As crises, francesa e holandesa – que não são econômicas

Blanc se demitiu após decepcionante campanha na Euro

Os ‘bleus’ voltaram ao que tinham escapado recentemente. A crise. Não uma crise qualquer, mas a crise. Uma crise que já ocorrera pela terra do ‘champagne’, e que todos os franceses tentaram fugir. Parece que não conseguiram.

Culpa de Blanc!
Culpa de Blanc.
Culpa de Blanc?

Laurent deu padrão aos franceses que em 2010 fizeram uma campanha pífia no Mundial da África do Sul. Deu padrão, aliás, deu-lhes o modelo padrão – não, não quero fazer referência ao aparente sucesso da teoria do Modelo Padrão e nem aos físicos que possivelmente encontraram o ‘bóson de Higgs’ -, pois utilizou um 4-2-3-1 sólido. Um 4-2-3-1 que era sólido. Pois, ao que terminou seu mandato, apenas era – o passado nos é compreensível, mas nem de todo elogiável, como se poderá perceber no parágrafo que segue.
Na Euro deste ano, um descaso tremendo na primeira fase dificultou horrores a vida dos francos marcando um confronto de mata-mata diante dos espanhóis – logo eles – de Del Bosque nas quartas. Não deu outra. A vitória espanhola com doblete de Xabi Alonso simplesmente atestou o fracasso francês na 1ª fase.

A França era notoriamente uma das mais fortes ao chegar no campeonato europeu de seleções. O time que fortaleceu-se com o posicionamento de Benzema como avante, o mesmo Karim que teve uma ótima temporada no Madrid de Mou, e com Malouda e Ribéry como extremos – wingers -, Samir Nasri encarregava-se de mediar a linha segunda do meio-de-campo. O esquema era sacado, por se tratar de uma receita que as melhores seleções se utilizarem. Um 4-2-3-1, simplesmente mais do que recomendado.
Mas os de Blanc foram incompetentes. Fundamentalmente contra os suecos, naquela ocasião que foi datada por um golaço de Ibrahimovic.

Encrencados também estão os holandeses – sim, os mesmos vice-campeões mundiais em 2010. Pois nem parecem. Os ‘baixos’, neerlandeses são os que vão a uma crise em decorrência de motivos muito distintos dos dos franceses. Ali, a crise antes não existira. Existe, agora, o desgaste de Bert van Marwjik, que é natural, justo e necessário, constatando a fidelidade da regra, mesmo que seja eficaz o time de que se fala.
Bert sai por atrito, por péssimo dinamismo de seu esquadrão na Euro, e consolida uma transição, apesar de que não aparente: o pragmatismo holandês agora pode ser antipatia.
Outro colaborador notável do 4-2-3-1, Marwijk se utilizava de uma recomendação tática que explorava não apenas o ‘modismo’ do esquema, mas, principalmente, a adequação de seus jogadores ao mesmo. Robben e Kuyt encaixavam-se como wingers – um tanto quanto bem diferentes sobre os trabalhos desses dentro do campo, é bem verdade – de forma eficaz; Sneijder, o ótimo 10, que em 2010 foi um dos melhores – quem dirá o melhor – da campanha da Inter de Mou na Champions League, fluía o jogo como um centromédio de técnica magnífica. Van Persie completava a linha média e o ataque – pois, afinal, Robin era o único atacante verdadeiro daquele esquema. Pragmático, mas na Copa eliminou o Brasil, que tinha vantagem de um tento no jogo da Cidade do Cabo.

Marwjik não tinha o que fazer – aliás, tinha, pois sempre alguém tem, mas o pragmatismo, ora ou outra, sucumbe às necessidades supremas, senão a necessidade da vitória, no que os holandeses falharam em 2010 e há pouco, na Eurocopa da Polônia e da Ucrânia. O desgaste os fez falhar. Ninguém de tão unidimensional sobrevive a isso – a não ser alguém que encante, como a Espanha, ou alguém que se proponha a vencer continuamente.

Louis van Gaal e Didier Deschamps são, respectivamente, os novos técnicos das duas últimas vice-campeãs mundiais, Holanda (2010) e França (2006).

Deschamps procura enfim tomar as rédeas de um grupo de selecionados indisciplinados e displicentes, na medida do que vai se tornar possível no que avance o seu trabalho.
Louis van Gaal, que certamente não procura trazer de volta o charmoso futebol para a Holanda, como ocorreu há algum mais do que apenas pouco tempo para os dos Países Baixos, recorrerá a uma transição conservadora de estilo: o pragmatismo, que esperamos ser ainda um não-antipático pragmatismo. Tal como foi com Marwjik – apesar de que os times de van Gaal nunca terem sido exatamente uma certeza de antipatia, mas sim de disciplina.

Blanc, como levantado foi acima, não foi culpado na França; pelo menos não é o meu. Apesar de ainda não ter conseguido trazer ordem aos franceses, realizou o básico, e carregou o trabalho até quando a corda duma aparente união do grupo de jogadores rompeu-se. Aí, simplesmente pressionou o ‘botão do dane-se’ e partiu para a demissão. Mais polêmicas, porém, para Deschamps resolver.

Por: Felipe Saturnino

3 Comentários to “As crises, francesa e holandesa – que não são econômicas”

  1. Tb acho que Blanc não pode ser considerado culpado, embora o perfil de Deschamps pareça mais eficiente para lidar com os talentos que provavelmente serão a base francesa em 2014. Então, a mudança foi boa, sorte para os Bleus!

  2. Belíssimo texto, você tem 14 anos mesmo, cara?
    Concordo com suas opiniões, principalmente quando decorreu sobre os Bleus.

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