O penal para o paraíso

Há anos que ‘contemplamos’ a obra de Abramovich com cuidado, reparando os caminhos tomados pelo russo que é o dono da parte azul de Londres, suas decisões – que, aliás, em diversos momentos, levaram-nos a duvidar seriamente do futuro do time -, que, no geral, deviam-se a uma obsessão, no meio de outras tantas: a Liga dos Campeões.

Digo uma no meio de várias pois o seu investimento pesado visar uma única coisa é um frágil e delicado sonho. Pequeno, que ainda se diga. Por mais que esse sonho fosse a Liga.

Os ‘deméritos’ chegaram ao fim.

Depois de tantos erros – e acertos, óbvios acertos, que ocorreram em maior número do que os erros na trajetória traçada por sua própria figura, única na história do clube -, quando surge a conquista, recorda-se, primordialmente, tudo o que terminou, finalmente, bem no lado dos ‘Blues’.

Mourinho, o grande Mou, penou ao conseguir uma semifinal em Champions League com os londrinos. Após abater o também grande Barcelona na época – de Ronaldinho, Deco, Eto’o, Gio van Bronckhorst e Van Bommel -, pelo estágio de quartas-de-final, com uma vitória também enorme em Stamford Bridge (4 a 2), o time de Roman foi eliminado em Anfield Road com um gol de Luis Garcia, naquele fatídico 1 a 0 da Champions League 2004/2005 – o Chelsea perdera, no fim, para os vencedores da fantástica final de Istambul num entrave dramático que terminou nos penais, assim como foi finalizada a primeira conquista dos azuis ingleses.

Os relatos de Moscou, daquela final diante o United, que também restou aos pênaltis para determinar o vencedor, prevaleciam vivos na cabeça do time que, naquela época, tinha um ‘sortudo’ Avram Grant no comando – o israelense havia substituído Mourinho.

O curioso é que, por mais que fizesse certo, Abramovich tivera chegado mais longe com o ‘pior’ de seus treinadores. Mas, oras, havia chegado. Não ganhado, mas chegado; sabia o gosto duma final, não de um título. Por mais que isso parecesse pouco – não era, apesar do investimento pesado dos ‘Blues’ -, o Chelsea, por mais que tudo, habitava um lugar que tendia a ser seu pelos próximos anos. Fato é que não foi. Faltou um ‘push’ para o paraíso, o patamar dos campeões europeus, onde estendem os melhores do Velho Mundo.

Até que, pelo dado motivo, o Chelsea, apesar de ter explorado as semis em 2009, parou nas oitavas em 2010 e nas quartas no ano passado.

Aliás, o Chelsea simplesmente teve de viver o seu certo pior ano, nacionalmente, ao menos, para abocanhar a maior glória de sua história.

Na terra bávara, o ‘push’ para o time dirigido por Di Matteo – que é também de Abramovich, mas, talvez ainda mais de Didier, Frank, Petr e Ashley – surgira por méritos não menos óbvios do que os de eliminação dos talvez ‘melhores da história’, mas também veio de uma fonte muito ímpar.

A memória.

As memórias de Moscou recordaram-lhes o passado, para dar-lhes chance ao presente e vida ao futuro. Quando o fenomenal Drogba – que não veste a 9, mas bem que poderia, apesar da 11 fazer melhor combinação a seu estilo – empatou no minuto 88 de jogo no Allianz, ali sim, o jogo se tornou mais jogo. Começou a ter requintes – seriam de crueldade – daquele jogo de Moscou, mas, por que não lembrar da final de Istambul, em 2005?

É claro que não seria tão fenomenal ou dramático quanto aquele jogo. Mas seria tão ímpar quanto. Por circunstâncias únicas, que terminaram por criar mais um campeão para a galeria dos campeões da Europa.

Ficou semelhante, porém, àquela semifinal diante o Barça quando Drogba fizera penal sobre um Ribéry disposto a jogar em campo. Contudo, lembrara aos bávaros o jogo de Dortmund pela Bundesliga ao final do ato.
E o que Robben fizera era só mais drama ao jogo.

A memória.

Todas as assimilações eram não menos que assimilações após a defesa de Neuer pelo pênalti batido por Mata – tímido no meio-de-campo inglês, diga-se. Mas passou-se a acreditar que os relatos de Moscou seriam esquecidos – não propriamente ditos esquecidos, mas tirados do fundo do baú das memórias azuis para serem substituídos por melhores lembranças – depois que Ivica Olic desmerecera a chance de penal, com Cech prevalecendo sobre o mesmo.

Ficou, literalmente, tudo azul após o excelente Schweinsteiger desperdiçar sua cobrança. Drogba, enfim, consolidara o ‘push’ para o Chelsea se sagrar o melhor da Europa pela primeira vez. E serve para libertar as memórias, ou melhor, as frustrações de anos atrás.

À mesma medida em que serve para se estender ao paraíso – tanto time quanto Drogba.

Drogba – para o lugar que é seu, de direito

Por: Felipe Saturnino

One Comment to “O penal para o paraíso”

  1. Futebol medíocre que silenciou mais da metade da imprensa mundial e deu um gosto ao futebol. Quando criaram o futebol nao colocaram uma regra que quem joga”bonito” vence. Por isso o futebol é tao fantástico. Regras pra jogar bonito meu poupe kkkkk. bonito é vencer e ganhar uma UCL no jogo limpo sem arbitragem influenciando, na raça e motivação. Parabéns ao meu Chelsea por mostrar aos cegos do futebol que existe dois lados na moeda.

    #Viva o futebol ”feio” e inteligente #DaleBlues Muitoooooooooooooo merecido

    Belo Texto.

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