Archive for ‘Barcelona’

02/11/2012

O que mais um Ballon D’Or significaria para Messi?

Lionel Messi está à evidência do seu quarto título de melhor futebolista do planeta. O azulgrana detentor da camisa 10, absoluto e absurdo no trono de rei do maior esporte que há, parece querer perpetuar seu monarcado para tornar-se definitivamente uma divindade, mais do que “somente” um gênio que é.
E sobre isso, creio eu, não existem muitas dúvidas. Messi continua a ser o melhor, Ronaldo o segundo – e nisso há uma mera grande vantagem. Iniesta ou Xavi podem ser terceiros – para a FIFA, pode até pintar Pirlo ou Falcao como um terceiro, mas esta seria uma autêntica agradável surpresa por parte da mesma.

Entretanto, é de se reparar que o Barcelona não vivenciou seu melhor momento em três anos com Josep Guardiola, nem ao menos de longe. Na temporada passada, a equipe padeceu diante do Real na Catalunha na liga espanhola, apesar de ter vencido na ida em Bernabeu. O time que era de Pep na ocasião derrotou o Madrid por 3 a 1, desintegrando parcialmente o Real de Mou – que voltou a demonstrar vida quando goleou o Sevilla em Sevilha, logo no entrave seguinte de La Liga. Foi eliminado pelo Chelsea em uma drmática semifinal, em que Messi cometeu o seu único erro no ano: o penal desperdiçado diante do enorme tcheco Cech. Ainda assim, conseguiram vencer a Copa do Rei sobre um Bilbao forte com Bielsa. E foram estas ocasiões de baixa que mostraram o quão grande foi (é) Messi, marcador de 82 gols na temporada 11/12; o Lio que, enfim, jogou num de seus melhores patamares pela seleção albiceleste. O Messi que comanda o time de Sabella, numa espécie de 4-2-3-1 que o deixa livre para ditar ritmo, variar e inverter e ligar os wingers que aceleram o jogo (Di María e Aguero) verticalmente. A fórmula mágica que funcionou no seu melhor ano, indubitavelmente, pela Argentina, e que deu a Leo gols fantásticos como os contra o Brasil (nos 4 a 3 de New Jersey, com a magistral pintura do último tento), gols precursores, como os do hat-trick contra a Suíça (3 a 1, o primeiro jogo em que marcou três com a camisa da Argentina), e gols demonstrativos do quanto Messi conseguiu crescer para o cenário nacional, nos jogos contra Uruguai e Chile, os últimos dois confrontos pelas eliminatórias. E tudo isso ocorreu como promessa – o termo mais válido aqui seria, porém, aviso: quando venceu sua terceira Bola de Ouro, Lionel disse que queria ser maior, mais superlativo e dominante no que envolve o contexto tão delicado da seleção argentina. E isso aconteceu em janeiro. Pouco menos de 10 meses depois, Messi venceu obstáculos e se consolidou definitivamente como o maestro da seleção – talvez não tão grande como Dieguito na popularidade, mas, decerto, aproximando-se de El Pibe na técnica de seu mágico e fenomenal estilo de jogo.

Messi merece, e tem de ganhar mais uma Bola de Ouro pelo que faz por suas equipes, pelos gols de cobertura que marca, pelas fintas sucintas, precisas e minuciosamente calculadas com que rege o jogo na Catalunha, e pela figura que é – apesar disso ser posto seguramente e acertadamente em segundo plano para decidir o prêmio de melhor do mundo. Mas o quão isso verdadeiramente importante lhe é?

Messi, o único tricampeão do prêmio em toda a história, já escreveu seu nome para o infinito sempre de todo o âmbito futebolístico. E isso o coloca entre os maiores da história, talvez o maior do século XXI, de tal forma que nos parece incontestável essa tese. Refutá-la é uma tarefa árdua, e dificilmente alguém conseguirá desbancar todo o envoltório que há ao redor de Messi por causa de seus exacerbados méritos no seu período, tanto quanto breve – que são oito anos – em atividade. Mais um título da FIFA para o argentino significa credenciá-lo a um reinado jamais antes visto, ou talvez até já presenciado, mas há muito. O que se iniciará seguidamente, e novamente, é bem verdade, será sua posição com relação a Pelé. E a posição de melhor da história é sempre digna de muita discussão, e obviamente de um invariável cuidado nas opiniões.
Se o mais significativo é colocar Messi em algum lugar na história ao final de sua brilhante carreira, esperaremos. Mas, agora, já Messi parece estar completamente apto a assumir o posto de melhor da história do jogo. O quarto título de melhor do planeta, que lhe é evidente, mais que apenas e meramente esperado, lhe colocará num estágio numérico, ao menos numérico, sobre geniais Ronaldo e Zidane.

E de fato isso significa muito para La Pulga. E significa por ser mais próximo e comparável à sua realidade que Puskas, Pelé, Cruyff e Maradona são. O que se torna corriqueiro é a constante conexão, que totalmente válida é, entre tempos distintos do futebol que não permitem uma análise coerente, e justa. Mas seria injusto dizer que Messi é o melhor de todos?

O mais coerente e menos assustador, pelo menos agora, é dizê-lo como um excepcional argentino e blaugrana, que está entre os 15 maiores jogadores da história do esporte, e que é o maior deste século. Porém, será evidente que, no gran finale da sua carreira, necessário se tornará falar nele como o maior de todos ou não.

E seria justo considerá-lo o melhor de todos apenas ao final de seu tempo como futebolista? Bem, aí o fim do monarca não representaria o fim da sua monarquia, porém, simplesmente um período de pausa, pois, certamente, Messi já estaria eternizado, seria infinito: um Deus e não só gênio mortal. Mas bem melhor seria poder considerá-lo como o melhor no seu período de atividade, pois assim poderia fruir de seu futebol como o melhor da história.

Messi – o melhor de todos os tempos? No fim, (talvez) saberemos

Por: Felipe Saturnino

03/07/2012

Manias de tendência

O sucesso espanhol faz-nos recordar os tempos brilhantes da seleção do canário, a nossa, que há algum tempo já não nos encanta.

Ora, o tempo é de renovação. É muito sofrida a transição, mas sempre é assim. Por mais que sejamos ‘os melhores’ – hoje em dia certamente não o somos, mas no ‘overall’ -, somos mortais. É bem verdade que já tivemos seleções que não aparentam, e de fato não são mortais – as memórias das seleções de 70 e 82, por exemplo, que não se rompem na consciência afetiva do torcedor, parecem se perpetuar nas lembranças da memória. É esse nível que os espanhóis de Del Bosque, mas que em 2008 eram de Aragonés, hoje, atingem.

A imortalidade é uma virtude. A arte de abstrair uma figura, ou, no caso mais adequado aqui, um conjunto de figuras – que juntas designam uma significativa força a um país que vive uma crise pra lá de séria – e torná-las constantes na história do esporte é algo que acontece poucas vezes e, por consequência, para poucos ‘humanos’ – mas imortais. Os espanhóis abrangeram um consenso, que em notoriedade aprova a posição da Espanha, a Fúria, como uma das maiores seleções da história do jogo.

E são eles os culpados do sentimento nostálgico que alguns de nós possui daquelas seleções brasileiras ‘memoráveis’. Ou melhor, num contexto mais adequado, a palavra fiel ao momentum seria ‘imortais’.

A tendência de aproximar os melhores aos melhores é natural. Quem dirá que, na Copa da Espanha, em 82, existira alguém mais perfeito do que o time brasileiro? É óbvio que utiliza-se, aqui, a noção plástica, clássica e romântica do futebol absoluto e absurdo praticado pelos canarinhos que padeceram a Paolo e outros tantos italianos – que, nem por falta de plasticidade, eram ruins.
A perfeição furiosa de ‘España’ é notável. Apesar de ter praticado o futebol mais vistoso somente na última partida do campeonato. Ainda assim, a qualidade chama a atenção e, sim, encanta. Encanta por ser monótono. Mas unidimensionalmente interessante e, quase sempre, fantástico.

A nostalgia aproxima. Mas, de fato, o futebol espanhol, mais especificamente a seleção espanhola e o Barcelona, aproximam-se e distanciam-se dos outros. Praticam um futebol baseado claramente no tiki-taka, pressing, conservação da bola, aproximação e disciplina para cobrimento de espaços no campo, infiltrações e etc. Mesmo que o esquema espanhol seja a moda mais do que recomendada do 4-2-3-1.

A influência de Michels e Cruyff é notável na vida do Barcelona. O técnico que foi da KNVB com aquele esquadrão também imortal dirigiu o time blaugrana e levou esses segmentos para lá. Johan, algum tempo depois, herdou um legado que deveria continuar.

O caso do Barcelona é excepcional. O time constroi seu futebol através de uma filosofia que progride continuamente e, como vimos na temporada passada, tardou a modificar-se durantes diversos jogos. Mas, decerto, são mudanças circunstanciais. A transição do 4-3-3 pro 3-4-3 é uma que pode – e deve – continuar, porém.

A mania de assimilar o futebol brasileiro com o espanhol é um caso de nostalgia. Simples assim. E é claro que é justo. Mas vale lembrar que a derivação do futebol espanhol, hoje, surgiu através de uma série de ligações com influências neerlandesas, fundamentalmente, que fizeram fluir o trabalho barcelonista que domina na seleção espanhola – apesar do sistema de Del Bosque ser um 4-2-3-1, que em horas torna-se um 4-3-3, as características técnicas são por total azulgranas.

O Brasil parece-se com a Espanha – na verdade, o inverso transforma-se no melhor para a sentença -, mas é um jeito derivado de outros estilos ímpares de se jogar futebol. Essa mania de preservar a posse, a bola, de pressionar, mas sem pressa, torna a admiração ainda mais compreensível. No entanto, num tempo em que a admiração vai virar constância com a imortalidade de Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, Casillas e outros mais na nossa consciência, é dever saudar os holandeses que inspiram, principalmente mas não unicamente, esse futebol – os canários também devem ser muito admirados entre os ‘furiosos’.

Resta, apenas, absorver as imagens da seleção espanhola e torná-las eternas na consciência. Sem manias, nem tendências.

Espanhóis festejam o tri da Euro e já tem lugar de imortalidade

Por: Felipe Saturnino

27/04/2012

As ‘tragédias’, os penais e a despedida

A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

E não só por ocorridos tão óbvios por suas grandiosas repercussões – claro que me refiro às penalidades perdidas por Lionel e Cristiano -, e sim por um contexto mais amplo de todos os eventos, todos mesmo.

Os dois penais representam, separadamente, as eliminações dos poderosos Barcelona e Real Madrid. Mas as próprias eliminações do maior torneio do mundo – perdendo ainda para a Copa do Mundo, mas não por tanto quanto se pensa – são relacionadas, de forma única, quando visa-se a figura mor de ambos os clubes. E ambas desapontaram-nos de forma impactante. Mesmo que uma delas tenha feito dois tentos, e ainda que um deles tenha sido gerado partindo do ponto de batida de penal.

Mas Messi e Ronaldo, que já estão presentes na história do esporte e são protagonistas de seus esquadrões, por mais que tudo – e para mais que tudo – protagonizaram – como não poderia deixar de ocorrer – seus respectivos entraves, diante dos azarões ‘Blues’ e dos bávaros. Nada, porém, como o pensado. Foram os fundamentais no enredo por motivos impensáveis, inimagináveis, dignos de vilões da melhor classe. E quando se vêem as batidas de pênaltis, fica claro o ponto aqui defendido.

E o Barcelona, assim como o Real Madrid, obteve a vantagem de dois gols no embate disputado em casa, contra o Chelsea – que é o único não-vencedor da competição entre os quatro semifinalistas. O problema mesmo foi em momentos posteriores ao do segundo gol, momentos brevemente posteriores, aliás: Lampard, em escapada pela direita, deu boa bola para o volante brasileiro Ramires, que teve frieza à suficiência para abater Valdés com um belo gol de cobertura. A vitória barcelonista constituía, agora, uma derrota no agregado.
E o Real Madrid abriu o placar bem cedo – diferentemente da equipe de Josep Guardiola. Di María arriscou, Alaba pôs a grande mão na bola e tudo se seguiu em penal.

Ah, o penal.

Mas aquele, do início do jogo no Santiago Bernabeu, Cristiano converteu. Teve, naquela hora, a eficiência que Messi não teve para bater o ainda excelente Petr Cech. O tão bom, Manuel Neuer, viria a brilhar em momentos mais afunilantes e ainda mais decisivos. Afinal, não tínhamos uma semifinal decidida em prorrogação há algum tempo.

Ronaldo, que é um fenômeno mas não o ‘Fenômeno’, fez mais um para o Madrid, e concedia o poder de passagem à final em Munique ao time de Mourinho, que atuava com seriedade.

Ah, o Pepe.

O beque madridista fez pênalti em Gómez, que convertido foi por Arjen Robber – que deve ter tido uma semana dificílima visto o que foi especulado sobre sua briga com Ribéry.
O Barcelona, com 2 a 1 contado a pró, sofreu com a retração das linhas do Chelsea, que fora adaptado a um 4-4-1 – na verdade, era falso, pois Drogba fazia um trabalho fundamentado na recomposição de setores mais defensivos.

Ah, Fernando Torres.

O jogo em Madrid prosseguiu à beira da tensão prevista, e foi para uma prorrogação tensa de dignidade de Champions League.

Em Barcelona, porém, atentem: Messi cobrará um pênalti. E pode – deveria – dar a classificação aos ‘culés’ para a próxima fase – deveria ter dado, já prevendo o que ocorreu. Atentem, porém, para um fato mais exuberante do que a própria figura do gênio da 10 ‘blaugrana’: Messi já perdeu um penal no ano – dois aliás, mas um no Camp Nou diante o Sevilla. Fixação ocorre mesmo no período posterior à batida de penal do argentino: ele perdeu, pela terceira vez no ano, um pênalti.

Afinal, o argentino é humano. Por mais que custe acreditar. Pois custa, muito. Messi contrasta diversificadamente com sua própria figura, composta por seus magníficos feitos, feitos em tão pouco tempo de forma tão fenomenal, elegante e clássica.

Ah, Cristiano.

Assim como o argentino, o luso é fenomenal. Ah, é humano também – mais que Messi. Ronaldo é menos elegante e clássico, mas é mais explosivo, mais deslumbrado, e, ainda assim, extremamente qualificado tecnicamente.

Ainda assim, é um humano tal qual Messi é, e permite-se, daí, um penal mal batido. Enquanto Lionel tirou muito de Cech, e arrematou com relativa força sua batida, Cristiano, que já havia feito o seu de pênalti, tirou pouco de Neuer, o que não o torna um goleiro de menor excelência que Cech.

Para tornar ainda mais irônico, o maior brilho foi de Fernando Torres (estátua de 50 milhões de libras). O Barcelona tomou um contragolpe que sacramentou sua vida na Copa dos Campeões. O Madrid simplesmente foi inapto à conversão de penais.

Duas noites distintas, que paralelas, são bem comparáveis. Pelo menos da visão dos penais. Contudo, é claro que as noites tiveram outros fatos que elevaram a tensão de ambas equipes, que terminaram suas participações com legítimas tragédias, em Camp Nou e em Santiago Bernabeu.

Por tudo que envolve a rivalidade Barça-Madrid, desde o cunho político avaliado e discutido de forma contínua, tanto quanto o atual, que coloca paralelamente figuras das equipes para rivalizarem, compondo mini-confrontos, a semana ficou para a história por uma talvez esperada, mas ainda assim surpreendente coletiva do reservado Pep Guardiola, que determinou o fim de sua estadia no ainda maior time do mundo.

A figura de Josep, por mais que tudo – e para mais que tudo – era o símbolo da elegância, plasticidade, pacificidade, exuberância e diversos outros aspectos que representavam, justamente, a figura do time do Barcelona fora do campo de trabalho. Esses únicos aspectos que compõem o melhor time do mundo e o treinador são transportados à história e fazem parte dela na história do esporte. E fazem uma grande parte nessa história.

Por todos e a Pep, agradecemos por tudo que nos foi mostrado até o dado momento, de forma tão ímpar quanto o caráter do maior time que vi jogar até hoje.

Pois sim, Guardiola disse adeus aos ‘blaugranas’. Mas ainda mantém o mesmo panorama da sua figura, requentada com todos os aspectos introduzidos à equipe catalã.

Ah, Pep. A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

Guardiola - a característica vestimenta

Por: Felipe Saturnino

21/04/2012

A maior vitória do Real de Mourinho

O Real Madrid, e nenhum outro time do planeta, pode se sustentar diante o Barcelona de forma agressiva. Isto é, não pode se atacá-lo. Ou até melhor: não consegue-se atacá-lo.

A ação reativa (contragolpe) é a única arma exuberante do repertório madridista que pode mesmo ‘ferir’ o Barcelona. Mesmo que a qualidade total da equipe da capital deixe esse fato para trás. Pois deixa. E muito. Mas a qualificação para retrair as linhas e sair de forma vertical, em velocidade, é a única coisa que se tem para ‘assustar’ os catalães. O problema é que dificilmente funciona, pois necessita-se de absoluta atenção em todos os instantes do jogo.

Em mais um bom clássico, Madrid e Barça protagonizaram um fato novo nesta história que percorre a temporada europeia, ansiando por um encontro entre ambos na final da Liga dos Campeões, em Munique: a neutralização.

Experimentaram o fato por uma atuação mais do que segura dos volantes Xabi Alonso e Sami Khedira. O time de Mou retraiu as linhas e reduziu o espaço, como é de praxe diante o Barça. Mas hoje tinha um algo a mais que diferenciava esta ocasião das outras, tornando-a exceção. O Madrid se defendeu de forma exímia, e não errou.

Meia verdade: errou, no gol barcelonista, mas é a única menção.

A equipe de Pep Guardiola seguiu sua contínua modificação: 4-3-3, 3-4-3, e até teve linha de quatro no meio-de-campo. Daniel Alves prosseguia na ‘altura’ do campo segundo essas mudanças: fosse 4-3-3, ele viria a ser um ponta-direita. 3-4-3, parte média do campo.

Mas a diferença foi que o Real conseguiu jogar, conter a equipe do Barcelona e contra-atacar. Foi bem-sucedido também no jogo aéreo. O gol de Khedira, aliás, surgiu após cabeçada de Pepe, com uma falha de Valdés – obviamente não tão escandalosa como aquela do jogo do primeiro turno, mas ainda assim uma falha -, o que fez com que o volante alemão constasse no primeiro gol do placar em Camp Nou.

E mesmo com Coentrão, o Real Madrid se virou. O português foi designado para a lateral-esquerda apesar de seus pesares do revés do Bayern na Allianz Arena, na passada terça-feira. Na linha média-ofensiva, o Madrid oferecia Mesut, Angel e Cristiano ao ataque. E um Benzema, em grande forma, partindo para o jogo.
É óbvio que esperávamos que o misto desses grandes talentos, uma hora, poderia vir a nos dar algo de mais significativo contra um dos maiores esquadrões da história do esporte. Mourinho só havia obtido uma vitória dentre os diversos jogos entre os gigantes: aquela na Copa do Rei, no Mestalla.

Todavia, apesar daquele acerto tático do 4-1-4-1 ter representado um triunfo que, por fim, representou o primeiro e único caneco de José no comando do Madrid, hoje a vitória pareceu mais significativa.

As circunstâncias influenciam na avaliação geral. Se aquele jogo foi em campo neutro, isolado, aqui a situação era pró-Barcelona. No inferno que deve ser para o Real Madrid, venceu o time da capital. O 4-2-3-1, apesar da descrença relativa às experiências com o Barça, foi mantido. Coentrão, idem.

O que mudou, até mais do que o princípio tático de redução de espaços, foi a atitude madridista. Foi um jogo muito bem conduzido, sem ‘pressure’ – apesar de ter sido com muita. Mas a pilha natural foi levada, de acordo com o contexto, e compôs a maior vitória do Real Madrid em algum tempo sobre os melhores do mundo – e melhores da história.

Além da neutralização tática, a psicológica auxiliou o Real Madrid a faturar – perdão, a praticamente faturar – o 32º caneco da sua história. Messi não brilhou – fez sua atuação mais tímida em um clássico em algum tempo. Dessa vez, o segundo melhor do mundo o fez. E neutralizou o maior rival dois minutos após o empate, com um belo gol após a ótima bola de Özil. O tento que veríamos que, ao final, constataria a primeira vitória do Real de Mourinho no Camp Nou. Provavelmente a maior, por todo seu contexto.

Cristiano - mostrando que há vezes em que o segundo melhor pode ser melhor que o primeiro

Por: Felipe Saturnino

07/03/2012

Orgasmo cósmico

A melhor atuação – pelo menos pela parte da minha memória afetiva – que já vi de um único jogador num jogo de futebol foi a de Lionel Messi, pelas quartas-de-final da Champions League da temporada 2009/10; sim, a mesma temporada em que o todo poderoso sucumbiu para a Internazionale. Mas vale a lembrança para o deleite de quem se recorda puramente do momento mágico que vivemos naquele dia.

Um por, magistralmente, o Barcelona ser o Barcelona. Dois por vermos Messi. E claro que as constelações Ini e Xavi surgem posteriormente – na ocasião, todavia, o marcador do tento que deu à Espanha a primeira conquista mundial estava lesionado.

Foi fantástico observar Messi fazer todos os gols daquela goleada estarrecedora sobre o ‘melhor’ Arsenal de Wenger, ao menos no que diz respeito às últimas temporadas do francês no comando do esquadrão londrino. E também a maneira como foi constituída a goleada, constando de Nicklas Bendtner como abridor de placar no Camp Nou.

O primeiro de Messi foi após uma rebatida na entrada da área do Arsenal, proveniente de Silvestre – o lateral/zagueiro francês -, empatando com um chute certeiro no ângulo. O segundo de Lionel – bem como o do Barça – foi após uma jogada estilística, com entradas periféricas na área adversária, até o passe de ‘Pedrito’ para o 10 do maior do mundo chutar e fazer com a perna direita. E os outros dois foram pintura.

A primeira obra foi por cobertura, após passe de cabeça do malinês Keita. A segunda foi algo mais. Pois, Messi costurou até adentrar a área do Arsenal e, mesmo permitindo o rebote de Almunia no primeiro chute, não podia se culpar o arqueiro pela atuação assustadora do argentino, que guardou o quarto tento. Um monstro. Um gênio. Impiedoso.

Uma atuação digna para ressaltar o nível de um orgasmo cósmico por parte do argentino, aquele nível que, raramente, jogadores raríssimos são permitidos de explorar, e conhecê-lo. Repetir é algo mais complicado. Não impossível, porém.

Uma atuação que se transformou na minha predileta. Apesar de sempre reparar os jogos de Messi como um fenômeno quase inalcançável no esporte, aquele foi de nível muito, muito alto. Quatro tentos em uma disputa de quartas com o Arsenal pela Champions League pode te fazer pensar no nível utópico que Leo atingiu. Quase inalcançável.

O orgasmo de gala desta quarta-feira só faz-nos pensar ainda mais sobre esses fenômenos, invariavelmente, dados como raros. Tal qual, analogamente, o Barcelona como um esquadrão alcançou um nível cósmico diante o maior rival, em novembro de 2010 – os 5 a 0 do Camp Nou. Porque Messi superou a minha preferida atuação dele – a mais afetiva que tenho, ao menos. Genialmente, o argentino alcançou o seu 228º gol com a camisa do Barça, pronto para se tornar, mais do que oficialmente, o maior da história do maior do mundo.

Sim, Messi fez 5 gols contra o Leverkusen, no mesmo estádio em que fizera os 4 diante o Arsenal, naquela atuação cósmica. Mas hoje ele superou-se. Provando que pode explorar mais de uma vez um nível absurdo.

E incrível acreditar que, em jogos comuns, ele atinge esse nível com frequência.

Messi - explorando níveis cósmicos dentro do futebol

Por: Felipe Saturnino

19/02/2012

(Des)Confiando

O Real Madrid é virtual campeão espanhol. 10 pontos de vantagem sobre o Barça lhe deram o privilégio de controlar o topo da tabela como bem quis, e agora o primeiro caneco do campeonato nacional para o time forte de Madrid em três temporadas está ficando mais visível.

O Barcelona, porém, ainda é o melhor time do mundo. Por isso que é favorito na Champions League. Mas, a figura mudou um pouco.

Mudou pois o segundo melhor time do mundo, pela primeira vez consistente, consegue ameaçar o reinado da equipe da Catalunha. Consegue pois começa isso no campeonato espanhol – marca que vigora nas conquistas de Pep Guardiola com o Barcelona desde o início de seu comando, no ano de 2008. A hegemonia nacional deverá ter um fim após algum tempo, porém, a questão abrange diversos polos de discussão para a sucessão de trono do melhor time da Europa. Parcialmente, pelo menos.

Em dezembro, Mourinho falhou e, como aqui num post foi descrito posteriormente, ficou sem reação no momento que conflitava com o Barcelona em Bernabeu. O jogo encerrou-se na contagem de 3 a 1, com mais uma decepção para os madridistas.

Fica claro, se já não era óbvio, que a conquista do espanhol não representa uma satisfação total por parte dos madridistas. É preciso fazer mais, porque a rivalidade Real Madrid-Barcelona envolve muita dignidade e autoestima. Até por isso, com algumas cogitações devidamente borbulhadas, José Mourinho não deve permanecer no Real nesta temporada – ainda que conquiste o espanhol.

A figura muda novamente quando falamos de vitória em Champions League, pois se Mou conseguir vencer a competição pela terceira vez em toda sua carreira, ele pode, sim, ficar. O problema seria encarar o Barcelona por mais algumas vezes na carreira, e continuar sofrendo constantemente com isso, apesar de ser o único que realmente incomoda o poderoso esquadrão de Guardiola.

Dentre todas as dúvidas, o Real Madrid está simplesmente impecável, e, sem se arrepender de dizê-lo – mas podendo se arrepender depois -, está no primor de seu jogo em algum tempo. A equipe não tem fraquezas – como nunca teve – e joga bem com consistência, trucidando rivais, mesmo que sejam pequenos, em momentos, apenas. A liderança consta de 61 pontos e 79 gols, tendo sofrido 21. Então, o ‘clash’ entre os maiores do mundo pode ocorrer em estágios mais avançados da competição da Copa do Campeões, para decidirmos se o Barça manterá mesmo a coroa.

Os dois serão favoritos a chegarem às finais do torneio, indubitavelmente.

Assim como é sem dúvida que a confiança do Real Madrid está lá em cima. Com o espanhol praticamente ganho, a única dúvida vai ser em quanto a equipe pode chegar com pilha para o jogo contra o Barcelona no Camp Nou, para o returno. Aí sim, poderemos ter uma decisão prévia da temporada de ambos os times.

No nível dos melhores do mundo, a impressão é de definição por termos um dos melhores times da história do jogo em atividade e indefinição se o time de Mourinho pode detê-lo. Com a confiança – e desconfiança, ao mesmo tempo – que tem-se, o Madrid pode fazê-lo. Questão debatível mesmo é quanto significa vencer o espanhol para apenas realçar uma campanha que pode quebrar nas mãos barcelonistas, mais uma vez. Confiando e desconfiando, indo e vindo, os melhores do mundo vão se encontrar mais algumas vezes este ano. A coroa pode mudar de mãos, pelo menos parcialmente. E vai ser a última chance de Mourinho em Madrid. Ou melhor, desconfio que será.

Cristiano e Real Madrid - viajando na confiança e sendo desconfiados

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Com ponta ou sem ponta?

O Barcelona não apenas me chama atenção pela beleza de seu futebol, pela essência do ‘tiki-taka’ ou por nomes antológicos como Xavi Hernández, Andrés Iniesta ou Lionel Messi. E também não é algo que passa pela figura tão sutil e suave como a de Josep Guardiola, treinador dos blaugranas.

É algo a mais que só o que é.

O Barcelona do jogo contra o Real Madrid: 4-3-3 para o 3-4-3 do diagrama

Das atuações do ano, a que mais me chamou a atenção do Barça não foi a destruição total diante o Santos, e sim a aulinha pra cima do Real Madrid de Mourinho. E não foi por motivos óbvios – como os que apresentei lá no início do post.

Foi pela mudança tática.

Guardiola, com novas peças, como Thiago e Cesc Fàbregas, soube como renovar o espírito filosófico barcelonista, que por mais pragmático que seja, é mais do que vencedor. Afinal, mudar um desenho tático mais do que consolidado é um tarefa difícil de fazer.

Josep o fez. Melhor, o faz. Com excelência.

O primeiro jogo em que eu presenciei a mudança consolidada, isto é, sem variações num mesmo jogo, foi no embate contra o Villarreal, em agosto. Em Camp Nou, os mandantes fizeram 5 a 0.

Guardiola improvisou e armou a defesa com ‘dois’ volantes: Sergio Busquets e Javier Mascherano. Abidal jogou pelo flanco esquerdo da defesa; na linha da frente do meio-campo, Iniesta, Fàbregas e Thiago foram os atuantes. Os avantes foram Sánchez, Messi e ‘Pedrito’. Mesmo sem laterais, ou melhor, alas, os meias abertos, isto é, Ini e Thiago, provaram a qualidade que possuem e deram suporte aos atacantes. A equipe tinha dois pontas – Sánchez e Pedro -, que clareavam o jogo, tanto quanto centralizavam. Fàbregas infiltrava-se para ocupar o lugar de Messi que, como sempre, flutuava em campo.

Foi uma grande atuação pelo trabalho dos meias.

Contra o Real Madrid, algo mais violento e intenso. Mais variação.

Nesse jogo, o Barça foi de 4-3-3 para 3-4-3, até mesmo 4-4-2, com Busquets se aprofundando em momentos do jogo para formar uma linha de 4 homens na defesa. Guardiola, pela primeira vez, de fato, pôde vencer Mou no ‘braço’, na tática do jogo, enfim. Uma das melhores exibições que, certamente, já vi em minha vida. Sánchez jogou como ponta, porém, sua movimentação era constante: poderia centralizar-se ou, até mesmo permanecer no flanco em que estava. Iniesta, no momento, era algo entre um meia-esquerda e um ponta-esquerda, aprofundando o jogo sobre Fábio Coentrão. Fàbregas e Xavi eram os atuantes mais evidentes da linha de meio-campo, visto que Daniel Alves também aparecia muito forte pelo flanco direito, agredindo o lado de Marcelo, podendo ser dado como ponta-direita.

Contra o Santos, algo mais evidente que pode ser o que o Barcelona está atingindo: o 3-1-4-2.
Daniel Alves foi meia-direita, Xavi e Iniesta meias-centrais originais, Thiago meia-esquerda, e Messi e Fàbregas eram avantes que, mesmo assim, saíam para movimentar-se e provocar mais confusão na defesa adversária. O esquema no jogo de domingo, então, constou sem pontas. Mas, como sempre, o time foi funcional no meio-campo.

E devem ser dados a Pep Guardiola os créditos à tamanha variação que o Barça atingiu neste final de ano. Para renovar uma filosofia, não devemos nos pegar ao novo, mas fazer o velho e bom se tornar o novo e bom. Guardiola está usando a variação a seu favor. Com um ponta ou sem um ponta, o Barcelona pode usar o 4-3-3, o 3-4-3, o 4-4-2 ou o 3-1-4-2. Excelência tática no momento.

O Barcelona do jogo contra o Santos: o 3-1-4-2 para a 'renovação', sem um 'ponta'

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Diferença

“Não sei se é imbatível, mas é o melhor time do mundo. Hoje aprendemos a jogar. O Barcelona foi muito superior, tem jogadores fantásticos. Serviu de lição para nós. O Barcelona ensinou a jogar futebol.”

O garoto Neymar ainda é craque. É o melhor brasileiro na atualidade do mundo futebolístico que, na sua totalidade, é dominado por um esquadrão azul-grená.

A ‘lição’ a que Neymar se referiu em sua coletiva após a derrota para o Barcelona pode se generalizar e ser amplificada em seu significado. O futebol jogado no campo, ou a filosofia que tanto invejamos e, mesmo assim, ainda nem implementamos no futebol brasileiro.

O placar de 4 a 0 não é vexame. É um fato. Outros times como Real Madrid e Manchester United também sofreram reveses assim.
O problema, porém, é analisarmos o contexto mais amplo do significado do placar.

A derrota não nos evidencia ‘decadência’ do futebol brasileiro, pois sabemos que a equipe de Guardiola é algo fora do comum. Nos mostra, porém, como um trabalho vindo de anos pode dar resultados aos nossos clubes.

A equipe barcelonista surgiu diferente em Yokohama: Thiago entrara para fazer o trabalho que Iniesta fez no entrave diante o Real Madrid.

Barça no 3-1-4-2, encurralando o Santos no 3-4-1-2

Porém, mais uma variação da equipe de Pep ficou evidenciada: o 3-1-4-2. E bastaram 16 minutos para os favoritos abrirem o marcador. Pintura de Messi.

Há de se dizer que, ficando no próprio significado do jogo, o Santos foi muito pouco ativo no primeiro tempo. O time de Muricy Ramalho veio de 3-4-1-2, já que os alas ficaram em um ponto mais baixo do campo para enfrentar Daniel Alves – o meia-direita do Barça no jogo – e Thiago Alcântara, que atuava no flanco esquerdo. O que se percebia de distinto, também, era o posicionamento de Neymar que modificava o lado do campo, ora sobre Puyol ora sobre Abidal.

No meio-campo central, os duelos de Arouca e Henrique ficaram mais delicados quando Fàbregas começou a rodar naquele setor do campo, comprovando mais uma diferença de vantagem dos catalães. A bola que naturalmente seria, em maior parte do tempo, do Barcelona, agora, ficaria ainda mais nos pés de jogadores como Xavi, Iniesta, Fàbregas e Messi.

Danilo era uma possibilidade santista pelo flanco direito, para aprofundar sobre Abidal e, daquele lugar, criar para o Santos. O que foi visto foi algo bem pior: ao invés de dar combate à Thiago, Danilo deixava-o avançar sobre o zagueiro do lado direito santista, Bruno Rodrigo. Mais do que nunca, os zagueiros estavam marcados para morrer, já que cada um dos ‘atacantes’ tinha uma possibilidade de atacar.

O resto é bobeira e muita obviedade.

Aos 23, Daniel Alves avançou pela direita e viu Xavi se infiltrando por dentro da área, com um Santos todo abafado e afundado em campo: 2 a 0. Depois, veio o passe magistral de Messi, com o calcanhar, para Daniel Alves cruzar, até a bola sobrar para Fàbregas fazer o seu: 3 a 0. E ainda, aos 36, Messi fez mais um para sacramentar a diferença existente entre o melhor do mundo e o campeão da Libertadores: 4 a 0.

O jogo em si, de um lado, nos deu a visão que o Santos não teve a ousadia para agredir. O Barcelona – como mostra-se no diagrama – encurralou o Santos com sua linha de 4 homens no meio-campo central dos brasileiros.

Mas a diferença de futebol, hoje, fica exposta por duas razões: pelo Barcelona ser o que é, e pelo porquê do Barcelona ser o que é. Talvez seja hora de pensarmos um pouco mais.

Afinal, a diferença de um time para o outro pode ser tão grande quanto de Messi para Neymar. Ao menos por hoje.

Vitória num contexto geral: Barcelona campeão e Messi, melhor do mundial e gênio do momento

Por: Felipe Saturnino

17/12/2011

Derrotando o melhor do mundo

O Barcelona se impõe contra qualquer time do mundo, não importam as adversidades. Pode-se considerar estádio, clima, pressão ou outra coisa que for, o time de Josep Guardiola sempre é o grande ditador de ritmo num jogo de futebol que o envolve.

Inter de Milão 3 - 1 Barcelona: Sneijder regredindo na altura do campo para pegar Xavi, Maicon em forma esplendorosa sobre Keita, Pandev marcando Alves e Motta e Cambiasso no cerco à Messi

Mas é óbvio que, há alguns jogos históricos que também estão aí para serem recordados pela importância que possuem. Me refiro aos jogos que o Barça perdeu e que vivem em nossa memória. Afinal, não é um dia comum quando um Golias é derrubado.

É óbvio, também, que nenhum time é imbatível, mas o catalães já atingiram um nível absurdo de futebol apresentado que chegar neste ponto não pode ser considerado impossível. Se eu lhes falar que, considerando a fase de grupos da Champions League, em 38 jogos, o Barcelona perdeu somente 4 vezes, isso se torna ainda mais possível. (Números baseados na equipe com Guardiola como técnico.)

O que quero tornar real aqui – e perfeitamente possível – é que o Barcelona perdeu alguns jogos que ficarão em nossa memória como aprendizado. Como lidar com um 4-3-3 polivalente que toca a bola com tanta classe e paciência, sempre procurando o melhor ‘timing’ de seus avantes para infiltrações?

Duas derrotas, rapidamente, surgem em minha mente. Ambas para o mesmo técnico adversário, que, recentemente, tornou-se freguês dos blaugranas – o que não diminui seus feitos como treinador.

A derrota com o melhor nível técnico do adversário foi, certamente, aquela para a Internazionale na Champions League da temporada 2009/10. Ocorreu pelas semifinais.

Os gols daquele histórico 3 a 1 foram marcados por Sneijder, Maicon e Diego Milito, num jogo absolutamente perfeito. Ou quase.

Mourinho, não por coincidência e sim por uso comum, começou no 4-2-3-1 para espelhar um Barça desfalcado, sem Iniesta. A tarefa tornara-se mais ‘simples’, já que por natureza, a equipe espanhola perderia um pouco da progressão com a bola que Iniesta forneceria primordialmente.

Mais que simplesmente a tática e a atuação espetacular de seus jogadores, o time de Mou teve garra e vontade de sobra para derrotar os já considerados melhores do mundo na oportunidade.

O placar foi justo, visto que os nerazzuri fizeram de tudo e mais um pouco para derrotar o Barça. Foi a maior derrota do Barça de Guardiola, e foi o melhor jogo de um time que José Mourinho já montou em sua carreira. Simplesmente histórico.

E foi bem mais vistoso do que o 4-1-4-1 que o Real de José, também, apresentou na Copa do Rei em abril deste ano. Não que eu queira desvalorizar uma vitória também tão espetacular, talvez a pior do Barça de Pep. Afinal, perder do rival é sempre pior.

Real Madrid 1 - 0 Barcelona: o 4-1-4-1 de Mourinho que consistia em acompanhamento de Xavi e Ini por volantes particulares, Xabi Alonso na primeira bola de transição, e contragolpes de Di María seguidos de boas combinações pela esquerda, sobre Daniel Alves, que levaram ao tão clamado gol.

O placar de 1 a 0 representou um jogo parelho, muito disputado, ganho no legítimo detalhe. O antagonismo comprovou-se também taticamente: o 4-1-4-1 era um 4-3-3 com desdobramento tático obrigatório devido ao adversário. Di María e Özil abertos, recompondo para ocupar espaços importantes; Xabi Alonso acompanhando Messi, mas, ainda assim, com o Madrid marcando por zona; Cristiano Ronaldo, decidindo.

O lance ocorreu, aliás, num dos pontos mais fortes do Barça: o lado direito de Dani Alves. Di María e Marcelo tabelaram pelo flanco esquerdo para C. Ronaldo abrir o placar, de cabeça. No detalhe, de verdade.
E foi uma boa atuação, apesar de menos vistosa do que a primeira aqui discutida, que impediu o Barça de atacar como queria, e que agredia a equipe com contragolpes e jogadas aéreas. Mas havia imposição dos madridistas. Outro bom plano de Mourinho que, hoje, porém, não consegue inventar mais coisas para abater o ‘touro’ Barcelona.

Prévia

No duelo de amanhã, para mim, o Santos deve vir no 4-3-1-2, ou 4-2-3-1 ‘torto’, como Dunga fez com o Brasil de 2007 à 2010, no seu período regencial. Os espanhóis vão de 4-3-3, 3-4-3 ou até mesmo 4-4-2, com desdobramento em 4-4-1-1, isto é, vão com polivalência tática. A supremacia, porém, não tem relação ao assunto. Os catalães são favoritos em qualquer ocasião de jogo. Mas é óbvio que a análise será muito importante, até pelo fato de o Santos poder modificar seu diagrama amanhã, jogo das 8h30. Na teoria, Muricy optará pelo 4-3-1-2/4-2-3-1.
Como demonstrado, Neymar, craque, é a chave do Santos pelo lado de Alves. Se por ali souber como passar, pode levar vantagem sobre Puyol. Piqué deve constar na sobra.

Palpite: Barcelona 2 x 0 Santos

Por: Felipe Saturnino

16/12/2011

Help!

Neymar é craque e o melhor brasileiro atualmente. Isto é consenso e óbvio. Em falar que o sujeito tem apenas 19 anos.
Seu talento é absurdo, e o usa com maestria. E, aliás, o menino que no futuro pode fazer história, certamente, neste domingo, terá o jogo mais importante de sua história até o momento.

Pois enfrentar um dos 5 melhores esquadrões da história é algo muito complexo. Exige um amontoado de técnica, disposição tática, física e mental. Deseje, ainda, um pouco de sorte na hora de vencer – pois você precisará de muita, mesmo.

O Barça, aliás, venceu o Al Saad sem mais problemas. A nota de destaque se refere à David Villa, que fraturou sua tíbia da perna esquerda. Neste caso, Guardiola pode fazer Muricy pensar ainda mais no esquema blaugrana.

Para quem se lembra, no ‘Clásico’, o Barça variou claramente entre 4-3-3 e o 3-4-3, encaixotando o rival. Assim, Josep pode usar Fàbregas como um atacante, ao lado de Messi e o chileno Sánchez. Há ainda a opção de Pedrito Rodríguez. O meio-campo será formado por Xavi, Iniesta e Sergio Busquets.

Porém, se o Santos preocupa-se com o Barcelona por completo, Puyol concedeu uma coletiva muito curiosa nesta quinta, falando um pouco de Neymar. Em resumo, o zagueiro pediu por uma ‘ajuda’ no que diz respeito à marcação do 11 do alvinegro praiano.

Pois, se o Santos tem que aturar um esquadrão histórico e, também, deve arrumar um mecanismo para marcar Lionel Messi por zona, os barcelonistas devem se preocupar com Neymar. Teoricamente, o primeiro a dar combate deve ser Puyol, visto que Dani Alves é liberado para dar suporte à criação no lado direito catalão.

O santista é craque e pode – e deve – decidir. Por isso, Carles tem razão. Muita razão.

Os Beatles na capa de 'Help'...

...e Puyol pedindo por 'ajuda'.

Por: Felipe Saturnino