A mudança de Tite

O jogo de domingo possui um favorito óbvio, mas exponencialmente menos óbvio que o do ano anterior, e somente alguma coisa menos óbvio que o Liverpool de 7 anos atrás, do confronto contra o São Paulo, acontecido também em Yokohama. O Chelsea, por mais que entre como o cachorrão do jogo, merece incerteza e descrença maiores do que esses dois outros times que foram citados aqui, o outro sendo o melhor do mundo, o Barcelona.

E não é que isso é verdade?

O Chelsea chega diferente se comparado ao meio do ano. Aquele passou por um processo de reformulação, com Di Matteo dando um princípio, e agora Benítez continuando. O lema é a renovação. E por esta, há um preço que tem de ser pago, irremediavelmente. O Chelsea, pois, é mais leve, atraente e ofensivo que o time histórico campeão da Champions League. Mas é potencialmente desconfiável, e joga de uma forma que oferece mais riscos dentro de uma partida. De fato, com Di Matteo, no começo do ano, os Blues ganharam jogos de maneiras fantásticas, porém postando-se sempre de forma conservadora, sem arriscar muito. Para o momento, era do que o Chelsea precisava. Deu certo.

Abramovich viu-se então numa situação curiosa, e teve de manter seu treinador para a temporada 2012/13. Ele foi demitido. Afinal, para quem teve Mourinho, Hiddink, Felipão e Ancelotti, Di Matteo era pouco. Era pouco nome, pouca grife. Ele permaneceu no cargo pois “apenas” obteve o sucesso pleno através da conquista ímpar, jamais vista em Londres, da Champions League – a conquista tão desejada e esperada pelo magnata russo que preside os Blues. Com um campeão dessa categoria no cargo, um técnico ainda promissor, campeão da Liga, há de se complementar, Roman o manteve, mas viu tudo ruir com a péssima campanha na Liga dos Campeões, onde os azuis da capital inglesa conseguiram atingir somente o terceiro lugar em seu grupo, deixando de ficar com uma das vagas nas oitavas-de-final do maior torneio europeu. Benítez aí já estava no comando, já que até o entrave contra os juventinos, em Turim, Di Matteo ainda era o comandante.

Por ora, como não poderia deixar de ser, a temporada para a parte azul de Londres é o puro fracasso. Para Benítez, um Mundial não seria ótimo, mas apenas bom. O time de Abramovich, de fato, mensura vôos mais altos, imponentes, mais importantes, que condizem com a realidade afeita à grandeza que o Chelsea conseguiu adquirir através dos anos de seu crescimento, tanto no âmbito nacional quanto no internacional – nos últimos 5 anos, desde a temporada 2007/08, o Chelsea conseguiu figurar entre os quatro melhores europeus, isto é, entre os semifinalistas da Champions League por três ocasiões. Atingiu uma quarta-de-final em 2011, tendo padecido ao rival United, com dois reveses. No ano seguinte, porém, a glória veio e história foi feita.

Mas, apesar de desconfiar da equipe de Rafa poder ser aceito, irrefutável é a sua posição entre as grandes do mundo. Em qualidade, comparada ao Corinthians, a equipe é quase que infinitamente superior. E essa diferença tende mesmo ao infinito. Os paulistas não possuem tantas opções variadas para posições tão pontuais. O Chelsea tem nomes que chamam a atenção a quilômetros de distância. O que o Corinthians tem é força, força no conjunto. Agregados, seus jogadores conjuram uma grande força, consistência e aplicação tática. São melhores defensivamente que ofensivamente, pois mesmo pressionando a saída dos adversários, o time do 4-2-3-1 de Tite se mostra mais completo quando submetido à pressão defensiva. A defesa é segura, bem postada, sabe como lidar com os adversários. De fato, porém, a apresentação mais pífia que vi do Corinthians no âmbito defensivo foi o revés escandaloso diante do São Paulo, que estava jogando com time reserva, aliás. Wallace, talvez por esse jogo, esteja fora de qualquer plano de Tite de modificar a disposição defensiva, senão Tite mesmo pensasse em manter a defesa do modo que sempre foi.

Para o Corinthians, vai pesar muito o seu lado direito, com Alessandro. O lateral atesta um ponto mais frágil da defesa, pois não concede tanto apoio qualificado, e não é tão seguro assim na marcação. Na outra asa de jogo, Fábio Santos administra com alguma segurança sua posição de titular. No caso de Alessandro, jogar contra Hazard pela lateral é mesmo um azar. Assim como Ashley Cole ainda continua um lateral-esquerdo muito respeitável para o cenário mundial, apesar de não ser o melhor que há, e apesar também de ter passado de seu auge como jogador. Ainda assim, aquele lado promete render problemas aos corintianos. Para isso, o winger-direito deve acompanhar o lateral adversário. E para tanto, Tite deve modificar a linha dos três médios ofensivos. Seja colocando Romarinho ou Jorge Henrique, o Corinthians precisa da mobilidade para se lidar com um time tão flexível, pelo menos teoricamente, quanto o Chelsea.

Por: Felipe Saturnino

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