Archive for junho, 2012

30/06/2012

Às linhas dos finalistas

A Itália não mudou, mas pode mudar a história.

Quer dizer, mudou porque é diferente – mas ainda é a Itália.

Mudou por causa de Prandelli.

E está alegre por ter corrido por fora, na tangente, e ter batido os dirigidos por Löw.

A Itália muda, mas não muda. Parece que os genes que codificam a chave da vitória são passados de geração em geração.

A busca pelo bi da Euro está viva. Assim como a busca pelo euro, por lá, também está.

Na tentativa de fazer história, surgem os entusiasmados corintianos. E não é pra menos, e muito menos deve ser pra menos.

Romarinho bastou.

Isto é, foi só e tudo – suficiência não é algo atraente?

Mas é TUDO de que os corintianos precisam – ou alguém pensa que os boquenses morrem antes do último dia, e se quando morrem só basta um golpe?

A tentativa de fazer história existe, por ambas as partes. O Boca procura o 7º e empatar com o Independiente, e o outro time você sabe o quê.

Aliás, os protagonistas, italiano e corintiano, contrastam.

O mala é Balotelli. O instrospectivo é Romarinho.

Aliás, há paralelismos.

Espanha e Boca, os papões.

E Tite e Prandelli? Não se parecem?

Tanto no pragmatismo quanto na eficiência.

Aliás, como são diferentes e semelhantes esses finalistas.

Ou semelhança é relativa? Diferença também é.

Se um tenta fazer uma história que podemos saber o final, o outro pode fazer a história nova por renová-la – talvez até mesmo inová-la.

A única pergunta pode, e deve ser: por que sempre ele?

Ou, aos corintianos: por que sempre assim, tão sofrido?

Por: Felipe Saturnino

27/06/2012

A hora de Cristiano

Em muitas ocasiões, forças diversas e bem possivelmente – ou quase inteiramente – imperceptíveis realizam esforços para conspirar um resultado que favoreça o que nos é universal, isto é, o que nos é comum.

O resultado, partindo duma premissa que é fundamental, deveria ser óbvio. Os esforços para realizá-lo não são.

O universal, o que é trivial, comum e normal é considerar a obviedade como natureza – o necessário, que existe diante de qualquer situação -, o que não é menos nada que o ÓBVIO.

Quando Cristiano Ronaldo joga pela seleção portuguesa, não esperamos o seu óbvio.

Quando o mesmo joga pelo Madrid, sim, esperamos o seu óbvio.

Porém, pela primeira vez em algum tempo – e quanto tempo – Cristiano fugiu do que não é óbvio na seleção portuguesa, do que não o faz ser essa obviedade na seleção. Méritos dele. Decerto, esperávamos que isso acontecesse alguma vez, nem que até mesmo ocorresse por uma única; se fosse, que fosse em momentos decisivos.

Nos últimos anos, acompanhamos a magistral canhota de Messi desfilar a elegância, classe e plasticidade das jogadas dotadas de habilidade e competência tremendas nos campos, especialmente – e não somente – com o Barcelona. O óbvio, por outro lado, era a percepção que, por mais que não fosse óbvia a capacidade do mesmo desempenhar o mesmo nível que desempenha no Barça na seleção argentina, um tempo ou outro, isso iria ocorrer. Nem que fosse brevemente, num lampejo isolado; num momento sucinto.

A hora de Cristiano Ronaldo para exercer sua função não óbvia mas que é esperada há muito em Portugal parece ter desembarcado do abstracionismo e entrado na via de concretização. Contemporâneo de Messi e, no caso, análogo ao argentino, Cristiano não é tão bom aos lusos quanto é aos de Madri, porém, é diferente – assim como Messi – dos outros; é esta força que nos impede de pensar num fracasso total e definitivo de sua carreira como jogador da seleção lusitana.

Pela primeira vez, Cristiano Ronaldo vem atuando de forma mais contundente em Portugal: três tentos nos últimos dois jogos, em que dois foram marcados na última rodada da fase classificatória aos mata-matas da Eurocopa – naquela movimentada partida diante da Holanda. Ronaldo pode ter achado o ‘click’ que combina seu jogo com o da seleção, que, afinal, baseia-se inteiramente nele.

Contra a Espanha, certamente, é o absoluto máximo desempenho que os portugueses esperam, e anseiam por Ronaldo. Sua hora, que era óbvia, chegou. A hora de decidir.

O não tão óbvio, e muito provavelmente improvável é avaliar se ele, atuando bem, ainda assim pode derrotar os melhores do mundo. Mas é óbvio que pode fazê-lo.

Ronaldo – agarrando a hora da decisão

Por: Felipe Saturnino

24/06/2012

Achados e perdidos

As circunstâncias aconselham, pedem e exigem.

Tornou-se circunstancial um texto ao blog que anda um pouco que lentamente, dadas as circunstâncias dos paulistas na última semana. Aliás, principalmente desses – já que sabido é que o tempo que vivemos é de Eurocopa, e hoje tivemos um de seus mais importantes jogos. Mas é factual pautar que vivemos num tempo em que, pelo menos agora, dadas as tais circunstâncias, fica simples esquecer do ‘mundial europeu’ – se isso é lá até mesmo possível.

São questões circunstanciais.

Corintianos, palmeirenses; santistas, são-paulinos. Depois dessa semana absolutamente (absurdamente) importante no futuro dos mesmos, é possível reparar o que separa – ou separou – os quatro das respectivas ambições.

Primeiramente, os históricos corintianos, que adicionam um feito inédito ao curriculum; a final de Libertadores é pontual. Chega na hora certa – o time chegou e é maduro, mas é maduro pois chegou. Eliminando os santistas, num 4-2-3-1 pragmático até que demais, marcando com pressing na necessidade e na suficiência, a mais sagaz arma foi a capacidade de se defender: não é à toa que o Corinthians possua a melhor defesa da competição – 3 gols tomados, somente. Essa retração defensiva é o aspecto mais relevante do trabalho de Tite: criando uma solidez defensiva, com um volante muito eficiente e ágil na marcação – Ralf -, o time é coeso. Joga assim pois aprendeu assim, e cada vez mais sabe jogar. Defensivamente, quase perfeito. E a chave – pois nem de longe é uma mera válvula de escape – é Paulinho: o segundo-volante cria, desarma, acelera, marca, avança, retrai, participa, faz gols e é sim, o melhor dos corintianos. Mesmo que Danilo venha aparecendo e tenha feito o tento no último entrave das semifinais.

Os santistas passaram por muita falta de Ganso, e por um pouco menos por falta de Neymar. Neymar é um sensacional avante, porém, não pôde aturar a defesa corintiana – reflexo do quão bem é montado o sistema defensivo. Até mesmo nos confrontos com Alessandro, ele padeceu. Ralf surgia no combate, a situação tornava-se crítica. Para ter a bola com mais qualidade, um médio que cadencia seria o adequado. Ganso pouco (nada) fez. Jogar entre os volantes do Corinthians já não é boa ideia, ainda mais quando se está ‘gansando’. No seu ‘dia’, talvez fosse fato um melhor – talvez bem melhor – desempenho santista; era, deveras, um de seus piores. OS seus piores. E se Neymar crescia, o Santos crescia – o Santos atuou bem melhor na segunda ‘batalha’ -, quando ambos cresceram, corintianos trataram de retardar esse processo: Danilo marcou o tento. Má marcação santista no momento MAIS crucial do jogo – tivera segurado o 1 a 0 por mais alguns minutos, uma possível pressão poderia originar outro gol e, praticamente, uma vaga para segunda final consecutiva de Copa Libertadores.

Palmeiras e São Paulo foram dispostos opostamente na Copa do Brasil: um num lado, outro do outro. Os resultados diferiram, também. E os palmeirenses passaram por um Grêmio confiante e confiável – ou quase isso. Mas os desconfiantes e, certamente, sempre desconfiados palmeirenses jogaram com a preciosa vitória no Olímpico na mão: um 2 a 0 que mudou todo o panorama do confronto. O Palmeiras foi (é) forte. Pelo menos para as finais, é o meu palpite seco – mesmo que o fantasma dos seis ronde a cabeça dos alviverdes. Pois coritibanos deixaram são-paulinos comendo poeira.

A questão mor que envolve o São Paulo, agora, é se deixa-se como está ou se, por acaso, zera o trabalho. Talvez pela capacidade defensiva pífia do time, mereça a segunda opção; mas pode ser ingenuidade mudar o panorama do time novamente. Ou nem tanta, se pensarmos que Leão não tenha encontrado o ‘ponto’ do time até hoje – ele achou um esquema, não um time ideal. Fato é que merecimento só de Lucas pelo gol na primeira partida: nem a vitória foi tão assim merecida. Foi, pois é regra – quem vence, merece, blá-blá-blá. Talvez, aliás, esta seja a exceção – uma das exceções – que comprove a regra. Coritibanos exploraram e venceram a volta – 2 a 0. Crise no ar – assim como suspense.

Circunstâncias apontam para diagnósticos bem objetivos: os opostos estão dispostos, não todos em, porém, oposição. Achados e perdidos: pelas circunstâncias atuais, uns mais do que outros. De todos, o que mais vai ter que se preocupar é o São Paulo – pois não está no embalo e clima para uma primeira final de Libertadores, nem na final de Copa do Brasil ansiando por um título nacional há décadas ou nem mesmo tem um Neymar e um time coeso que possa levá-lo a um título. Mesmo que o Santos também esteja na lista de perdidos.

Essas circunstâncias exigiam – sem pedido ou conselho.

São Paulo. Dos perdidos, o mais

Por: Felipe Saturnino

11/06/2012

Alemães confiam, italianos marcam e Andriy emociona

A primeira rodada do europeu de futebol de 2012 terminou nesta segunda-feira com um tanto mais do que emoção: anfitriões vencendo. E fazendo história.

Os italianos lograram êxito no domingo – sim, pois o ponto vale muito – com empate diante dos ibéricos espanhóis em Gdansk, no melhor jogo do torneio até o dado momento. A equipe de Prandelli obteve sucesso ao atuar com um sistema mais do que antiquado – dadas as circunstâncias atuais que apontam para a recomendação do 4-2-3-1 -, porém, pode ser a ‘novidade’ para o torneio. Numa compactação de 3-5-2, em que Pirlo teve uma ótima atuação – incrível que com seus 30 e tantos, ainda Andrea seja fenomenal quanto a lidar com o ritmo de bola do meio-de-campo – que constou da assistência para o gol de Di Natale, Balottelli e Cassano lançados ao ataque foram; os espanhóis vieram com um 4-3-3, que, em variações, tornava-se ou poderia tornar-se um 4-2-3-1 com uma infiltração mais aguda de um meia (Fàbregas, por exemplo). Aliás, no lance do gol, é o que ocorre: Xavi puxa da meia-esquerda, Silva, vindo do lado destro do campo, recebe a bola do barcelonista número 8 na Espanha e entrega para Cesc marcar o tento de igualdade. Ainda assim, foi interessante reparar a disposição dos italianos – francos atiradores na Euro – para com a manutenção do sistema: marcaram, definiram-se e perseveraram, ao final. De Rossi, de fato, foi uma espécie de líbero – apesar de não se plantar tão profundamente na zaga ele atuou na posição. Maggio, na ala-direita, teve uma participação razoavelmente boa, também.

A Ucrânia emocionou-nos não somente pela vitória em si, mas, também pela figura que a tornou factual: Andriy Shevchenko. O grande de passagens por Chelsea e Milan foi marcador dos dois tentos que sagraram a Ucrânia como a líder do grupo D da Eurocopa 2012.

Sheva, aliás, conseguiu prolongar sua brilhante carreira para fazê-la ainda mais brilhante com essa performance. Já aos seus 35 anos, o ucraniano, se não representa o mesmo de 5 ou 6 anos passados, vive pela figura que é e pelos lampejos brilhantes – mas vívidos e vivos – que ainda nos concede. A primeira rodada da Euro, se valeu por ver a Itália se mostrar forte e empatar com a campeã mundial e uma Alemanha jogando de forma razoável mas, como é característico, arrumando um caminho para o triunfo, valeu mais por reparar Andriy como um ainda fator decisivo. E como é bom recordar algum lampejo de um ex-grande artilheiro – que ainda é artilheiro.

Sheva – voando aos 35

Por: Felipe Saturnino