Archive for ‘Cristiano Ronaldo’

14/09/2012

Ironia

As novelas de Ganso e Palmeiras, que possuem tom de suspense e drama, respectivamente, chamam muito a atenção pelo que já sabemos que representam. PH (ainda) é tido como um dos melhores meias de seu tempo, apesar de há algum não jogar nem próximo do que é considerado razoável. Ganso tornou-se um ilustre coadjuvante no decorrer de seu tempo como santista, e fica no plano secundário, atualmente. Neymar é o absoluto protagonista.

E o Palmeiras todos sabem do que se trata.

O irônico não é aquilo sobre Paulo Henrique, e nem isso sobre o possível – quem sabe até mesmo provável – rebaixamento palmeirense. É mais a respeito da polêmica que Cristiano Ronaldo conseguiu criar no meio madridista – que apesar da ótima conquista sobre os barcelonistas pela Supercopa da Espanha, não vem bem no campeonato nacional – em que se fez dito estar triste no segundo melhor time do mundo. E não é ironia o craque português, com todos seus atributos – e tributos (vide impostos) -, estar infeliz no Real?

Ronaldo recebe milhões de euros por temporada, faz milhares de gols por ano, e não é o melhor do mundo por um detalhe, somente um detalhe: Messi. O melhor europeu, ao menos para UEFA, porém, é Andrés Iniesta – outro blaugrana. O 7 merengue sofre – por alguma razão inexplicável, indetectável e, assim, inquestionável por sua existência – e com isso aparentemente mordendo o âmago absoluto, internamente, ele expõe, explicita o problema; ou a (muita) vaidade é tanta para tornar qualquer coisa uma grande coisa?

O conterrâneo Zé Mourinho já adorou a ideia de tê-lo triste e jogando bem assim, como quase sempre Cristiano faz. De fato, ele acha que está de excelente tamanho, Ronaldo, triste como se caracteriza, jogar tanto quanto joga. O avante português, que no Real serve como um saudoso ponta-esquerda – que é o que um 4-2-3-1 atribui a posição do setor de Cristiano -, não está de saída de Madri. Não é o que parece pela situação atual – apesar de existirem rumores de um pedido por sua parte.

Ronaldo pode estar muito bem milongando por algo bem menos prezável e aceitável. E certamente Mou sabe do que se trata. E se foi com ele mesmo, ele parece tentar fazer pouco caso do grande caso. Ácido, Mourinho deu de ombros para o que Cristiano sente atualmente. Mais que qualquer um, ele já adere aos problemas de relacionamento com Kaká – como o El País pôde notificar há algum tempo -, e agora mais essa questão com seu maior jogador pode ser tudo, menos uma boa coisa. E, melhor que qualquer um, ele sabe o quanto isso pode prejudicar o andamento do bom mas ainda incompleto trabalho no Real.

Incompleto pela óbvia falta da Liga dos Campeões, tão sonhada por ele, pelo clube e, claro, pelo dono da história toda que motivou a polêmica toda, Cristiano Ronaldo. Pois, quiçá, isso lhe dê a Bola de Ouro da FIFA – numa hipótese completamente válida, apesar de um tanto quanto distante pelo que o argentino Leo joga. Na última temporada, eles chegaram perto após a semifinal do Bernabeu com o Bayern – e CR7 saiu bem da Champions, batendo aquele penal premiado por Neuer.

Ironias deixadas de lado – e em ironias quero deixar fora desse conjunto repleto de subconjuntos, especificamente, a possibilidade de Ronaldo ser melhor do mundo pela segunda vez, desbancando Messi pelo menos mais uma vez -, o que o melhor português do mundo clarifica na situação é mais uma insatisfação, por algo ainda inexplicável, mais ainda incompreensível – como tal consequência -, porém, ainda assim, inquestionável, pelo que sabemos que não é.

Mas, pela figura arrogante, às vezes desprezível, ainda assim, apreciável pelo futebol apresentado em todos seus anos – e também por toda essa personalidade não muito gostável em momentos -, notamos que Cristiano pode estar fazendo muito caso do que não é relativamente um grande caso.

Sim, até Mou o ironizou.

Cristiano Ronaldo não sendo polêmico? Aí está uma ironia. Talvez até mesmo um paradoxo. Ou falta de redundância.

Cristiano – triste?

Por: Felipe Saturnino

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27/06/2012

A hora de Cristiano

Em muitas ocasiões, forças diversas e bem possivelmente – ou quase inteiramente – imperceptíveis realizam esforços para conspirar um resultado que favoreça o que nos é universal, isto é, o que nos é comum.

O resultado, partindo duma premissa que é fundamental, deveria ser óbvio. Os esforços para realizá-lo não são.

O universal, o que é trivial, comum e normal é considerar a obviedade como natureza – o necessário, que existe diante de qualquer situação -, o que não é menos nada que o ÓBVIO.

Quando Cristiano Ronaldo joga pela seleção portuguesa, não esperamos o seu óbvio.

Quando o mesmo joga pelo Madrid, sim, esperamos o seu óbvio.

Porém, pela primeira vez em algum tempo – e quanto tempo – Cristiano fugiu do que não é óbvio na seleção portuguesa, do que não o faz ser essa obviedade na seleção. Méritos dele. Decerto, esperávamos que isso acontecesse alguma vez, nem que até mesmo ocorresse por uma única; se fosse, que fosse em momentos decisivos.

Nos últimos anos, acompanhamos a magistral canhota de Messi desfilar a elegância, classe e plasticidade das jogadas dotadas de habilidade e competência tremendas nos campos, especialmente – e não somente – com o Barcelona. O óbvio, por outro lado, era a percepção que, por mais que não fosse óbvia a capacidade do mesmo desempenhar o mesmo nível que desempenha no Barça na seleção argentina, um tempo ou outro, isso iria ocorrer. Nem que fosse brevemente, num lampejo isolado; num momento sucinto.

A hora de Cristiano Ronaldo para exercer sua função não óbvia mas que é esperada há muito em Portugal parece ter desembarcado do abstracionismo e entrado na via de concretização. Contemporâneo de Messi e, no caso, análogo ao argentino, Cristiano não é tão bom aos lusos quanto é aos de Madri, porém, é diferente – assim como Messi – dos outros; é esta força que nos impede de pensar num fracasso total e definitivo de sua carreira como jogador da seleção lusitana.

Pela primeira vez, Cristiano Ronaldo vem atuando de forma mais contundente em Portugal: três tentos nos últimos dois jogos, em que dois foram marcados na última rodada da fase classificatória aos mata-matas da Eurocopa – naquela movimentada partida diante da Holanda. Ronaldo pode ter achado o ‘click’ que combina seu jogo com o da seleção, que, afinal, baseia-se inteiramente nele.

Contra a Espanha, certamente, é o absoluto máximo desempenho que os portugueses esperam, e anseiam por Ronaldo. Sua hora, que era óbvia, chegou. A hora de decidir.

O não tão óbvio, e muito provavelmente improvável é avaliar se ele, atuando bem, ainda assim pode derrotar os melhores do mundo. Mas é óbvio que pode fazê-lo.

Ronaldo – agarrando a hora da decisão

Por: Felipe Saturnino