Dique

Logo após sua terceira conquista do prêmio de melhor do mundo – e a terceira consecutiva – no FIFA Ballon D’or (fusão do prêmio FIFA com a revista France Football) referente ao ano passado, Lionel Messi disse o que pretendia explorar mais no caminho da sua carreira para dar a outros outra vista da mesma: o sucesso na seleção argentina.
As críticas em relação ao argentino jogando na representação de seu país sempre foram um tanto injustas em alguns pontos – apesar de em momentos, pouquíssimos, é verdade, fazerem sentidos.

Nunca se pôde mensurar o nível de Messi como o ‘padrão-Barcelona’ na Argentina por, na equipe catalã, ter-se um esquadrão histórico que se desenhou em circunstâncias específicas, também históricas, o que só torna o fato ainda menos constante e comum. Até para um gênio como Messi.

A atuação mais desapontante do argentino que me recordo em tempos recentes foi aquela diante a Colômbia, pela segunda rodada da Copa América do último ano. Naquele jogo, até direito a uma falta no outro lado da arquibancada Leo teve. A frustração de não jogar bem com consistência na seleção argentina, porém, não foi o fator que derrubou-os nas quartas-de-final, contra o Uruguai – naquela ocasião, Messi fez ótima participação em campo.

O que simplesmente sempre pareceu-me um pouco muito injusto foram as críticas para cima de ‘La Pulga’.

Mas como recorri à declaração de Leo no início do texto, ficava claro que o objetivo dele era ter um cuidado mais especial com os seus passos na esquadra argentina.

E no fundo, sabemos que ‘Messias’ – pois ‘Dios’ é o outro canhoto dono da dez na conquista de 86 -, de um jeito ou de outro, nunca faz um jogo ‘ruim’. Confundimo-nos, enganamo-nos pelo que – agora sim – ‘Deus’ faz no Barcelona, com tão incrível sutileza, elegância, facilidade e normalidade. Por esta razão ‘crucificamos’ o dez com tanta facilidade, sem nos dar conta que estamos na presença de divindades quando se trata do melhor time do mundo. E de ‘divindade’ – ainda mor que outras – quando tratamos de seleção argentina.

No fundo, contudo, sabíamos que Messi, já como dissera no começo do ano em Zurique, tentaria desgarrar com a seleção, tentaria fazer algo mais ‘marcante’ com a seleção. Como se soubéssemos que, em um momento randômico, um gênio viria com uma ‘pequena solução’ para um problema que quase todos indicam ser ‘quase insolúvel’.

Em Berna, na Suíça, tivemos o predito. O dique de Messi se abriu. Melhor, aliás, o dique se abriu para Messi. Pelo menos na seleção. Ainda que seja um jogo ‘pequeno’, e o problema, consistentemente, grande, respostas progridem. E o dique se arrebentou pela primeira vez na direção de hoje. Para Messi, hat-trick, com a camisa argentina, nunca antes ocorrera. Sim, o dique se abriu. Respostas progridem. E Messi é o melhor do mundo. E gênios precisam dar respostas. Não que seja necessário.

Mas se é o que querem, sim.

Messi - com o dique aberto e partindo para as respostas

Por: Felipe Saturnino

2 Comentários to “Dique”

  1. Verdade, vamos ver se a Pulga deslancha na seleção e a água corre solta rio afora… Abraço!

  2. Pois é, Felipe.
    Boas observações.
    Abraço.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: