Archive for ‘Borussia Dortmund’

13/09/2011

O jogo dos pobres meio-campos

De um lado, Song, Arteta e Benayoun. De outro, Kehl, Bender e Kagawa. Ainda existem os “wingers”, mas, nos 4-2-3-1s de Borussia Dortmund e Arsenal, os miolos da faixa central do campo foram pouco produtivos.

Primeiramente, o erro de Klopp. O alemão foi de Kehl e Sven Bender. Dois volantes que são pouco criativos, que pouco adicionam à qualificação na criação. Kagawa, o bom japonês, fez um jogo muito mediano para sua tamanha qualidade. Perdeu um gol no início do jogo, mas não pôde fazer muito atuando sobre os volantes londrinos, Song e Arteta.
Sim, o Arsenal também repetiu o 4-2-3-1, e, sem querer tornar proposital, fez o jogo ficar espelhado. Afinal, o esquema da moda passa pelo mundo. E Wenger dá ao Arsenal a cara do esquema há algum tempo.
Periféricos, dois jogadores que ajudam muito na abertura de espaços e na infiltração de jogadores mais recuados, pois afunilam o jogo e são velozes o bastante para ultrapassar os adversários. Gervinho, com muita velocidade e pouco técnica, ao lado de Walcott, são os dois que exercem a função no Arsenal. Mas no miolo de meio-de-campo, um problema. Benayoun, Arteta e Song. Parece um trio apurado, mas não é. O israelense tem o toque que cadencia o jogo, Arteta qualifica a saída de bola, e Song marca e protege a zaga. Mesmo assim, o Arsenal precisa se acertar. Na Premier League, a equipe tem somente 4 pontos. Na Champions League, um empate em Signal Iduna Park não é mau negócio, mas o time precisa de um ‘jeito‘ na parte central do campo.

O 1 a 1, num jogo que foi movimentado mas que pouco me convenceu sobre as duas equipes, configurou um resultado justo. O Borussia, mesmo com Götze, não conseguiu atacar eficientemente pelos flancos – mesmo sendo muito superior nos últimos 15 minutos de entrave.

Nos últimos momentos, o Borussia foi para o ataque, passando do 4-1-4-1 ao 4-1-3-2 em algumas substituições. Só não compreendo o erro de Klopp, escalando Kehl, e, assim, empobrecendo a qualidade técnica do time num setor tão fundamental para indicar progressão no campo adversário.

Sem falar que Kehl ainda perdeu a bola no gol do bom Robin Van Persie, centroavante no Arsenal. E, ainda, não nos esqueçamos do golaço de Perisic, croata do Borussia. Sem pulo, um chute que desmontou Sczesny. Nada ele pôde fazer para impedir o empate. No fim, foi justo.

Reação pós-gol - Perisic consegue o empate

Por: Felipe Saturnino

11/09/2011

Mal-entendido

Rafael é abraçado - brasileiro foi o dono do jogo

O Borussia de Jurgen Klopp iniciou a temporada na Alemanha sendo o favorito. É evidente. Afinal, a equipe foi a campeã da edição do campeonato nacional germânico de 2010/2011.

Mas a equipe não tem jogado o futebol que a tornou sensação na temporada passada, fazendo-a sempre estar no topo e sempre na frente do Bayern de Munique. Algo que não se repete.

A atuação de gala na estreia da Bundesliga, no começo de agosto, na jornada diante o Hamburgo, com vitória por 3 a 1, está distante de se repetir se os padrões forem mantidos. Muito por um motivo consolidado: a execução limitada e equivocada de seu esquema, 4-2-3-1. Sim, ele não é usado da mesma forma que uma vez já foi.

Contra o Hertha Berlim, do técnico Markus Babbel, o Dortmund não conseguiu fazer seu jogo evoluir. Teve dificuldades pelo “espelho” tático usado pelo time da capital. E foi utilizado inteligentemente.
Torun, winger-esquerdo, fechava em profundidade, incomodando Piszczek mas, ao mesmo tempo, entrando por dentro para jogar sobre os volantes do time de Dortmund. O brasileiro Rafael, meia central, foi o dono do jogo. Atuando sobre Bender, com sua esperteza, conseguiu desmembrar a base do meio-de-campo do Borussia. No lado direito, o alemão Ebert concedia suporte ao ataque e fechava para acompanhar Schmelzer, lateral-esquerdo dos donos da casa. A chave foi afunilar a marcação sobre o bom japonês, Shinji Kagawa. Ottl, o sempre regular volante ex-Bayern de Munique, e Niemeyer, recumpanham a faixa do começo do círculo central e davam suporte ao lateral e o winger na marcação do lateral ou do meia extremo do Borussia Dortmund e, ao mesmo tempo, conseguiam afunilar o jogo de Kagawa. Com os flancos inoperantes, o que o Borussia Dortmund conseguia fazer era centralizar o jogo. E nem Bender e nem Gundogan conseguiam produzir o esperado. Porém, as ações se iniciariam com os dois, que estavam em um nível aceitável para o jogo. Afinal, o Hertha Berlim não pressionava, mas se compactava em seu campo.

Klopp decidiu trocar o volante turco naturalizado alemão, Gundogan, por um brasileiro, Antonio da Silva.

Este entrou mal, sem conseguir recompor eficientemente o setor, ao lado de Sven Bender. E o brasileiro Rafael foi cruel.
Pois o Borussia tinha perdido chances, mas não a ponto de ter sido muito melhor dentro do jogo. Quando Rafael arrancou aos 5 minutos da segunda etapa, o Hertha Berlim fez o gol.
E tudo se manteve relativamente igual, até o segundo gol, de Niemeyer. Mesmo com a bola na trave de Bender, aos 26 minutos, antes do segundo gol do time de Berlim

Mal-entendido de Klopp. Sim. Colocar o brasileiro foi um ato equivocado, questionável. Deixando espaços, apesar de a jogada não ter sido originada ao ponto dele. Mas, o erro está implícito no trabalho geral do brasileiro no jogo, e agora me refiro ao jogador do Hertha, Rafael. Ele teve espaço para cadenciar e ditar o jogo, pacientemente.

Outra história interessante é a dos extremos de Dortmund. Götze, suspenso, não jogou. A falta dele se fez presente – digno de antítese. Mas, o mal-entendido ocorreu. E é bom o Borussia se recuperar logo, pois terça tem Champions League.

Por: Felipe Saturnino

25/08/2011

Na fase de grupos, nenhuma morte declarada

A UEFA sorteou os grupos para a primeira fase dentro da Champions League 2011/2012.

No grupo A o anfitrião da final encabeça a lista do grupo mais difícil, mas que não é o da morte: Bayern de Munique, Villareal, Manchester City e Napoli. O time alemão e os bilionários de Manchester são os favoritos para as oitavas. Napoli e Villareal podem incomodar, mas, ainda assim, estão em um patamar de disputa mais baixo que os dos dois figurões do grupo.

Palpite: Manchester City
2º Bayern de Munique
3º Napoli
4º Villareal

Pois sim, o City pode ficar por cima no primeiro grupo. Com o time que tem, reunindo peças de valor mais do que qualificadas, a equipe de Mancini pode levar a primeiro posição. E pra mim, leva. Os anfitriões bávaros ficam com o vice no grupo. Napoli vai para a Liga Europa.

Pelo B, a Inter de Milão não poderia esperar melhor resultado no sorteio. Afinal, além de encabeçar, caiu em um grupo folgado, com times facilmente “batíveis”. CSKA, Lille e o Trabzonspor, substituindo o Fenerbahçe, envolvido em escândalo na Turquia, completam a lista no grupo B.

Palpite: Inter de Milão
2º Lille
3º CSKA
4º Trabzonspor

O time francês do tão bem avaliado Eden Hazard se classifica para as oitavas; os interistas passam facilmente pela fase inicial; CSKA vai para a Liga Europa.

A chave C reúne dois campeões europeus: os ingleses do Manchester United – tricampeões, com títulos em 1968, 1999 e 2008 – e os portugueses do Benfica, bicampeões na década de 60 – 1961 e 1962. São os favoritos no grupo, que é completado pelo time da terra de Federer, o Basel, e pelo atual campeão romeno, o Otelul Galati, time que tem apenas 47 anos de existência.

Palpite: Manchester United
2º Benfica
3º Basel
4º Otelul Galati

Os Devils do United liderarão o grupo – pois são mesmo melhores que os portugueses -; o Benfica é segundo. O time suíço, predileto por Federer, vai à Liga Europa. Os romenos comemoram o quarto lugar, simplesmente por habitarem a Champions League.

O D é o grupo com mais títulos – 9 do supercampeão Real Madrid e 4 do Ajax, hoje de Frank de Boer. Pois, assim sendo, os dois são favoritos. Não, no caso, apenas o time de Mou é; o Olympique de Lyon vai brigar com o tetra Ajax, e ainda reencontrará os madridistas – serão 6 encontros em 3 edições de Liga dos Campeões.

Palpite: Real Madrid
2º Ajax
3º Lyon
4º Dinamo Zagreb

Os croatas ficam com a quarta posição no grupo D; os holandeses se classificarão e os franceses passam para a antiga Copa da UEFA, hoje Liga Europa; os madridistas passam com relativa tranquilidade.

O grupo E é equilibrado: Chelsea – ainda em montagem com André Villas-Boas -, Valencia, que perdeu Juan Mata para o próprio time londrino, e o Leverkusen, de destaques como Schurrle, Kiesling e um vicecampeonato na Bundesliga. Ainda assim, o cabeça-de-chave é o favorito para avançar como primeiro; o Valencia briga com os alemães. Os belgas do Genk terão que jogar o que podem, o que não podem, o que nunca imaginaram e o que nunca pensaram em imaginar para ir avante na Liga dos Campeões.

Palpite: Chelsea
2º Bayer Leverkusen
3º Valencia
4º Genk

Os ingleses são líderes; o time alemão, idealizado por Jupp Heynckes, hoje no time de Munique que recebe a final do evento, fica em segundo lugar, brigando até a morte com o Valencia, este que fica em terceiro; os belgas não jogam o impossível e ficam na última posição na chave.

O F tem um Arsenal perigando com as primeiras colocações, e um Olympique de Marselha vicecampeão com Didier Deschamps na Ligue 1, na última temporada, e ainda campeã da Supercopa da França, em tempos mais recentes. Porém, o destaque fica com um ótimo Borussia Dortmund que tem tudo para avançar como primeiro no grupo F.

Palpite: Borussia Dortmund
2º Arsenal
3º Olympique de Marselha
4º Olympiacos

O time de Jurgen Klopp, sensação na última temporada, passa para as oitavas sendo a primeira no grupo; o time de Wenger sofre mas também vai em frente; Deschamps leva o Marseille à Liga Europa; Olympiacos pode roubar pontos dos figurões do grupo.

O Porto encabeça o grupo G, completado pelo Shakhtar da Ucrânia e pelo Zenit de São Petesburgo, time russo. O Apoel do Chipre também figura.
A sensação é que os portugueses avançam, ainda com os ucranianos. O Porto pode sim perder pontos com a equipe campeão da Liga Europa – então Copa da UEFA – em 2009, falo do Shakhtar. O Zenit vai à Liga Europa.

Palpite: Porto
2º Shakhtar Donetsk
3º Zenit
4º Apoel

Mesmo sendo teorizado como o primeiro da chave, o Porto tem que ter cuidado com o jogo diante o time de Donetsk, na Ucrânia. No mais, a ordem será a do palpite.

No grupo H, Barcelona, Milan, Bate Borisov e Viktoria Plzen. Ponto.

Palpite: Barcelona
2º Milan
3º Bate Borisov
4º Viktoria Plzen

Com tudo considerado, nenhum grupo da morte declarado. Assim sendo, o sorteio da Champions deixou a desejar. Ao menos, nenhum figurão terá óbito, então, teremos ótimas oitavas-de-final – assim espero.

Por: Felipe Saturnino

05/08/2011

Na Bundesliga, time a ser batido é o Borussia

Götze - o alemão habilidoso de um talentoso Borussia

O Borussia começou a temporada do mesmo jeito que terminou. Ganhando é a palavra correta para terminar a primeira frase do post. Pois sim, o Dortmund venceu o Hamburgo em uma estreia brilhante pelo futebol apresentado pela equipe mandante em 70 minutos de jogo, e também pelo clima e as circunstâncias de um jogo de estreia.

Jurgen Klopp sabe muito bem que será difícil vencer a salva de prata pelo 2º ano consecutivo; mas, que se note, não creio que seja nada, nada impossível.

O Borussia derrotou o Hamburgo jogando muito futebol – por 70 minutos, que se diga. Armado em um 4-2-3-1, os mandantes venceram com a autoridade sempre notada de quem atua no Signal Iduna Park. Mario Götze e Kevin Grosskreutz foram os melhores na partida, justamente os jogadores que atuam mais “abertos” no campo. São técnicos e tem uma importância tática relevante.

Tecnicamente, ambos tem suas qualidades que os fazem mais notáveis no time de Dortmund. Götze é veloz e habilidoso. Grosskreutz é rápido, mas não chega a ser Mario, mesmo sendo um jogador altamente versátil, dando apoio e tendo poder de marcação e de recomposição.
Taticamente pelo fato de, por ambos atuarem abertos, os dois jogam em cima do laterais adversários. Götze foi brilhante em seu jogo hoje, pois jogou em cima de Aogo e o prendeu, não o liberando para apoio algum. Por isso, Elia, o meia hamburguês, simplesmente se viu em maus lençóis quando confrontou Piszczek – o lateral do Borussia. Mesmo com as investidas do Hamburgo sendo por aquele lado, – lado esquerdo do ataque da equipe – o desenvolvimento criativo era muito fraco. Enquanto isso, Grosskreutz apoiava por um lado muito deficiente no caso do Hamburgo – já que falamos do lado direito, onde Diekmeier joga, um lateral que apoia mas não marca bem. Com isso, Kevin atacava e recuava para não deixar Löwe – contratado de Jurgen Klopp – vulnerável.
Com os dois lados inoperantes, ainda aconteceu de Michael Oenning – técnico dos visitantes – creditar a Guerrero a posição de meia central no 4-2-3-1 da equipe visitante em Signal Park. Um erro, ao menos para mim, que só tornou a equipe hamburguesa menos efetiva no ataque. Por isso, o zagueiro brasileiro Felipe Santana saía para conflitar o “meia” Paolo Guerrero. Ele era o jogador designado para combater o peruano; assim sendo, os volantes Bender e Gandügan tinham outras tarefas a fazer. Bender se limitou ao combate anterior a defesa, por vezes conflitando com Töre, o meia-direita da equipe do Hamburgo, e, em ocorrências, ajudando Piszczek no combate a Elia. Gandügan se viu livre para desenvolver o jogo, ao lado de Kagawa, Götze e Grosskreutz. O japonês – muito talentoso, por sinal – tinha em sua marcação Rincon, venezuelano que jogou a Copa América. Mesmo assim, ele rolou sobre a marcação. Chutou perigosamente ao gol no minuto 14. 10 minutos depois, já com um a zero no placar após gol de Grosskreutz, o nipônico fez “embaixadas” com a bola, após linda jogada de própria autoria e, colocou a bola na trave.
Mario Götze fez o segundo em jogada belíssima com toque de letra vindo de Lewandowski após ótima tabela.

No segundo tempo, Grosskreutz fez o terceiro. Tesche descontou para o Hamburgo, após Jansen entrar bem e mostrar como foi bom lateral e como ainda sabe apoiar.

Mas, além da vitória, o Borussia provou ser um time que pode sim, manter a taça. Com uma importância tremenda baseada em Grosskreutz e Mario Götze, a equipe funciona normalmente com jogadas laterais, entradas em diagonal, movimentação, tabelas, triangulações, muita velocidade e toque de bola. Com Götze, a equipe anulou Elia, pelos motivos mostrados acima. Com Grosskreutz, a equipe se preveniu pelo lado em que o Hamburgo tinha deficiência mas que apoiava. Com Kagawa, uma maior criatividade, partindo do centro. Com os laterais, apoio e suporte aos wingers – que são Götze e Grosskreutz. Com uma boa dupla de volantes, a equipe produziu bem e dominou as ações do jogo, vencendo o duelo tático e técnico no meio-de-campo.

Sim, o Borussia Dortmund é o time a ser batido na Bundesliga. Mesmo que o Bayern não seja um time que fique dois anos sem um título do alemão há algum tempo. Pois é, parece que o fato pode acontecer desta vez.

Por: Felipe Saturnino