Archive for ‘Figueirense’

05/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 1

Da mesma forma com que Jonathan Wilson introduziu seu texto pós-mundial da África do Sul no ano passado, devo atestar que o Brasileirão foi o campeonato do 4-2-3-1 – de um ponto tático, claro. O esquema da moda simplesmente dominou os times daqui, constatando a dinâmica tão bem-sucedida nos tempos atuais do futebol.

Mas também deve-se falar que a sequência mais estonteante de um time no campeonato, e bem possivelmente a de um time em um campeonato em algum tempo de pontos corridos, ocorreu muito além do fato de o esquema estar sincronizado, mas sim ao fato de os jogadores estarem confortáveis com o estado parcial em que a equipe se encontrava. Falo do Corinthians – nas primeiras 10 rodadas fez 28 pontos. Depois, o pragmatismo se tornou um grande vilão – muito pelo esquema previsível. Mas isto é tema para outro post.

O campeonato atestou também, entre outras coisas, um uso razoável de disposição 4 e 4 – mais normalmente 4-3-1-2. Podemos falar que um legítimo 4-4-2 deve estar extinto, sabendo que o nosso campeão da Libertadores, o Santos, atuou o primeiro semestre quase que inteiramente em um 4-3-1-2. O São Paulo de Adilson também jogava assim. Depois, apenas para constatação, migrou para o 4-2-3-1. O uso do esquema foi mais explícito nos jogos diante o Cruzeiro e o Inter – o primeiro foi animado e o segundo foi de dormir.
Aliás, no jogo contra o Inter, a equipe hoje de Leão foi “espelhada” pela equipe colorada. Para evidenciar o tamanho pragmatismo de alguns jogos.

É verdade também que, de um ponto de exposição mais crítico e amplo, o equilíbrio existe por natureza em nosso campeonato. Não temos equipes extraordinárias que terão tanta facilidade para se desvencilharem nos blocos da frente – como Real e Barça fazem na Espanha -, mas se repararmos que times de pelotões da frente todos optaram por esquemas idênticos, no mínimo uma vez na competição, veremos certamente um outro “equilíbrio”, ou mais uma vez, o pragmatismo de que tanto falo. O problema do uso mais frequente dos mesmos esquemas, do mesmos alineamentos táticos.

É claro que também há as variações, as surpresas que sempre são bem-vindas. Um dos melhores times do segundo turno no Brasileirão foi o Figueirense, com direção do ex-lateral Jorginho. No entrave diante o Corinthians, a equipe apresentou transição para o 4-2-3-1, “imitando” o alvinegro. Contudo, o melhor futebol do returno jogava em um 4-3-1-2 tradicionalmente; tinha força no ataque, com Wellington Nem e Júlio César, contenção e reposição rápida no meio-campo central, e ainda articulação – todos atributos de jogadores como Ygor, Coutinho e Elias, normalmente. Os resultados dos catarinenses foram surpreendentes no torneio, em geral. E os números também: a equipe venceu acumulou 50% dos pontos jogados fora de casa – vencendo times como Corinthians, Botafogo, Palmeiras, Santos e Grêmio; dentro de seus domínios, o desempenho vai para 52%, e, apesar de parecerem números pouco espetaculares, para um time recém-promovido à série A, são incríveis, absolutamente incríveis. Checando de uma forma mais ampla, o Figueirense é apenas a terceira equipe do últimos quatro campeonatos que, recém-chegadas, alcançaram o pelotão dos 10 primeiros – as outras equipes foram o Coritiba em 2008 e o Corinthians em 2009. Porém, o time de Jorginho é o primeiro recém-chegado, de 2008 para cá, a ficar no grupo dos oito do torneio.

Times como o Figueirense e o Fluminense, notoriamente, atuaram em um 4-3-1-2 em parte da campanha – fato atribuído em maior escala aos catarinenses. Mas o Flu modificou o seu jeito de jogar, transitando para o 4-2-3-1 em algumas situações. Contra o próprio Figueirense, aliás, a equipe de Abel merecia uma análise mais específica, já que podemos ponderar o resultado de 4 a 0 dos visitantes – os tricolores – com o fato de os catarinenses terem tido mais a bola em sues pés e, também, por eles terem arriscado mais. Muito se resumiu pela atuação excepcional de Fred, e pelo trunfo do 4-2-3-1: o trabalho versátil dos meias na linha ofensiva.

Com isso, o pragmatismo pode ser esquecido, mas, a exemplo do que aconteceu com o Brasil no jogo contra a Costa Rica, em que os jogadores dessa linha ficaram praticamente imóveis por toda a partida, o grande momento de um time na competição ocorreu em 10 jogos, e no pós desse momento, se deu a crise que poderia ter tirado a equipe da briga. Por este fato, uma análise do momento específico do Corinthians no tempo falado exige um outro post – mostrando que a equipe também tinha uma linhagem ao 4-2-3-1, escolhido por Tite, e que fracassou no jogo diante o Tolima.

O possível legado do campeonato nacional - 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

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29/11/2011

Corinthians quase campeão; um brinde à Alex e seu dinamismo

Jogar no Orlando Scarpelli não era tarefa fácil de modo algum, ainda mais com um Figueirense fortalecido e que dependia de uma vitória para ir à Taça Libertadores. Os corintianos, entretanto, sabiam que necessitavam do mesmo resultado para continuarem o rumo natural ao título. E, mesmo sem um futebol convincente, em jogo que decide campeonato, vence-se ou ganha-se.

E a equipe do Parque São Jorge levou mais uma de vencida. Mais uma fora de casa. O jogo-chave – sabendo que um empate dá o pentacampeonato ao segundo mais querido do país – ganho.

Chamou minha atenção, porém, mais do que a simples vitória paralelamente ao resultado épico da vitória vascaína, o comportamento do Figueirense em campo. Nada revolucionário – claro que não -, mas mais uma tentativa para conter o Corinthians.

Jorginho havia dito que o alvinegro não seria campeão em SC, e modificou o Figueirense taticamente, passando a equipe do 4-3-1-2 para o 4-2-3-1. O ex-lateral armou o esquema da moda, puxando Wellington Nem à ponta esquerda para fazer frente ao lateral-esquerdo Fábio Santos – menos seguro no combate que Alessandro. No outro lado, Maicon era menos incisivo sobre Alessandro. Muito pelas características do jogador e, por, propositalmente, fortalecer o lado em que Paulinho, o volante corintiano, agia no campo. E também por conceder liberdade à Nem – constatando um equilíbrio tático nos flancos do campo. No meio-campo central, Ygor era o volante que batia de frente com Paulinho. Coutinho atuava junto de Danilo, o número 20 do Corinthians que nada fez no jogo. Nada mesmo. Não articulou, errou muito e estava preguiçoso. Algo que num time com um dado Alex, em dia razoavelmente bom, pode custar a vaga na equipe titular.

A estratégia de Jorginho era válida por neutralizar Paulinho com Ygor, barrar Émerson com Juninho e ter mais força na marcação com Maicon pelo mesmo lado. O motivo mor da equipe de Tite jogar mal, porém, foi a falta de um “ligador” em dia de “ligador”. Este era Danilo. E Alex entrou no segundo tempo; centralizou-se, empurrou Danilo para a esquerda e sacou Willian em um dia muito fraco. Mesmo assim, o mais sensato seria tirar o ex-são-paulino.

O que foi dito sobre o Figueira se parecia com o que Caio Júnior fez na ótima vitória do Botafogo sobre o Corinthians por 2 a 0 – manter um volante preso à Paulinho. Porém, a dinâmica que faltava no meio-campo apareceu, e as chances que o adversário teve não foram aproveitadas como naquela derrota. O lance de Alex no gol de Liédson mostra o que quero dizer.

Com a mudança, Tite praticamente ganhou o campeonato. Alex, mais atento ao jogo que Danilo, deu o passe qualificado que a equipe precisava. Nem precisou de Adriano nesta vez.

Muito deste jogo demonstrou a dificuldade de jogar no 4-2-3-1. Se barrado um certo ponto do esquema, as outras partes se tornam muito frágeis. Se não fosse a agilidade de Alex para se soltar mais em campo, talvez estivéssemos falando aqui do Vasco líder. Um brinde à Alex.

Alex e Liédson - dinamismo e decisão

Por: Felipe Saturnino