Lições de um campeonato – Parte 2

O legado do nosso campeonato, da vista tática, vai se basear em algum tempo no uso do 4-2-3-1. Grandes mudanças no panorama do uso frequente deste esquema parecem estar um pouco distantes.

É dever ressaltar, portanto, que mesmo sendo um crítico do esquema, sua eficácia não deve ser questionada. E não importa se ela se deu de forma mais acentuada na seleção espanhola ou alemã; o 4-2-3-1 veio para ficar. Apenas critico o pragmatismo que algum jogos nos deram, ou melhor, alguns times nos deram

O campeão Corinthians, exemplificando de forma mais clara, obteve um aproveitamento absolutamente absurdo nas primeiras 10 rodadas: 28 pontos somados, 16 gols marcados e apenas 4 sofridos – sendo que em 5 jogos, a equipe não tomou gol algum. Ataque efetivo, defesa segura. E tudo isso após um começo de ano um tanto duvidoso: eliminação pífia para o Tolima na Copa Libertadores e fracasso na final do Paulistão, em um segundo jogo que o Santos comandou do início ao fim.
Mas a equipe tinha uma linhagem comum ao 4-2-3-1, já que o 4-3-1-2 não funcionou com Adilson Batista, e os quase extintos esquemas com dois meias em um 4-2-2-2 são “utópicos” em alguns momentos. A equipe de Tite foi muito funcional no início da edição 2011 do torneio, por um motivo muito claro: compreensão e adaptação de jogadores ao esquema.
Na linha dos três meias ofensivos, Danilo, Willian e Jorge Henrique estavam voando. O segundo, especificamente, era o homem mais ativo nesse meio. Willian partia pra cima dos adversários, e com sua agilidade e versatilidade, fez jogos muito bons. Jorge Henrique era mais discreto, aparecia menos nos jogos, mas era funcional. Danilo era uma incógnita, mas aparecia para jogar. Mais ainda, o que deve se dizer também é sobre a importância de Paulinho, na função de um volante que aparece num ponto mais alto do campo para dar suporte ao ataque, o que faz com que a equipe alvinegra tenha vantagem nos confrontos do jogo. Outro trabalho a ser aplaudido no campeonato é o de Ralf – ótimo volante que combate, cobre e dá suporte à marcação de jogadores periféricos no campo.

Os problemas se iniciaram com a derrota diante o Cruzeiro. Joel Santana, na oportunidade, fez com que os laterais alvinegros fossem barrados e parou também Paulinho. Assim, a vantagem corintiana em um ponto mais alto do campo não existiria.

Mas, se com o passar do tempo, o esquema parecia mais e mais pragmático, ao ponto de o campeão brasileiro ter feito apenas dois ótimos jogos no segundo turno inteiro, o que salvaria o time? A individualidade. Foi ela que fez com que Alex trouxesse mais dinamismo ao time no jogo contra o Figueirense, em SC. Foi ela que fez com que Luiz Ramires marcasse o tento salvador diante o Ceará. E também tem aquele jogo do Adriano, que todos sabemos como acabou.

Não quero dizer que o Corinthians teve os valores mais talentosos de um torneio em seu elenco. Pois não teve. Mas as anormalidades no pós dos 10 primeiros jogos foram contidas por uma perseverança de jogadores chave – como foram citados. Apesar de ter um conjunto regular, o Corinthians teve momentos finais baseados em jogadores. Mas nada que fosse fora do comum, pois não era.

O destaque do time, analisando friamente, não foi seu técnico, apesar de ter sido muito importante no time, de fato. A constância de Paulinho me convenceu para destacá-lo aqui, mesmo com alguns pontos negativos sobre o jogador. No jogo diante o Botafogo, por exemplo, o corintiano teve marcação pessoal de Renato, e pouco fez para mudar o panorama do jogo na ocasião. Para demonstrar o que acarretou ele não ter modificado seu posicionamento, basta afirmar que o time paulista perdeu por 2 a 0 em casa.

Num campeonato tão nivelado, muito pela qualidade técnica dos times mas também por uma opção tática comum destes – o 4-2-3-1 -, a individualidade ocorreu em certos momentos, como é normal ocorrer. Mas o mais fundamental é afirmar que o campeonato não teve o grande craque, ou a grande diferença em campo. O Corinthians foi campeão por sua perseverança em permanecer com sua formatação, mas não pelos seus valores. Nem um pouco. Tanto que deve-se afirmar que Neymar foi o grande do Brasileirão, e seu Santos ficou bem distante do título. Dedé está entre os top, mas não é o top. Fred foi preguiçoso em alguns momentos, apesar de ter desequilibrado contra o Figueira, por exemplo. E Ronaldinho não pôde manter seu nível como contra o Santos, no primeiro turno.

Não seja por isso, os corintianos venceram. Mas um grande destaque aqui ao vice Vasco. Tema de um próximo post para as lições do campeonato.

Por: Felipe Saturnino

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