Os aspectos da vitória do M’Gladbach contra o Bayern de Munique

O Borussia Monchengladbach se credenciou a um posto maior em âmbito nacional nesta sexta-feira, após uma vitória excepcional sobre os rivais bávaros e sabidamente superiores do Bayern de Munique, os líderes da Bundesliga no momento.

Mas a vitória dos alvinegros faz-nos pensar sobre um uso mais pragmático do 4-4-2, ainda que esteja altamente fora do contexto estilístico do momento dos traços táticos em que vivemos por ora. Mais significativo ainda é representar a vitória como um jogo de 4-4-2 x 4-2-3-1.

Os aspectos que levaram os mandantes à tão sonhada vitória são diversos, e chegam a ser externos aos de fatores táticos comuns numa partida.

1. Com a volta de Bastian Schweinsteiger no posto de segundo volante da equipe de Munique, o Bayern também voltou a ter um trunfo na manga: suas eficientes chegadas ao ataque. Assim, no miolo de meio-campo do adversário, o Bayern poderia ter uma vantagem constante no ponto do campo, o que o faria ter mais a bola e, por consequência, ser mais agressivo. O contraponto da história é relatar uma volta apagada do número 31 do time tetracampeão da Europa, que prejudicou em imensidão o poderio de ataque bávaro.

2. O deslocamento de Tony Kroos para a ponta-esquerda do 4-2-3-1 de Jupp Heynckes não poderia ter sido mais decepcionante para o enredo do jogo em relação ao Bayern de Munique. É notável a característica de cadencia do alemão, e seus passes são extremamente eficientes, mas o flanco canhoto chegou a ser pouco operante. Kroos é, notoriamente, um ótimo volante que tem desempenhado uma boa função na meia-central do time bávaro.

3. Sem as vantagens criadas por Schweinsteiger num miolo de meio-de-campo, o Bayern começou a esbarrar numa defesa muito bem construída por Favre. A solidez da equipe é notável nesse setor do campo, anotando um número de 12 gols sofridos, configurando-a como a segunda que menos sofre gols no campeonato. Outro número fundamental para entender o quão bem desempenhado o papel dos defensores é feito no M’Gladbach há de ser o número de impedimentos que a equipe faz com seus adversários: são 102 impedimentos em 18 jogos na Bundesliga, uma média de 5,6 impedimentos por jogo. Hoje, foram 7 do Bayern, ultrapassando a marca.

4. O trabalho de contragolpe dos mandantes era claro por um motivo óbvio: o Bayern tem mais qualidade nos fundamentos de passe do que o adversário. Apurado isso, o que fica mais evidente é a versatilidade para tal feito: Arango e Hermann pelos flancos, Reus na primeira bola de entrada para o ataque e Hanke mais avançado, porém, aparecendo para receber passes periféricos. A estratégia era agredir o Bayern dos flancos para o meio, e não do centro do meio-de-campo para o meio do ataque – sabendo das pouquíssimas qualidades dos volantes do Borussia Monchengladbach.

5. A possibilidade de retração das linhas após o primeiro gol foi de se reparar, mas o Bayern nunca soube o que fazer em campo. Defendendo-se e retraindo-se, o Borussia comandou o jogo sempre na sua bola de contra-ataque, usada com muita confiança por seus jogadores. Os dois últimos gols do time foram de jogadas bem tramadas, ambos do bom médio Hermann. Quanto mais o jogo progredia, mais os mandantes mandavam no jogo e faziam o Bayern barrar num muro sem brechas, uma defesa muito bem postada. O que chama a atenção no Borussia é a capacidade de retração e contragolpe que, contra times tão apurados contra o Bayern, funciona da ponta para dentro, sem atuações convincentes dos volantes Nordveit e Neustädter.

Por: Felipe Saturnino

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