O problema do Santos: Neymar e o volume

A questão vai afunilar nos próximos momentos de Libertadores, mas a opinião é válida desde agora: o Santos é o melhor time da competição. Mas não é o melhor NA competição!

O panorama: Inter mais móvel, mas Santos agressivo - principalmente na segunda etapa - com Neymar e o volume de jogo crescendo

A mudança na preposição, apesar de ser muito breve e quase não dizer nada – ou não mostrar nada ao leitor – diz muito – e mostra muito. Pois, dentre todos os brasileiros no maior torneio das Américas, o Fluminense é o ‘melhor’. Mas não o é legitimamente. É parcialmente, momentaneamente; circunstancialmente.

E são motivos bem simples que compõem e retocam a situação.

Neymar, o ponta-esquerda do 4-2-3-1 santista, é a máquina de absurdo talento e sobrenatural precisão que rege o resto do time. Seu trabalho é o mais fundamental, por ser o mais fundamental; é claro que se posta muito no questionamento de seu tamanho repertório e de sua capacidade acima da média, mas o garoto tem de arcar com as consequências defensivas – ele também compõe o corredor com o seu companheiro no flanco canhoto.

Além de tudo, decide num lance com a ligeira fintada e pode também levar um beque para a barca do inferno – Moledo que o diga. A pegada no santista no minuto 43 do segundo tempo de jogo foi feia. Até possivelmente para expulsão direta com vermelho. Não foi o caso.

A temática central, todavia, é a dificuldade em dar conta do 11 e do resto do time: por isso o considerar o mais qualificado de todos os nacionais na Liberta. O volume do jogo do Santos é intenso também, apesar de um Inter ‘envolvente’ com frequentes modificações na linha média-ofensiva de três atuantes – Dátolo, Dagoberto e Tinga jogaram por ali. E, também, apesar do gol rapidíssimo de Nei. Rafael nada fez: apenas admirou a magistral cobrança – que não condiz com a qualidade do lateral por completo, certamente.

Ainda assim, o Santos, por ter mais qualidade, envolveu e absorveu o Inter em questão de tempo. A compactação de Damião foi importante no período de vantagem: ele retornava para sustentar uma posição mais profunda no campo, formando uma linha ofensiva de quatro homens. É essa compactação tão fundamental que consiste a marcação.

E o jogo foi muito pouco atraente da vista tática: dos 4-2-3-1s, o mesmo dialeto, ambos conhecendo-se e utilizando o mesmo panorama sistemático. A diferença era que Ibson recuava um pouco no flanco direito, compondo um setor mais fundo no campo e gerando a ‘variação’ do 4-2-3-1 ‘torto’. O colorado era mais ‘reto’.

O Santos empatou aos 26, com Kardec – sem piada espírita. Gol de cabeça, após Juan cruzar. O uso do flanco direito da defesa do Inter foi o trunfo. Basicamente por Neymar.

Não tivesse sido Muriel, o Santos teria vencido. Na certa.

O ponto é que, mesmo diante de desvantagem, os paulistas souberam lidar com a situação, e foram guiados progressivamente pelas atitudes do melhor brasileiro que há em atividade – que partiu para as bolas, como é do feitio.

Com a presença de qualidade no meio-de-campo (a conexão Ganso-Neymar-Arouca) e presença forte nos flancos (principalmente o esquerdo) a equipe santista tende ao favoritismo nos confrontos seguintes para a Libertadores. Apenas cessará a participação se for possível neutralizar Neymar, primeiramente; a equipe cairia muito sem o craque mor, mas ainda assim seria razoavelmente perigosa.

Mas com ambas as razões para apontá-lo como melhor brasileiro DA competição atuando em conjunto, será difícil deter a equipe de Muricy. Neymar e o volume de jogo crescem, em dependência, mas auxiliam-se mutuamente.

E quem dera aquela espetacular bola do garoto entrasse: o mais espetacular ainda, Muriel, pegou.

Neymar - partindo para as bolas

Por: Felipe Saturnino

3 Comentários to “O problema do Santos: Neymar e o volume”

  1. Excelente texto, brilhante! Escrever tão bem assim no 1o colegial é quase um crime…hehehe… Bom, quanto ao conteúdo: a Libertadores é um torneio estranho, Felipe. Eu diria que invariavelmente os times que despontam como favoritos na primeira fase terminam caindo depois. Em 2007, por exemplo, o Santos de Luxemburgo e Zé Roberto jogou uma barbaridade na primeira fase: teve simplesmente 100% de aproveitamento, foi pra segunda fase com 18 pontos, e terminou caindo na semifinal diante de um aguerrido e pouco técnico Grêmio de Tcheco e Mano Menezes, que na primeira fase tinha feito somente 10 pontos e na final passou vergonha frente ao Boca Juniors. Em 1999, o Corinthians foi o melhor time da primeira fase, aplicando uma sonora goleada de 8 x 2 sobre o Cerro Porteño no Pacaembu, e terminou caindo nas quartas diante do Palmeiras raçudo (e violento) do Felipão. No ano passado, o Cruzeiro fez aquela campanha bárbara de 16 pontos, foi o melhor na primeira fase, goleou o tetracampeão Estudiantes em 5 x 0, foi apontado por 11 em cada 10 analistas como favorito, e caiu para um medíocre Once Caldas logo nas oitavas de final, em casa, após ganhar o jogo de ida fora. Pelas peculiaridades que fazem o charme da Libertadores, o favoritismo é sempre muito relativo. Eu acho que o campeão desse ano será novamente um brasileiro, mas não duvido do gigante Boca Juniors (que até agora faz campanha medíocre na primeira fase) chegar na segunda fase e, com a força da assustadora Bombonera, começar a surpreender, ganhar gordura e levantar o seu sétimo caneco de Liberta. Afinal de contas, como Riquelme já avisou, ameaçador: a Libertadores começa na segunda fase!!!! Abraços!

  2. parabéns Felipe tão novo e com um grande entendimento !!

  3. parabens, excelente análise, mas a libertadores geralmente o time decide se acertando a partir da fase do mata mata e tendo muita força, vontade e sorte depois da classificação na fase inicial, o Santos teve o jogo mais dificil e mostrou força depois de ter tres jogadores expulsos na vila belmiro e com um gol de danilo lá fora, então é aguardar pra ver, o melhor nesta fase pode ser por causa de uma chave mais fácil para ele, embora o flu tivesse o boca, o boca faz tempo não é o boca, mas é como disse, se passar e se acertar vai complicar a vida de todo mundo.

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