Archive for ‘Campeonato Alemão’

21/01/2012

Os aspectos da vitória do M’Gladbach contra o Bayern de Munique

O Borussia Monchengladbach se credenciou a um posto maior em âmbito nacional nesta sexta-feira, após uma vitória excepcional sobre os rivais bávaros e sabidamente superiores do Bayern de Munique, os líderes da Bundesliga no momento.

Mas a vitória dos alvinegros faz-nos pensar sobre um uso mais pragmático do 4-4-2, ainda que esteja altamente fora do contexto estilístico do momento dos traços táticos em que vivemos por ora. Mais significativo ainda é representar a vitória como um jogo de 4-4-2 x 4-2-3-1.

Os aspectos que levaram os mandantes à tão sonhada vitória são diversos, e chegam a ser externos aos de fatores táticos comuns numa partida.

1. Com a volta de Bastian Schweinsteiger no posto de segundo volante da equipe de Munique, o Bayern também voltou a ter um trunfo na manga: suas eficientes chegadas ao ataque. Assim, no miolo de meio-campo do adversário, o Bayern poderia ter uma vantagem constante no ponto do campo, o que o faria ter mais a bola e, por consequência, ser mais agressivo. O contraponto da história é relatar uma volta apagada do número 31 do time tetracampeão da Europa, que prejudicou em imensidão o poderio de ataque bávaro.

2. O deslocamento de Tony Kroos para a ponta-esquerda do 4-2-3-1 de Jupp Heynckes não poderia ter sido mais decepcionante para o enredo do jogo em relação ao Bayern de Munique. É notável a característica de cadencia do alemão, e seus passes são extremamente eficientes, mas o flanco canhoto chegou a ser pouco operante. Kroos é, notoriamente, um ótimo volante que tem desempenhado uma boa função na meia-central do time bávaro.

3. Sem as vantagens criadas por Schweinsteiger num miolo de meio-de-campo, o Bayern começou a esbarrar numa defesa muito bem construída por Favre. A solidez da equipe é notável nesse setor do campo, anotando um número de 12 gols sofridos, configurando-a como a segunda que menos sofre gols no campeonato. Outro número fundamental para entender o quão bem desempenhado o papel dos defensores é feito no M’Gladbach há de ser o número de impedimentos que a equipe faz com seus adversários: são 102 impedimentos em 18 jogos na Bundesliga, uma média de 5,6 impedimentos por jogo. Hoje, foram 7 do Bayern, ultrapassando a marca.

4. O trabalho de contragolpe dos mandantes era claro por um motivo óbvio: o Bayern tem mais qualidade nos fundamentos de passe do que o adversário. Apurado isso, o que fica mais evidente é a versatilidade para tal feito: Arango e Hermann pelos flancos, Reus na primeira bola de entrada para o ataque e Hanke mais avançado, porém, aparecendo para receber passes periféricos. A estratégia era agredir o Bayern dos flancos para o meio, e não do centro do meio-de-campo para o meio do ataque – sabendo das pouquíssimas qualidades dos volantes do Borussia Monchengladbach.

5. A possibilidade de retração das linhas após o primeiro gol foi de se reparar, mas o Bayern nunca soube o que fazer em campo. Defendendo-se e retraindo-se, o Borussia comandou o jogo sempre na sua bola de contra-ataque, usada com muita confiança por seus jogadores. Os dois últimos gols do time foram de jogadas bem tramadas, ambos do bom médio Hermann. Quanto mais o jogo progredia, mais os mandantes mandavam no jogo e faziam o Bayern barrar num muro sem brechas, uma defesa muito bem postada. O que chama a atenção no Borussia é a capacidade de retração e contragolpe que, contra times tão apurados contra o Bayern, funciona da ponta para dentro, sem atuações convincentes dos volantes Nordveit e Neustädter.

Por: Felipe Saturnino

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11/09/2011

Mal-entendido

Rafael é abraçado - brasileiro foi o dono do jogo

O Borussia de Jurgen Klopp iniciou a temporada na Alemanha sendo o favorito. É evidente. Afinal, a equipe foi a campeã da edição do campeonato nacional germânico de 2010/2011.

Mas a equipe não tem jogado o futebol que a tornou sensação na temporada passada, fazendo-a sempre estar no topo e sempre na frente do Bayern de Munique. Algo que não se repete.

A atuação de gala na estreia da Bundesliga, no começo de agosto, na jornada diante o Hamburgo, com vitória por 3 a 1, está distante de se repetir se os padrões forem mantidos. Muito por um motivo consolidado: a execução limitada e equivocada de seu esquema, 4-2-3-1. Sim, ele não é usado da mesma forma que uma vez já foi.

Contra o Hertha Berlim, do técnico Markus Babbel, o Dortmund não conseguiu fazer seu jogo evoluir. Teve dificuldades pelo “espelho” tático usado pelo time da capital. E foi utilizado inteligentemente.
Torun, winger-esquerdo, fechava em profundidade, incomodando Piszczek mas, ao mesmo tempo, entrando por dentro para jogar sobre os volantes do time de Dortmund. O brasileiro Rafael, meia central, foi o dono do jogo. Atuando sobre Bender, com sua esperteza, conseguiu desmembrar a base do meio-de-campo do Borussia. No lado direito, o alemão Ebert concedia suporte ao ataque e fechava para acompanhar Schmelzer, lateral-esquerdo dos donos da casa. A chave foi afunilar a marcação sobre o bom japonês, Shinji Kagawa. Ottl, o sempre regular volante ex-Bayern de Munique, e Niemeyer, recumpanham a faixa do começo do círculo central e davam suporte ao lateral e o winger na marcação do lateral ou do meia extremo do Borussia Dortmund e, ao mesmo tempo, conseguiam afunilar o jogo de Kagawa. Com os flancos inoperantes, o que o Borussia Dortmund conseguia fazer era centralizar o jogo. E nem Bender e nem Gundogan conseguiam produzir o esperado. Porém, as ações se iniciariam com os dois, que estavam em um nível aceitável para o jogo. Afinal, o Hertha Berlim não pressionava, mas se compactava em seu campo.

Klopp decidiu trocar o volante turco naturalizado alemão, Gundogan, por um brasileiro, Antonio da Silva.

Este entrou mal, sem conseguir recompor eficientemente o setor, ao lado de Sven Bender. E o brasileiro Rafael foi cruel.
Pois o Borussia tinha perdido chances, mas não a ponto de ter sido muito melhor dentro do jogo. Quando Rafael arrancou aos 5 minutos da segunda etapa, o Hertha Berlim fez o gol.
E tudo se manteve relativamente igual, até o segundo gol, de Niemeyer. Mesmo com a bola na trave de Bender, aos 26 minutos, antes do segundo gol do time de Berlim

Mal-entendido de Klopp. Sim. Colocar o brasileiro foi um ato equivocado, questionável. Deixando espaços, apesar de a jogada não ter sido originada ao ponto dele. Mas, o erro está implícito no trabalho geral do brasileiro no jogo, e agora me refiro ao jogador do Hertha, Rafael. Ele teve espaço para cadenciar e ditar o jogo, pacientemente.

Outra história interessante é a dos extremos de Dortmund. Götze, suspenso, não jogou. A falta dele se fez presente – digno de antítese. Mas, o mal-entendido ocorreu. E é bom o Borussia se recuperar logo, pois terça tem Champions League.

Por: Felipe Saturnino

13/08/2011

Bayern vence mas tem problemas

Jupp Heynckes, o bom técnico do Bayern de Munique, campeão da Champions League da temporada 1997-98, tem muito coisa a organizar no time bávaro.

Heynckes manteve o esquema proposto por Van Gaal, desde o início de seu trabalho. O 4-5-1 com três meias ofensivos, que funcionou na campanha de Van Gaal para levar o Bayern até a final da Champions League 2009-2010.
Na ocasião, a equipe alemã desbancou times como Juventus, United e Lyon para chegar à decisão diante a Inter de Milão. Foram campeões nacionais e venceram a Copa da Alemanha.

Mas o trabalho foi conturbado. Mesmo assim, o 4-2-3-1 prevaleceu, e assim hoje prevalece com Jupp Heynckes.
Na equipe bávara de hoje, os meias ofensivos foram Thomas Müller, Ribéry e Kross. Os volantes eram Luiz Gustavo – aliás, foi ele que fez o tento – e o ótimo Schweinsteiger.

O problema é a criação. Sabendo que Kross é o meia central, fica evidente a falta de criatividade do meio-de-campo. A questão é que a equipe tem Schweinsteiger como um organizador natural vindo de trás. Mas os ‘wingers’ – Ribéry e Müller – fizeram um jogo fraquíssimo hoje.

E precisava-se muito de um meia central eficiente na articulação. Quando os volantes surgiram de trás, o problema se amenizou.

O trunfo surgiu logo quando Luiz Gustavo apareceu no ataque, chutando e não dando chance de Diego Benaglio pegar a bola.

Quando os volantes compartilham a função de criação, o jogo fica mais leve. Schweinsteiger não é problema, mas a questão é como ficam Kross e Luiz Gustavo. O primeiro é muito talentoso, mas não é um nato armador e o brasileiro é seguro e regular, e ainda possui boa chegada à frente. Há de se dizer que os jogadores mais extremos, que são Ribéry e Müller, também tem de fazer jogadas laterais com maior eficiência, e não devem centralizar tanto o jogo.

Com a vitória de hoje, o Bayern faturou seus primeiros três pontos na Bundesliga, mas a equipe apresenta problemas.

Mas, mais importante, os problemas tem soluções. E são soluções que podem se encontradas dentro do próprio time que jogou hoje.

Jupp Heynckes - técnico do time bávaro tem problemas, mas tem soluções

Por: Felipe Saturnino

05/08/2011

Na Bundesliga, time a ser batido é o Borussia

Götze - o alemão habilidoso de um talentoso Borussia

O Borussia começou a temporada do mesmo jeito que terminou. Ganhando é a palavra correta para terminar a primeira frase do post. Pois sim, o Dortmund venceu o Hamburgo em uma estreia brilhante pelo futebol apresentado pela equipe mandante em 70 minutos de jogo, e também pelo clima e as circunstâncias de um jogo de estreia.

Jurgen Klopp sabe muito bem que será difícil vencer a salva de prata pelo 2º ano consecutivo; mas, que se note, não creio que seja nada, nada impossível.

O Borussia derrotou o Hamburgo jogando muito futebol – por 70 minutos, que se diga. Armado em um 4-2-3-1, os mandantes venceram com a autoridade sempre notada de quem atua no Signal Iduna Park. Mario Götze e Kevin Grosskreutz foram os melhores na partida, justamente os jogadores que atuam mais “abertos” no campo. São técnicos e tem uma importância tática relevante.

Tecnicamente, ambos tem suas qualidades que os fazem mais notáveis no time de Dortmund. Götze é veloz e habilidoso. Grosskreutz é rápido, mas não chega a ser Mario, mesmo sendo um jogador altamente versátil, dando apoio e tendo poder de marcação e de recomposição.
Taticamente pelo fato de, por ambos atuarem abertos, os dois jogam em cima do laterais adversários. Götze foi brilhante em seu jogo hoje, pois jogou em cima de Aogo e o prendeu, não o liberando para apoio algum. Por isso, Elia, o meia hamburguês, simplesmente se viu em maus lençóis quando confrontou Piszczek – o lateral do Borussia. Mesmo com as investidas do Hamburgo sendo por aquele lado, – lado esquerdo do ataque da equipe – o desenvolvimento criativo era muito fraco. Enquanto isso, Grosskreutz apoiava por um lado muito deficiente no caso do Hamburgo – já que falamos do lado direito, onde Diekmeier joga, um lateral que apoia mas não marca bem. Com isso, Kevin atacava e recuava para não deixar Löwe – contratado de Jurgen Klopp – vulnerável.
Com os dois lados inoperantes, ainda aconteceu de Michael Oenning – técnico dos visitantes – creditar a Guerrero a posição de meia central no 4-2-3-1 da equipe visitante em Signal Park. Um erro, ao menos para mim, que só tornou a equipe hamburguesa menos efetiva no ataque. Por isso, o zagueiro brasileiro Felipe Santana saía para conflitar o “meia” Paolo Guerrero. Ele era o jogador designado para combater o peruano; assim sendo, os volantes Bender e Gandügan tinham outras tarefas a fazer. Bender se limitou ao combate anterior a defesa, por vezes conflitando com Töre, o meia-direita da equipe do Hamburgo, e, em ocorrências, ajudando Piszczek no combate a Elia. Gandügan se viu livre para desenvolver o jogo, ao lado de Kagawa, Götze e Grosskreutz. O japonês – muito talentoso, por sinal – tinha em sua marcação Rincon, venezuelano que jogou a Copa América. Mesmo assim, ele rolou sobre a marcação. Chutou perigosamente ao gol no minuto 14. 10 minutos depois, já com um a zero no placar após gol de Grosskreutz, o nipônico fez “embaixadas” com a bola, após linda jogada de própria autoria e, colocou a bola na trave.
Mario Götze fez o segundo em jogada belíssima com toque de letra vindo de Lewandowski após ótima tabela.

No segundo tempo, Grosskreutz fez o terceiro. Tesche descontou para o Hamburgo, após Jansen entrar bem e mostrar como foi bom lateral e como ainda sabe apoiar.

Mas, além da vitória, o Borussia provou ser um time que pode sim, manter a taça. Com uma importância tremenda baseada em Grosskreutz e Mario Götze, a equipe funciona normalmente com jogadas laterais, entradas em diagonal, movimentação, tabelas, triangulações, muita velocidade e toque de bola. Com Götze, a equipe anulou Elia, pelos motivos mostrados acima. Com Grosskreutz, a equipe se preveniu pelo lado em que o Hamburgo tinha deficiência mas que apoiava. Com Kagawa, uma maior criatividade, partindo do centro. Com os laterais, apoio e suporte aos wingers – que são Götze e Grosskreutz. Com uma boa dupla de volantes, a equipe produziu bem e dominou as ações do jogo, vencendo o duelo tático e técnico no meio-de-campo.

Sim, o Borussia Dortmund é o time a ser batido na Bundesliga. Mesmo que o Bayern não seja um time que fique dois anos sem um título do alemão há algum tempo. Pois é, parece que o fato pode acontecer desta vez.

Por: Felipe Saturnino

04/08/2011

Velho Mundo

O continente europeu é, com certeza, o que nós mais no aprofundamos quando estamos estudando, ainda na escola. Os acontecimentos que lá ocorreram nos influenciam muito aqui. Aliás, influenciam o mundo.

O chamado ‘Velho continente’ foi o centro da Idade Média – que se fale, os acontecimentos mais relevantes desse período ocorreram lá. A decadência feudal originou o capitalismo, que já deriva de um porte maior e mais abrangente que qualquer outro já desenvolvido.
Na Idade Moderna, as Grandes Guerras – referidas mais comumente como Primeira Guerra Mundial e Segunda Guerra Mundial.

É no Velho continente, ou melhor, no Velho Mundo – sim, outra nomenclatura para o continente europeu – que também estão os campeonatos europeus, – por isso que falamos da Europa – os de maior renome no cenário mundial do futebol.

Temos a Barclays Premier League ou simplesmente Premier League, – o campeonato inglês – a Lega Calcio, – Serie A do campeonato italiano – a La Liga – o tão badalado campeonato espanhol – e o campeonato alemão, a Bundesliga.

A Bundesliga foi a última na citação acima, porém começará nesta sexta-feira, com a estreia do campeão atual do torneio, o Borussia Dortmund – veja o calendário do blog.

A Premier League começa no dia 13, daqui a dois sábados. O campeonato mais emocionante desses europeus – na minha opinião. No dia 20 de agosto temos o início de La Liga, o campeonato espanhol. É a liga de futebol mais badalada no mundo. O motivo vocês sabem, não é? Além do mais, ter um Barcelona e um Real Madrid no mesmo campeonato é algo autoexplicativo para sinônimo de badalação.
Para terminar, também tem-se o campeonato italiano. Na bota, temos os jogos começando no dia 27 de agosto.

Temos, antes da ligas nacionais, as supercopas – a da Inglaterra é domingo, e da da Itália é no sábado.

Não podemos esquecer também da Ligue 1 – liga francesa que começa no sábado – e da Liga Sagres, que se inicia no dia 14 deste mês.

Lembro ainda que temos a Champions League. Por isso, volto uma outra hora para falar da maior competição interclubes do mundo.

Por: Felipe Saturnino