A maior vitória do Real de Mourinho

O Real Madrid, e nenhum outro time do planeta, pode se sustentar diante o Barcelona de forma agressiva. Isto é, não pode se atacá-lo. Ou até melhor: não consegue-se atacá-lo.

A ação reativa (contragolpe) é a única arma exuberante do repertório madridista que pode mesmo ‘ferir’ o Barcelona. Mesmo que a qualidade total da equipe da capital deixe esse fato para trás. Pois deixa. E muito. Mas a qualificação para retrair as linhas e sair de forma vertical, em velocidade, é a única coisa que se tem para ‘assustar’ os catalães. O problema é que dificilmente funciona, pois necessita-se de absoluta atenção em todos os instantes do jogo.

Em mais um bom clássico, Madrid e Barça protagonizaram um fato novo nesta história que percorre a temporada europeia, ansiando por um encontro entre ambos na final da Liga dos Campeões, em Munique: a neutralização.

Experimentaram o fato por uma atuação mais do que segura dos volantes Xabi Alonso e Sami Khedira. O time de Mou retraiu as linhas e reduziu o espaço, como é de praxe diante o Barça. Mas hoje tinha um algo a mais que diferenciava esta ocasião das outras, tornando-a exceção. O Madrid se defendeu de forma exímia, e não errou.

Meia verdade: errou, no gol barcelonista, mas é a única menção.

A equipe de Pep Guardiola seguiu sua contínua modificação: 4-3-3, 3-4-3, e até teve linha de quatro no meio-de-campo. Daniel Alves prosseguia na ‘altura’ do campo segundo essas mudanças: fosse 4-3-3, ele viria a ser um ponta-direita. 3-4-3, parte média do campo.

Mas a diferença foi que o Real conseguiu jogar, conter a equipe do Barcelona e contra-atacar. Foi bem-sucedido também no jogo aéreo. O gol de Khedira, aliás, surgiu após cabeçada de Pepe, com uma falha de Valdés – obviamente não tão escandalosa como aquela do jogo do primeiro turno, mas ainda assim uma falha -, o que fez com que o volante alemão constasse no primeiro gol do placar em Camp Nou.

E mesmo com Coentrão, o Real Madrid se virou. O português foi designado para a lateral-esquerda apesar de seus pesares do revés do Bayern na Allianz Arena, na passada terça-feira. Na linha média-ofensiva, o Madrid oferecia Mesut, Angel e Cristiano ao ataque. E um Benzema, em grande forma, partindo para o jogo.
É óbvio que esperávamos que o misto desses grandes talentos, uma hora, poderia vir a nos dar algo de mais significativo contra um dos maiores esquadrões da história do esporte. Mourinho só havia obtido uma vitória dentre os diversos jogos entre os gigantes: aquela na Copa do Rei, no Mestalla.

Todavia, apesar daquele acerto tático do 4-1-4-1 ter representado um triunfo que, por fim, representou o primeiro e único caneco de José no comando do Madrid, hoje a vitória pareceu mais significativa.

As circunstâncias influenciam na avaliação geral. Se aquele jogo foi em campo neutro, isolado, aqui a situação era pró-Barcelona. No inferno que deve ser para o Real Madrid, venceu o time da capital. O 4-2-3-1, apesar da descrença relativa às experiências com o Barça, foi mantido. Coentrão, idem.

O que mudou, até mais do que o princípio tático de redução de espaços, foi a atitude madridista. Foi um jogo muito bem conduzido, sem ‘pressure’ – apesar de ter sido com muita. Mas a pilha natural foi levada, de acordo com o contexto, e compôs a maior vitória do Real Madrid em algum tempo sobre os melhores do mundo – e melhores da história.

Além da neutralização tática, a psicológica auxiliou o Real Madrid a faturar – perdão, a praticamente faturar – o 32º caneco da sua história. Messi não brilhou – fez sua atuação mais tímida em um clássico em algum tempo. Dessa vez, o segundo melhor do mundo o fez. E neutralizou o maior rival dois minutos após o empate, com um belo gol após a ótima bola de Özil. O tento que veríamos que, ao final, constataria a primeira vitória do Real de Mourinho no Camp Nou. Provavelmente a maior, por todo seu contexto.

Cristiano - mostrando que há vezes em que o segundo melhor pode ser melhor que o primeiro

Por: Felipe Saturnino

2 Comentários to “A maior vitória do Real de Mourinho”

  1. Não quero saber de comentar Barça x Real. Quero saber é se esse moleque tem mesmo somente quatorze anos. Parabéns, rapazinho, você vai longe!

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