Caindo

O revés diante do Fluminense, o muito justo campeão, simplesmente apresentou o irreversível curso do Palmeiras para o abismo. Na verdade, é um abismo necessário para somente alguns times, mas a equipe de Kleina merece-o como lição digna da tragédia anunciada.

O prenúncio – e isso soará como um pleonasmo, talvez – não foi tardio. Argumentava-se no início do campeonato brasileiro as realidades do Palmeiras no desenrolar do mesmo, e o que parecia de mais plausível e condizente com a realidade era uma posição apenas intermediária. Mas, deveras é notável que o aviso servira para pôr em contexto o Palmeiras. O time alviverde se tornou um mero coadjuvante para o cenário paulista, mesmo sendo um dos quatro grandes do estado, mas nacionalmente, seu nível decresceu de forma ainda mais significativa. Afinal, como pode um time ser protagonista somente quando está prestes a cair, no evidente precipício?

Obviamente, o Palmeiras continuará sendo um grande apesar da queda, tal como o são Corinthians, Vasco, e ainda o Grêmio. Todos esses deixaram a série principal do campeonato brasileiro e protagonizaram na divisão genérica. Mas o Palmeiras nem ao menos voltou à evidência de protagonizar algo, e já deixa seu espaço no topo do cenário nacional, tendo sido o vencedor da Copa do Brasil e sendo ainda um componente da Copa Libertadores – indescritível ironia! O que ocorre é no mínimo curioso, e certamente triste, revoltante e contrastante se comparado ao primeiro semestre da equipe, quando se reobteve aquele sabor de conquista. Pois, de qualquer forma, depois de treze anos amargando um recesso em títulos acima do nível estadual – os palmeirenses celebraram o campeonato paulista de 2008 -, eles venceram a Copa do Brasil diante dos coritibanos. E isso tinha de significar alguma mudança.

De mais, o que restará aos palmeirenses, além de torcer até o fim, bravamente, como deve ser, será agonizar no meio do passeio público. A obviedade da queda é percebida por todos, da ala palmeirense mais cautelosa até à mais conservadora e fanática. Mais uma pena é a aproximação do rebaixamento ser dada após um jogo tão bem disputado pelos verdes, e tão bem ganho pelos tricolores. Depois de algum tempo, o Palmeiras voltou a reagir; mas, que se seja sincero, isso não adiciona nada de considerável aos mesmos se saíram em situação defictária. Afinal de contas, de que adianta a derrota quando se está na zona mais temida de uma tabela de campeonato?

No decorrer da competição, o Palmeiras esboçou poucas reações. Um jogo recente, digno de uma olhadela, foi o confronto que se sucedeu diante do Cruzeiro, aquele com os gols de Barcos e uma boa vitória em Araraquara. Ali ocorrera uma digna volta, retornara um pingo de miséria da esperança existente. Contra o Bahia, a vitória mais importante. Mas a sequência dos três jogos sem vitória simplesmente decapitou todas as mínimas chances para o Palmeiras sobre o run away da segundona. O time padece. Quase morreu. Está quase em óbito. Mas isso é necessário e amplamente justo.

Contrariamente aos torcedores, não é minimamente viável e coerente para com a temporada uma ressalva em relação à qualidade da equipe relevando-se o nível da Copa do Brasil. Para o campeonato brasileiro, não há um parâmetro tão eficaz que nos permita prognósticos, senão a Libertadores. Apenas ela nos pode fornecer as melhores apostas para o torneio. A Copa do Brasil não pode ser tão relevada assim, e por isso qualquer relativização há de ser desprezada. É de ser reparar, portanto, o fato de os dois finalistas da competição situarem-se em posições tão baixas na tabela do torneio nacional.

A saída da qual o Palmeiras precisa requer outro artigo, um que seja mais específico, e também mais duradouro. O que há de ser aproveitado aqui é a poética da tragédia ampla dos alviverdes imponentes, que nem assim certamente são. O que poderia ser aproveitado a outros autores talvez fosse uma épica reviravolta e a permanência da equipe na série A. Mas isso não pode ocorrer. Pela justiça do que é certo, e isso sim pode ser um pleonasmo filosófico – se nossa justiça é o correto -, pelo merecimento da queda, pelo que faz bem ao clube, sim, a queda deve ocorrer. Ao palmeirense, que chore hoje. Amanhã, bem amanhã, que volte ao protagonismo com um clube que tem história e tamanho, mas que tem perdido sua grandeza de forma lenta e progressiva.

Para o bem do Palmeiras – e isso pode ser paradoxo ou antítese -, há o mal da segunda. Acreditem, ser rebaixado faz bem quando se perde ou foge a dimensão da própria grandeza que está próxima de se tornar diminuta e notavelmente insignificante.

A melhor representação do Palmeiras no momento

Por: Felipe Saturnino

One Comment to “Caindo”

  1. Soma-se a incompetência com o “azar” típico, no futebol, de quando as coisas “têm de dar errado”, e temos aí um time que perdeu 20 jogos em 35…

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