Archive for ‘Bayern de Munique’

21/05/2012

O penal para o paraíso

Há anos que ‘contemplamos’ a obra de Abramovich com cuidado, reparando os caminhos tomados pelo russo que é o dono da parte azul de Londres, suas decisões – que, aliás, em diversos momentos, levaram-nos a duvidar seriamente do futuro do time -, que, no geral, deviam-se a uma obsessão, no meio de outras tantas: a Liga dos Campeões.

Digo uma no meio de várias pois o seu investimento pesado visar uma única coisa é um frágil e delicado sonho. Pequeno, que ainda se diga. Por mais que esse sonho fosse a Liga.

Os ‘deméritos’ chegaram ao fim.

Depois de tantos erros – e acertos, óbvios acertos, que ocorreram em maior número do que os erros na trajetória traçada por sua própria figura, única na história do clube -, quando surge a conquista, recorda-se, primordialmente, tudo o que terminou, finalmente, bem no lado dos ‘Blues’.

Mourinho, o grande Mou, penou ao conseguir uma semifinal em Champions League com os londrinos. Após abater o também grande Barcelona na época – de Ronaldinho, Deco, Eto’o, Gio van Bronckhorst e Van Bommel -, pelo estágio de quartas-de-final, com uma vitória também enorme em Stamford Bridge (4 a 2), o time de Roman foi eliminado em Anfield Road com um gol de Luis Garcia, naquele fatídico 1 a 0 da Champions League 2004/2005 – o Chelsea perdera, no fim, para os vencedores da fantástica final de Istambul num entrave dramático que terminou nos penais, assim como foi finalizada a primeira conquista dos azuis ingleses.

Os relatos de Moscou, daquela final diante o United, que também restou aos pênaltis para determinar o vencedor, prevaleciam vivos na cabeça do time que, naquela época, tinha um ‘sortudo’ Avram Grant no comando – o israelense havia substituído Mourinho.

O curioso é que, por mais que fizesse certo, Abramovich tivera chegado mais longe com o ‘pior’ de seus treinadores. Mas, oras, havia chegado. Não ganhado, mas chegado; sabia o gosto duma final, não de um título. Por mais que isso parecesse pouco – não era, apesar do investimento pesado dos ‘Blues’ -, o Chelsea, por mais que tudo, habitava um lugar que tendia a ser seu pelos próximos anos. Fato é que não foi. Faltou um ‘push’ para o paraíso, o patamar dos campeões europeus, onde estendem os melhores do Velho Mundo.

Até que, pelo dado motivo, o Chelsea, apesar de ter explorado as semis em 2009, parou nas oitavas em 2010 e nas quartas no ano passado.

Aliás, o Chelsea simplesmente teve de viver o seu certo pior ano, nacionalmente, ao menos, para abocanhar a maior glória de sua história.

Na terra bávara, o ‘push’ para o time dirigido por Di Matteo – que é também de Abramovich, mas, talvez ainda mais de Didier, Frank, Petr e Ashley – surgira por méritos não menos óbvios do que os de eliminação dos talvez ‘melhores da história’, mas também veio de uma fonte muito ímpar.

A memória.

As memórias de Moscou recordaram-lhes o passado, para dar-lhes chance ao presente e vida ao futuro. Quando o fenomenal Drogba – que não veste a 9, mas bem que poderia, apesar da 11 fazer melhor combinação a seu estilo – empatou no minuto 88 de jogo no Allianz, ali sim, o jogo se tornou mais jogo. Começou a ter requintes – seriam de crueldade – daquele jogo de Moscou, mas, por que não lembrar da final de Istambul, em 2005?

É claro que não seria tão fenomenal ou dramático quanto aquele jogo. Mas seria tão ímpar quanto. Por circunstâncias únicas, que terminaram por criar mais um campeão para a galeria dos campeões da Europa.

Ficou semelhante, porém, àquela semifinal diante o Barça quando Drogba fizera penal sobre um Ribéry disposto a jogar em campo. Contudo, lembrara aos bávaros o jogo de Dortmund pela Bundesliga ao final do ato.
E o que Robben fizera era só mais drama ao jogo.

A memória.

Todas as assimilações eram não menos que assimilações após a defesa de Neuer pelo pênalti batido por Mata – tímido no meio-de-campo inglês, diga-se. Mas passou-se a acreditar que os relatos de Moscou seriam esquecidos – não propriamente ditos esquecidos, mas tirados do fundo do baú das memórias azuis para serem substituídos por melhores lembranças – depois que Ivica Olic desmerecera a chance de penal, com Cech prevalecendo sobre o mesmo.

Ficou, literalmente, tudo azul após o excelente Schweinsteiger desperdiçar sua cobrança. Drogba, enfim, consolidara o ‘push’ para o Chelsea se sagrar o melhor da Europa pela primeira vez. E serve para libertar as memórias, ou melhor, as frustrações de anos atrás.

À mesma medida em que serve para se estender ao paraíso – tanto time quanto Drogba.

Drogba – para o lugar que é seu, de direito

Por: Felipe Saturnino

27/04/2012

As ‘tragédias’, os penais e a despedida

A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

E não só por ocorridos tão óbvios por suas grandiosas repercussões – claro que me refiro às penalidades perdidas por Lionel e Cristiano -, e sim por um contexto mais amplo de todos os eventos, todos mesmo.

Os dois penais representam, separadamente, as eliminações dos poderosos Barcelona e Real Madrid. Mas as próprias eliminações do maior torneio do mundo – perdendo ainda para a Copa do Mundo, mas não por tanto quanto se pensa – são relacionadas, de forma única, quando visa-se a figura mor de ambos os clubes. E ambas desapontaram-nos de forma impactante. Mesmo que uma delas tenha feito dois tentos, e ainda que um deles tenha sido gerado partindo do ponto de batida de penal.

Mas Messi e Ronaldo, que já estão presentes na história do esporte e são protagonistas de seus esquadrões, por mais que tudo – e para mais que tudo – protagonizaram – como não poderia deixar de ocorrer – seus respectivos entraves, diante dos azarões ‘Blues’ e dos bávaros. Nada, porém, como o pensado. Foram os fundamentais no enredo por motivos impensáveis, inimagináveis, dignos de vilões da melhor classe. E quando se vêem as batidas de pênaltis, fica claro o ponto aqui defendido.

E o Barcelona, assim como o Real Madrid, obteve a vantagem de dois gols no embate disputado em casa, contra o Chelsea – que é o único não-vencedor da competição entre os quatro semifinalistas. O problema mesmo foi em momentos posteriores ao do segundo gol, momentos brevemente posteriores, aliás: Lampard, em escapada pela direita, deu boa bola para o volante brasileiro Ramires, que teve frieza à suficiência para abater Valdés com um belo gol de cobertura. A vitória barcelonista constituía, agora, uma derrota no agregado.
E o Real Madrid abriu o placar bem cedo – diferentemente da equipe de Josep Guardiola. Di María arriscou, Alaba pôs a grande mão na bola e tudo se seguiu em penal.

Ah, o penal.

Mas aquele, do início do jogo no Santiago Bernabeu, Cristiano converteu. Teve, naquela hora, a eficiência que Messi não teve para bater o ainda excelente Petr Cech. O tão bom, Manuel Neuer, viria a brilhar em momentos mais afunilantes e ainda mais decisivos. Afinal, não tínhamos uma semifinal decidida em prorrogação há algum tempo.

Ronaldo, que é um fenômeno mas não o ‘Fenômeno’, fez mais um para o Madrid, e concedia o poder de passagem à final em Munique ao time de Mourinho, que atuava com seriedade.

Ah, o Pepe.

O beque madridista fez pênalti em Gómez, que convertido foi por Arjen Robber – que deve ter tido uma semana dificílima visto o que foi especulado sobre sua briga com Ribéry.
O Barcelona, com 2 a 1 contado a pró, sofreu com a retração das linhas do Chelsea, que fora adaptado a um 4-4-1 – na verdade, era falso, pois Drogba fazia um trabalho fundamentado na recomposição de setores mais defensivos.

Ah, Fernando Torres.

O jogo em Madrid prosseguiu à beira da tensão prevista, e foi para uma prorrogação tensa de dignidade de Champions League.

Em Barcelona, porém, atentem: Messi cobrará um pênalti. E pode – deveria – dar a classificação aos ‘culés’ para a próxima fase – deveria ter dado, já prevendo o que ocorreu. Atentem, porém, para um fato mais exuberante do que a própria figura do gênio da 10 ‘blaugrana’: Messi já perdeu um penal no ano – dois aliás, mas um no Camp Nou diante o Sevilla. Fixação ocorre mesmo no período posterior à batida de penal do argentino: ele perdeu, pela terceira vez no ano, um pênalti.

Afinal, o argentino é humano. Por mais que custe acreditar. Pois custa, muito. Messi contrasta diversificadamente com sua própria figura, composta por seus magníficos feitos, feitos em tão pouco tempo de forma tão fenomenal, elegante e clássica.

Ah, Cristiano.

Assim como o argentino, o luso é fenomenal. Ah, é humano também – mais que Messi. Ronaldo é menos elegante e clássico, mas é mais explosivo, mais deslumbrado, e, ainda assim, extremamente qualificado tecnicamente.

Ainda assim, é um humano tal qual Messi é, e permite-se, daí, um penal mal batido. Enquanto Lionel tirou muito de Cech, e arrematou com relativa força sua batida, Cristiano, que já havia feito o seu de pênalti, tirou pouco de Neuer, o que não o torna um goleiro de menor excelência que Cech.

Para tornar ainda mais irônico, o maior brilho foi de Fernando Torres (estátua de 50 milhões de libras). O Barcelona tomou um contragolpe que sacramentou sua vida na Copa dos Campeões. O Madrid simplesmente foi inapto à conversão de penais.

Duas noites distintas, que paralelas, são bem comparáveis. Pelo menos da visão dos penais. Contudo, é claro que as noites tiveram outros fatos que elevaram a tensão de ambas equipes, que terminaram suas participações com legítimas tragédias, em Camp Nou e em Santiago Bernabeu.

Por tudo que envolve a rivalidade Barça-Madrid, desde o cunho político avaliado e discutido de forma contínua, tanto quanto o atual, que coloca paralelamente figuras das equipes para rivalizarem, compondo mini-confrontos, a semana ficou para a história por uma talvez esperada, mas ainda assim surpreendente coletiva do reservado Pep Guardiola, que determinou o fim de sua estadia no ainda maior time do mundo.

A figura de Josep, por mais que tudo – e para mais que tudo – era o símbolo da elegância, plasticidade, pacificidade, exuberância e diversos outros aspectos que representavam, justamente, a figura do time do Barcelona fora do campo de trabalho. Esses únicos aspectos que compõem o melhor time do mundo e o treinador são transportados à história e fazem parte dela na história do esporte. E fazem uma grande parte nessa história.

Por todos e a Pep, agradecemos por tudo que nos foi mostrado até o dado momento, de forma tão ímpar quanto o caráter do maior time que vi jogar até hoje.

Pois sim, Guardiola disse adeus aos ‘blaugranas’. Mas ainda mantém o mesmo panorama da sua figura, requentada com todos os aspectos introduzidos à equipe catalã.

Ah, Pep. A semana, futebolisticamente, entrou para a história.

Guardiola - a característica vestimenta

Por: Felipe Saturnino

21/01/2012

Os aspectos da vitória do M’Gladbach contra o Bayern de Munique

O Borussia Monchengladbach se credenciou a um posto maior em âmbito nacional nesta sexta-feira, após uma vitória excepcional sobre os rivais bávaros e sabidamente superiores do Bayern de Munique, os líderes da Bundesliga no momento.

Mas a vitória dos alvinegros faz-nos pensar sobre um uso mais pragmático do 4-4-2, ainda que esteja altamente fora do contexto estilístico do momento dos traços táticos em que vivemos por ora. Mais significativo ainda é representar a vitória como um jogo de 4-4-2 x 4-2-3-1.

Os aspectos que levaram os mandantes à tão sonhada vitória são diversos, e chegam a ser externos aos de fatores táticos comuns numa partida.

1. Com a volta de Bastian Schweinsteiger no posto de segundo volante da equipe de Munique, o Bayern também voltou a ter um trunfo na manga: suas eficientes chegadas ao ataque. Assim, no miolo de meio-campo do adversário, o Bayern poderia ter uma vantagem constante no ponto do campo, o que o faria ter mais a bola e, por consequência, ser mais agressivo. O contraponto da história é relatar uma volta apagada do número 31 do time tetracampeão da Europa, que prejudicou em imensidão o poderio de ataque bávaro.

2. O deslocamento de Tony Kroos para a ponta-esquerda do 4-2-3-1 de Jupp Heynckes não poderia ter sido mais decepcionante para o enredo do jogo em relação ao Bayern de Munique. É notável a característica de cadencia do alemão, e seus passes são extremamente eficientes, mas o flanco canhoto chegou a ser pouco operante. Kroos é, notoriamente, um ótimo volante que tem desempenhado uma boa função na meia-central do time bávaro.

3. Sem as vantagens criadas por Schweinsteiger num miolo de meio-de-campo, o Bayern começou a esbarrar numa defesa muito bem construída por Favre. A solidez da equipe é notável nesse setor do campo, anotando um número de 12 gols sofridos, configurando-a como a segunda que menos sofre gols no campeonato. Outro número fundamental para entender o quão bem desempenhado o papel dos defensores é feito no M’Gladbach há de ser o número de impedimentos que a equipe faz com seus adversários: são 102 impedimentos em 18 jogos na Bundesliga, uma média de 5,6 impedimentos por jogo. Hoje, foram 7 do Bayern, ultrapassando a marca.

4. O trabalho de contragolpe dos mandantes era claro por um motivo óbvio: o Bayern tem mais qualidade nos fundamentos de passe do que o adversário. Apurado isso, o que fica mais evidente é a versatilidade para tal feito: Arango e Hermann pelos flancos, Reus na primeira bola de entrada para o ataque e Hanke mais avançado, porém, aparecendo para receber passes periféricos. A estratégia era agredir o Bayern dos flancos para o meio, e não do centro do meio-de-campo para o meio do ataque – sabendo das pouquíssimas qualidades dos volantes do Borussia Monchengladbach.

5. A possibilidade de retração das linhas após o primeiro gol foi de se reparar, mas o Bayern nunca soube o que fazer em campo. Defendendo-se e retraindo-se, o Borussia comandou o jogo sempre na sua bola de contra-ataque, usada com muita confiança por seus jogadores. Os dois últimos gols do time foram de jogadas bem tramadas, ambos do bom médio Hermann. Quanto mais o jogo progredia, mais os mandantes mandavam no jogo e faziam o Bayern barrar num muro sem brechas, uma defesa muito bem postada. O que chama a atenção no Borussia é a capacidade de retração e contragolpe que, contra times tão apurados contra o Bayern, funciona da ponta para dentro, sem atuações convincentes dos volantes Nordveit e Neustädter.

Por: Felipe Saturnino

27/09/2011

Bayern se achou e é forte. Mas e o City?

O Manchester City praticamente deixou a possível primeira posição do grupo escapar. Ou simplesmente deixou a vaga nas oitavas da Champions escapar.

No jogo dos melhores dos grupos, e os favoritos para mim, o Bayern mostrou que é forte demais para o time de Manchester. A equipe de Jupp Heynckes é líder da Bundesliga e agora tem 100% de aproveitamento na Copa dos Campeões. No 4-2-3-1 de sempre, deixado pelo mesmo holandês Louis Van Gaal, que não deixou o clube de uma forma tão amistosa.

Heynckes escalou Thomas Müller, Toni Kroos e Frank Ribéry na linha dos três meias ofensivos. Porém, como todos sabem, o organizador primordial é Bastian Schweinsteiger, que surge por trás dos meias do time de Munique. E a relevância do funcionamento do meio-campo dos alemães depende da forma que Schweinsteiger exerce o que tem que exercer.

Se ele tem espaço, ele acaba com o jogo. Lembre-se do entrave diante o Brasil. Fernandinho ficou preso em Lahm, Ralf em Götze. Bastian teve o espaço para brilhar, ainda fazendo um dos tentos na ótima vitória do time de Löw.
Contra o City, a mesma coisa. Mas com alguns pontos diferenciais.

O primeiro foi a tentativa de Mancini para “reter” Schweinsteiger em um ponto mais baixo do campo; o que ocorreu foi uma mudança no posicionamento de David Silva, fazendo-o ficar mais fixo pelo flanco direito, tentando impedir Lahm de aparecer no ataque. E, ainda, o espanhol teria que ocupar espaços para tentar impedir o jogo de Schweinsteiger, segundo volante, organizador primário do Bayern de Munique. Mas ficou na indecisão de marcar um ou outro.
Em um segundo ponto, há de se ressaltar que Silva foi tentar fazer o que fez por um motivo claro: o City joga com duas linhas de quatro homens, clássico. Isto é, nenhum meia central, sem incidência de um incômodo para o número 31 do Bayern de Munique.

Com as mudanças, Nasri foi jogar pelo lado esquerdo do campo. Pouco fez – apesar de ter ido melhor que Silva.

Quando Bastian começou a aparecer, por volta dos 30 minutos da etapa inicial, o time da casa começou a criar. E fez o primeiro com Gómez. O segundo também foi de SuperMario. Como um herói, de fato.

O City foi muito indeciso. Poderia ter recuado Agüero para jogar em um 4-2-3-1, espelhando o adversário e incomodando os volantes. O argentino apareceu pouco, apesar de tentar compor a linha de três meias com Nasri e Silva.

Os bávaros são favoritos na disputa da liderança. Agora, ao City, resta se concentrar na vaga pela segunda posição com o Napoli. A vantagem desta vez é dos italianos, que contarão certamente com o San Paolo no jogo do segundo turno do grupo A.

Mario Gómez - voando em campo

Por: Felipe Saturnino

25/08/2011

Na fase de grupos, nenhuma morte declarada

A UEFA sorteou os grupos para a primeira fase dentro da Champions League 2011/2012.

No grupo A o anfitrião da final encabeça a lista do grupo mais difícil, mas que não é o da morte: Bayern de Munique, Villareal, Manchester City e Napoli. O time alemão e os bilionários de Manchester são os favoritos para as oitavas. Napoli e Villareal podem incomodar, mas, ainda assim, estão em um patamar de disputa mais baixo que os dos dois figurões do grupo.

Palpite: Manchester City
2º Bayern de Munique
3º Napoli
4º Villareal

Pois sim, o City pode ficar por cima no primeiro grupo. Com o time que tem, reunindo peças de valor mais do que qualificadas, a equipe de Mancini pode levar a primeiro posição. E pra mim, leva. Os anfitriões bávaros ficam com o vice no grupo. Napoli vai para a Liga Europa.

Pelo B, a Inter de Milão não poderia esperar melhor resultado no sorteio. Afinal, além de encabeçar, caiu em um grupo folgado, com times facilmente “batíveis”. CSKA, Lille e o Trabzonspor, substituindo o Fenerbahçe, envolvido em escândalo na Turquia, completam a lista no grupo B.

Palpite: Inter de Milão
2º Lille
3º CSKA
4º Trabzonspor

O time francês do tão bem avaliado Eden Hazard se classifica para as oitavas; os interistas passam facilmente pela fase inicial; CSKA vai para a Liga Europa.

A chave C reúne dois campeões europeus: os ingleses do Manchester United – tricampeões, com títulos em 1968, 1999 e 2008 – e os portugueses do Benfica, bicampeões na década de 60 – 1961 e 1962. São os favoritos no grupo, que é completado pelo time da terra de Federer, o Basel, e pelo atual campeão romeno, o Otelul Galati, time que tem apenas 47 anos de existência.

Palpite: Manchester United
2º Benfica
3º Basel
4º Otelul Galati

Os Devils do United liderarão o grupo – pois são mesmo melhores que os portugueses -; o Benfica é segundo. O time suíço, predileto por Federer, vai à Liga Europa. Os romenos comemoram o quarto lugar, simplesmente por habitarem a Champions League.

O D é o grupo com mais títulos – 9 do supercampeão Real Madrid e 4 do Ajax, hoje de Frank de Boer. Pois, assim sendo, os dois são favoritos. Não, no caso, apenas o time de Mou é; o Olympique de Lyon vai brigar com o tetra Ajax, e ainda reencontrará os madridistas – serão 6 encontros em 3 edições de Liga dos Campeões.

Palpite: Real Madrid
2º Ajax
3º Lyon
4º Dinamo Zagreb

Os croatas ficam com a quarta posição no grupo D; os holandeses se classificarão e os franceses passam para a antiga Copa da UEFA, hoje Liga Europa; os madridistas passam com relativa tranquilidade.

O grupo E é equilibrado: Chelsea – ainda em montagem com André Villas-Boas -, Valencia, que perdeu Juan Mata para o próprio time londrino, e o Leverkusen, de destaques como Schurrle, Kiesling e um vicecampeonato na Bundesliga. Ainda assim, o cabeça-de-chave é o favorito para avançar como primeiro; o Valencia briga com os alemães. Os belgas do Genk terão que jogar o que podem, o que não podem, o que nunca imaginaram e o que nunca pensaram em imaginar para ir avante na Liga dos Campeões.

Palpite: Chelsea
2º Bayer Leverkusen
3º Valencia
4º Genk

Os ingleses são líderes; o time alemão, idealizado por Jupp Heynckes, hoje no time de Munique que recebe a final do evento, fica em segundo lugar, brigando até a morte com o Valencia, este que fica em terceiro; os belgas não jogam o impossível e ficam na última posição na chave.

O F tem um Arsenal perigando com as primeiras colocações, e um Olympique de Marselha vicecampeão com Didier Deschamps na Ligue 1, na última temporada, e ainda campeã da Supercopa da França, em tempos mais recentes. Porém, o destaque fica com um ótimo Borussia Dortmund que tem tudo para avançar como primeiro no grupo F.

Palpite: Borussia Dortmund
2º Arsenal
3º Olympique de Marselha
4º Olympiacos

O time de Jurgen Klopp, sensação na última temporada, passa para as oitavas sendo a primeira no grupo; o time de Wenger sofre mas também vai em frente; Deschamps leva o Marseille à Liga Europa; Olympiacos pode roubar pontos dos figurões do grupo.

O Porto encabeça o grupo G, completado pelo Shakhtar da Ucrânia e pelo Zenit de São Petesburgo, time russo. O Apoel do Chipre também figura.
A sensação é que os portugueses avançam, ainda com os ucranianos. O Porto pode sim perder pontos com a equipe campeão da Liga Europa – então Copa da UEFA – em 2009, falo do Shakhtar. O Zenit vai à Liga Europa.

Palpite: Porto
2º Shakhtar Donetsk
3º Zenit
4º Apoel

Mesmo sendo teorizado como o primeiro da chave, o Porto tem que ter cuidado com o jogo diante o time de Donetsk, na Ucrânia. No mais, a ordem será a do palpite.

No grupo H, Barcelona, Milan, Bate Borisov e Viktoria Plzen. Ponto.

Palpite: Barcelona
2º Milan
3º Bate Borisov
4º Viktoria Plzen

Com tudo considerado, nenhum grupo da morte declarado. Assim sendo, o sorteio da Champions deixou a desejar. Ao menos, nenhum figurão terá óbito, então, teremos ótimas oitavas-de-final – assim espero.

Por: Felipe Saturnino

13/08/2011

Bayern vence mas tem problemas

Jupp Heynckes, o bom técnico do Bayern de Munique, campeão da Champions League da temporada 1997-98, tem muito coisa a organizar no time bávaro.

Heynckes manteve o esquema proposto por Van Gaal, desde o início de seu trabalho. O 4-5-1 com três meias ofensivos, que funcionou na campanha de Van Gaal para levar o Bayern até a final da Champions League 2009-2010.
Na ocasião, a equipe alemã desbancou times como Juventus, United e Lyon para chegar à decisão diante a Inter de Milão. Foram campeões nacionais e venceram a Copa da Alemanha.

Mas o trabalho foi conturbado. Mesmo assim, o 4-2-3-1 prevaleceu, e assim hoje prevalece com Jupp Heynckes.
Na equipe bávara de hoje, os meias ofensivos foram Thomas Müller, Ribéry e Kross. Os volantes eram Luiz Gustavo – aliás, foi ele que fez o tento – e o ótimo Schweinsteiger.

O problema é a criação. Sabendo que Kross é o meia central, fica evidente a falta de criatividade do meio-de-campo. A questão é que a equipe tem Schweinsteiger como um organizador natural vindo de trás. Mas os ‘wingers’ – Ribéry e Müller – fizeram um jogo fraquíssimo hoje.

E precisava-se muito de um meia central eficiente na articulação. Quando os volantes surgiram de trás, o problema se amenizou.

O trunfo surgiu logo quando Luiz Gustavo apareceu no ataque, chutando e não dando chance de Diego Benaglio pegar a bola.

Quando os volantes compartilham a função de criação, o jogo fica mais leve. Schweinsteiger não é problema, mas a questão é como ficam Kross e Luiz Gustavo. O primeiro é muito talentoso, mas não é um nato armador e o brasileiro é seguro e regular, e ainda possui boa chegada à frente. Há de se dizer que os jogadores mais extremos, que são Ribéry e Müller, também tem de fazer jogadas laterais com maior eficiência, e não devem centralizar tanto o jogo.

Com a vitória de hoje, o Bayern faturou seus primeiros três pontos na Bundesliga, mas a equipe apresenta problemas.

Mas, mais importante, os problemas tem soluções. E são soluções que podem se encontradas dentro do próprio time que jogou hoje.

Jupp Heynckes - técnico do time bávaro tem problemas, mas tem soluções

Por: Felipe Saturnino