Sorte e revés

A rivalidade entre Manchester City e United parece ter atingido um começo de ápice no âmbito nacional após um conflito muito batalhado na vitória deste domingo dos ‘Devils’. E foi na casa dos adversários.

Mais importante do que compensar os 6 a 1 sofridos em meados de outubro do ano passado, o importante para o time de Alex Ferguson era recuperar a confiança que havia perdido e não achava há algum tempo. A derrota diante o Newcastle em St’ James Park deixou isso evidente, mas também expôs os frágeis pontos da equipe vermelha da cidade.

Mas Sir Alex pouco mudou a esquadra. Até pela falta de opções, Scholes, ex-aposentado, retornou aos campos.

A opção por Valencia na lateral-direita cedeu, e Phil Jones iniciou ocupando a posição; os citizens vieram de 4-2-3-1, com Milner atuando mais profundo no campo, como um segundo-volante. Na linha do 3, David Silva e Nasri coordenavam as movimentações, já que Adam Johnson fica mais fixo na esquerda. A preocupação, pelo menos para mim, era no miolo do meio-de-campo do United: Carrick e Giggs; apesar do galês ser boa opção, há a ressalva por argumentar que sua condição para comandar um setor, vindo de trás, contra um adversário tão criativo e agressivo em campo, não é das mais elevadas. Carrick, porém, era o oposto: tinha de participar do jogo para o time de Ferguson ficar mais tempo com a bola e tentar se aproximar mais da meta de Pantilimon – qualidade que o dado jogador não possui.

O panorama estava desenhado, ao menos para mim: City vence pela qualidade maior de seus meias, todos, de fato, são ótimos jogadores ou excelentes.

A ‘sorte’ indevida que apareceu ao Manchester United em Etihad Stadium surgiu no 11º minuto da etapa inicial: Kompany, o bom zagueiro belga, é expulso injustamente por Chris Foy, árbitro oficial do confronto. A entrada foi na bola, finalizando de forma definitiva a discussão, sem mais ponderações e balanceamentos.
A lambança de Foy refletiu-se, tão devidamente quanto indevida foi sua marcação, no jogo. Naturalmente, como deveria ser.

O jogador-chave do City poderia ser Milner, que escapava sobre os volantes do United, criando mais desvantagens aos ‘Diabos Vermelhos’ em outros pontos do campo, também. Sem Kompany, Milner teve de recuar à lateral-direita para ajudar a composição da linha defensiva com Richards – que foi para a zaga central -, Lescott, que continuou na posição original, e Kolarov, que fez uma partida de altos e baixos momentos. Agora, o City era 4-1-3-1: sem Milner no meio-de-campo, Johnson e Nasri voltavam para sustentar De Jong em um ponto mais baixo do campo.

Curioso, porém, foi o aspecto comportamental do United em parte da partida: o desejo do contragolpe. A equipe naturalmente não é tão criativa quanto a do City, e então, necessitava de uma atenção reforçada para conter os avanços adversários. Basta falar que o lance do primeiro gol é de um momento totalmente reativo do United no jogo: Rooney conduz até dar para Valencia centrar a bola para o gol do próprio Rooney.

Com 3 a 0 contra no placar, no segundo tempo, Mancini, atraído por um azar tremendo vindo de Chris Foy, decidiu modificar o desenho: do 4-1-3-1 para o 3-4-1-1, com a entrada de Zabaleta e Savic. A equipe sustentou-se, já que defensivamente levava vantagem numérica sobre a dupla formada entre Rooney e Welbeck no ataque dos visitantes. Mas, outro aspecto importante era a equalização dos valores no meio-de-campo: Zabaleta, De Jong, Milner, Nasri e Kolarov compunham o setor, que ainda poderia ganhar Agüero com suas movimentações constantes. Nasri poderia se juntar ao argentino no ataque, também. E deu certo.

Kolarov fez de falta aos dois; Agüero fez o segundo aos 18. Os citizens estavam de volta. E, de repente, sabiam que podiam um pouco mais.

Mas o tamanho do erro foi maior por parte de Foy; o revés do City de Mancini estava consolidado. Até por isso, o confronto foi tão dramático e o City pôde correr atrás. Quase alcançou.

Para a rivalidade, a vista do crescimento da importância dos embates entre os dois, que renova o interesse no futebol inglês, em geral, – qualquer competição que for, de verdade – é a ocorrência da sorte do erro do árbitro do jogo para o United e o revés do favorito City no jogo, o que torna tudo mais emocionante. A pena é que se isso reforça a rivalidade, estraga com um jogo que poderia ter sido diferente. Só assim a análise seria mais coerente e não tão fixada num erro tão bobo. Apesar de tudo, pelos tons de dramaticidade, um belo jogo para o princípio de 2012. Viva City x United!

Chris Foy - o vilão do jogo que faz aumentar a rivalidade entre os rivais de Manchester

Por: Felipe Saturnino

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