Achados e perdidos

As circunstâncias aconselham, pedem e exigem.

Tornou-se circunstancial um texto ao blog que anda um pouco que lentamente, dadas as circunstâncias dos paulistas na última semana. Aliás, principalmente desses – já que sabido é que o tempo que vivemos é de Eurocopa, e hoje tivemos um de seus mais importantes jogos. Mas é factual pautar que vivemos num tempo em que, pelo menos agora, dadas as tais circunstâncias, fica simples esquecer do ‘mundial europeu’ – se isso é lá até mesmo possível.

São questões circunstanciais.

Corintianos, palmeirenses; santistas, são-paulinos. Depois dessa semana absolutamente (absurdamente) importante no futuro dos mesmos, é possível reparar o que separa – ou separou – os quatro das respectivas ambições.

Primeiramente, os históricos corintianos, que adicionam um feito inédito ao curriculum; a final de Libertadores é pontual. Chega na hora certa – o time chegou e é maduro, mas é maduro pois chegou. Eliminando os santistas, num 4-2-3-1 pragmático até que demais, marcando com pressing na necessidade e na suficiência, a mais sagaz arma foi a capacidade de se defender: não é à toa que o Corinthians possua a melhor defesa da competição – 3 gols tomados, somente. Essa retração defensiva é o aspecto mais relevante do trabalho de Tite: criando uma solidez defensiva, com um volante muito eficiente e ágil na marcação – Ralf -, o time é coeso. Joga assim pois aprendeu assim, e cada vez mais sabe jogar. Defensivamente, quase perfeito. E a chave – pois nem de longe é uma mera válvula de escape – é Paulinho: o segundo-volante cria, desarma, acelera, marca, avança, retrai, participa, faz gols e é sim, o melhor dos corintianos. Mesmo que Danilo venha aparecendo e tenha feito o tento no último entrave das semifinais.

Os santistas passaram por muita falta de Ganso, e por um pouco menos por falta de Neymar. Neymar é um sensacional avante, porém, não pôde aturar a defesa corintiana – reflexo do quão bem é montado o sistema defensivo. Até mesmo nos confrontos com Alessandro, ele padeceu. Ralf surgia no combate, a situação tornava-se crítica. Para ter a bola com mais qualidade, um médio que cadencia seria o adequado. Ganso pouco (nada) fez. Jogar entre os volantes do Corinthians já não é boa ideia, ainda mais quando se está ‘gansando’. No seu ‘dia’, talvez fosse fato um melhor – talvez bem melhor – desempenho santista; era, deveras, um de seus piores. OS seus piores. E se Neymar crescia, o Santos crescia – o Santos atuou bem melhor na segunda ‘batalha’ -, quando ambos cresceram, corintianos trataram de retardar esse processo: Danilo marcou o tento. Má marcação santista no momento MAIS crucial do jogo – tivera segurado o 1 a 0 por mais alguns minutos, uma possível pressão poderia originar outro gol e, praticamente, uma vaga para segunda final consecutiva de Copa Libertadores.

Palmeiras e São Paulo foram dispostos opostamente na Copa do Brasil: um num lado, outro do outro. Os resultados diferiram, também. E os palmeirenses passaram por um Grêmio confiante e confiável – ou quase isso. Mas os desconfiantes e, certamente, sempre desconfiados palmeirenses jogaram com a preciosa vitória no Olímpico na mão: um 2 a 0 que mudou todo o panorama do confronto. O Palmeiras foi (é) forte. Pelo menos para as finais, é o meu palpite seco – mesmo que o fantasma dos seis ronde a cabeça dos alviverdes. Pois coritibanos deixaram são-paulinos comendo poeira.

A questão mor que envolve o São Paulo, agora, é se deixa-se como está ou se, por acaso, zera o trabalho. Talvez pela capacidade defensiva pífia do time, mereça a segunda opção; mas pode ser ingenuidade mudar o panorama do time novamente. Ou nem tanta, se pensarmos que Leão não tenha encontrado o ‘ponto’ do time até hoje – ele achou um esquema, não um time ideal. Fato é que merecimento só de Lucas pelo gol na primeira partida: nem a vitória foi tão assim merecida. Foi, pois é regra – quem vence, merece, blá-blá-blá. Talvez, aliás, esta seja a exceção – uma das exceções – que comprove a regra. Coritibanos exploraram e venceram a volta – 2 a 0. Crise no ar – assim como suspense.

Circunstâncias apontam para diagnósticos bem objetivos: os opostos estão dispostos, não todos em, porém, oposição. Achados e perdidos: pelas circunstâncias atuais, uns mais do que outros. De todos, o que mais vai ter que se preocupar é o São Paulo – pois não está no embalo e clima para uma primeira final de Libertadores, nem na final de Copa do Brasil ansiando por um título nacional há décadas ou nem mesmo tem um Neymar e um time coeso que possa levá-lo a um título. Mesmo que o Santos também esteja na lista de perdidos.

Essas circunstâncias exigiam – sem pedido ou conselho.

São Paulo. Dos perdidos, o mais

Por: Felipe Saturnino

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