Pressão

O Brasil decepcionou novamente numa decisão de Jogos Olímpicos no torneio masculino de futebol. A medalha de prata é longe de ser vexame, mas também não agrada os que ainda torcem e vibram por essa, e muito menos o chefe Marin. No caso, o emprego de Mano (ainda) está em perigo.

A pressão que agora está sobre Mano é a mais esperada dos últimos tempos. O fracasso na Olimpíada a traria consigo, simultaneamente. E as apresentações, se resta-nos contemplá-las, não é significativo no geral – mesmo com a média de três gols por partida até a final, a equipe não aparentava segurança em todo o decorrer da competição.

O fruto da segurança é um misto do trabalho contínuo, que existe fora do campo, mas, principalmente, nos momentos de pressão com que os jogadores lidam. A juventude, com sua exuberância maior e a sua grande beldade representadas na jogada de Neymar no último gol diante da Bielorrússia, com a conclusão vinda de Oscar, não soube adquirir a proficiência para se manter num jogo com pressão. E era uma final, no fim de tudo…

Para se reparar: uma partida em que o Brasil esteve abaixo no placar foi diante da Bielorrússia. 1×0, com gol de um brasileiro – Bardini Bressan -, num cabeceio após erro defensivo. Foi o menor apesar do final. Decerto o Brasil teve dificuldades com o Egito, um jogo com pressão, de estreia, que souberam dar conta de vencer, e, claro, com Honduras – o jogo mais delicado da jornada brasileira até a prata.
Mas na decisão de Wembley, no domingo, certamente aquele que é considerado como um dos três melhores zagueiros do mundo – quem sabe até mesmo o melhor -, Thiago Silva, errou bisonhamente e quase deu o tento para o México, após ter se confundido numa saída de bola – uma saída de bola que comprometeu o Brasil no jogo por completo. A experiência não confortou tanto quanto poderia – apesar das atuações regulares de Silva. A pressão, forte pressão, com que os brasileiros, abaixo do placar com o time do calibre mexicano pela primeira vez na competição, tiveram de lidar, existia desde o momento em que Rafael errara no campo brasileiro: gol de Peralta. E o Brasil não se achou em campo.

Neymar e Oscar, fundamentais durante o torneio. Pouco produtivos ao seu final. Quando o santista arrancou pra dentro e chutou uma bola perigosa no final do primeiro tempo – algo como 30 minutos e mais um pouco, quase 40 -, e iniciou o segundo com vontade, as perspectivas podiam mudar. Hulk também não desapontava, e terminou sua participação confirmando uma vaguinha na equipe de Mano, com gol aos 46 da segunda metade de peleja. Oscar foi o de menos na linha de três, tão decisiva na conta final de um 4-2-3-1. Afinal, ele é o cara do centro, que centraliza as opções de variação de ritmo e suporte ao avante central e os “pontas” – pois, de fato, Sandro e Rômulo não são de apoiar o jogo na frente.

O saldo geral é de decepção. A pouca experiência com a pressão, que na final já existia com menos de 30 segundos pela desvantagem no marcador, talvez tenha derivado mais um revés em decisão olímpicas para os brasileirinhos. Porém, a equipe nunca foi de todo confiável, e por isso falta a segurança que um time vencedor precisa ter. É claro que ainda assim poderia ter abocanhado o ouro ineditamente. Todavia, sabemos que, quando o momento do ouro chegar, será com uma equipe mais completa do que esta. Afinal, do que falamos de falta de segurança que é um problema da seleção olímpica, o problema é da seleção principal, também. A resposta que Mano, em situação difícil, pode dar-nos, é criando um time seguro, jovem, mas ao mesmo tempo maduro, pois existe pouco mais de 1 ano para o Mundial em nossas terras e lá, sim, é o inferno em pressão.

Por: Felipe Saturnino

One Comment to “Pressão”

  1. O caminho é calejar os garotos que são pensados para a Copa mesmo, para lidarem com a inevitável enorme pressão com mais naturalidade… O ideal é que o grupo que for para a Copa das Confederações já seja 90% do elenco pensado para o Mundial.

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