Archive for ‘Amistosos’

08/09/2012

Pipocas?

A sensação que Neymar deve ter sentido em campo hoje, na vitória tupiniquim sobre os sul-africanos, foi certamente uma das mais desagradáveis de sua curta e promissora carreira como futebolista. O que Mano sentiu lhe é mais próximo e comum. Até mesmo mais sensato e compreensível.

À torcida brasileira – paulista (paulistana) -, vaiar o técnico ex-Grêmio e Corinthians é algo mais óbvio. Os problemas todos, sejam de vertentes táticas ou técnicas na seleção, decorrem ou pressupõe-se que decorrem partindo da natureza do treinador. Mano, que mantém a sistemática do 4-2-3-1 desde o seu início na seleção em agosto de 2010, naquele amistoso diante dos EUA, pouco tentou modificar a natureza tática do esquema; uma mudança significativa foi na característica do miolo de meio-de-campo: na Copa América, deixou a versatilidade e agilidade de Leiva e Ramires para, um ano depois, nos Jogos Olímpicos, usar um sistema menos técnico, mais sólido e pragmático nesse mesmo setor, mas agora com os volantes Rômulo e Sandro.

A liga que Mano ainda não deu na seleção, hoje, porém, está posta numa perspectiva menos plena por motivos óbvios, de importância ainda mensurável mas muito grande.

Em uma coletiva morna, sem sal, como é de seu feitio, Menezes abriu a caixa de argumentações duvidosas e, de certo modo, pífias: quando perguntado sobre o porquê da escolha de substituição de Neymar em instantes finais do entrave diante da África do Sul, no Morumbi, ele pautou de forma enfática o aspecto da condição física da joia do futebol brasileiro.

E Neymar deixou o jogo aos 44 do segundo tempo.

O resultado de vitória brasileira – que teve Oscar na meia principal novamente – foi decepcionante pelo que foi e o que não foi, e não somente pelo que não foi. Foi ruim. Espetacularmente ruim. E poderia ter sido bom. Ainda que tenha sido contra uma seleção ultra coadjuvante no cenário continental. Pois foi o que ocorreu.

Hulk, o herói de MM, marcou nos dois últimos jogos com a seleção, ambos em momentos críticos; o primeiro tento, contra o México em Wembley, é algo diferente deste aqui: enquanto aquele dava um ar de redenção a Mano por alguns segundos e “mantinha” viva a esperança do ouro inédito, este aqui representa a salvação do absoluto abismo cósmico em que ele continua a tentar se jogar.

As pipocas amarelas, que não referem-se a todos os jogadores, não são verdadeiras; são frustrações dos torcedores, e provém da mais alta qualidade. Neymar, o pipoqueiro do dia, foi cutucado por um Mano muito controverso nas declarações do pós-jogo, e também pela torcida colorida em verde e amarelo que o vaiou. Como dizia um desses por aí, as vaias são os aplausos de quem não gostou.

Neymar, se não é pipoca – muito longe disso -, é o líder técnico da seleção no road de Mano Menezes. O caminho é mudar. Mudar o sistema, os objetos do sistema, e mudar também o local do jogo. Por isso o escolhido da vez da CBF é o Recife.

E a Mano: credenciar Neymar às vaias é injusto, mas não deve ser tanta pressão comparado ao que ele já sentiu. Neymar não pipoca. O problema é menos simples e mais amplo. É a seleção que MM não consegue dar jeito.

É o sufoco no Morumbi.
É a pressão do país que é sede do Mundial.
É o técnico que cutuca o ídolo teen.
É o time que nos faz pensar em Dunga.

É a pipoca que estoura; a situação é crítica.

Por: Felipe Saturnino

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01/03/2012

Dique

Logo após sua terceira conquista do prêmio de melhor do mundo – e a terceira consecutiva – no FIFA Ballon D’or (fusão do prêmio FIFA com a revista France Football) referente ao ano passado, Lionel Messi disse o que pretendia explorar mais no caminho da sua carreira para dar a outros outra vista da mesma: o sucesso na seleção argentina.
As críticas em relação ao argentino jogando na representação de seu país sempre foram um tanto injustas em alguns pontos – apesar de em momentos, pouquíssimos, é verdade, fazerem sentidos.

Nunca se pôde mensurar o nível de Messi como o ‘padrão-Barcelona’ na Argentina por, na equipe catalã, ter-se um esquadrão histórico que se desenhou em circunstâncias específicas, também históricas, o que só torna o fato ainda menos constante e comum. Até para um gênio como Messi.

A atuação mais desapontante do argentino que me recordo em tempos recentes foi aquela diante a Colômbia, pela segunda rodada da Copa América do último ano. Naquele jogo, até direito a uma falta no outro lado da arquibancada Leo teve. A frustração de não jogar bem com consistência na seleção argentina, porém, não foi o fator que derrubou-os nas quartas-de-final, contra o Uruguai – naquela ocasião, Messi fez ótima participação em campo.

O que simplesmente sempre pareceu-me um pouco muito injusto foram as críticas para cima de ‘La Pulga’.

Mas como recorri à declaração de Leo no início do texto, ficava claro que o objetivo dele era ter um cuidado mais especial com os seus passos na esquadra argentina.

E no fundo, sabemos que ‘Messias’ – pois ‘Dios’ é o outro canhoto dono da dez na conquista de 86 -, de um jeito ou de outro, nunca faz um jogo ‘ruim’. Confundimo-nos, enganamo-nos pelo que – agora sim – ‘Deus’ faz no Barcelona, com tão incrível sutileza, elegância, facilidade e normalidade. Por esta razão ‘crucificamos’ o dez com tanta facilidade, sem nos dar conta que estamos na presença de divindades quando se trata do melhor time do mundo. E de ‘divindade’ – ainda mor que outras – quando tratamos de seleção argentina.

No fundo, contudo, sabíamos que Messi, já como dissera no começo do ano em Zurique, tentaria desgarrar com a seleção, tentaria fazer algo mais ‘marcante’ com a seleção. Como se soubéssemos que, em um momento randômico, um gênio viria com uma ‘pequena solução’ para um problema que quase todos indicam ser ‘quase insolúvel’.

Em Berna, na Suíça, tivemos o predito. O dique de Messi se abriu. Melhor, aliás, o dique se abriu para Messi. Pelo menos na seleção. Ainda que seja um jogo ‘pequeno’, e o problema, consistentemente, grande, respostas progridem. E o dique se arrebentou pela primeira vez na direção de hoje. Para Messi, hat-trick, com a camisa argentina, nunca antes ocorrera. Sim, o dique se abriu. Respostas progridem. E Messi é o melhor do mundo. E gênios precisam dar respostas. Não que seja necessário.

Mas se é o que querem, sim.

Messi - com o dique aberto e partindo para as respostas

Por: Felipe Saturnino

12/10/2011

Para ressurgir

Ronaldinho Gaúcho - fim de jejum de 4 anos sem fazer gol e vitória para ganhar confiança

Em Torreón, no México, o Brasil encontrou a seleção que ele não costuma ter a maior tranquilidade de jogar contra. A equipe mexicana, hoje, é melhor que a brasileira, de certa forma. É time mais pronto que o Brasil.

São nestes jogos que ficam evidenciados defeitos de uma seleção – ou qualidades. Para Mano, mudar radicalmente o 4-2-3-1 que propunha no princípio de seu trabalhou ficou viável desde o momento que ele começou a perceber os erros do time.

Contra a Costa Rica, por exemplo. A linha dos três meias ofensivos – Neymar, Lucas e Ronaldinho Gaúcho – ficou estática. Não havia variação para tentar iludir a marcação dos donos da casa que se portaram bem no jogo, mesmo perdendo. Havia também a falta do fator surpresa, o valor individual que surge de trás para dar suporte aos meias que compõem o meio-campo num setor mais avançad. Ralf e Luiz Gustavo eram pouco criativos, e Mano “achou” Hernanes – finalmente – e o colocou no time. Tímida melhora. Apenas tímida. Ainda assim, a vitória num jogo fraco e pragmático da seleção brasileira.

Diante o México, equipe mais qualificada que a Costa Rica, Mano Menezes resolveu sair da sua proposta. Radicalmente. Propôs um 4-4-2 que, partindo do esquema padrão, o 4-2-3-1, possui muitos pontos distintos. E o problema da movimentação foi resolvido.

Mas outro foi criado: com o desdobramento tático natural, tornando a equipe híbrida, seguindo um 4-2-4 (4-2-2-2 com junção dos meias ao ataque), o Brasil simplesmente deixou de marcar. Os meias da ponta-de-lança, Lucas e Ronaldinho, não recompunham. Assim, a equipe ficou mais suscetível aos ataques mexicanos, que eram perigosos com a velocidade de Barrera sobre Marcelo e com Giovanni dos Santos por trás da cabeça de área. O México, de Manuel de La Torre, aliás, atuava num 4-4-1-1, que tinha como força explorar a versatilidade dos dois meias abertos – Guardado e Barrera. O gol contra de David Luiz, por exemplo, nasce de uma inversão de uma meia para outra, terminando na infelicidade do zagueiro do Chelsea.

O primeiro tempo teve o Brasil impondo o ritmo no jogo, com o quarteto ofensivo variando muito no ataque. O México, por sua vez, desejou o contragolpe mais que outra coisa. As saídas de Barrera, Guardado e Gio dos Santos sobre os laterais e a cabeça de área deixam evidente o equívoco brasileiro – mais que natural, julgando a formação usada por Mano. E assim, o time da casa poderia ampliar a vantagem, após um penal mais que tolo de Daniel Alves sobre Javier “Chicharito” Hernández. O lateral brasileiro, azulgrana, foi expulso. Justo.

E apenas não tivemos dois a zero contra no placar pois Jefferson realmente está em fase de grande goleiro. E, grande como é, defendeu o penal batido por Guardado.

O segundo tempo começou com o México melhor, tentando ter a segurança do jogo e o rumo também, em suas mãos. Mantendo o 4-4-1-1, os anfitriões tentaram ser incisivos. O Brasil voltou num 4-2-1-2 – Hulk e Neymar no comando do ataque.

Desenhado o contexto do jogo, os brasileiros não mereciam vencer. Em hipótese alguma. Mas, R10, em seus momentos de genialidade – que ainda possui – mostrou o motivo de ser quem é. Fez um gol espetacular de falta e empatou. No minuto seguinte, aos 36, Marcelo, desempenhando a função sobre Barrera de forma mais contundente, conseguiu virar o jogo e salvar a cabeça de Mano de uma vez por todas.

A vitória, de uma forma, deixa alguns pontos importantes sobre a seleção nacional e a sua situação:

1 – Pode-se argumentar que Mano demorou a variar ou a arriscar, porém, finalmente conseguiu tornar o time diferente. O 4-2-2-2 funcionou nos seus limites e mostrou que o técnico “acertou” em algo. Apesar dos erros táticos evidentes.

2 – Porém, a seleção não poderá repetir este esquema novamente. A fragilidade que ele dá à cabeça de área é muito grande e torna o time facilmente batível. É fato.

3 – Fernandinho, para Mano, disputa a função de segundo volante com Hernanes. O pensamento é questionável, sabendo que os dois não são volantes nos times que atuam, e sim meias centrais.

4 – Mano Menezes pode repetir a composição com 4 e 4, seja um 4-3-1-2 ou 4-4-2 das antigas.

5 – Deve-se usar mais Hernanes para haver um reforço técnico à frente no meio-campo. A carência brasileira na ligação também se deve a esse motivo.

A vitória, além de tudo isso, é para ressurgir. Apesar dos erros, uma boa vitória.

Por: Felipe Saturnino

10/08/2011

Uma vitória emblemática para o time de Löw

Todos sabem como os germânicos tem um time forte e, além do mais, um bom técnico. Aliás, um ótimo técnico.

Joachim Löw assumiu ao fim da Copa de 2006, que não, não foi um fracasso.
O time de Klinsmann foi terceiro lugar, vencendo Portugal por 3 a 1 na oportunidade.

Hoje, Löw tem um time ‘mais time’ que aquela esquadra de Jurgen Klinsmann. A qualidade técnica do futebol alemão é de um time top, talvez perdendo somente para a Espanha, chegando a desbancar os holandeses vice-campeões mundiais. E se comparando ao time de Klinsmann, a Alemanha de hoje também é um time com mais futebol.

A vitória dos alemães é tão importante quanto a derrota dos brasileiros. Sim, pois significam coisas distintas aos trabalhos – enquanto Löw forma um time mais forte e mais encorpado, Mano tem um time com indefinições e nomes questionáveis no elenco. E, também, pelo que significam. Os amistosos contra figurões são importantes. A questão abrange outras vertentes de pensamento.
Até pelo fato de, quando Mano jogar contra uma equipe de nível da Alemanha, se perder, a derrota terá um impacto notável. Estes jogos estão em um nível alto, e por isso são importantes para testes. A questão é até onde testes deste nível influenciam o trabalho de Mano na seleção. Perdê-los pode representar uma queda do técnico na seleção atual.

O confronto dos dois times no 4-2-3-1 mostrou como o meio-de-campo alemão é funcional. Schweinsteiger, Kross, Götze, Müller e Schurrle, que jogou no segundo tempo, monopolizaram as ações do jogo no tempo inteiro. O Brasil teve um Ramires regular, mas sem brilho algum, um Ralf protetor mas que não conteve os avanços do trio da segunda linha de meio-de-campo alemã, um Neymar debilitado e fraco, um Robinho esforçado mas ainda sim médio e um Pato fazendo um jogo acima das atuações de Copa América.

Ralf fez cerco a Mario Götze em praticamente todo tempo do jogo, e não se saiu bem. Fernandinho fez um primeiro tempo razoável, mas não conseguiu ser efetivo em jogadas ofensivas. Müller, pela direita da Alemanha, no 4-2-3-1 proposto por Löw, mantia um apático André Santos no seu cerco. E olhe, André Santos conseguiu movimentar-se para dar apoio em uma jogada do Brasil, somente. No lado oposto, Podolski fazia suas jogadas com suporte de Lahm, o ótimo lateral alemão.

Não deu outra. Depois de 15 minutos consideravelmente regulares na etapa complementar, a equipe brasileira não conseguiu se afirmar diante os alemães. Em um pênalti de Lúcio bem marcado, Bastian Schweinsteiger se confirmou como um dos melhores em campo. Ele conseguia organizar a Alemanha, surgindo da posição de volante. Mas o melhor em campo foi o autor do segundo gol. Como já citado aqui no blog, Götze parece ser um pequeno craque. O alemão fez uma partida de gala, mesmo jogando em uma posição que não é o seu lugar original. Após uma jogada de Kross-Klose e Götze, os alemães marcaram o segundo. O Brasil fez de penal com Robinho, porém, André Santos resolveu mostrar suas mais do que evidentes deficiências. Schweinsteiger recuperou a bola e entregou para Schurrle, o bom atacante do Leverkusen, marcar o tento.

Neymar fez o seu, que não foi nada mais do que relevante.

As atuações são relevantes sim. O Brasil por uma atuação razoável, mas pouco efetiva. A Alemanha pelo emblema que a conquista diante os brasileiros carrega. O time de Löw se consolida mais e mais.

Aos brasileiros resta rever nomes da convocação e, finalmente, formar um time que seja competitivo e que possa vencer um dos figurões mundiais.

Pois avaliar uma demissão ou, no mínimo, pensar numa, chega a ser algo um tanto fútil. O trabalho ser medido diante um confronto com a Alemanha não é justo. O trabalho deve ser mensurado com as etapas gerais, desde a convocação até o jogo.

Mano não tem uma equipe para a seleção, mas tem padrão. Um passo dado. Um passo pequeno, que se diga. Somente não consigo ver um time competitivo em 13 jogos de trabalho na era Mano Menezes. Esta é a maior crítica feita a Mano aqui.

Alemães tiveram um meio-de-campo muito funcional; ao Brasil faltou ligação de jogo


Para Löw, uma vitória emblemática para um futebol envolvente dos germânicos. Conquista justa e merecida aos tricampeões mundiais.

Por: Felipe Saturnino

09/08/2011

Mano vai insistir

Não tem problema algum em manter uma proposta que, anteriormente, já falhou. Pode funcionar em um momento mais passado do trabalho, em que a seleção tenha mais conjunto. Mesmo assim, o padrão de Mano é aceitável.

Até pelo fato de os convocados terem a cara do esquema 4-2-3-1 de Mano. Ainda discordo – e muito – das não-convocações de Marcelo e Hernanes, mas Ralf faz uma ótima temporada no Corinthians como primeiro volante, no também 4-2-3-1 de Tite. Luiz Gustavo pode ser lateral, mesmo sendo um ótimo volante hoje do Bayern de Munique. Porém, este não será titular.
Na linha de principal do meio-de-campo, Neymar, Ganso e Robinho participarão do desenvolvimento do jogo. Pato deve ser o atacante, que se movimenta muito e por isso contrasta um pouco o dever do centroavante nato.

A equipe da melhor atuação de Mano jogou no mesmo 4-2-3-1, diante os Estados Unidos, no primeiro jogo da era do gaúcho. E o sistema é versátil o bastante para ser, hoje, o da moda na Europa e, por conseguinte, no mundo.

A preocupação não se dá somente ao time, mas principalmente a Mano. A sequência mais do que forte do Brasil pode acarretar uma série de mudanças no comando da Seleção brasileira.
O que não seria mais do que injusto – sabendo do nível dos adversários que o Brasil enfrentará.

Se Mano insiste em seu padrão, é porque tem ‘fé’ nele. E sabe que pode bater uma das seleções habitantes do 1º escalão mundial – a Alemanha, no caso.

Os alemães podem vir com: Neuer, Lahm, Howedes, Hummels e Aogo; Rolfes, Schweinsteiger, Götze, Müller e Podolski; Mario Gomez.

A equipe manterá o esquema preferido por Löw: o também 4-2-3-1.

Parece que Mano terá um trabalho mais do que duro nesta quarta, em Stuttgart.

Muito pelo fato de, se não ocorrer um resultado convincente, isto é, diferente de uma vitória ou uma outra perspectiva melhor, ele poderá sofrer com a permanência na Seleção. Seguidamente, pode-se acarretar uma demissão mais do que precoce ao atual técnico da equipe.

E se isso ocorrer, o trabalho vai-se iniciar de um ‘nada’ novamente. Assim como Mano Menezes começou o seu, diante os Estados Unidos, há um ano ou algo do tipo.

Mano - insiste no esquema e pode ter trabalho ameaçado por medir força com figurões do futebol atual

Por: Felipe Saturnino

07/06/2011

Entre festas e negócios

Claro que hoje tenho que abordar Ronaldo no texto sobre sua despedida. Óbvio que vou usar palavras como Fenômeno, artilheiro, sensacional, magnífico, craque, gênio etc para defini-lo. Claro que, hoje ele fará seus últimos 15 minutos vestindo o uniforme da seleção com maior importância no cenário do futebol mundial. Por tanto, Ronaldo tem de ser festejado hoje, com muito merecimento.

Entre festas e despedidas, também visualizamos uma equipe brasileira ainda necessitando de ajustes. Falta de articulador, chutes de média distância e jogadas laterais explorando os nossos atacantes, como atuou o Brasil de Mano contra a Holanda. O time de Mano, que antes regia o futebol em um 4-2-3-1 hoje não tem mais opção para jogar no esquema da moda do momento. Sem Ganso não há quem o substitua, apesar de achar que Hernanes seria uma boa à meia central brasileira. Porém, o ex-técnico do Corinthians que hoje verá seu ex-pupilo Ronaldo se despedir “em grande estilo” com a Seleção Brasileira em amistoso oficial, não convoca Hernanes desde o incidente que parece ter marcado o atual meia da Lazio da Itália e ex-são paulino. Aquela entrada faltosa que rendeu um vermelho merecido mudou os traços do jogo diante da França.

Águas passadas, enfim, estamos com problemas na seleção. E, por mais que hoje tenhamos uma parte festiva, Mano tem de resolver se vai prosseguir com um esquema que tem dificuldade em trafegar com a bola pelo meio-de-campo ao ataque sem um meia, vai mudar o jeito de jogar, ou simplesmente esperará por Ganso na meia do Brasil, com a legítima 10 verde e amarela.

Entre festas e negócios, Mano precisa acertar seu time. Nem que apresente uma atuação convincente diante da Romênia, o atual comandante da Seleção Brasileira ficará em créditos. O problema é maior. O Brasil precisa de um padrão que, de fato, renove as ideias que muitos dos nossos nativos tem sobre o Brasil nos tempos atuais. Um Brasil que é indeciso sobre o que faz com a bola e que não consegue emendar boas atuações contra grandes, este é o Brasil que temos em mente. Por mais que seja cedo, o Brasil não é o que esperávamos. Não é para ser vaiado, mas para ser, ao mínimo, questionado. Com razão. O torcedor não pensa assim. E se não tem razão, pouco importa. Se o Brasil não jogou bem, não convenceu, e não venceu, o torcedor, no caso, tem razão.

Entre festas e negócios, hoje Ronaldo diz adeus. Dizemos obrigado, meu caro.

Por: Felipe Saturnino

10/02/2011

Fora de hora

Na hora menos necessária de se jogar – não desmerecendo o Ituano e de de jeito algum o Paulistão – o Corinthians jogou na hora em que não era a mais necessária. Chegou atrasado.

Após a eliminação na Libertadores, a equipe do gaúcho Tite venceu o Ituano por exorbitantes 4 a 0. Placar que deixa os corintianos menos preocupados. Melhor. Só que jogou na hora que não era para tanto assim. O Corinthians tinha time para vencer o Tolima. Só que não conseguiu. Foi um time sem criação. Não fez um gol sequer e foi embora dando tchau com a mão fechada. E logo depois pegou o Palmeiras. E venceu. Com sorte e venceu. Com competência e venceu.

O que realmente me impressiona é o atraso para jogar bem. O Corinthians agora, só tem uma chance de levar um título no primeiro semestre: no Paulistão. Time pra isso tem. Só espero que não chegue atrasado.

Coisas que tenho que falar:

– O Corinthians tem time para vencer o Paulistão. Só que tem que se acertar e, no final das contas, é difícil vencer o Santos com Neymar, PH Ganso, Arouca e Elano jogando bem. No geral, com os times brasileiros, o Corinthians não está mais nos times de primeiro escalão, como o Fluminense e Santos, por exemplo.

Com casa vazia, Corinthians venceu e bem.

– O Fluminense empatou ontem pela primeira rodada na Liberta. O problema é empatar jogando em casa. Mesmo que seja contra um difícil Argentinos Juniors bem fechadinho. Mais uma vez, Muricy procura ganhar sua primeira Libertadores, título que não tira nada do prestígio que o tal possui.

Rafael Moura - comumente chamado de He-Man - fez dois no empate do Flu em casa em jogo difícil.

– O São Paulo é uma incógnita. É um time que se reformulou já que a geração do tricampeonato nacional já se perdeu pelo mundo. Acho, que com Lucas e Casemiro, a equipe possa dar liga. E ainda tem Rivaldo. Só que acho que é trabalho para longo prazo. Carpegiani ainda não deu um padrão tático para a equipe, e acho que não pretender definir isso tão cedo.

Mesmo com Rivaldo, São Paulo tem algumas deficiências e é uma incógnita na equação.

– Nos amistosos, Messi foi soberano sobre Cristiano, em um 2 a 1 para a Argentina, e Alemanha e Itália empataram. A Inglaterra venceu seu jogo e, como todos devem saber, o Brasil perdeu mais uma vez para os Les Bleus.

Por: Felipe Saturnino

09/02/2011

Au revoir: tabu prevalece no jogo do Stade France

Hoje, fizemos frente aos nossos rivais franceses, em um jogo bom. Bom por uma parte.

Após uma expulsão patética do nosso meia – do qual, mesmo parecendo que desprezo, acho um jogador muito bom – o Brasil certamente perderia o jogo. E aconteceu que perdeu. Da França, de novo.

Os franceses, é verdade, tem uma seleção mais arrumada do que aquela da última Copa. Laurent Blanc realmente deu um padrão tático aos francesinhos, que realmente levaram a peleja. Mostraram que estão mais organizados e tem uma forma de jogar.

Só que eu não posso tirar o mérito – e realmente deveria – da vitória do time bem dirigido por Blanc. Se pudesse, realmente tiraria. No mais, o que posso dizer é que o clássico se abstém até somente o primeiro tempo. Basicamente, pela expulsão do tão calmo Hernanes.

E foi interessante. Interessante ver a França contra o Brasil. O Brasil contra a França. Ver uma espécie de losango formado no meio-de-campo brasileiro com Lucas – vértice recuado – Elias pela direita, mas um pouco mais recuado, mesmo com suas eficientes subidas ao ataque, Renato Augusto mais a frente do ex-corintiano e Hernanes centralizado.
A França com um 4-2-3-1. A defesa de Rami e Méxes – dois bons zagueiros – e o lateral direito Sagna – que apoiava – e a lateral-esquerda de um nem tão bom lateral, que é mais um zagueiro, que é Abidal. O meio com os dois volantes M’Vila e Alou Diarra, e o três meias pela frente com Malouda, – pela esquerda – Gourcuff, – centralizado – e um dos nomes do jogo, Ménez. Falo isso pois Benzema viu a necessidade de jogar, e jogou o que podia. E foi o outro nome do embate. Atrapalhou demais a defesa com Thiago Silva e David Luiz. Mesmo com tudo isso, o clássico ficou com um-gostinho-de-quero-mais. E realmente, poderia ter sido, e poderíamos não nos abster tanto à análise de menos de um primeiro tempo, já que a expulsão ocorreu aos 39.

Benzema fez o gol, após uma ótima jogada do meia francês Ménez.

CONCLUSÃO: O Brasil teria dificultado mais se tivesse onze. Poderia ter até mesmo ganho, e tinha time para tal feito. Só que a expulsão boba de Hernanes simplesmente impede uma análise mais aprofundada do jogo, já que as equipes estão em condições totalmente distintas.
Todavia, não se pode desmerecer o fato de que, efetivamente, a França tem uma equipe bem organizada, que ainda tem algumas coisas a melhorar.

Só não se pode querer resultados tão rápidos assim. O Brasil passa por uma total reformulação. A era MM só tem um bocadinho de jogos. Até a Copa América, haverão mais alguns testes interessantes. E espero que o Brasil se saia melhor. Psicologicamente, principalmente.

Mas, hoje é dia dos franceses. Au revoir. Afinal, o tabu prevalece…

Por: Felipe Saturnino