De onde vem o problema?

O São Paulo está muito próximo de amargar seu 3º ano consecutivo sem título algum – desde o tricampeonato ganho com Muricy Ramalho naquela série histórica de títulos da equipe do Morumbi. Mas a expressão “muito próximo” pode e deve se tornar definitiva nos momentos seguintes do Brasileirão. E só do Brasileirão.

Pois da Sul-Americana a equipe de Leão foi eliminada pelo Libertad. Mesmo com a vantagem mínima, que nem por isso era pouco importante. O problema foi que, mesmo mantendo o traço tático que Batista vinha implementando e Milton Cruz também, o São Paulo sucumbiu – ainda que ressalve pela mudança de Marlos. O 4-2-3-1 que o São Paulo utilizou na ida contra a equipe paraguaia, por exemplo, juntou Cícero, Dagoberto e Lucas na linha dos meias ofensivos – a chamada “linha do 3”. Nessa linha, o eixo de variação, isto é, de movimentação dos jogadores, se dava entre Dagoberto e Cícero, que se revezavam ao centro. Lucas, mais preso ao lado direito, tinha o apoio de Piris.
A mudança por Marlos tem ressalvas por enfatizar o revezamento no posicionamento tático nessa linha. Havia variação, mas o São Paulo sofreu com o penal tolo feito por Luís Fabiano, e apesar de criar, pecou na conclusão.

Todos sabemos, também, que com variações ocorrendo, as posições ficam menos exigidas, mas os jogadores tem funções diferentes dependendo da posição que ocupam. Isto também é um ponto a ser analisado quando um jogador como Lucas vem atuar centralizado: não é um articulador central, mas a tentativa de tornar o esquema da moda menos pragmático é válida.

E as trocas de esquema têm sido frequentes no São Paulo. A equipe teve quatro técnicos no ano: Paulo César Carpegiani, Adilson Batista, Milton Cruz e Leão.

O primeiro se alternava entre um time com disposição de 3 jogadores na defesa e um 4-4-2 ortodoxo; contrariando o 4-4-2 “pragmático”, Batista usou o “diamond midfield” – para caracterizar o losango do 4-3-1-2. Porém, o ex-técnico do Cruzeiro também utilizou o 4-3-2-1 e 4-2-3-1, ambos com Luís Fabiano. A mudança de um esquema com disposição de 4 e 4 – quatro defensores e quatro no meio-campo – para um esquema para com variação de 5 homens de meio-campo pode ter marcado o fim da era Adilson. Esta transição de uma disposição para outra pode comprometer um time. No caso do Sampa, comprometeu.

Como havia falado aqui, Leão devia estar pensando no 4-2-3-1 – já que Adilson havia usado o esquema em seus últimos jogos e Cruz resolveu prosseguir com a ideia. Usou o esquema, mudou o estilo da linha dos três meias e padeceu no Paraguai, pelas quartas-de-final da Copa Sul-Americana. E agora, pela figura que temos, Leão usará um time com linha de 3 zagueiros – apesar do Diário Lance ter publicado uma formação em 4-3-1-2, no estilo Batista.

Todas essas variações, sem manter um padrão, podem comprometer um time. O São Paulo testou no mínimo quatro desenhos diferentes e, no que mais utilizou – o 4-3-1-2 com Adilson -, praticamente descartou dos planos no ano. Tudo que faz lembrar Adilson parece uma praga.

E tudo isso sem falar do estado político da equipe – que não se compara à situação do vizinho de CT, mas ainda assim sofre.

A equipe tricolor do Morumbi, que antes se dava como Soberana, perdeu um pouco dessa soberania. Não seja por isso, a vaga da Libertadores parece difícil e muito hipotética no momento. O segundo ano em recesso da competição.

Leão e o grupo do São Paulo - problemas com muitas possíveis causas

Por: Felipe Saturnino

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: