Archive for ‘Campeonato Espanhol’

21/04/2012

A maior vitória do Real de Mourinho

O Real Madrid, e nenhum outro time do planeta, pode se sustentar diante o Barcelona de forma agressiva. Isto é, não pode se atacá-lo. Ou até melhor: não consegue-se atacá-lo.

A ação reativa (contragolpe) é a única arma exuberante do repertório madridista que pode mesmo ‘ferir’ o Barcelona. Mesmo que a qualidade total da equipe da capital deixe esse fato para trás. Pois deixa. E muito. Mas a qualificação para retrair as linhas e sair de forma vertical, em velocidade, é a única coisa que se tem para ‘assustar’ os catalães. O problema é que dificilmente funciona, pois necessita-se de absoluta atenção em todos os instantes do jogo.

Em mais um bom clássico, Madrid e Barça protagonizaram um fato novo nesta história que percorre a temporada europeia, ansiando por um encontro entre ambos na final da Liga dos Campeões, em Munique: a neutralização.

Experimentaram o fato por uma atuação mais do que segura dos volantes Xabi Alonso e Sami Khedira. O time de Mou retraiu as linhas e reduziu o espaço, como é de praxe diante o Barça. Mas hoje tinha um algo a mais que diferenciava esta ocasião das outras, tornando-a exceção. O Madrid se defendeu de forma exímia, e não errou.

Meia verdade: errou, no gol barcelonista, mas é a única menção.

A equipe de Pep Guardiola seguiu sua contínua modificação: 4-3-3, 3-4-3, e até teve linha de quatro no meio-de-campo. Daniel Alves prosseguia na ‘altura’ do campo segundo essas mudanças: fosse 4-3-3, ele viria a ser um ponta-direita. 3-4-3, parte média do campo.

Mas a diferença foi que o Real conseguiu jogar, conter a equipe do Barcelona e contra-atacar. Foi bem-sucedido também no jogo aéreo. O gol de Khedira, aliás, surgiu após cabeçada de Pepe, com uma falha de Valdés – obviamente não tão escandalosa como aquela do jogo do primeiro turno, mas ainda assim uma falha -, o que fez com que o volante alemão constasse no primeiro gol do placar em Camp Nou.

E mesmo com Coentrão, o Real Madrid se virou. O português foi designado para a lateral-esquerda apesar de seus pesares do revés do Bayern na Allianz Arena, na passada terça-feira. Na linha média-ofensiva, o Madrid oferecia Mesut, Angel e Cristiano ao ataque. E um Benzema, em grande forma, partindo para o jogo.
É óbvio que esperávamos que o misto desses grandes talentos, uma hora, poderia vir a nos dar algo de mais significativo contra um dos maiores esquadrões da história do esporte. Mourinho só havia obtido uma vitória dentre os diversos jogos entre os gigantes: aquela na Copa do Rei, no Mestalla.

Todavia, apesar daquele acerto tático do 4-1-4-1 ter representado um triunfo que, por fim, representou o primeiro e único caneco de José no comando do Madrid, hoje a vitória pareceu mais significativa.

As circunstâncias influenciam na avaliação geral. Se aquele jogo foi em campo neutro, isolado, aqui a situação era pró-Barcelona. No inferno que deve ser para o Real Madrid, venceu o time da capital. O 4-2-3-1, apesar da descrença relativa às experiências com o Barça, foi mantido. Coentrão, idem.

O que mudou, até mais do que o princípio tático de redução de espaços, foi a atitude madridista. Foi um jogo muito bem conduzido, sem ‘pressure’ – apesar de ter sido com muita. Mas a pilha natural foi levada, de acordo com o contexto, e compôs a maior vitória do Real Madrid em algum tempo sobre os melhores do mundo – e melhores da história.

Além da neutralização tática, a psicológica auxiliou o Real Madrid a faturar – perdão, a praticamente faturar – o 32º caneco da sua história. Messi não brilhou – fez sua atuação mais tímida em um clássico em algum tempo. Dessa vez, o segundo melhor do mundo o fez. E neutralizou o maior rival dois minutos após o empate, com um belo gol após a ótima bola de Özil. O tento que veríamos que, ao final, constataria a primeira vitória do Real de Mourinho no Camp Nou. Provavelmente a maior, por todo seu contexto.

Cristiano - mostrando que há vezes em que o segundo melhor pode ser melhor que o primeiro

Por: Felipe Saturnino

19/02/2012

(Des)Confiando

O Real Madrid é virtual campeão espanhol. 10 pontos de vantagem sobre o Barça lhe deram o privilégio de controlar o topo da tabela como bem quis, e agora o primeiro caneco do campeonato nacional para o time forte de Madrid em três temporadas está ficando mais visível.

O Barcelona, porém, ainda é o melhor time do mundo. Por isso que é favorito na Champions League. Mas, a figura mudou um pouco.

Mudou pois o segundo melhor time do mundo, pela primeira vez consistente, consegue ameaçar o reinado da equipe da Catalunha. Consegue pois começa isso no campeonato espanhol – marca que vigora nas conquistas de Pep Guardiola com o Barcelona desde o início de seu comando, no ano de 2008. A hegemonia nacional deverá ter um fim após algum tempo, porém, a questão abrange diversos polos de discussão para a sucessão de trono do melhor time da Europa. Parcialmente, pelo menos.

Em dezembro, Mourinho falhou e, como aqui num post foi descrito posteriormente, ficou sem reação no momento que conflitava com o Barcelona em Bernabeu. O jogo encerrou-se na contagem de 3 a 1, com mais uma decepção para os madridistas.

Fica claro, se já não era óbvio, que a conquista do espanhol não representa uma satisfação total por parte dos madridistas. É preciso fazer mais, porque a rivalidade Real Madrid-Barcelona envolve muita dignidade e autoestima. Até por isso, com algumas cogitações devidamente borbulhadas, José Mourinho não deve permanecer no Real nesta temporada – ainda que conquiste o espanhol.

A figura muda novamente quando falamos de vitória em Champions League, pois se Mou conseguir vencer a competição pela terceira vez em toda sua carreira, ele pode, sim, ficar. O problema seria encarar o Barcelona por mais algumas vezes na carreira, e continuar sofrendo constantemente com isso, apesar de ser o único que realmente incomoda o poderoso esquadrão de Guardiola.

Dentre todas as dúvidas, o Real Madrid está simplesmente impecável, e, sem se arrepender de dizê-lo – mas podendo se arrepender depois -, está no primor de seu jogo em algum tempo. A equipe não tem fraquezas – como nunca teve – e joga bem com consistência, trucidando rivais, mesmo que sejam pequenos, em momentos, apenas. A liderança consta de 61 pontos e 79 gols, tendo sofrido 21. Então, o ‘clash’ entre os maiores do mundo pode ocorrer em estágios mais avançados da competição da Copa do Campeões, para decidirmos se o Barça manterá mesmo a coroa.

Os dois serão favoritos a chegarem às finais do torneio, indubitavelmente.

Assim como é sem dúvida que a confiança do Real Madrid está lá em cima. Com o espanhol praticamente ganho, a única dúvida vai ser em quanto a equipe pode chegar com pilha para o jogo contra o Barcelona no Camp Nou, para o returno. Aí sim, poderemos ter uma decisão prévia da temporada de ambos os times.

No nível dos melhores do mundo, a impressão é de definição por termos um dos melhores times da história do jogo em atividade e indefinição se o time de Mourinho pode detê-lo. Com a confiança – e desconfiança, ao mesmo tempo – que tem-se, o Madrid pode fazê-lo. Questão debatível mesmo é quanto significa vencer o espanhol para apenas realçar uma campanha que pode quebrar nas mãos barcelonistas, mais uma vez. Confiando e desconfiando, indo e vindo, os melhores do mundo vão se encontrar mais algumas vezes este ano. A coroa pode mudar de mãos, pelo menos parcialmente. E vai ser a última chance de Mourinho em Madrid. Ou melhor, desconfio que será.

Cristiano e Real Madrid - viajando na confiança e sendo desconfiados

Por: Felipe Saturnino

19/12/2011

Com ponta ou sem ponta?

O Barcelona não apenas me chama atenção pela beleza de seu futebol, pela essência do ‘tiki-taka’ ou por nomes antológicos como Xavi Hernández, Andrés Iniesta ou Lionel Messi. E também não é algo que passa pela figura tão sutil e suave como a de Josep Guardiola, treinador dos blaugranas.

É algo a mais que só o que é.

O Barcelona do jogo contra o Real Madrid: 4-3-3 para o 3-4-3 do diagrama

Das atuações do ano, a que mais me chamou a atenção do Barça não foi a destruição total diante o Santos, e sim a aulinha pra cima do Real Madrid de Mourinho. E não foi por motivos óbvios – como os que apresentei lá no início do post.

Foi pela mudança tática.

Guardiola, com novas peças, como Thiago e Cesc Fàbregas, soube como renovar o espírito filosófico barcelonista, que por mais pragmático que seja, é mais do que vencedor. Afinal, mudar um desenho tático mais do que consolidado é um tarefa difícil de fazer.

Josep o fez. Melhor, o faz. Com excelência.

O primeiro jogo em que eu presenciei a mudança consolidada, isto é, sem variações num mesmo jogo, foi no embate contra o Villarreal, em agosto. Em Camp Nou, os mandantes fizeram 5 a 0.

Guardiola improvisou e armou a defesa com ‘dois’ volantes: Sergio Busquets e Javier Mascherano. Abidal jogou pelo flanco esquerdo da defesa; na linha da frente do meio-campo, Iniesta, Fàbregas e Thiago foram os atuantes. Os avantes foram Sánchez, Messi e ‘Pedrito’. Mesmo sem laterais, ou melhor, alas, os meias abertos, isto é, Ini e Thiago, provaram a qualidade que possuem e deram suporte aos atacantes. A equipe tinha dois pontas – Sánchez e Pedro -, que clareavam o jogo, tanto quanto centralizavam. Fàbregas infiltrava-se para ocupar o lugar de Messi que, como sempre, flutuava em campo.

Foi uma grande atuação pelo trabalho dos meias.

Contra o Real Madrid, algo mais violento e intenso. Mais variação.

Nesse jogo, o Barça foi de 4-3-3 para 3-4-3, até mesmo 4-4-2, com Busquets se aprofundando em momentos do jogo para formar uma linha de 4 homens na defesa. Guardiola, pela primeira vez, de fato, pôde vencer Mou no ‘braço’, na tática do jogo, enfim. Uma das melhores exibições que, certamente, já vi em minha vida. Sánchez jogou como ponta, porém, sua movimentação era constante: poderia centralizar-se ou, até mesmo permanecer no flanco em que estava. Iniesta, no momento, era algo entre um meia-esquerda e um ponta-esquerda, aprofundando o jogo sobre Fábio Coentrão. Fàbregas e Xavi eram os atuantes mais evidentes da linha de meio-campo, visto que Daniel Alves também aparecia muito forte pelo flanco direito, agredindo o lado de Marcelo, podendo ser dado como ponta-direita.

Contra o Santos, algo mais evidente que pode ser o que o Barcelona está atingindo: o 3-1-4-2.
Daniel Alves foi meia-direita, Xavi e Iniesta meias-centrais originais, Thiago meia-esquerda, e Messi e Fàbregas eram avantes que, mesmo assim, saíam para movimentar-se e provocar mais confusão na defesa adversária. O esquema no jogo de domingo, então, constou sem pontas. Mas, como sempre, o time foi funcional no meio-campo.

E devem ser dados a Pep Guardiola os créditos à tamanha variação que o Barça atingiu neste final de ano. Para renovar uma filosofia, não devemos nos pegar ao novo, mas fazer o velho e bom se tornar o novo e bom. Guardiola está usando a variação a seu favor. Com um ponta ou sem um ponta, o Barcelona pode usar o 4-3-3, o 3-4-3, o 4-4-2 ou o 3-1-4-2. Excelência tática no momento.

O Barcelona do jogo contra o Santos: o 3-1-4-2 para a 'renovação', sem um 'ponta'

Por: Felipe Saturnino

13/12/2011

Reação

O jogo Real Madrid x Barcelona ainda possui mais questões do que apenas aquelas discutidas aqui, há dois dias atrás.

O que me ocorreu hoje foi que, se tivesse percebido com um pouco mais de sagacidade e malícia, Mourinho poderia ter interferido mais no resultado do que como aconteceu.

O mais impactante pra mim, porém, é que o português é um homem com resposta para (quase) tudo na questão tática do jogo. Por isso, aliás, está no lugar que está. Ainda assim, ficou sem resposta no entrave diante o Barça.

A questão tática fica muito centrada no mover das peças do lado esquerdo da defesa de Mou. Daniel Alves não avançou com o intuito de combater Marcelo – e assim bloquear uma saída do Real -, mas sim somente para agredir aquele lado. Com isso, a vantagem começou. As movimentações de Messi tornaram-se mais previsíveis, ao ponto que este se tornava mais estático no lado direito do ataque catalão, minando o número 12 brasileiro dos merengues. Assim, o 3-4-3 do Barcelona começava a reinar no Bernabeu. E reinou – como sabemos.
Neste caso, Mourinho tinha a opção de puxar Coentrão para a lateral-esquerda, trazer Lass para a direita e fazer com que Marcelo trabalhasse num ponto mais médio do campo. Não importa se Messi não teria tanta companhia assim, mas sim permanece o porquê de uma impossível mexida do técnico madridista.

E a questão apenas fez-me refletir hoje.

Pois, acima de tudo, José sabia que tinha de fazer um outro algo, uma coisa diferente. Impotência e timidez para modificar um time não condizem com sua condição de um técnico tão bem avaliado. Foi algo contrastante com sua personalidade. Mas também foi algo impensável para ele. Afinal, é Mourinho.

Mou - sem reação

Por: Felipe Saturnino

11/12/2011

Aulinha

Sabe quando teu irmão mais velho te dá aquele legítimo show no playstation? Ou quando você engole aquela ‘lambreta’ na sinuca, perdendo pro seu padrinho? Ou até mesmo quando você toma aquele baile daquele cara da sua sala que você tenta marcar mas não consegue de jeito nenhum? Pois é, isto chama-se aulinha.

A aulinha, isto mesmo. Aquela coisa que você aprende da pior forma. Até mesmo quando está mais preparado. A aulinha é uma humilhação, é como um deboche. Te marca.

O melhor time do mundo – certamente o melhor da década -, o Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta, foi à Madrid, como todos sabemos. O clássico é o de maior repercussão mundial no momento, dado que a rivalidade transcende o futebol propriamente dito. Passa por questões ideológicas. Mas, permanecendo no futebol, apenas nisto, temos os dois melhores do mundo centrados nas duas equipes da Espanha: Leo Messi e Cristiano.

A surpresa de Guardiola poderia ser o 3-4-3, que foi utilizado nas duas partidas contra o Milan pela Champions League. Na primeira, a equipe sofreu com as roubadas de bola executadas pelo time italiano, dado o fato que o Barcelona começou o jogo praticamente perdendo. Além do mais, a equipe milanesa tinha um ‘1’ no meio-campo que auxiliava a sobra dos meias e também a marcação do 10 blaugrana, Messi. O jogo terminou empatado em 2 a 2.

Naquele jogo, porém, o time foi mais 3-4-3 do que 4-3-3. E, observando de forma mais crítica e mais cuidadosa, constata-se que foi mais uma formação com disposição de 3 homens do que 4. No entrave do Bernabeu de hoje, Guardiola mostrou todas as suas armas.

As formações no momento do empate; já é possível ver Dani Alves evoluindo na direita

Princípio

Após muita especulação, Mourinho optou por um 4-2-3-1 ortodoxo, o mesmo que há tempos vinha executando no Real Madrid – porém sem a mesma regularidade nos jogos contra o Barça. Mesut Özil iniciou o embate centralizado, tentando incomodar Busquets, fazendo-o marcar e ser marcado. Enquanto isso, Xavi e Fábregas atuavam no Barça ‘colados’ em Lass Diarra e Xabi Alonso. Ou melhor, Lass e Xabi colados nos blaugranas. Porém, uma outra questão era a marcação de Messi. Mais que tudo, a princípio, o Real Madrid não optava por algo tão ‘privado’ ao argentino. Isto é, a marcação era por zona. Lionel não estava tão funcional no início do jogo, dado que, apesar de flutuar pelo campo, o Madrid conseguia interceptar as ações do Barcelona, a ponto de fazê-los pressionados e sem espaços para evoluírem à Messi. Por esta pressão nasceu o gol primordial do embate: Valdés tocou mal, a bola foi para Di María que tentou inverter para Benzema, algo que não conseguiu; a bola sobrou para Özil, que chutou e, por fim do enredo do lance, o chute final foi de Benzema, após bola espirrada do chute do alemão.
Na mesma medida em que a pressão diminuía, paulatinamente, o Barça tomando conta do jogo ia. Mesmo assim, o Madrid podia usar o contragolpe: Cristiano Ronaldo teve uma chance perigosa para gol, mas chutou longe, num lance em que Benzema antecipou Piqué.

Mudança no Barça

Apesar de uma dúvida expressada, Guardiola sabia que a surpresa poderia confundir o Real. Ainda mais se fosse acompanhada por uma série de modificações táticas complexas.
Messi flutuava no comando do ataque em minutos iniciais, porém, quando a pressão madridista começou a cessar, o argentino estabeleceu-se na primeira etapa num lugar conhecido: o centro do ataque. Daquele lugar, Messi viveu seus melhores momentos na carreira. Com Fábregas e Iniesta, respectivamente como meia e ponta-esquerda, escalados, e ainda Sánchez, isso daria ao argentino ainda mais possibilidades de trocas do que o usual, dadas as tamanhas funcionalidades dos jogadores. Iniesta, como ponta-esquerda, jogava sobre Coentrão; Cesc, com Lass, e Xavi com Alonso.

Barça no 3-4-3, encaixotando o rival


Porém, eram perceptíveis em alguns momentos as mudanças que Fábregas proporcionavam ao Barça; o ex-Arsenal poderia sair do meio-campo e se infiltrar, algo que Xavi e Iniesta fazem de forma menos frequente. Mais importante que isso, porém, foi o avanço de Daniel Alves na lateral-direita para a ala-direita. O 3-4-3 traçava-se.
Aos 26, Messi, ainda não centroavante ‘mentiroso’, pega a bola. E, desfilando sua magistral classe por gramas madridistas, passa por um, dois, três. Paremos: Sánchez infiltra-se, vira o centroavante, porém, desta vista, Sánchez originalmente é um jogador periférico, e não central. O truque catalão começa. Mourinho e o Madrid começam a ser mortos.
O Barcelona inicia o seu domínio, a sua superioridade, mais do que pela técnica, mas também pela tática. Visto que Daniel Alves avançou, o Barça obtinha vantagem numa linha de meio-campo; assim, o Madrid ficava mais suscetível ao time catalão que, novamente, era favorito ao ‘Clásico’. Aliás, é possível perceber o incômodo de Daniel Alves sobre Marcelo, já que o canhoto não se portava bem em campo. Com tamanha pressão sobre suas costas, o show barcelonista se iniciava.

Virada e zona ‘Messi’

O segundo tempo começou com gol de Xavi aos 7. O Barcelona simplesmente não deixou o Madrid jogar nestes iniciais minutos. A vantagem do Barcelona taticamente era muito considerável, e tecnicamente os catalães são inalcançáveis. Por isto, no confronto, o quesito tático é tão preciso assim.
Agora, Lassana Diarra ficava mais preso à Messi, já que este, agora, posicionava-se mais à direita no Bernabeu: o 3-4-3 existia, mas com as crescentes infiltrações de Fàbregas e também com o trabalho de Iniesta que triturava Coentrão em uma atuação pobre do português – apesar do show do Barcelona; sem falar de Dani Alves, que jogava sobre Marcelo e que deu o passe pro fim da ‘AULA’ do Barça, com gol do ótimo Francesc Fábregas. Neste momento, Mourinho já fazia com que Khedira, no lugar de Lass, agredisse um pouco mais à frente o Barça, tentando auxiliar Coentrão no trabalho com Iniesta também; Xabi Alonso, no lado esquerdo do meio-campo central, ocuparia partes da zona ‘Messi’. Neste ponto, a fatura estava liquidada. Quer dizer, tivera Ronaldo feito aquele tento de cabeça – aos 19 – que a história seria distinta; não foi.

O jogo, então, nos dá mais algumas constatações:

Messi atuou em diferentes posições, em diferentes pontos do campo. Hoje, uma marcação ‘privada’ sobre o argentino é desnecessária, ou melhor, é maluquice.

Guardiola mostrou o que sabe sobre táticas: fez seu Barça modificar o 4-3-3 até o 3-4-3 que consolidou a vitória sobre o Madrid, por 3 a 1.

Daniel Alves é o melhor lateral-direito do mundo: versátil seu trabalho como ala, ofensivamente destruidor hoje.

E, ainda: o Real é fantástico, mas o Barça é de outro universo.

Barça - lecionando e mostrando que é de outro lugar

Por: Felipe Saturnino

27/10/2011

Real de Mourinho é mais agressivo do que ano passado

Os times de José Mourinho, reconhecidamente por ele, são notáveis em segundas temporadas. Porém, isso não o impede de ter uma boa temporada, e uma segunda temporada de apenas alguns “aprimoramentos“.

O Real Madrid mantém seu esquema, seu desenho predominante, as movimentações ofensivas e o trabalho defensivo. O que ocorre mesmo é que, com o passar do tempo, a equipe assimila mais o trabalho, se adapta ao 4-2-3-1 e executa as funções com mais naturalidade nos jogos. Com isso, o time agride mais, é mais incisivo e, apesar de Mou simpatizar-se pelo contragolpe, a equipe madridista tem sido fatal em seus jogos por causa da sua ofensividade.

As movimentações do Real na última quarta, diante o Villareal

Avaliemos os últimos dois embates da Liga dos Campeões e os últimos dois jogos do Campeonato Espanhol: a equipe de Mou marcou 14 vezes, e não sofreu gol algum. Tem tido mais posse de bola média do que no ano anterior. Contra Málaga e Villareal, respectivamente, 56% e 66%.

Desde o setor mais defensivo, dos volantes, funções exercidas por Xabi Alonso e Khedira, com o alemão mais agressivo; Di María recompondo e marcando muito forte pelo lado destro, com Kaká articulando e Cristiano e Benzema concluindo as jogadas, um na extrema-esquerda e Karim Benzema na posição de avante central. Com todos os atributos, o Real Madrid de Mourinho tem aniquilado seus adversários com câmara de gás: rapidamente. Sem piedade. Na última quarta-feira, em 10 minutos, a equipe havia criado 5 chances, com dois gols anotados – por Benzema e Kaká – e um tento anulado, de Sergio Ramos.

Na Champions, diante o Lyon, a equipe de Mourinho foi soberana em todo o tempo. 62% da bola em seus pés, e 4 gols a nenhum.

O trabalho da linha dos três meias ofensivos, sendo esses Di María, Kaká e C. Ronaldo, em relação ao jogo diante o Villareal, só não foi perfeito pois Cristiano fez um jogo muito abaixo da sua real capacidade. E, apesar do Villareal centrar em Borja Valero, o bom volante-meia, a responsabilidade de marcar Kaká, o meia brasileiro foi articulador primoroso. E o dono do jogo, Di María, está cada vez mais aplicado ao estilo do Madrid que é mais agressivo a cada dia que passa.

Um espetáculo a cada jogo. Porém, equipe da capital tem de estar preparada para agredir o todo poderoso da Catalunha, azulgrana. E esse time de Mou é cada vez mais incisivo, e cada vez mais é o dominante numa partida. Posse de bola absurda, muitas finalizações – 26 no alvo, mediando mais de 6 chutes no gol nos últimos 4 jogos – e atuações cada vez mais primorosas do seu trio de meias. Pode ser o ano dos madridistas.

Por: Felipe Saturnino

30/08/2011

No 3-4-3 do Barcelona, não há apoio de laterais, mas meias dão suporte

Sánchez e Messi - no 3-4-3, Barcelona é o mesmo, mesmo diferente

Pep Guardiola sabe muito bem que a escola barcelonista possui uma filosofia que, embora venha carregada de um esquema tático muito bem definido, não se adapta ao esquema. O esquema usado se adapta à filosofia, mesmo que as modificações na formação tática sejam quase inexistentes no time catalão. O 4-3-3 é predominante.

Ontem, diante o Villareal, foi diferente. Guardiola resolveu mudar um pouco o desenho tático, prezando mais a linha de 3 homens na defesa. Aceito. Mascherano não compromete, e Sergio Busquets é muito bom marcador e contém as ações ofensivas adversárias como volante, ainda participando da transição defesa/meio. Abidal é mais que consolidado como um bom zagueiro, apesar de seu maior sucesso na seleção nacional ter sido como lateral, com o vice na Alemanha em 2006. Mesmo assim, no Barça ele é lateral-esquerdo.

Barcelona no 3-4-3: sem laterais, meias abrem o jogo, Fábregas se infiltra e Messi brilha (como sempre)


Prezando e aceitando uma formação diferente, o Barcelona não modifica o princípio básico: a posse de bola e o toque vertical. Um time que, marcando pressão, ganha todas as ações na faixa intermediária e, assim, vence os jogos com considerável tranquilidade. No 3-4-3 de ontem, o time de Guardiola jogou como sempre, mas como nunca.

Muito pelo esquema que, sem tanto apoio dos laterais, libera Iniesta e Thiago Alcântara para concederem o suporte aos atacantes ponteiros, como Sánchez e Pedro, no caso. Messi fez a posição do falso nove e Cesc Fàbregas ocupou espaço como o vértice adiantado no losango do meio-de-campo.

Isto é, o desenho muda, mas a razão para o clube estar onde está, não. Sim, não muda. A posse e o tiki-taka são marcas registradas da equipe catalã. Messi deu show, Cesc jogou muita bola, Iniesta teve um jogo com menos rendimento que os dois citados e o naturalizado espanhol, Thiago Alcântara, fez gol e deu passe para outros dois: um de Sánchez e outro de Lionel.

Enquanto isso, a proposta se assimila mais a cada jogo. Mesmo com as mudanças e sem um apoio de um lateral como Daniel Alves, o Barça tem time suficiente para vencer, convencer e golear adversários, em outro esquema. E ainda há tempo de dar show, tema mais exclusivo no que se refere a Lionel Messi. Barbaridade.

Por: Felipe Saturnino

04/08/2011

Velho Mundo

O continente europeu é, com certeza, o que nós mais no aprofundamos quando estamos estudando, ainda na escola. Os acontecimentos que lá ocorreram nos influenciam muito aqui. Aliás, influenciam o mundo.

O chamado ‘Velho continente’ foi o centro da Idade Média – que se fale, os acontecimentos mais relevantes desse período ocorreram lá. A decadência feudal originou o capitalismo, que já deriva de um porte maior e mais abrangente que qualquer outro já desenvolvido.
Na Idade Moderna, as Grandes Guerras – referidas mais comumente como Primeira Guerra Mundial e Segunda Guerra Mundial.

É no Velho continente, ou melhor, no Velho Mundo – sim, outra nomenclatura para o continente europeu – que também estão os campeonatos europeus, – por isso que falamos da Europa – os de maior renome no cenário mundial do futebol.

Temos a Barclays Premier League ou simplesmente Premier League, – o campeonato inglês – a Lega Calcio, – Serie A do campeonato italiano – a La Liga – o tão badalado campeonato espanhol – e o campeonato alemão, a Bundesliga.

A Bundesliga foi a última na citação acima, porém começará nesta sexta-feira, com a estreia do campeão atual do torneio, o Borussia Dortmund – veja o calendário do blog.

A Premier League começa no dia 13, daqui a dois sábados. O campeonato mais emocionante desses europeus – na minha opinião. No dia 20 de agosto temos o início de La Liga, o campeonato espanhol. É a liga de futebol mais badalada no mundo. O motivo vocês sabem, não é? Além do mais, ter um Barcelona e um Real Madrid no mesmo campeonato é algo autoexplicativo para sinônimo de badalação.
Para terminar, também tem-se o campeonato italiano. Na bota, temos os jogos começando no dia 27 de agosto.

Temos, antes da ligas nacionais, as supercopas – a da Inglaterra é domingo, e da da Itália é no sábado.

Não podemos esquecer também da Ligue 1 – liga francesa que começa no sábado – e da Liga Sagres, que se inicia no dia 14 deste mês.

Lembro ainda que temos a Champions League. Por isso, volto uma outra hora para falar da maior competição interclubes do mundo.

Por: Felipe Saturnino

22/07/2011

Mou Manager

Estamos perto do começo da temporada europeia, então, nada melhor do que voltar ao assunto de futebol internacional.

O Real Madrid hoje anunciou que José Mourinho terá mais poder no seu clube. Quais poderes? Bem, esta é a questão.
O suposto desentendimento, que até hoje deixa algumas questões no ar, entre Mou e Valdano, pode ter sido uma questão de poderes e direitos internos. Aliás, com certeza, foi.

O motivo da briga entre os dois é incerto. Sabe-se que envolve uma questão de poder. Assim dada a “rixa”, rumores foram soltos nos mais diversos veículos de notícias. Mourinho teria recebido ofertas de clubes, e por conseguinte, poderia deixar os madridistas. Não ocorreu, como sabemos.

Quem saiu foi Jorge Valdano, campeão da Copa de 1986. E Florentino Pérez tratou de deixar claro que, no Madrid, quem manda é Mou. Entendido, tudo certo. Mourinho somava poderes já importantes.

Hoje, como já comecei falando, o Real Madrid deu a esta soma mais valores. José Mourinho é o novo manager do Real Madrid. Como Sir Ferguson no United, Wenger no Arsenal, e como alguns tentam fazer no Brasil, mas não se saem bem. Aliás, na Espanha os técnicos não assumem tanto poder como o português assumiu hoje. Na Premier League, ocorre. Então, é um caso diferenciado e peculiar.

Mourinho, então, hoje, manda mais no Madrid do que qualquer diretor. Até certo ponto, claro. Quando se trata de negociações, bem, agora Mou terá influência mais direta do que antes tivera.

Aliás, poder é importante, mas também tem de ser utilizado com responsabilidade. Agora Mourinho é mais que um técnico, é um manager. E que tenha ficado claro para todos: o homem manda mesmo.

Mou - manager e mandão

Por: Felipe Saturnino

04/05/2011

Empate entre Barcelona e Real fecha série histórica Barça-Madrid

Acabou a diversão dos meses de abril e de meados finos de maio. Os confrontos entre catalães e madridistas se fecharam na partida desta terça-feira, em Camp Nou. O empate em 1 a 1 mostrou o que foi o confronto geral, equilibradíssimo. Com uma vitória para cada lado, e dois empates, acabou a série Barça-Madrid.

No balanço geral, ficou em igualdade. 1 a 1 em vitórias.
Porém, o Real Madrid venceu a Copa do Rei enquanto o Barcelona conquistou a tão desejada por clubes europeus, vaga na final da UEFA Champions League. Isso que faz a série ser triunfal aos barcelonistas fanáticos. Além de tudo, a equipe mostrou que não abandona seu estilo clássico derivado das raízes mais fundas da filosofia da equipe de Barcelona.
Para o Real Madrid, se a série não terminou em otimismo, pelo menos mostrou que a equipe é capaz de vencer. Nem que seja com uma atuação que exija o máximo da disciplina tática de seus jogadores. Desde os mais ofensivos até os menos. De Cristiano Ronaldo à Pepe. Falando em Pepe, fosse o mesmo não tivesse feito a falta escandalosa em Daniel Alves, talvez a história do jogo tivesse sido diferente. A expulsão do luso-brasileiro simplesmente demoliu o esquema tático de Mourinho. E aliás, para aqueles que acham que é covardia, simplesmente é uma das maneiras que mais funcionou contra o melhor time do mundo. Foi ótimo por dois jogos, no terceiro, Pepe foi embora e Messi, brilhante, fez o que fez. Merecido. Ah, e tem outra coisa. Talvez o jogo mais solto da série entre as duas equipes tenha sido este último, na volta no Camp Nou. Pena que só foi no último. Mesmo assim, dou minha nota de melhor jogo da série, aglobando atuação de ambas as equipes como o jogo da final da Copa do Rei. E claro, na ida, tivemos a melhor atuação de um jogador na série: Messi. O jogo que menos gostei, entre outras coisas, estão abaixo:

O JOGO: Final da Copa do Rei, 20/04/11 — o jogo pode ter sido a melhor partida do Real Madrid, mas foi o melhor jogo da série. Entenda que o mas implicíto na sentença anterior está relacionado diretamente com o fato de o time madridista praticar o futebol de marcação forte e ocupação de espaços. O Barça joga com a bola. E dou a minha nota, pois o jogo mesmo não tendo a melhor atuação de um jogador somente, teve o melhor conjunto, com ambos atacando e também sabendo se defender.

O JOGADOR: Ida das oitavas-de-final da Champions League — o tal de Messi fez uma das atuações mais primorosas. Não se compara a que fez contra o Arsenal. Aquela foi de jogador de Playstation. Mas esta, para a série, e o que representa a rivalidade, foi uma das melhores de sua carreira. O primeiro tento de simplesmente posicionamento e antecipação de Messi se misturam com o segundo gol de habilidade que o argentino de Rosário possui em seu sangue. Fato, dado e constatado. Craque genial.

O JOGO QUE MENOS GOSTEI: Campeonato Espanhol, 32ª rodada — o jogo menos empolgante da série. Outro fato dado e constatado. O jogo, que servia de certa forma, como uma experiência para Mourinho, foi o menos badalado da série ao meu ver e deu outros muitos. Porém, os gols marcados foram feitos por jogadores muito badalados: os antagônicos Messi e Cristiano Ronaldo, ambos com penais.

Guardiola ou Mourinho: Nessa eleição, que já teve post, fiquei com Mourinho. Porém, Guardiola que só parece renovar a chama do vencer para os catalães e fez algumas mudanças táticas na equipe tem de estar no mesmo nível que o português. Com tudo isso, Mourinho perdeu um pouco de seu prestígio. Nada que o faça perder o que entende do futebol, e o que o faz, para mim, pelo menos hoje, o melhor. Guardiola, mesmo assim, vence o confronto da série mostrando que fala o necessário e, se preciso, dá suas cutucadas. Mourinho tem que aprender alguns modos.

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Por: Felipe Saturnino