Gansou.

Paulo Henrique Ganso há tempos não faz o que pode fazer. Ou até mesmo o que pensamos que ele minimamente pode fazer. Dono de um estilo clássico, o armador do time de Pelé já não ostenta aquele brilho que uma vez tivera com a camisa do praiano. PH vive uma fase de recesso de futebol – por mais que ainda o pratique, é como se não o fizesse.

O ‘craque’ fez uma apresentação satisfatória na final diante do Guarani, no jogo de ida da final do Paulistão que permaneceu com 3 a 0 favorecendo o Peixe ao final; pareceu ter sido tudo e só.

Ganso teve seu devido ápice com o Santos nas finais do campeonato paulista de 2010, naquele jogo contra o Santo André que acabou com 3 a 2 no marcador; PH ditou o ritmo, variando a velocidade do jogo com maestria. Deu passe de letra para gol de Neymar, cobrou escanteio pra ninguém, chapelou – bem, abriu a caixa de ferramentas e deu uma amostra grátis, que só custou ao Ramalhão, de quão completo ele era.

A confiança de Ganso caiu, mudou, foi modificada. Ele, que viajava num transe que só o Santos lhe permitiu, com campanhas ótimas em estadual e Copa do Brasil, simplesmente nunca mais conseguiu ser aquele Ganso novamente. O Ganso que o Santos queria, e que o Brasil precisava. Parece que acharam Oscar, afinal.
As tentativas de um Santos que tinha interesse em seu futebol, muito valorizado na época, de renovação mesmo após a contusão no Brasileirão, num jogo no Olímpico fazendo frente ao Grêmio – o mesmo Grêmio que ele enfiara um petardo na volta das semifinais da Copa do Brasil – aconteceram. Somente não vingaram.

Quiçá as constantes comparações com Neymar não merecessem tanta valorização assim de Paulo Henrique. Ou talvez ele nem mesmo as considerasse, talvez não as ouvisse e, então, não as conhecesse. Mas fato é que Ganso entrou num problema do qual ainda não escapou – ele não renovou com o Santos na época, e hoje a história repete-se.

As conversas que consideraram sua indecisão para com a continuação de seu futuro aqui, no futebol brasileiro, mais precisamente no Santos, aparentemente, não tiveram avanços. Delcyr Sonda anunciara no começo da semana que faria de tudo para que PH não ficasse no alvinegro litorâneo, e sim que rumasse ao Internacional do Rio Grande do Sul, pois Delcyr é colorado.

Ganso parece estar satisfeito com a condição de ‘marginalizado’. Tornou-se ‘reivindicador’ de ‘direitos’ nas seguintes oportunidades de renovação que o Santos lhe concedeu, entretanto, simplesmente deu de ombros, para todos os santistas. Não estava feliz, e deixou isso claro com a mais recente proposta que santistas lhe ofereceram – Ganso fez tudo mais claro quando disse que esperava mais na proposta. Não há erro em querer mais no contrato, mas sim constantemente negar-se da posição de atleta santista, e recorrer a mais e mais do com que se pode lidar. Luis Álvaro, presidente santista – ‘a.k.a.‘ LAOR -, estagnou-se de forma sensata. Sabe que tem um limite para proposições a seu 10, e não o ultrapassará. E Ganso sabe que essas reivindicações apenas prejudicam-lhe do ponto de vista pessoal. A imagem de Paulo Henrique, factualmente, está muito abalada.

A saída dessa ‘gansada’ de PH não parece ser mais óbvia: o Santos não é, não pode ser, de modo algum, em qualquer desfecho, pelo menos. Ganso tem que sair, pois pode não ter mais ‘ambiente’. Ou melhor, pode ficar, mas só se recorrer a um recomeço, com tal ímpeto que apenas sua casa – que, no final das contas, é mesmo o Santos – poderá admitir tamanhos imbróglios já passados.

Mas não parece que é o que ocorrerá.
A saída de fato deve ser o fora do Santos.

Na reunião – mais uma para PH – que acumulava como assunto único e principal o futuro da carreira de Ganso, reunião realizada ontem, asseguraram-se as posições fatais dos envolvidos no caso. Luis Álvaro confirmou afirmação de Ganso, que, segundo o presidente, não quer mais atuar pelo Santos. Delcyr Sonda não conseguiu ‘comprar todo o Ganso’ – mas, não seja por isso, Ganso pode ir ao Colorado ainda. E o Santos parece admitir deixar o Ganso voar. Afinal, nos praianos ele pode se afogar.

Enfim, Ganso ‘gansou’. Apenas ele – se ele sabe quais -, deve notar seus erros nessa curta empreitada que carrega com convicção sobre as suas próprias reivindicações. Somente ele conseguirá rotular os princípios que se utilizou para tamanhos conflitos gerados com o time que o criou. De forma conclusiva, ele, apenas ele pode conhecer os próprios enganos que aparentemente ele próprio cometeu. Tomara que ele os encontre, mas não que se arrepende. Afinal, se ele se arrepender, é porque sua carreira não deu certo. Não que ele mereça, porém, no que é um péssimo carisma, Ganso é um grande talento.

Ganso – não é o verdadeiro, mas serve para a foto

Por: Felipe Saturnino

One Comment to “Gansou.”

  1. É uma pena mesmo esse retrocesso, e como santista me dói ainda mais constatar isso. Puxa, a carreira do Neymar sendo gerida tão bem e o Ganso, ali do lado, não se valendo desse exemplo… Claro que o Ney tá merecendo ganhar mais, que não é porque um ganha 100 que o outro precisa ganhar os mesmos 100, mas o Ganso e seu staff não percebem o básico: quer merecer, faça valer em campo em vez de ficar discutindo!

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