Archive for novembro, 2011

29/11/2011

Corinthians quase campeão; um brinde à Alex e seu dinamismo

Jogar no Orlando Scarpelli não era tarefa fácil de modo algum, ainda mais com um Figueirense fortalecido e que dependia de uma vitória para ir à Taça Libertadores. Os corintianos, entretanto, sabiam que necessitavam do mesmo resultado para continuarem o rumo natural ao título. E, mesmo sem um futebol convincente, em jogo que decide campeonato, vence-se ou ganha-se.

E a equipe do Parque São Jorge levou mais uma de vencida. Mais uma fora de casa. O jogo-chave – sabendo que um empate dá o pentacampeonato ao segundo mais querido do país – ganho.

Chamou minha atenção, porém, mais do que a simples vitória paralelamente ao resultado épico da vitória vascaína, o comportamento do Figueirense em campo. Nada revolucionário – claro que não -, mas mais uma tentativa para conter o Corinthians.

Jorginho havia dito que o alvinegro não seria campeão em SC, e modificou o Figueirense taticamente, passando a equipe do 4-3-1-2 para o 4-2-3-1. O ex-lateral armou o esquema da moda, puxando Wellington Nem à ponta esquerda para fazer frente ao lateral-esquerdo Fábio Santos – menos seguro no combate que Alessandro. No outro lado, Maicon era menos incisivo sobre Alessandro. Muito pelas características do jogador e, por, propositalmente, fortalecer o lado em que Paulinho, o volante corintiano, agia no campo. E também por conceder liberdade à Nem – constatando um equilíbrio tático nos flancos do campo. No meio-campo central, Ygor era o volante que batia de frente com Paulinho. Coutinho atuava junto de Danilo, o número 20 do Corinthians que nada fez no jogo. Nada mesmo. Não articulou, errou muito e estava preguiçoso. Algo que num time com um dado Alex, em dia razoavelmente bom, pode custar a vaga na equipe titular.

A estratégia de Jorginho era válida por neutralizar Paulinho com Ygor, barrar Émerson com Juninho e ter mais força na marcação com Maicon pelo mesmo lado. O motivo mor da equipe de Tite jogar mal, porém, foi a falta de um “ligador” em dia de “ligador”. Este era Danilo. E Alex entrou no segundo tempo; centralizou-se, empurrou Danilo para a esquerda e sacou Willian em um dia muito fraco. Mesmo assim, o mais sensato seria tirar o ex-são-paulino.

O que foi dito sobre o Figueira se parecia com o que Caio Júnior fez na ótima vitória do Botafogo sobre o Corinthians por 2 a 0 – manter um volante preso à Paulinho. Porém, a dinâmica que faltava no meio-campo apareceu, e as chances que o adversário teve não foram aproveitadas como naquela derrota. O lance de Alex no gol de Liédson mostra o que quero dizer.

Com a mudança, Tite praticamente ganhou o campeonato. Alex, mais atento ao jogo que Danilo, deu o passe qualificado que a equipe precisava. Nem precisou de Adriano nesta vez.

Muito deste jogo demonstrou a dificuldade de jogar no 4-2-3-1. Se barrado um certo ponto do esquema, as outras partes se tornam muito frágeis. Se não fosse a agilidade de Alex para se soltar mais em campo, talvez estivéssemos falando aqui do Vasco líder. Um brinde à Alex.

Alex e Liédson - dinamismo e decisão

Por: Felipe Saturnino

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05/11/2011

No ponto

Neste sábado, em St. James Park, o Newcastle atingiu sua sétima vitória em 11 jogos, chegando a impressionantes 25 pontos, estando à frente de Chelsea, Tottenham, Liverpool e Arsenal – adversários com bem mais recursos de que a equipe dirigida por Alan Pardew. Com esta contagem, o time está a 1 ponto do United, que persegue o City, que possui 5 pontos de vantagem para os comandados de Ferguson.

Há de se falar que o Newcastle – que hoje derrotou o Everton por 2 a 1 – está invicto na competição, assim como os citizens. A equipe, entretanto, não apresenta uma formação tão sofisticada ou um trabalho tão “diferente” de seus jogadores, mas sim uma efetiva presença de atuantes que marcam muito forte e, apesar de possuírem poucos recursos e variações no jogo, são muitos eficientes nos mais diversos setores do campo.

A equipe de Pardew joga em um 4-4-2 que apresenta pouca variação, porém, o trabalho de um dos atacantes é admirável e a “emboscada” no meio-campo é precisa, o que dificulta o trabalho adversário e faz o Newcastle ter vantagem nos confrontos táticos que se desenham no campo.

Demba Ba participando no meio-campo

O senegalês Demba Ba, número 19 da equipe do Newcastle, é muito efetivo na equipe de uma forma tática – sabendo que o mesmo não é refinado tecnicamente. O avante atua por trás de Leon Best, atacante principal, e quando seu time não possui a bola, não guarda posição no campo: ele volta para um ponto mais baixo no campo, mais precisamente em um ponto médio, para o meio-campo, e ocupa posições para marcar volantes adversários. Isto foi fundamental para uma vitória contundente dos mandantes contra o time de Liverpool do Everton. Assim, atuando contra um 4-4-2 idêntico ao do Newcastle – com duas linhas congruentes -, o Everton ficava em desvantagem neste ponto do campo, com dois volantes naturalmente recuados e “três” meias atuando sobre esses volantes, contando com a presença de Demba Ba. O Newcastle, desta forma, poderia recuperar a bola com mais facilidade e se projetar ao ataque com mais eficiência do que o normal. Não é de se estranhar, então, que 54% dos passes certos do atacante se deram em pontos do meio-campo – na linha ofensiva com maior normalidade.

O trabalho de Guthrie

Com o 4-4-2 regente, o Newcastle mandou no jogo na etapa inicial não só pela vantagem de 3×2 num ponto médio do meio-campo, mas também pela intensa participação de Danny Guthrie, um bom médio que comandava as bolas ofensivas da equipe da casa. O camisa 8 era muito ativo no embate, e realizou 38 passes certos de 49 possíveis. Diferentemente de Jack Rodwell, que sofreu num Everton pouco criativo, tendo acertado 27 passes e errado apenas três. Ainda assim, há de se dizer que Guthrie “passou” por 18 áreas diferentes do campo e Rodwell, com uma marcação mais específica do adversário, flutuou por 14 com seus passes. Isso mostra a diferença na criação dos times – já que com a participação do alvinegro do Newcastle a equipe foi mais funcional do que os visitantes de Liverpool. Tome como exemplo o primeiro gol, contra, feito por Heitinga, o zagueiro do Everton. A bola trafega no meio-campo com o aval de Guthrie, que a solta para Simpson cruzar até ter o final que sabemos.

“Wingers” colaborando

Jonas Gutiérrez nunca foi um meia espetacular, mas sofreu demais com seu desempenho pífio no primeiro jogo diante a Nigéria na Copa do Mundo do ano passado. E ele não é um jogador desprezível – veja o desempenho pelo Newcastle. O argentino é efetivo pelos flancos, e trabalha na inversão da bola, por não ser um atuante tão técnico para conduzir a bola com eficiência. O meia, porém, é fundamental para a recomposição, assim como Obertan normalmente é, e que hoje não pôde ser por estar suspenso. Gutiérrez é muito importante no esquema de Pardew, e sem sua proteção o lado de Ryan Taylor seria frágil. Por uma análise atual, a equipe do Newcastle é sólida e equilibrada em ambos os flancos.

O Everton, mesmo começando de forma muito previsível a partida, começou a modificar o jogo e melhorou consideravelmente. Drenthe, o mesmo ex-Real Madrid, deixou a posição de segundo avante para compor o meio-campo de uma forma periférica. Iniciou seu trabalho pelo flanco esquerdo, com Osman se centralizando para fazer frente ao trabalho de Guthrie no meio-campo. Coleman – outro compositor do meio-campo que estava se tornando 4-2-3-1 – se moveria para o flanco direito, isso aos 16 minutos. Aos 23 minutos, a equipe da terra dos Beatles inverteu os wingers, Drenthe e Coleman, e definitivamente entrou no jogo. Fez um tento, mas foi pouco. O jogo seguiu 2 a 1 até o rumo final.

A variação mínima que ocorre no Newcastle é muito importante. Contudo, Pardew pode mudar a característica da equipe no meio-campo central para travar um adversário mais eficiente – com Tiote, volante que possui pouquíssimos recursos mas é mais fixo. A participação de Guthrie, hoje, foi eficiente no primeiro tempo e pouco interessada no segundo – muito pela mudança do Everton. Alan Pardew, mesmo assim, deve manter a “pegada” do meio-campo para obter resultado mais satisfatórios. Hoje, a equipe está no ponto: é segura, experiente, contundente, e apesar de não ser brilhante, tem raça. Para o Newcastle, mudar agora não é válido. A equipe merece respeito e atenção.

Por: Felipe Saturnino