Archive for janeiro, 2012

31/01/2012

(Sem título)

O blog O Pitaco Boleirístico é voltado ao futebol, especificamente. Isto é notório. Contudo, não há como não comentar um pouco sequer do estarrecedor confronto entre Novak Djokovic e Rafael Nadal pelo Australian Open, um dos quatro Grand Slams do ano, no jogo que redefiniu o quase indefinível. Por um estágio primário, basta dizer que o jogo durou 353 minutos – 5h53min de confronto na Rod Laver Arena, em Melbourne Park.

Tênis é um esporte que sempre me encantou, talvez pela sua solidão constante e individualidade também; claro que há aquela figura que te chama, que te atrai. Isso vale para todo esporte. No tênis, porém, a história nos leva à traçados mais distintos.

O momento do esporte da bolinha que tem de passar para o outro lado da rede é fantástico por vários motivos: a atividade do talvez maior da história do jogo – Roger Federer -, que apesar dos 30 anos, ainda está em capacidade de reação física notável; o maior algoz deste maior da história – Rafael Nadal, um dos protagonistas desta final – e Novak Djokovic. O brincalhão. O fora do comum neste quesito. Para não ficar fora da nota, Federer-Nadal compõem a maior rivalidade da década, o que somente elevou o nível de popularidade do tênis mundialmente, desde 2003 para cá – ano referencial pelo primeiro Grand Slam ganho por Federer, que possui 16 desses títulos.

Djokovic tem, ou melhor, tinha, fama de imitão. Aliás, suas personificações são simplesmente indescritíveis. Boas mesmo. Mas no último ano ele adquiriu uma outra diferenciação: a do melhor do mundo. A do vencedor de Wimbledon. A do vencedor do Aberto de Nova Iorque. A do número 1 do mundo. Feitos incríveis, claro, e sonhados por todos os tenistas do tour da ATP. E que tour.

A final de anteontem – já que escrevo o texto na madrugada de terça-feira – representava o primeiro grande confronto de 2012, mas o 30º entre Novak e Rafael. Mas quem dera que na quarta final de Slams jogada entre os dois, tivéssemos um jogo com mais de 5 horas, quase 6, com tamanha paridade, os deuses recompensassem-nos com um começo de futebol entediante no Brasil com um dos melhores eventos esportivos que já existiram? O que eu mais apreciei, direi.

Nos cinco sets, Djoko e o ‘Miúra’ – o touro espanhol dono de 48 títulos na carreira – vibraram, fizeram bolas vencedoras, cometeram erros, não-forçados e forçados, sofreram, com a tensão natural e a frustração ao final de cada ponto perdido, e, o mais importante, nos deram prazer. Prazer pelo que se fez por um ponto fora da curva. Tudo por vencer, sem desistir, sem catimbar – bem, pode até ter tido um pouquinho de catimba, vai.

O misto de técnica, agilidade, sagacidade, força, elasticidade, velocidade, concentração, resistência, raça e vontade que sérvio e espanhol apresentaram por mais de 5 horas de jogo comprovou que qualquer resultado seria injusto: vitória de um ou de outro. A ambiguidade, do merecimento e da injustiça, coroou Novak Djokovic como o melhor por ser o melhor. O jogo também pode ser dado como o melhor. Por que não?

Apenas não achei título competente para representar o que de fato valeu no fim de semana. Análise técnica e tática para quê? Quando você joga por praticamente 6 horas, perde-se a noção do lógico e tende-se a apelar para outras forças, forças que aparecem nos momentos extremos. Em outra dimensão de jogo, Djokovic e Nadal me deram arrepios na manhã de domingo. Crueldade por não fatiarem o troféu e darem uma parte a ele. Deve ser frustrante perder para um dos maiores rivais pela sétima vez seguida, na final mais longa da história dos Majors.

E eu, que ainda queria que o jogo durasse mais. Aliás, quem não queria?

Djoko e Nadal - sentados e exaustos após fazerem história


Por: Felipe Saturnino

Anúncios
28/01/2012

A tônica palmeirense: até busto vira ‘crise’

O Palmeiras virou um ninho de turbulências no último ano, mais do que já foi um dia: os confrontos entre Frizzo e Felipão, Tirone no meio do falatório, e, ainda, a relação conturbada entre o elenco e o comandante alviverde. Foram 365 dias lastimáveis em céus alviverdes.

O ambiente era tão ruim que se tornava possível fazer crise com tudo. Tudo mesmo. Até com derrota de playstation. Uma questão política, com homens chave não se dando entre si. Notoriamente, claro. Ambiente extravasando para ares mais frescos. Qualquer coisa tornava-se uma grande qualquer coisa. Qualquer suspiro tornava-se insulto.

Não esqueçamos das questões envolvendo Kléber – que sim, forçou a barra para deixar o Palmeiras no meio da temporada passada -, um que bancou a briga com Scolari, criando mais ocasiões de tônicas sofríveis aos alviverdes. Óbvio que a questão ficou mais flagrante quando se notou o que foi dito entre os envolvidos, então a situação era mais abrangente do que apenas um atacante tentando sair de um clube. O técnico tinha perdido o grupo há um tempo.

E este Palmeiras de Scolari nunca conseguiria ser brilhante ou se classificar para uma Libertadores, o que era reforçado pela crise e que reforçava a crise. Como num círculo vicioso, simplesmente terminaria como iniciou. Verdade.

A tônica alviverde parece continuar, e vai, talvez não com a mesma ‘violência’ do ano que passou. Frizzo, que apoiou Tirone em sua eleição, foi ameaçado de ter seu cargo tirado. Não consistentemente, mas é uma notícia com pendências a confirmar.

E parece continuar não só por isso, mas por algo ainda mais estarrecedor: o busto de um jogador. Não o busto de um simples jogador, um simples busto do jogador – Marcos, no caso.

Alarmante como ‘apenas’ isto pode mostrar uma ‘crise’ num time. Nunca foi caso de ocorrer. No Palmeiras, pra tudo que há, tudo crise pode ser. Ou tornar-se uma.

As distintas características do ridículo busto de um excepcional goleiro, que virou lenda, podem relacionar-se às diferentes ‘excentricidades’ dos homens mais fortes de um clube, que não se compreendem entre si, e apesar de entenderem a essência da vida do goleiro, não foram capazes de sintetizar isso numa imagem que é, certamente, fielmente retratada em retratos mais triviais, de formas mais convenientes. Todos sabemos que não é somente sobre um busto pateticamente designado, contudo, é mais abrangente; é sobre o quão diferentemente partes se conciliam e quão diferentemente elas vêem as coisas.

O busto muito mal feito é a tônica palmeirense mais do que bem simbolizada: o desentendimento sobre um algo, qualquer que seja. Pena que as diferenças devidas aqui são em relação a Marcos, o maior ídolo da história do ainda grande clube da capital paulista.

Busto do Marcos - nada a ver

Por: Felipe Saturnino

23/01/2012

Posturas

O jogo de hoje era aquele do ‘nhem-nhem-nhem‘: o São Paulo tendia, no mínimo, a uns 90% de chance de vitória. Na certa, a equipe deveria levar pra casa os três pontos – tamanha a disparidade técnica entre os times.

A minha atenção se voltou a outros fatos do jogo, mais chamativos e mais interessantes do que a própria vitória do tricolor paulista.

Leão editou um 4-3-2-1 que não havia funcionado com Adilson no 2º semestre do ano passado. Para começar, a equipe pode variar ao 4-3-1-2, com Jadson se postando como o vértice-avançado do losango de meio-de-campo. Nada de disposição com três beques – por ora, pelo menos.

O comandante do São Paulo também elogiou a vontade dos jogadores, que aparentavam desmotivação no que se refere ao fim da última temporada. A maior questão em relação ao time, agora, é sobre Nilmar, o segundo-atacante que poderia fazer a dupla com Luís Fabiano tranquilamente, compondo, no caso, o 4-2-3-1, a moda do momento.

A postura que Leão frisou é a chave para um ano melhor da equipe, pelo menos num comparativo a 2011. Com mais disposição, mais ação, mais empenho. A qualidade pode se expandir e a confiança pode surgir. O mesmo vale para o jovem Lucas.

Ás jogadas de hoje com mais do que se deveria ter deve-se a falta de confiança em que Lucas se afundou no últimos meses do ano passado. O meia tem recursos técnicos suficientes para ser um dos 5 melhores do país com mais holofotes do que se pode ter hoje – num país em que reina Neymar. A postura do garoto é de se ressaltar, na mesma medida em que se torna perigoso o risco de driblar e de se frustrar com um erro infantil. Lucas, porém, tem de aceitar o risco para recuperar a confiança que uma vez já teve. O time são-paulino se baseará muito na sua velocidade pela ponta-direita.

São posturas que modificam times com mais ‘violência’ do que se deveria. É dever do São Paulo mudar sua vontade assim como era dever estrear bem como fez hoje, nos 4 a 0 diante o Botafogo de Ribeirão Preto.

São Paulo e Lucas - recuperando a disposição e a confiança

Por: Felipe Saturnino

21/01/2012

Os aspectos da vitória do M’Gladbach contra o Bayern de Munique

O Borussia Monchengladbach se credenciou a um posto maior em âmbito nacional nesta sexta-feira, após uma vitória excepcional sobre os rivais bávaros e sabidamente superiores do Bayern de Munique, os líderes da Bundesliga no momento.

Mas a vitória dos alvinegros faz-nos pensar sobre um uso mais pragmático do 4-4-2, ainda que esteja altamente fora do contexto estilístico do momento dos traços táticos em que vivemos por ora. Mais significativo ainda é representar a vitória como um jogo de 4-4-2 x 4-2-3-1.

Os aspectos que levaram os mandantes à tão sonhada vitória são diversos, e chegam a ser externos aos de fatores táticos comuns numa partida.

1. Com a volta de Bastian Schweinsteiger no posto de segundo volante da equipe de Munique, o Bayern também voltou a ter um trunfo na manga: suas eficientes chegadas ao ataque. Assim, no miolo de meio-campo do adversário, o Bayern poderia ter uma vantagem constante no ponto do campo, o que o faria ter mais a bola e, por consequência, ser mais agressivo. O contraponto da história é relatar uma volta apagada do número 31 do time tetracampeão da Europa, que prejudicou em imensidão o poderio de ataque bávaro.

2. O deslocamento de Tony Kroos para a ponta-esquerda do 4-2-3-1 de Jupp Heynckes não poderia ter sido mais decepcionante para o enredo do jogo em relação ao Bayern de Munique. É notável a característica de cadencia do alemão, e seus passes são extremamente eficientes, mas o flanco canhoto chegou a ser pouco operante. Kroos é, notoriamente, um ótimo volante que tem desempenhado uma boa função na meia-central do time bávaro.

3. Sem as vantagens criadas por Schweinsteiger num miolo de meio-de-campo, o Bayern começou a esbarrar numa defesa muito bem construída por Favre. A solidez da equipe é notável nesse setor do campo, anotando um número de 12 gols sofridos, configurando-a como a segunda que menos sofre gols no campeonato. Outro número fundamental para entender o quão bem desempenhado o papel dos defensores é feito no M’Gladbach há de ser o número de impedimentos que a equipe faz com seus adversários: são 102 impedimentos em 18 jogos na Bundesliga, uma média de 5,6 impedimentos por jogo. Hoje, foram 7 do Bayern, ultrapassando a marca.

4. O trabalho de contragolpe dos mandantes era claro por um motivo óbvio: o Bayern tem mais qualidade nos fundamentos de passe do que o adversário. Apurado isso, o que fica mais evidente é a versatilidade para tal feito: Arango e Hermann pelos flancos, Reus na primeira bola de entrada para o ataque e Hanke mais avançado, porém, aparecendo para receber passes periféricos. A estratégia era agredir o Bayern dos flancos para o meio, e não do centro do meio-de-campo para o meio do ataque – sabendo das pouquíssimas qualidades dos volantes do Borussia Monchengladbach.

5. A possibilidade de retração das linhas após o primeiro gol foi de se reparar, mas o Bayern nunca soube o que fazer em campo. Defendendo-se e retraindo-se, o Borussia comandou o jogo sempre na sua bola de contra-ataque, usada com muita confiança por seus jogadores. Os dois últimos gols do time foram de jogadas bem tramadas, ambos do bom médio Hermann. Quanto mais o jogo progredia, mais os mandantes mandavam no jogo e faziam o Bayern barrar num muro sem brechas, uma defesa muito bem postada. O que chama a atenção no Borussia é a capacidade de retração e contragolpe que, contra times tão apurados contra o Bayern, funciona da ponta para dentro, sem atuações convincentes dos volantes Nordveit e Neustädter.

Por: Felipe Saturnino

17/01/2012

Camarões

Frutos do mar nunca me agradaram em demasia. Não sou fã de muitos tipos de peixe, com exceção de um salmão bem feito. Ostras, nem pensar.

Camarões, porém, já me agradaram. Parecem sempre bons, aparentemente. Pelo menos os que comi.

Camarões parecem também ser a comida de Luiz Felipe Scolari. Com grande inspiração, ainda antes do fim do Brasileirão passado, o gaúcho fez o que fez com sua declaração direcionada à contratações do clube alviverde. Disse que não aceitaria mais ‘feijão com arroz’, comparando obviamente a comida à qualidade medíocre dos jogadores palmeirenses.

Felipão tem razão.

O elenco palmeirense é muito médio para o tamanho do clube que o representa. Sendo abrangente, entre os figurões paulistas, o time do Palestra Itália é o que, certamente, vai sofrer mais novamente. Até o dado momento, o lateral-esquerdo Juninho, ex-Figueirense, foi o único bom nome para a equipe. Daniel Carvalho é bom jogador, mas não concede muita confiança a quem o vê jogar com frequência – pelo menos não tem sido assim. A menos conhecida das compras foi a de Adalberto Román, beque do River que foi rebaixado ano passado com o time.

O Palmeiras também necessita de nomes distintos para as meias e o ataque. Fernandão pode não satisfazer na posição, a menos que esteja tão estrelado quanto naquele jogo contra o Corinthians, em Presidente Prudente, pela 19ª rodada do Brasileirão no ano passado.

Fica certo, por ora, que o setor defensivo se fortalece com Juninho, e Felipão pode manter o 4-2-3-1 característico de 2011, com força pela esquerda com o lateral ex-Figueirense e o meia Luan, que apesar de não ser nada requentado, foi a ‘arma’ mais perigosa do Palmeiras nos jogos da última temporada. Um meia de centro do campo também é preciso no momento, para a imediata opção por Valdívia em caso de mais uma daquelas lesões patéticas por chutes no ar. Se o chileno adquirir confiança e criar a vergonha de que precisa para jogar bem, o time pode ser mais consistente e pode também ir mais longe na temporada.

Evidentemente, parece, porém, que os ajustes precisam ser feitos rapidamente para o início do ano. Claro que a equipe vai ganhar seus jogos e se classificará para a segunda fase do Paulistão, mas bater times mais fortes como Corinthians, São Paulo e Santos será algo diversas vezes mais complicado.

A não ser que a equipe verde e branca contrate seus camarões até o fim da janela. O pior ainda é ver Tirone falando que ‘os 25 camarões estão lá (no elenco)’.

E pior ainda é ver que tem muita crise para rolar nos ares de lá.

Como fica o Palmeiras, afinal?

Por: Felipe Saturnino

10/01/2012

Limite

Comparar épocas é um trabalho difícil. Árduo. Quase impossível de ser feito com eficiência e coerência. Além de tudo, você tem que ser muito cuidadoso para não cair no perigo de cometer um homicídio à devida época do esporte em questão.

É um trabalho difícil porque é carente de qualquer parâmetro para um estabelecimento de uma equação, que seja fria e que julgue sem pensar em nada. Por isso, o fator de equivalência deve ser ligado a uma época comum, com o menor número de distinções que existirem.

O fato de Lionel Messi ter ganho a sua terceira Bola de Ouro, e, ainda, a terceira consecutiva – o que torna o feito ainda mais exuberante -, pode-nos fazer traçar parâmetros entre lendas do futebol, ou, no mínimo, nos faz pensar nisso com mais seriedade a cada dia que passa. O problema é cometer uma ‘violação’ nas regras sagradas de colocação de um jogador na frente de outro na história do jogo.

Já foi falado há um tempo que, na sua idade, Messi é o maior ‘papão’ de títulos em comparação a outros lendários futebolistas. O número frio é comparável, mas ainda assim não é exato.

E não é por causa da Copa do Mundo, que Messi ainda não ganhou. Que vá ao lixo esta questão – assim como seleções que nunca venceram uma, como a Holanda-74 e o Brasil-82, e ainda assim são lembradas como vencedoras de tal. Todos os outros feitos do blaugrana são transcendentes.

Se um mínimo traço de comparação, de equivalência, não pode ocorrer por um cuidado mor com as maiores figuras do futebol, podemos pensar até onde Messi pode chegar com o nível de quase perfeição de seu futebol. Podemos pensar no seu limite.

Aparentemente, o argentino não tem um.

Pensar em ser o maior jogador do Barcelona, o seu maior artilheiro, o maior artilheiro da Champions League em sua história e em competições europeias também, e, possivelmente, vencer mais duas ou três vezes o Ballon D’or da FIFA não está muito longe. É algo real.

Como o gênio do momento no esporte disse, o objetivo de evolução na carreira, no momento, é ganhar coisas com a Argentina.

E pouco importa se ele não fazê-lo, não acham?

Afinal, podemos nos deliciar com o ilimitado arsenal de habilidade, técnica, agilidade e sutileza do argentino que parece também não ter limite para arrecadar prêmios e mais prêmios. A discussão para seu lugar na história se torna mais conveniente se for feita ao final de sua carreira. Por ora, vamos apreciá-la.

Messi - sem limites

Por: Felipe Saturnino

09/01/2012

Voltando

“Thierry Henry is back!!!!!!!!!!”

O comentário é de Robin Van Persie, avante do Arsenal que hoje não atuou no jogo contra o Leeds United pela FA Cup. Mais especificamente, é de seu twitter oficial.

A sacada da volta de Henry é sutil: relembrar os tempos de glória do Arsenal, que não ganha um título há pouco mais de 7 anos. Óbvio que, também, há o motivo romântico da história: o grande ídolo volta para o clube que te consagrou e que te fez viver os melhores momentos de sua brilhante carreira no meio futebolístico.

Aliás, Henry, voltando ao Arsenal, faz bem ao futebol. É bom ter o ‘cara’ ou ‘ex-cara’ do seu time, e faz bem ao time londrino, naturalmente. A equipe vem se recuperando na Premier League e enfrentará o Milan na Champions, pelas oitavas. Ainda assim, não é uma esquadra confiável por motivos claros: apesar de Van Persie ser o ‘cara atual’ do elenco do time de Wenger, os formadores do 11 inicial, os restantes, são jogadores jovens, promessas, que não me dão tanta confiança assim. Afinal, o trabalho de Wenger todo é baseado em cima da promessas.

Mas, o destino, ou melhor, o futebol – já que não sou um grande credor de ‘destino’ – é genial. Na volta do craque francês ao time do Emirates, o 227º tento pela equipe. Mais romântico do que tudo no esporte que amamos.

Afinal, acima de tudo, a importância do número 12, pelo menos pelos próximos dois meses no time, não é concedida ao Arsenal somente, mas transborda o significado e se amplifica, torna-se mais importante do que é. Henry, com a categoria de sempre, fez o tento que levou o Arsenal à 4ª rodada da Copa da Inglaterra. E pouco importa se, no momento, o clube não está nos momentos estelares. Henry, afinal, como disse Van Persie por seu twitter, está de volta. Bem-vindo de volta e bem faz ao futebol você, Henry.

Henry - de volta às origens da consagração

Por: Felipe Saturnino

09/01/2012

Por que o Milan vence mas não empolga?

Há tempos o Milan não empolga. O primeiro semestre da temporada, apesar de uma boa Champions e a liderança do Calcio, foi um pouco que sonolento do time rossonero.

O losango de meio-de-campo do Milan no domingo de hoje: mudanças entre Boateng e Emanuelson e vitória por 2 a 0

O que explica a ‘preguiça’ do time é a eficiência. Exato.

A equipe consegue vencer e mantém um desenho tático com consistência. Utiliza sempre do 4-3-1-2, mudando o trequartista, jogador mais fundamental do esquema, o ‘1’ do esquema. Com esta mudança, pode-se mudar também os ‘carrileros’, os volantes periféricos que suportam o criador da equipe. Assim, o Milan faz dos jogos suas vitórias.

O que casou bem foi o misto de características do jogadores: Prince Boateng é uma joia. Muito disposto a jogar, com recursos e um bom arsenal de jogo. Pode ser ‘carrilero’ ou trequartista.
Emanuelson é canhoto, e pode ser jogador de lado ou o próprio trequartista. É bom jogador, mas não alia sua técnica ofensiva à rigidez defensiva, o que pode resultar numa perda do Milan em vantagem numérica no campo – no caso de Emanuelson tentar neutralizar um adversário marcando-o por seu setor.
Robinho é o cara do drible diferenciado que pode ser seguido de uma jogada brilhante ou um fiasco. Pode ser trequartista, mas entrou hoje como atacante ao lado de Ibrahimovic.

E estes são exemplos apenas para o trequartista. Mas o que tem que não empolga no Milan?

A rigidez. O time não tem o atrativo de outros e aquele jogador em fase primorosa que destroi os adversários. Mas, fundamentalmente, obter um meio-de-campo forte e uma transição ofensiva de qualidade é possível. Nisto, Massimo Alegri foi mais do que feliz ao ditar o Milan no 4-3-1-2. E a vitória contra a Atalanta foi um exemplo disso: 2 a 0 incontestável, mas sem empolgar.

Agora, no período pré-dérbi, é importante avaliar a situação para o uso do trequartista: sem Prince Boateng – já que estará na Copa Africana de Nações -, Aquilani pode entrar como ‘carrilero’. Com Emanuelson, a equipe pode perder um pouco da rigidez num ponto mais alto do campo, apesar do holandês ser um bom meia. Com Robinho, o drible e variação de jogo predomina.

Mais do que tudo, Allegri deve pensar em como parar a Internazionale vinda de 5 vitórias consecutivas e após um 4 a 0 diante o Parma em Giuseppe Meazza. Talvez seja o jogo para o Milan empolgar.

Com Emanuelson ou Robinho na posição de trequartista, o Milan terá mais força dos carrileros com Nocerino pela esquerda

Por: Felipe Saturnino

08/01/2012

Sorte e revés

A rivalidade entre Manchester City e United parece ter atingido um começo de ápice no âmbito nacional após um conflito muito batalhado na vitória deste domingo dos ‘Devils’. E foi na casa dos adversários.

Mais importante do que compensar os 6 a 1 sofridos em meados de outubro do ano passado, o importante para o time de Alex Ferguson era recuperar a confiança que havia perdido e não achava há algum tempo. A derrota diante o Newcastle em St’ James Park deixou isso evidente, mas também expôs os frágeis pontos da equipe vermelha da cidade.

Mas Sir Alex pouco mudou a esquadra. Até pela falta de opções, Scholes, ex-aposentado, retornou aos campos.

A opção por Valencia na lateral-direita cedeu, e Phil Jones iniciou ocupando a posição; os citizens vieram de 4-2-3-1, com Milner atuando mais profundo no campo, como um segundo-volante. Na linha do 3, David Silva e Nasri coordenavam as movimentações, já que Adam Johnson fica mais fixo na esquerda. A preocupação, pelo menos para mim, era no miolo do meio-de-campo do United: Carrick e Giggs; apesar do galês ser boa opção, há a ressalva por argumentar que sua condição para comandar um setor, vindo de trás, contra um adversário tão criativo e agressivo em campo, não é das mais elevadas. Carrick, porém, era o oposto: tinha de participar do jogo para o time de Ferguson ficar mais tempo com a bola e tentar se aproximar mais da meta de Pantilimon – qualidade que o dado jogador não possui.

O panorama estava desenhado, ao menos para mim: City vence pela qualidade maior de seus meias, todos, de fato, são ótimos jogadores ou excelentes.

A ‘sorte’ indevida que apareceu ao Manchester United em Etihad Stadium surgiu no 11º minuto da etapa inicial: Kompany, o bom zagueiro belga, é expulso injustamente por Chris Foy, árbitro oficial do confronto. A entrada foi na bola, finalizando de forma definitiva a discussão, sem mais ponderações e balanceamentos.
A lambança de Foy refletiu-se, tão devidamente quanto indevida foi sua marcação, no jogo. Naturalmente, como deveria ser.

O jogador-chave do City poderia ser Milner, que escapava sobre os volantes do United, criando mais desvantagens aos ‘Diabos Vermelhos’ em outros pontos do campo, também. Sem Kompany, Milner teve de recuar à lateral-direita para ajudar a composição da linha defensiva com Richards – que foi para a zaga central -, Lescott, que continuou na posição original, e Kolarov, que fez uma partida de altos e baixos momentos. Agora, o City era 4-1-3-1: sem Milner no meio-de-campo, Johnson e Nasri voltavam para sustentar De Jong em um ponto mais baixo do campo.

Curioso, porém, foi o aspecto comportamental do United em parte da partida: o desejo do contragolpe. A equipe naturalmente não é tão criativa quanto a do City, e então, necessitava de uma atenção reforçada para conter os avanços adversários. Basta falar que o lance do primeiro gol é de um momento totalmente reativo do United no jogo: Rooney conduz até dar para Valencia centrar a bola para o gol do próprio Rooney.

Com 3 a 0 contra no placar, no segundo tempo, Mancini, atraído por um azar tremendo vindo de Chris Foy, decidiu modificar o desenho: do 4-1-3-1 para o 3-4-1-1, com a entrada de Zabaleta e Savic. A equipe sustentou-se, já que defensivamente levava vantagem numérica sobre a dupla formada entre Rooney e Welbeck no ataque dos visitantes. Mas, outro aspecto importante era a equalização dos valores no meio-de-campo: Zabaleta, De Jong, Milner, Nasri e Kolarov compunham o setor, que ainda poderia ganhar Agüero com suas movimentações constantes. Nasri poderia se juntar ao argentino no ataque, também. E deu certo.

Kolarov fez de falta aos dois; Agüero fez o segundo aos 18. Os citizens estavam de volta. E, de repente, sabiam que podiam um pouco mais.

Mas o tamanho do erro foi maior por parte de Foy; o revés do City de Mancini estava consolidado. Até por isso, o confronto foi tão dramático e o City pôde correr atrás. Quase alcançou.

Para a rivalidade, a vista do crescimento da importância dos embates entre os dois, que renova o interesse no futebol inglês, em geral, – qualquer competição que for, de verdade – é a ocorrência da sorte do erro do árbitro do jogo para o United e o revés do favorito City no jogo, o que torna tudo mais emocionante. A pena é que se isso reforça a rivalidade, estraga com um jogo que poderia ter sido diferente. Só assim a análise seria mais coerente e não tão fixada num erro tão bobo. Apesar de tudo, pelos tons de dramaticidade, um belo jogo para o princípio de 2012. Viva City x United!

Chris Foy - o vilão do jogo que faz aumentar a rivalidade entre os rivais de Manchester

Por: Felipe Saturnino