Archive for ‘Copa da Inglaterra’

09/01/2012

Voltando

“Thierry Henry is back!!!!!!!!!!”

O comentário é de Robin Van Persie, avante do Arsenal que hoje não atuou no jogo contra o Leeds United pela FA Cup. Mais especificamente, é de seu twitter oficial.

A sacada da volta de Henry é sutil: relembrar os tempos de glória do Arsenal, que não ganha um título há pouco mais de 7 anos. Óbvio que, também, há o motivo romântico da história: o grande ídolo volta para o clube que te consagrou e que te fez viver os melhores momentos de sua brilhante carreira no meio futebolístico.

Aliás, Henry, voltando ao Arsenal, faz bem ao futebol. É bom ter o ‘cara’ ou ‘ex-cara’ do seu time, e faz bem ao time londrino, naturalmente. A equipe vem se recuperando na Premier League e enfrentará o Milan na Champions, pelas oitavas. Ainda assim, não é uma esquadra confiável por motivos claros: apesar de Van Persie ser o ‘cara atual’ do elenco do time de Wenger, os formadores do 11 inicial, os restantes, são jogadores jovens, promessas, que não me dão tanta confiança assim. Afinal, o trabalho de Wenger todo é baseado em cima da promessas.

Mas, o destino, ou melhor, o futebol – já que não sou um grande credor de ‘destino’ – é genial. Na volta do craque francês ao time do Emirates, o 227º tento pela equipe. Mais romântico do que tudo no esporte que amamos.

Afinal, acima de tudo, a importância do número 12, pelo menos pelos próximos dois meses no time, não é concedida ao Arsenal somente, mas transborda o significado e se amplifica, torna-se mais importante do que é. Henry, com a categoria de sempre, fez o tento que levou o Arsenal à 4ª rodada da Copa da Inglaterra. E pouco importa se, no momento, o clube não está nos momentos estelares. Henry, afinal, como disse Van Persie por seu twitter, está de volta. Bem-vindo de volta e bem faz ao futebol você, Henry.

Henry - de volta às origens da consagração

Por: Felipe Saturnino

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08/01/2012

Sorte e revés

A rivalidade entre Manchester City e United parece ter atingido um começo de ápice no âmbito nacional após um conflito muito batalhado na vitória deste domingo dos ‘Devils’. E foi na casa dos adversários.

Mais importante do que compensar os 6 a 1 sofridos em meados de outubro do ano passado, o importante para o time de Alex Ferguson era recuperar a confiança que havia perdido e não achava há algum tempo. A derrota diante o Newcastle em St’ James Park deixou isso evidente, mas também expôs os frágeis pontos da equipe vermelha da cidade.

Mas Sir Alex pouco mudou a esquadra. Até pela falta de opções, Scholes, ex-aposentado, retornou aos campos.

A opção por Valencia na lateral-direita cedeu, e Phil Jones iniciou ocupando a posição; os citizens vieram de 4-2-3-1, com Milner atuando mais profundo no campo, como um segundo-volante. Na linha do 3, David Silva e Nasri coordenavam as movimentações, já que Adam Johnson fica mais fixo na esquerda. A preocupação, pelo menos para mim, era no miolo do meio-de-campo do United: Carrick e Giggs; apesar do galês ser boa opção, há a ressalva por argumentar que sua condição para comandar um setor, vindo de trás, contra um adversário tão criativo e agressivo em campo, não é das mais elevadas. Carrick, porém, era o oposto: tinha de participar do jogo para o time de Ferguson ficar mais tempo com a bola e tentar se aproximar mais da meta de Pantilimon – qualidade que o dado jogador não possui.

O panorama estava desenhado, ao menos para mim: City vence pela qualidade maior de seus meias, todos, de fato, são ótimos jogadores ou excelentes.

A ‘sorte’ indevida que apareceu ao Manchester United em Etihad Stadium surgiu no 11º minuto da etapa inicial: Kompany, o bom zagueiro belga, é expulso injustamente por Chris Foy, árbitro oficial do confronto. A entrada foi na bola, finalizando de forma definitiva a discussão, sem mais ponderações e balanceamentos.
A lambança de Foy refletiu-se, tão devidamente quanto indevida foi sua marcação, no jogo. Naturalmente, como deveria ser.

O jogador-chave do City poderia ser Milner, que escapava sobre os volantes do United, criando mais desvantagens aos ‘Diabos Vermelhos’ em outros pontos do campo, também. Sem Kompany, Milner teve de recuar à lateral-direita para ajudar a composição da linha defensiva com Richards – que foi para a zaga central -, Lescott, que continuou na posição original, e Kolarov, que fez uma partida de altos e baixos momentos. Agora, o City era 4-1-3-1: sem Milner no meio-de-campo, Johnson e Nasri voltavam para sustentar De Jong em um ponto mais baixo do campo.

Curioso, porém, foi o aspecto comportamental do United em parte da partida: o desejo do contragolpe. A equipe naturalmente não é tão criativa quanto a do City, e então, necessitava de uma atenção reforçada para conter os avanços adversários. Basta falar que o lance do primeiro gol é de um momento totalmente reativo do United no jogo: Rooney conduz até dar para Valencia centrar a bola para o gol do próprio Rooney.

Com 3 a 0 contra no placar, no segundo tempo, Mancini, atraído por um azar tremendo vindo de Chris Foy, decidiu modificar o desenho: do 4-1-3-1 para o 3-4-1-1, com a entrada de Zabaleta e Savic. A equipe sustentou-se, já que defensivamente levava vantagem numérica sobre a dupla formada entre Rooney e Welbeck no ataque dos visitantes. Mas, outro aspecto importante era a equalização dos valores no meio-de-campo: Zabaleta, De Jong, Milner, Nasri e Kolarov compunham o setor, que ainda poderia ganhar Agüero com suas movimentações constantes. Nasri poderia se juntar ao argentino no ataque, também. E deu certo.

Kolarov fez de falta aos dois; Agüero fez o segundo aos 18. Os citizens estavam de volta. E, de repente, sabiam que podiam um pouco mais.

Mas o tamanho do erro foi maior por parte de Foy; o revés do City de Mancini estava consolidado. Até por isso, o confronto foi tão dramático e o City pôde correr atrás. Quase alcançou.

Para a rivalidade, a vista do crescimento da importância dos embates entre os dois, que renova o interesse no futebol inglês, em geral, – qualquer competição que for, de verdade – é a ocorrência da sorte do erro do árbitro do jogo para o United e o revés do favorito City no jogo, o que torna tudo mais emocionante. A pena é que se isso reforça a rivalidade, estraga com um jogo que poderia ter sido diferente. Só assim a análise seria mais coerente e não tão fixada num erro tão bobo. Apesar de tudo, pelos tons de dramaticidade, um belo jogo para o princípio de 2012. Viva City x United!

Chris Foy - o vilão do jogo que faz aumentar a rivalidade entre os rivais de Manchester

Por: Felipe Saturnino