(Sem título)

O blog O Pitaco Boleirístico é voltado ao futebol, especificamente. Isto é notório. Contudo, não há como não comentar um pouco sequer do estarrecedor confronto entre Novak Djokovic e Rafael Nadal pelo Australian Open, um dos quatro Grand Slams do ano, no jogo que redefiniu o quase indefinível. Por um estágio primário, basta dizer que o jogo durou 353 minutos – 5h53min de confronto na Rod Laver Arena, em Melbourne Park.

Tênis é um esporte que sempre me encantou, talvez pela sua solidão constante e individualidade também; claro que há aquela figura que te chama, que te atrai. Isso vale para todo esporte. No tênis, porém, a história nos leva à traçados mais distintos.

O momento do esporte da bolinha que tem de passar para o outro lado da rede é fantástico por vários motivos: a atividade do talvez maior da história do jogo – Roger Federer -, que apesar dos 30 anos, ainda está em capacidade de reação física notável; o maior algoz deste maior da história – Rafael Nadal, um dos protagonistas desta final – e Novak Djokovic. O brincalhão. O fora do comum neste quesito. Para não ficar fora da nota, Federer-Nadal compõem a maior rivalidade da década, o que somente elevou o nível de popularidade do tênis mundialmente, desde 2003 para cá – ano referencial pelo primeiro Grand Slam ganho por Federer, que possui 16 desses títulos.

Djokovic tem, ou melhor, tinha, fama de imitão. Aliás, suas personificações são simplesmente indescritíveis. Boas mesmo. Mas no último ano ele adquiriu uma outra diferenciação: a do melhor do mundo. A do vencedor de Wimbledon. A do vencedor do Aberto de Nova Iorque. A do número 1 do mundo. Feitos incríveis, claro, e sonhados por todos os tenistas do tour da ATP. E que tour.

A final de anteontem – já que escrevo o texto na madrugada de terça-feira – representava o primeiro grande confronto de 2012, mas o 30º entre Novak e Rafael. Mas quem dera que na quarta final de Slams jogada entre os dois, tivéssemos um jogo com mais de 5 horas, quase 6, com tamanha paridade, os deuses recompensassem-nos com um começo de futebol entediante no Brasil com um dos melhores eventos esportivos que já existiram? O que eu mais apreciei, direi.

Nos cinco sets, Djoko e o ‘Miúra’ – o touro espanhol dono de 48 títulos na carreira – vibraram, fizeram bolas vencedoras, cometeram erros, não-forçados e forçados, sofreram, com a tensão natural e a frustração ao final de cada ponto perdido, e, o mais importante, nos deram prazer. Prazer pelo que se fez por um ponto fora da curva. Tudo por vencer, sem desistir, sem catimbar – bem, pode até ter tido um pouquinho de catimba, vai.

O misto de técnica, agilidade, sagacidade, força, elasticidade, velocidade, concentração, resistência, raça e vontade que sérvio e espanhol apresentaram por mais de 5 horas de jogo comprovou que qualquer resultado seria injusto: vitória de um ou de outro. A ambiguidade, do merecimento e da injustiça, coroou Novak Djokovic como o melhor por ser o melhor. O jogo também pode ser dado como o melhor. Por que não?

Apenas não achei título competente para representar o que de fato valeu no fim de semana. Análise técnica e tática para quê? Quando você joga por praticamente 6 horas, perde-se a noção do lógico e tende-se a apelar para outras forças, forças que aparecem nos momentos extremos. Em outra dimensão de jogo, Djokovic e Nadal me deram arrepios na manhã de domingo. Crueldade por não fatiarem o troféu e darem uma parte a ele. Deve ser frustrante perder para um dos maiores rivais pela sétima vez seguida, na final mais longa da história dos Majors.

E eu, que ainda queria que o jogo durasse mais. Aliás, quem não queria?

Djoko e Nadal - sentados e exaustos após fazerem história


Por: Felipe Saturnino

One Comment to “(Sem título)”

  1. “E eu, que ainda queria que o jogo durasse mais. Aliás, quem não queria?”
    Ah,acho que eles não queriam…Eu ACHO

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