronaldinho Gaúcho - fim de jejum de 4 anos sem fazer gol e vitória para ganhar confiança

Em Torreón, no México, o Brasil encontrou a seleção que ele não costuma ter a maior tranquilidade de jogar contra. A equipe mexicana, hoje, é melhor que a brasileira, de certa forma. É time mais pronto que o Brasil.

São nestes jogos que ficam evidenciados defeitos de uma seleção – ou qualidades. Para Mano, mudar radicalmente o 4-2-3-1 que propunha no princípio de seu trabalhou ficou viável desde o momento que ele começou a perceber os erros do time.

Contra a Costa Rica, por exemplo. A linha dos três meias ofensivos – Neymar, Lucas e Ronaldinho Gaúcho – ficou estática. Não havia variação para tentar iludir a marcação dos donos da casa que se portaram bem no jogo, mesmo perdendo. Havia também a falta do fator surpresa, o valor individual que surge de trás para dar suporte aos meias que compõem o meio-campo num setor mais avançad. Ralf e Luiz Gustavo eram pouco criativos, e Mano “achou” Hernanes – finalmente – e o colocou no time. Tímida melhora. Apenas tímida. Ainda assim, a vitória num jogo fraco e pragmático da seleção brasileira.

Diante o México, equipe mais qualificada que a Costa Rica, Mano Menezes resolveu sair da sua proposta. Radicalmente. Propôs um 4-4-2 que, partindo do esquema padrão, o 4-2-3-1, possui muitos pontos distintos. E o problema da movimentação foi resolvido.

Mas outro foi criado: com o desdobramento tático natural, tornando a equipe híbrida, seguindo um 4-2-4 (4-2-2-2 com junção dos meias ao ataque), o Brasil simplesmente deixou de marcar. Os meias da ponta-de-lança, Lucas e Ronaldinho, não recompunham. Assim, a equipe ficou mais suscetível aos ataques mexicanos, que eram perigosos com a velocidade de Barrera sobre Marcelo e com Giovanni dos Santos por trás da cabeça de área. O México, de Manuel de La Torre, aliás, atuava num 4-4-1-1, que tinha como força explorar a versatilidade dos dois meias abertos – Guardado e Barrera. O gol contra de David Luiz, por exemplo, nasce de uma inversão de uma meia para outra, terminando na infelicidade do zagueiro do Chelsea.

O primeiro tempo teve o Brasil impondo o ritmo no jogo, com o quarteto ofensivo variando muito no ataque. O México, por sua vez, desejou o contragolpe mais que outra coisa. As saídas de Barrera, Guardado e Gio dos Santos sobre os laterais e a cabeça de área deixam evidente o equívoco brasileiro – mais que natural, julgando a formação usada por Mano. E assim, o time da casa poderia ampliar a vantagem, após um penal mais que tolo de Daniel Alves sobre Javier “Chicharito” Hernández. O lateral brasileiro, azulgrana, foi expulso. Justo.

E apenas não tivemos dois a zero contra no placar pois Jefferson realmente está em fase de grande goleiro. E, grande como é, defendeu o penal batido por Guardado.

O segundo tempo começou com o México melhor, tentando ter a segurança do jogo e o rumo também, em suas mãos. Mantendo o 4-4-1-1, os anfitriões tentaram ser incisivos. O Brasil voltou num 4-2-1-2 – Hulk e Neymar no comando do ataque.

Desenhado o contexto do jogo, os brasileiros não mereciam vencer. Em hipótese alguma. Mas, R10, em seus momentos de genialidade – que ainda possui – mostrou o motivo de ser quem é. Fez um gol espetacular de falta e empatou. No minuto seguinte, aos 36, Marcelo, desempenhando a função sobre Barrera de forma mais contundente, conseguiu virar o jogo e salvar a cabeça de Mano de uma vez por todas.

A vitória, de uma forma, deixa alguns pontos importantes sobre a seleção nacional e a sua situação:

1 – Pode-se argumentar que Mano demorou a variar ou a arriscar, porém, finalmente conseguiu tornar o time diferente. O 4-2-2-2 funcionou nos seus limites e mostrou que o técnico “acertou” em algo. Apesar dos erros táticos evidentes.

2 – Porém, a seleção não poderá repetir este esquema novamente. A fragilidade que ele dá à cabeça de área é muito grande e torna o time facilmente batível. É fato.

3 – Fernandinho, para Mano, disputa a função de segundo volante com Hernanes. O pensamento é questionável, sabendo que os dois não são volantes nos times que atuam, e sim meias centrais.

4 – Mano Menezes pode repetir a composição com 4 e 4, seja um 4-3-1-2 ou 4-4-2 das antigas.

5 – Deve-se usar mais Hernanes para haver um reforço técnico à frente no meio-campo. A carência brasileira na ligação também se deve a esse motivo.

A vitória, além de tudo isso, é para ressurgir. Apesar dos erros, uma boa vitória.

Por: Felipe Saturnino

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