Archive for dezembro, 2011

30/12/2011

O feio e o ano novo

Mesut Özil é um tremendo meio-campista: inteligente, técnico, sutil e eficiente na função. Ótimo jogador para se ter para quando precisa-se de um cara que pense seu jogo.

Agora, algo que o alemão não é muito popular se refere à beleza natural. Sem ofensas Mesut, entenda com inteligência – como faz dentro de campo. Aliás, se querem tomar um partido sobre o caso, pesquisem aí alguma imagem do 10 madridista.

E a piada que circula por aí é a do ‘filho feio’ de Mou, o próprio Özil, que considera o técnico português um ‘pai’ para si próprio. Talvez reflita a qualidade do lusitano em reunir um grupo e formar um time, coisas que Mourinho faz com maestria em sua trajetória no futebol.

A declaração do alemão transformou-se em piada de forma instantânea entre os jogadores do Madrid, que falaram que o português Mou nunca ‘teria um filho tão feio como Özil’. Bem possível. (Aliás, se vocês estão com a imagem aberta, balancem a cabeça de baixo para cima, concordando com o que foi falado pelos madridistas.)

E talvez a não-beleza de Özil possa ser analogada com a feiura de Mourinho nos jogos contra o maior rival dos merengues. E o ano novo, como sabemos, terá que ser dele para ser do Madrid. Talvez com a mesma finalidade da brincadeira dos jogadores do Real sobre o alemão possa se levar um jogo diante os blaugranas com a tranquilidade e sem a pilha que se tem tido para jogar com os melhores do mundo.

Pois, se a dada feiura de Özil não tem solução, assim como outras feiuras, quaisquer que sejam, vencer o Barcelona também não possui uma por ora, ou, pelo menos, não aparenta se ter uma. Neste caso, excepcionalmente, Mourinho terá de abater a sua diante o Barça, já que deixar Özil mais bonito não vai facilitar o jogo, tampouco funcionará na comparação aqui feita.

A resposta para a questão mor da carreira de José Mourinho até os tempos atuais, de fato, teremos no ano novo.

Mou - 'pai' de um feio e tratando a sua feiura diante o Barça para o ano novo

O blog volta dia 7. Bom ano novo para vocês, sem casos de ‘Özils’ – isto é, sem feiuras.

Por: Felipe Saturnino

25/12/2011

Jogo de bola, jogo de pedra

O mais fascinante do futebol é que o mais provável pode não ser o que usualmente acontece, culminando na surpresa que os torcedores ou, até mesmo, pessoas ‘sãs’ e imparciais, sofrem num dia comum de disputas do esporte. A lógica é menos lógica. É algo muito incomum.

E, ao analisar um jogo, atribuímos o resultado aos fatores táticos, apresentando diagramas, para amplificar a visão do leitor. E também tento falar do futebol de um jeito mais romântico e menos ‘didático’.

E me surgiu, apenas agora, que num show de inconveniências e surpresas, em que as coisas não seguem um rumo normal, o caminho comum das pedras é desprezado, mesmo existindo. E no meio das inconveniências e surpresas do mundo que respiro e vivo, do mundo que me alimento, apareceu, enfim, a ideia da conveniência num dia de um tão saudoso bordão. Feliz Natal.

E num mundo de inconveniências, a velha conveniência, menos normal mas sutil, é bem-vinda.

Por: Felipe Saturnino

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21/12/2011

United domina os flancos; Giggs comanda meio-campo: 5 a 0 em Londres

Uma ótima atuação dos comandados de Ferguson, que derrotaram o Fulham por 5 a 0 em Craven Cottage, para dar continuidade ao time na perseguição ao rival City, que também venceu na rodada.

A equipe de Old Trafford optou pelo tradicional 4-4-2 que sofre desdobramento de acordo com o posicionamento de Wayne Rooney no campo. O número 10 dos Devils pode regredir ou progredir no campo, configurando as duas formações. Ryan Giggs, o galês de 37 anos, meia, atuou como segundo-volante para qualificar a saída dos visitantes. O trunfo de Ferguson.

Diferentemente de como ocorreu na final da Champions, Giggs poderia jogar aberto em um dos flancos, fazendo trocas para vir jogar por dentro. Hoje, ocorreu com o português Nani. Em alguns momentos do jogo, Giggs poderia se tornar meia-esquerda e, esporadicamente, momentos depois, poderia voltar a ser volante pelo lado esquerdo do meio-campo central. Mais uma vez, fica comprovada a qualidade de Giggs tecnicamente. As mudanças foram bem raras, mas ocorriam.

E o que tornou o jogo mais simples foi como os meias periféricos lidavam com a marcação que recebiam. Nani, em seu primeiro lance no jogo, arrancou pela esquerda, passou por Ruiz e Baird para, no clímax da jogada, dar a bola ao avante Welbeck fazer o primeiro de 5 tentos, aos 4 minutos.

O que também tornou o jogo mais fácil para o United também se relaciona com o trabalho dos volantes do Fulham, que atuava em um 4-2-3-1 com mudanças na ‘linha do 3’. Murphy e Etuhu são muito pouco produtivos, o que faz com que a equipe agrida menos, já que a qualidade na saída é baixíssima. Isto também motiva Giggs a ter feito o que fez, aparecendo no campo adversário, fazendo passes em profundidade para atacantes e meias.

A atuação de hoje, que consta da 4ª maior atuação com passes feitos do United na Premier League desta temporada – com 591 -, tendo 83,7% de aproveitamento desses passes, mostra o quão Giggs pode ser útil em alguns momentos. O galês deu duas assistências, totalizando aproveitamento de 82% nesse fundamento no dia de hoje.

O que, mais uma vez, nos mostra que o 11 do United é, ainda, muito bom jogador, apesar da idade. É opção num time que apesar de eliminado da Champions, é muito forte no Inglês. O único problema do momento é o City. Simples assim.

A versatilidade de Giggs que pode ser um volante ou meia, e o movimento de Nani e Valencia que trucidou um Fulham frágil, que mesmo com movimentação na linha ofensiva, não tinha outro suporte ofensivo e era pobre tecnicamente

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Com ponta ou sem ponta?

O Barcelona não apenas me chama atenção pela beleza de seu futebol, pela essência do ‘tiki-taka’ ou por nomes antológicos como Xavi Hernández, Andrés Iniesta ou Lionel Messi. E também não é algo que passa pela figura tão sutil e suave como a de Josep Guardiola, treinador dos blaugranas.

É algo a mais que só o que é.

O Barcelona do jogo contra o Real Madrid: 4-3-3 para o 3-4-3 do diagrama

Das atuações do ano, a que mais me chamou a atenção do Barça não foi a destruição total diante o Santos, e sim a aulinha pra cima do Real Madrid de Mourinho. E não foi por motivos óbvios – como os que apresentei lá no início do post.

Foi pela mudança tática.

Guardiola, com novas peças, como Thiago e Cesc Fàbregas, soube como renovar o espírito filosófico barcelonista, que por mais pragmático que seja, é mais do que vencedor. Afinal, mudar um desenho tático mais do que consolidado é um tarefa difícil de fazer.

Josep o fez. Melhor, o faz. Com excelência.

O primeiro jogo em que eu presenciei a mudança consolidada, isto é, sem variações num mesmo jogo, foi no embate contra o Villarreal, em agosto. Em Camp Nou, os mandantes fizeram 5 a 0.

Guardiola improvisou e armou a defesa com ‘dois’ volantes: Sergio Busquets e Javier Mascherano. Abidal jogou pelo flanco esquerdo da defesa; na linha da frente do meio-campo, Iniesta, Fàbregas e Thiago foram os atuantes. Os avantes foram Sánchez, Messi e ‘Pedrito’. Mesmo sem laterais, ou melhor, alas, os meias abertos, isto é, Ini e Thiago, provaram a qualidade que possuem e deram suporte aos atacantes. A equipe tinha dois pontas – Sánchez e Pedro -, que clareavam o jogo, tanto quanto centralizavam. Fàbregas infiltrava-se para ocupar o lugar de Messi que, como sempre, flutuava em campo.

Foi uma grande atuação pelo trabalho dos meias.

Contra o Real Madrid, algo mais violento e intenso. Mais variação.

Nesse jogo, o Barça foi de 4-3-3 para 3-4-3, até mesmo 4-4-2, com Busquets se aprofundando em momentos do jogo para formar uma linha de 4 homens na defesa. Guardiola, pela primeira vez, de fato, pôde vencer Mou no ‘braço’, na tática do jogo, enfim. Uma das melhores exibições que, certamente, já vi em minha vida. Sánchez jogou como ponta, porém, sua movimentação era constante: poderia centralizar-se ou, até mesmo permanecer no flanco em que estava. Iniesta, no momento, era algo entre um meia-esquerda e um ponta-esquerda, aprofundando o jogo sobre Fábio Coentrão. Fàbregas e Xavi eram os atuantes mais evidentes da linha de meio-campo, visto que Daniel Alves também aparecia muito forte pelo flanco direito, agredindo o lado de Marcelo, podendo ser dado como ponta-direita.

Contra o Santos, algo mais evidente que pode ser o que o Barcelona está atingindo: o 3-1-4-2.
Daniel Alves foi meia-direita, Xavi e Iniesta meias-centrais originais, Thiago meia-esquerda, e Messi e Fàbregas eram avantes que, mesmo assim, saíam para movimentar-se e provocar mais confusão na defesa adversária. O esquema no jogo de domingo, então, constou sem pontas. Mas, como sempre, o time foi funcional no meio-campo.

E devem ser dados a Pep Guardiola os créditos à tamanha variação que o Barça atingiu neste final de ano. Para renovar uma filosofia, não devemos nos pegar ao novo, mas fazer o velho e bom se tornar o novo e bom. Guardiola está usando a variação a seu favor. Com um ponta ou sem um ponta, o Barcelona pode usar o 4-3-3, o 3-4-3, o 4-4-2 ou o 3-1-4-2. Excelência tática no momento.

O Barcelona do jogo contra o Santos: o 3-1-4-2 para a 'renovação', sem um 'ponta'

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Diferença

“Não sei se é imbatível, mas é o melhor time do mundo. Hoje aprendemos a jogar. O Barcelona foi muito superior, tem jogadores fantásticos. Serviu de lição para nós. O Barcelona ensinou a jogar futebol.”

O garoto Neymar ainda é craque. É o melhor brasileiro na atualidade do mundo futebolístico que, na sua totalidade, é dominado por um esquadrão azul-grená.

A ‘lição’ a que Neymar se referiu em sua coletiva após a derrota para o Barcelona pode se generalizar e ser amplificada em seu significado. O futebol jogado no campo, ou a filosofia que tanto invejamos e, mesmo assim, ainda nem implementamos no futebol brasileiro.

O placar de 4 a 0 não é vexame. É um fato. Outros times como Real Madrid e Manchester United também sofreram reveses assim.
O problema, porém, é analisarmos o contexto mais amplo do significado do placar.

A derrota não nos evidencia ‘decadência’ do futebol brasileiro, pois sabemos que a equipe de Guardiola é algo fora do comum. Nos mostra, porém, como um trabalho vindo de anos pode dar resultados aos nossos clubes.

A equipe barcelonista surgiu diferente em Yokohama: Thiago entrara para fazer o trabalho que Iniesta fez no entrave diante o Real Madrid.

Barça no 3-1-4-2, encurralando o Santos no 3-4-1-2

Porém, mais uma variação da equipe de Pep ficou evidenciada: o 3-1-4-2. E bastaram 16 minutos para os favoritos abrirem o marcador. Pintura de Messi.

Há de se dizer que, ficando no próprio significado do jogo, o Santos foi muito pouco ativo no primeiro tempo. O time de Muricy Ramalho veio de 3-4-1-2, já que os alas ficaram em um ponto mais baixo do campo para enfrentar Daniel Alves – o meia-direita do Barça no jogo – e Thiago Alcântara, que atuava no flanco esquerdo. O que se percebia de distinto, também, era o posicionamento de Neymar que modificava o lado do campo, ora sobre Puyol ora sobre Abidal.

No meio-campo central, os duelos de Arouca e Henrique ficaram mais delicados quando Fàbregas começou a rodar naquele setor do campo, comprovando mais uma diferença de vantagem dos catalães. A bola que naturalmente seria, em maior parte do tempo, do Barcelona, agora, ficaria ainda mais nos pés de jogadores como Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi.

Danilo era uma possibilidade santista pelo flanco direito, para aprofundar sobre Abidal e, daquele lugar, criar para o Santos. O que foi visto foi algo bem pior: ao invés de dar combate à Thiago, Danilo deixava-o avançar sobre o zagueiro do lado direito santista, Bruno Rodrigo. Mais do que nunca, os zagueiros estavam marcados para morrer, já que cada um dos ‘atacantes’ tinha uma possibilidade de atacar.

O resto é bobeira e muita obviedade.

Aos 23, Daniel Alves avançou pela direita e viu Xavi se infiltrando por dentro da área, com um Santos todo abafado e afundado em campo: 2 a 0. Depois, veio o passe magistral de Messi, com o calcanhar, para Daniel Alves cruzar, até a bola sobrar para Fàbregas fazer o seu: 3 a 0. E ainda, aos 36, Messi fez mais um para sacramentar a diferença existente entre o melhor do mundo e o campeão da Libertadores: 4 a 0.

O jogo em si, de um lado, nos deu a visão que o Santos não teve a ousadia para agredir. O Barcelona – como mostra-se no diagrama – encurralou o Santos com sua linha de 4 homens no meio-campo central dos brasileiros.

Mas a diferença de futebol, hoje, fica exposta por duas razões: pelo Barcelona ser o que é, e pelo porquê do Barcelona ser o que é. Talvez seja hora de pensarmos um pouco mais.

Afinal, a diferença de um time para o outro pode ser tão grande quanto de Messi para Neymar. Ao menos por hoje.

Vitória num contexto geral: Barcelona campeão e Messi, melhor do mundial e gênio do momento

Por: Felipe Saturnino

17/12/2011

Derrotando o melhor do mundo

O Barcelona se impõe contra qualquer time do mundo, não importam as adversidades. Pode-se considerar estádio, clima, pressão ou outra coisa que for, o time de Josep Guardiola sempre é o grande ditador de ritmo num jogo de futebol que o envolve.

Inter de Milão 3 - 1 Barcelona: Sneijder regredindo na altura do campo para pegar Xavi, Maicon em forma esplendorosa sobre Keita, Pandev marcando Alves e Motta e Cambiasso no cerco à Messi

Mas é óbvio que, há alguns jogos históricos que também estão aí para serem recordados pela importância que possuem. Me refiro aos jogos que o Barça perdeu e que vivem em nossa memória. Afinal, não é um dia comum quando um Golias é derrubado.

É óbvio, também, que nenhum time é imbatível, mas o catalães já atingiram um nível absurdo de futebol apresentado que chegar neste ponto não pode ser considerado impossível. Se eu lhes falar que, considerando a fase de grupos da Champions League, em 38 jogos, o Barcelona perdeu somente 4 vezes, isso se torna ainda mais possível. (Números baseados na equipe com Guardiola como técnico.)

O que quero tornar real aqui – e perfeitamente possível – é que o Barcelona perdeu alguns jogos que ficarão em nossa memória como aprendizado. Como lidar com um 4-3-3 polivalente que toca a bola com tanta classe e paciência, sempre procurando o melhor ‘timing’ de seus avantes para infiltrações?

Duas derrotas, rapidamente, surgem em minha mente. Ambas para o mesmo técnico adversário, que, recentemente, tornou-se freguês dos blaugranas – o que não diminui seus feitos como treinador.

A derrota com o melhor nível técnico do adversário foi, certamente, aquela para a Internazionale na Champions League da temporada 2009/10. Ocorreu pelas semifinais.

Os gols daquele histórico 3 a 1 foram marcados por Sneijder, Maicon e Diego Milito, num jogo absolutamente perfeito. Ou quase.

Mourinho, não por coincidência e sim por uso comum, começou no 4-2-3-1 para espelhar um Barça desfalcado, sem Iniesta. A tarefa tornara-se mais ‘simples’, já que por natureza, a equipe espanhola perderia um pouco da progressão com a bola que Iniesta forneceria primordialmente.

Mais que simplesmente a tática e a atuação espetacular de seus jogadores, o time de Mou teve garra e vontade de sobra para derrotar os já considerados melhores do mundo na oportunidade.

O placar foi justo, visto que os nerazzuri fizeram de tudo e mais um pouco para derrotar o Barça. Foi a maior derrota do Barça de Guardiola, e foi o melhor jogo de um time que José Mourinho já montou em sua carreira. Simplesmente histórico.

E foi bem mais vistoso do que o 4-1-4-1 que o Real de José, também, apresentou na Copa do Rei em abril deste ano. Não que eu queira desvalorizar uma vitória também tão espetacular, talvez a pior do Barça de Pep. Afinal, perder do rival é sempre pior.

Real Madrid 1 - 0 Barcelona: o 4-1-4-1 de Mourinho que consistia em acompanhamento de Xavi e Ini por volantes particulares, Xabi Alonso na primeira bola de transição, e contragolpes de Di María seguidos de boas combinações pela esquerda, sobre Daniel Alves, que levaram ao tão clamado gol.

O placar de 1 a 0 representou um jogo parelho, muito disputado, ganho no legítimo detalhe. O antagonismo comprovou-se também taticamente: o 4-1-4-1 era um 4-3-3 com desdobramento tático obrigatório devido ao adversário. Di María e Özil abertos, recompondo para ocupar espaços importantes; Xabi Alonso acompanhando Messi, mas, ainda assim, com o Madrid marcando por zona; Cristiano Ronaldo, decidindo.

O lance ocorreu, aliás, num dos pontos mais fortes do Barça: o lado direito de Dani Alves. Di María e Marcelo tabelaram pelo flanco esquerdo para C. Ronaldo abrir o placar, de cabeça. No detalhe, de verdade.
E foi uma boa atuação, apesar de menos vistosa do que a primeira aqui discutida, que impediu o Barça de atacar como queria, e que agredia a equipe com contragolpes e jogadas aéreas. Mas havia imposição dos madridistas. Outro bom plano de Mourinho que, hoje, porém, não consegue inventar mais coisas para abater o ‘touro’ Barcelona.

Prévia

No duelo de amanhã, para mim, o Santos deve vir no 4-3-1-2, ou 4-2-3-1 ‘torto’, como Dunga fez com o Brasil de 2007 à 2010, no seu período regencial. Os espanhóis vão de 4-3-3, 3-4-3 ou até mesmo 4-4-2, com desdobramento em 4-4-1-1, isto é, vão com polivalência tática. A supremacia, porém, não tem relação ao assunto. Os catalães são favoritos em qualquer ocasião de jogo. Mas é óbvio que a análise será muito importante, até pelo fato de o Santos poder modificar seu diagrama amanhã, jogo das 8h30. Na teoria, Muricy optará pelo 4-3-1-2/4-2-3-1.
Como demonstrado, Neymar, craque, é a chave do Santos pelo lado de Alves. Se por ali souber como passar, pode levar vantagem sobre Puyol. Piqué deve constar na sobra.

Palpite: Barcelona 2 x 0 Santos

Por: Felipe Saturnino

16/12/2011

Help!

Neymar é craque e o melhor brasileiro atualmente. Isto é consenso e óbvio. Em falar que o sujeito tem apenas 19 anos.
Seu talento é absurdo, e o usa com maestria. E, aliás, o menino que no futuro pode fazer história, certamente, neste domingo, terá o jogo mais importante de sua história até o momento.

Pois enfrentar um dos 5 melhores esquadrões da história é algo muito complexo. Exige um amontoado de técnica, disposição tática, física e mental. Deseje, ainda, um pouco de sorte na hora de vencer – pois você precisará de muita, mesmo.

O Barça, aliás, venceu o Al Saad sem mais problemas. A nota de destaque se refere à David Villa, que fraturou sua tíbia da perna esquerda. Neste caso, Guardiola pode fazer Muricy pensar ainda mais no esquema blaugrana.

Para quem se lembra, no ‘Clásico’, o Barça variou claramente entre 4-3-3 e o 3-4-3, encaixotando o rival. Assim, Josep pode usar Fàbregas como um atacante, ao lado de Messi e o chileno Sánchez. Há ainda a opção de Pedrito Rodríguez. O meio-campo será formado por Xavi, Iniesta e Sergio Busquets.

Porém, se o Santos preocupa-se com o Barcelona por completo, Puyol concedeu uma coletiva muito curiosa nesta quinta, falando um pouco de Neymar. Em resumo, o zagueiro pediu por uma ‘ajuda’ no que diz respeito à marcação do 11 do alvinegro praiano.

Pois, se o Santos tem que aturar um esquadrão histórico e, também, deve arrumar um mecanismo para marcar Lionel Messi por zona, os barcelonistas devem se preocupar com Neymar. Teoricamente, o primeiro a dar combate deve ser Puyol, visto que Dani Alves é liberado para dar suporte à criação no lado direito catalão.

O santista é craque e pode – e deve – decidir. Por isso, Carles tem razão. Muita razão.

Os Beatles na capa de 'Help'...

...e Puyol pedindo por 'ajuda'.

Por: Felipe Saturnino

13/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 2

O legado do nosso campeonato, da vista tática, vai se basear em algum tempo no uso do 4-2-3-1. Grandes mudanças no panorama do uso frequente deste esquema parecem estar um pouco distantes.

É dever ressaltar, portanto, que mesmo sendo um crítico do esquema, sua eficácia não deve ser questionada. E não importa se ela se deu de forma mais acentuada na seleção espanhola ou alemã; o 4-2-3-1 veio para ficar. Apenas critico o pragmatismo que algum jogos nos deram, ou melhor, alguns times nos deram

O campeão Corinthians, exemplificando de forma mais clara, obteve um aproveitamento absolutamente absurdo nas primeiras 10 rodadas: 28 pontos somados, 16 gols marcados e apenas 4 sofridos – sendo que em 5 jogos, a equipe não tomou gol algum. Ataque efetivo, defesa segura. E tudo isso após um começo de ano um tanto duvidoso: eliminação pífia para o Tolima na Copa Libertadores e fracasso na final do Paulistão, em um segundo jogo que o Santos comandou do início ao fim.
Mas a equipe tinha uma linhagem comum ao 4-2-3-1, já que o 4-3-1-2 não funcionou com Adilson Batista, e os quase extintos esquemas com dois meias em um 4-2-2-2 são “utópicos” em alguns momentos. A equipe de Tite foi muito funcional no início da edição 2011 do torneio, por um motivo muito claro: compreensão e adaptação de jogadores ao esquema.
Na linha dos três meias ofensivos, Danilo, Willian e Jorge Henrique estavam voando. O segundo, especificamente, era o homem mais ativo nesse meio. Willian partia pra cima dos adversários, e com sua agilidade e versatilidade, fez jogos muito bons. Jorge Henrique era mais discreto, aparecia menos nos jogos, mas era funcional. Danilo era uma incógnita, mas aparecia para jogar. Mais ainda, o que deve se dizer também é sobre a importância de Paulinho, na função de um volante que aparece num ponto mais alto do campo para dar suporte ao ataque, o que faz com que a equipe alvinegra tenha vantagem nos confrontos do jogo. Outro trabalho a ser aplaudido no campeonato é o de Ralf – ótimo volante que combate, cobre e dá suporte à marcação de jogadores periféricos no campo.

Os problemas se iniciaram com a derrota diante o Cruzeiro. Joel Santana, na oportunidade, fez com que os laterais alvinegros fossem barrados e parou também Paulinho. Assim, a vantagem corintiana em um ponto mais alto do campo não existiria.

Mas, se com o passar do tempo, o esquema parecia mais e mais pragmático, ao ponto de o campeão brasileiro ter feito apenas dois ótimos jogos no segundo turno inteiro, o que salvaria o time? A individualidade. Foi ela que fez com que Alex trouxesse mais dinamismo ao time no jogo contra o Figueirense, em SC. Foi ela que fez com que Luiz Ramires marcasse o tento salvador diante o Ceará. E também tem aquele jogo do Adriano, que todos sabemos como acabou.

Não quero dizer que o Corinthians teve os valores mais talentosos de um torneio em seu elenco. Pois não teve. Mas as anormalidades no pós dos 10 primeiros jogos foram contidas por uma perseverança de jogadores chave – como foram citados. Apesar de ter um conjunto regular, o Corinthians teve momentos finais baseados em jogadores. Mas nada que fosse fora do comum, pois não era.

O destaque do time, analisando friamente, não foi seu técnico, apesar de ter sido muito importante no time, de fato. A constância de Paulinho me convenceu para destacá-lo aqui, mesmo com alguns pontos negativos sobre o jogador. No jogo diante o Botafogo, por exemplo, o corintiano teve marcação pessoal de Renato, e pouco fez para mudar o panorama do jogo na ocasião. Para demonstrar o que acarretou ele não ter modificado seu posicionamento, basta afirmar que o time paulista perdeu por 2 a 0 em casa.

Num campeonato tão nivelado, muito pela qualidade técnica dos times mas também por uma opção tática comum destes – o 4-2-3-1 -, a individualidade ocorreu em certos momentos, como é normal ocorrer. Mas o mais fundamental é afirmar que o campeonato não teve o grande craque, ou a grande diferença em campo. O Corinthians foi campeão por sua perseverança em permanecer com sua formatação, mas não pelos seus valores. Nem um pouco. Tanto que deve-se afirmar que Neymar foi o grande do Brasileirão, e seu Santos ficou bem distante do título. Dedé está entre os top, mas não é o top. Fred foi preguiçoso em alguns momentos, apesar de ter desequilibrado contra o Figueira, por exemplo. E Ronaldinho não pôde manter seu nível como contra o Santos, no primeiro turno.

Não seja por isso, os corintianos venceram. Mas um grande destaque aqui ao vice Vasco. Tema de um próximo post para as lições do campeonato.

Por: Felipe Saturnino

13/12/2011

Reação

O jogo Real Madrid x Barcelona ainda possui mais questões do que apenas aquelas discutidas aqui, há dois dias atrás.

O que me ocorreu hoje foi que, se tivesse percebido com um pouco mais de sagacidade e malícia, Mourinho poderia ter interferido mais no resultado do que como aconteceu.

O mais impactante pra mim, porém, é que o português é um homem com resposta para (quase) tudo na questão tática do jogo. Por isso, aliás, está no lugar que está. Ainda assim, ficou sem resposta no entrave diante o Barça.

A questão tática fica muito centrada no mover das peças do lado esquerdo da defesa de Mou. Daniel Alves não avançou com o intuito de combater Marcelo – e assim bloquear uma saída do Real -, mas sim somente para agredir aquele lado. Com isso, a vantagem começou. As movimentações de Messi tornaram-se mais previsíveis, ao ponto que este se tornava mais estático no lado direito do ataque catalão, minando o número 12 brasileiro dos merengues. Assim, o 3-4-3 do Barcelona começava a reinar no Bernabeu. E reinou – como sabemos.
Neste caso, Mourinho tinha a opção de puxar Coentrão para a lateral-esquerda, trazer Lass para a direita e fazer com que Marcelo trabalhasse num ponto mais médio do campo. Não importa se Messi não teria tanta companhia assim, mas sim permanece o porquê de uma impossível mexida do técnico madridista.

E a questão apenas fez-me refletir hoje.

Pois, acima de tudo, José sabia que tinha de fazer um outro algo, uma coisa diferente. Impotência e timidez para modificar um time não condizem com sua condição de um técnico tão bem avaliado. Foi algo contrastante com sua personalidade. Mas também foi algo impensável para ele. Afinal, é Mourinho.

Mou - sem reação

Por: Felipe Saturnino

11/12/2011

Aulinha

Sabe quando teu irmão mais velho te dá aquele legítimo show no playstation? Ou quando você engole aquela ‘lambreta’ na sinuca, perdendo pro seu padrinho? Ou até mesmo quando você toma aquele baile daquele cara da sua sala que você tenta marcar mas não consegue de jeito nenhum? Pois é, isto chama-se aulinha.

A aulinha, isto mesmo. Aquela coisa que você aprende da pior forma. Até mesmo quando está mais preparado. A aulinha é uma humilhação, é como um deboche. Te marca.

O melhor time do mundo – certamente o melhor da década -, o Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta, foi à Madrid, como todos sabemos. O clássico é o de maior repercussão mundial no momento, dado que a rivalidade transcende o futebol propriamente dito. Passa por questões ideológicas. Mas, permanecendo no futebol, apenas nisto, temos os dois melhores do mundo centrados nas duas equipes da Espanha: Leo Messi e Cristiano.

A surpresa de Guardiola poderia ser o 3-4-3, que foi utilizado nas duas partidas contra o Milan pela Champions League. Na primeira, a equipe sofreu com as roubadas de bola executadas pelo time italiano, dado o fato que o Barcelona começou o jogo praticamente perdendo. Além do mais, a equipe milanesa tinha um ‘1’ no meio-campo que auxiliava a sobra dos meias e também a marcação do 10 blaugrana, Messi. O jogo terminou empatado em 2 a 2.

Naquele jogo, porém, o time foi mais 3-4-3 do que 4-3-3. E, observando de forma mais crítica e mais cuidadosa, constata-se que foi mais uma formação com disposição de 3 homens do que 4. No entrave do Bernabeu de hoje, Guardiola mostrou todas as suas armas.

As formações no momento do empate; já é possível ver Dani Alves evoluindo na direita

Princípio

Após muita especulação, Mourinho optou por um 4-2-3-1 ortodoxo, o mesmo que há tempos vinha executando no Real Madrid – porém sem a mesma regularidade nos jogos contra o Barça. Mesut Özil iniciou o embate centralizado, tentando incomodar Busquets, fazendo-o marcar e ser marcado. Enquanto isso, Xavi e Fábregas atuavam no Barça ‘colados’ em Lass Diarra e Xabi Alonso. Ou melhor, Lass e Xabi colados nos blaugranas. Porém, uma outra questão era a marcação de Messi. Mais que tudo, a princípio, o Real Madrid não optava por algo tão ‘privado’ ao argentino. Isto é, a marcação era por zona. Lionel não estava tão funcional no início do jogo, dado que, apesar de flutuar pelo campo, o Madrid conseguia interceptar as ações do Barcelona, a ponto de fazê-los pressionados e sem espaços para evoluírem à Messi. Por esta pressão nasceu o gol primordial do embate: Valdés tocou mal, a bola foi para Di María que tentou inverter para Benzema, algo que não conseguiu; a bola sobrou para Özil, que chutou e, por fim do enredo do lance, o chute final foi de Benzema, após bola espirrada do chute do alemão.
Na mesma medida em que a pressão diminuía, paulatinamente, o Barça tomando conta do jogo ia. Mesmo assim, o Madrid podia usar o contragolpe: Cristiano Ronaldo teve uma chance perigosa para gol, mas chutou longe, num lance em que Benzema antecipou Piqué.

Mudança no Barça

Apesar de uma dúvida expressada, Guardiola sabia que a surpresa poderia confundir o Real. Ainda mais se fosse acompanhada por uma série de modificações táticas complexas.
Messi flutuava no comando do ataque em minutos iniciais, porém, quando a pressão madridista começou a cessar, o argentino estabeleceu-se na primeira etapa num lugar conhecido: o centro do ataque. Daquele lugar, Messi viveu seus melhores momentos na carreira. Com Fábregas e Iniesta, respectivamente como meia e ponta-esquerda, escalados, e ainda Sánchez, isso daria ao argentino ainda mais possibilidades de trocas do que o usual, dadas as tamanhas funcionalidades dos jogadores. Iniesta, como ponta-esquerda, jogava sobre Coentrão; Cesc, com Lass, e Xavi com Alonso.

Barça no 3-4-3, encaixotando o rival


Porém, eram perceptíveis em alguns momentos as mudanças que Fábregas proporcionavam ao Barça; o ex-Arsenal poderia sair do meio-campo e se infiltrar, algo que Xavi e Iniesta fazem de forma menos frequente. Mais importante que isso, porém, foi o avanço de Daniel Alves na lateral-direita para a ala-direita. O 3-4-3 traçava-se.
Aos 26, Messi, ainda não centroavante ‘mentiroso’, pega a bola. E, desfilando sua magistral classe por gramas madridistas, passa por um, dois, três. Paremos: Sánchez infiltra-se, vira o centroavante, porém, desta vista, Sánchez originalmente é um jogador periférico, e não central. O truque catalão começa. Mourinho e o Madrid começam a ser mortos.
O Barcelona inicia o seu domínio, a sua superioridade, mais do que pela técnica, mas também pela tática. Visto que Daniel Alves avançou, o Barça obtinha vantagem numa linha de meio-campo; assim, o Madrid ficava mais suscetível ao time catalão que, novamente, era favorito ao ‘Clásico’. Aliás, é possível perceber o incômodo de Daniel Alves sobre Marcelo, já que o canhoto não se portava bem em campo. Com tamanha pressão sobre suas costas, o show barcelonista se iniciava.

Virada e zona ‘Messi’

O segundo tempo começou com gol de Xavi aos 7. O Barcelona simplesmente não deixou o Madrid jogar nestes iniciais minutos. A vantagem do Barcelona taticamente era muito considerável, e tecnicamente os catalães são inalcançáveis. Por isto, no confronto, o quesito tático é tão preciso assim.
Agora, Lassana Diarra ficava mais preso à Messi, já que este, agora, posicionava-se mais à direita no Bernabeu: o 3-4-3 existia, mas com as crescentes infiltrações de Fàbregas e também com o trabalho de Iniesta que triturava Coentrão em uma atuação pobre do português – apesar do show do Barcelona; sem falar de Dani Alves, que jogava sobre Marcelo e que deu o passe pro fim da ‘AULA’ do Barça, com gol do ótimo Francesc Fábregas. Neste momento, Mourinho já fazia com que Khedira, no lugar de Lass, agredisse um pouco mais à frente o Barça, tentando auxiliar Coentrão no trabalho com Iniesta também; Xabi Alonso, no lado esquerdo do meio-campo central, ocuparia partes da zona ‘Messi’. Neste ponto, a fatura estava liquidada. Quer dizer, tivera Ronaldo feito aquele tento de cabeça – aos 19 – que a história seria distinta; não foi.

O jogo, então, nos dá mais algumas constatações:

Messi atuou em diferentes posições, em diferentes pontos do campo. Hoje, uma marcação ‘privada’ sobre o argentino é desnecessária, ou melhor, é maluquice.

Guardiola mostrou o que sabe sobre táticas: fez seu Barça modificar o 4-3-3 até o 3-4-3 que consolidou a vitória sobre o Madrid, por 3 a 1.

Daniel Alves é o melhor lateral-direito do mundo: versátil seu trabalho como ala, ofensivamente destruidor hoje.

E, ainda: o Real é fantástico, mas o Barça é de outro universo.

Barça - lecionando e mostrando que é de outro lugar

Por: Felipe Saturnino