Matar ou morrer

O sorteio para as oitavas da Champions é por si só um espetáculo.

Quando então ficou decretado que Real e United se cruzariam numa das partidas, sim, tudo tornou-se mais espetacular ainda. Eles jogarão por um torneio europeu após 9 anos, já que o último confronto ocorreu em 2003, também pela Liga, mas na ocasião o embate era pelas quartas. O tempo é distante, pois a equipe inglesa ainda tinha David Beckham e Ronaldo disputava sua primeira temporada pelos merengues. A classificação dos maiores vencedores da Europa veio após um revés por 4 a 3 em Old Trafford.

E o jogo que está por vir promete tanto quanto qualquer outro gigantesco confronto que já presenciamos antes. Por mais que a equipe de José Mourinho esteja em crise forte – definitivamente a maior que já teve por lá, uma das maiores da sua carreira – e o United lidere a Premier League – é só perguntar a Ferguson se ele gostaria de pegar de cara no mata-mata a equipe eneacampeã continental. Ninguém quer. Mas foi mesmo o próprio Real Madrid que se colocou em tanto perigo, além obviamente do tremendo Borussia Dortmund, que apesar de estar 12 pontos atrás do líder Bayern na Bundesliga, levou o grupo D da Champions League com mão forte, não perdendo jogo algum para a esquadra de Mourinho. E aí os espanhóis se colocaram no pote 2.

Se fossem tempos atrás, aliás, o Madrid decerto seria favorito. E também o seria por jogar a primeira partida em casa, onde na temporada passada padeceu apenas por uma vez, na derrota para o arquirrival catalão nos 3 a 1 de 10 de dezembro – a eliminação da UCL, afinal, veio nos pênaltis e não com revés no tempo normal. O Bernabeu não é uma tão grande arma dessa vez para os blancos. Mas a equipe de Mou tem nomes estratosféricos que assustam a todos, até mesmo aos líderes do nacional inglês. A questão pontual é que, se o Madrid de fato se acertar, ao menos para um jogo, pode derrotar o United pelo menos na primeira metade do confronto. Em Old Trafford, o Manchester virá babando e será favorito.
Ainda que conturbado o ambiente madridista, com Mou e Florentino Pérez se enfrentando internamente, e com o apoio dos jogadores ao técnico perdendo força, tanto pelas declarações que Mou concede à imprensa espanhola como pelo que deve fazer dentro de seu grupo, o Real Madrid tem algumas chances de jogar muito e derrotar o time de Sir Alex. Mas é delicado pensar como jogar tanto numa única partida apenas após uma temporada até agora excepcionalmente decepcionante. Talvez Cristiano Ronaldo possa se inspirar em Trafford. Ou talvez possa selar o destino madridista para o inferno. Pois, após algum tempo, a equipe não apresenta perspectiva para a temporada, e se for eliminada nessa etapa da Liga, deve muito bem rastejar por uma vaga na Champions da temporada seguinte, e só – o Madrid está 13 pontos atrás do Barça, e isso deixa quase impossível o bicampeonato de La Liga.

Passando ao lado vermelho, protagonismo do confronto pode ser para a dupla Wayne Rooney-van Persie, que tem funcionado esplendorosamente. Com o holandês em forma, a preocupação de Mou em marcá-lo será ainda maior do que o normal, além do mais para uma defesa tão insegura como se apresenta a do Real Madrid. Para Cristiano Ronaldo, é o reencontro com a equipe que lhe consagrou, lhe deu as maiores vitórias de sua carreira e o maior sucesso como futebolista com a conquista de 2008 do prêmio de melhor do mundo.

Aliás, certamente para os madridistas o jogo vale mais. Por mais que Mourinho não continue no comando da equipe para a temporada 2013/14, o que vale é a chance de seu terceiro título da Liga, e também a dignidade para uma temporada até agora que representa apenas o perfeito fracasso. Para o Real Madrid, muito mais do que para o United, o jogo vale a vida, o vigor da temporada, ainda que uma eliminação da Champions seja muito doída para qualquer clube – e isso para o Manchester afetaria significativamente a confiança do time. Se qualquer um dos times pode morrer nessa oitava, morrer tem um significado altamente mais comprometedor para os merengues. Afinal, do jeito que as coisas estão pelo lado do reino de Madrid, nem mesmo se sabe se Mou continua até o embate com os Devils, que ocorrerá em fevereiro.

Mas por si só esse jogo é um espetáculo.

Mou – logo após ver o resultado do sorteio

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