“Metamorfose”

O São Paulo conseguiu a liderança na rodada-chave para fugir do Corinthians. Sim, fugir; de fato, a palavra é esta mesma. E o senso é o comum. A equipe dos ares de Cícero Pompeu de Toledo necessita ‘escapar’ dos autores da já ‘extensa’ freguesia – apesar de ter acabado, ela continua.

Mudança no posicionamento praticamente não afeta Lucas

E ela continua por esse bloqueio psicológico que impede os tricolores de se medirem, de igual para igual, com a equipe alvinegra. Oras, a pilha antecede o próprio clássico. Complementa o ardor na raiz dos nervos que se dá naturalmente ao atuar no – talvez – maior clássico de SP. Mas fica óbvio que Corinthians e Palmeiras ainda causam estrago – sem querer fazer conexão com o literal estrago causado pela Mancha e a Gaviões.

O time são-paulino conseguiu escapar no ano passado, também, dessa ameaça. Não conseguiu passar do Santos, porém. Esta situação é mais confortável do que enfrentar os atuais campeões brasileiros. O ‘mental’ são-paulino deve ficar mais livre da pilha. E como o jogo diante do Santos seria no Morumbi – na possível semifinal -, e em confronto único, as chances crescem.

Pois, também, o time de Leão vai se moldando. Apesar de não ter feito progressos ainda tão significativos, o técnico adotou um padrão, e o definiu bem. Agora é adequar os jogadores a esse molde. E Lucas tem feito apresentações mais seguras, na legítima ponta-direita que vem compondo pelo São Paulo. Uma mudança não só tão voltada somente à pura tática, mas à sua postura. Ele modificou-se. Refletiu. Nem que tenha sido um pouquinho, e sua ‘metamorfose’ seja ainda, invariavelmente, tímida, como sua figura fora de campo.

Não. Não remeta à faceta do lendário Gregor Samsa – da novela também lendária do também lendário Franz Kafka. No livro do tcheco natural de Praga, o protagonista transforma-se em um inseto – que brilhantemente, durante a narrativa, Kafka descreve suas características sem conceder uma face final do inseto pensado.

Lucas é o ponta-direita do 4-2-3-1 de Leão. A proposta do são-paulino já foi visada aos três beques, mas sem muita repercussão. Ele trouxe o esquema para ser seguro e sucinto. Apesar de uma fase óbvia e entediante de Paulistão, está funcionando.
É um fato, porém, que o comportamento tático do 7 são-paulino – que cobre o seu flanco marcando o lateral-esquerdo adversário – não se diferenciou tanto com a mudança do comandante desde Adilson Batista. Muito pois, se aqui ele é ponta-direita, lá, com Batista, ele compunha esse flanco de forma mais avançada – a proposta que tornou-se fracasso de Adilson era o 4-3-1-2 -, como um lídimo atacante.

Puramente, a mudança do destaque mor do São Paulo, ainda sem descartar Luís Fabiano mas já o fazendo brevemente, aqui, relaciona-se com sua mudança de postura: menos individualização e mais cooperação. Apesar de sua qualidade indiscutível e notável, Lucas precisa da cabeça para ‘metamorfosear-se’ no craque que o São Paulo tanto precisa após já há mais de 3 anos sem nenhuma conquista. A Copa do Brasil parece um belo lugar para terminar esse jejum.

Se essa mudança continuar em Lucas, assim, talvez, o São Paulo moldará-se no time ideal de Leão de forma mais rápida e pontual. Ainda sem Luís Fabiano, a equipe precisa de um ‘algo mais’ para desbancar outros ‘cachorrões’ – brigando pela Copa do Brasil e pelo Paulistão. O mal da falta de Ceni, todavia, é insubstituível e algo que o jovem não pode ainda dar conta. Nesse caso talvez fosse mesmo preciso uma metamorfose digna das hipérboles de Kafka.

Por: Felipe Saturnino

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