Archive for ‘Fluminense’

05/12/2011

Lições de um campeonato – Parte 1

Da mesma forma com que Jonathan Wilson introduziu seu texto pós-mundial da África do Sul no ano passado, devo atestar que o Brasileirão foi o campeonato do 4-2-3-1 – de um ponto tático, claro. O esquema da moda simplesmente dominou os times daqui, constatando a dinâmica tão bem-sucedida nos tempos atuais do futebol.

Mas também deve-se falar que a sequência mais estonteante de um time no campeonato, e bem possivelmente a de um time em um campeonato em algum tempo de pontos corridos, ocorreu muito além do fato de o esquema estar sincronizado, mas sim ao fato de os jogadores estarem confortáveis com o estado parcial em que a equipe se encontrava. Falo do Corinthians – nas primeiras 10 rodadas fez 28 pontos. Depois, o pragmatismo se tornou um grande vilão – muito pelo esquema previsível. Mas isto é tema para outro post.

O campeonato atestou também, entre outras coisas, um uso razoável de disposição 4 e 4 – mais normalmente 4-3-1-2. Podemos falar que um legítimo 4-4-2 deve estar extinto, sabendo que o nosso campeão da Libertadores, o Santos, atuou o primeiro semestre quase que inteiramente em um 4-3-1-2. O São Paulo de Adilson também jogava assim. Depois, apenas para constatação, migrou para o 4-2-3-1. O uso do esquema foi mais explícito nos jogos diante o Cruzeiro e o Inter – o primeiro foi animado e o segundo foi de dormir.
Aliás, no jogo contra o Inter, a equipe hoje de Leão foi “espelhada” pela equipe colorada. Para evidenciar o tamanho pragmatismo de alguns jogos.

É verdade também que, de um ponto de exposição mais crítico e amplo, o equilíbrio existe por natureza em nosso campeonato. Não temos equipes extraordinárias que terão tanta facilidade para se desvencilharem nos blocos da frente – como Real e Barça fazem na Espanha -, mas se repararmos que times de pelotões da frente todos optaram por esquemas idênticos, no mínimo uma vez na competição, veremos certamente um outro “equilíbrio”, ou mais uma vez, o pragmatismo de que tanto falo. O problema do uso mais frequente dos mesmos esquemas, do mesmos alineamentos táticos.

É claro que também há as variações, as surpresas que sempre são bem-vindas. Um dos melhores times do segundo turno no Brasileirão foi o Figueirense, com direção do ex-lateral Jorginho. No entrave diante o Corinthians, a equipe apresentou transição para o 4-2-3-1, “imitando” o alvinegro. Contudo, o melhor futebol do returno jogava em um 4-3-1-2 tradicionalmente; tinha força no ataque, com Wellington Nem e Júlio César, contenção e reposição rápida no meio-campo central, e ainda articulação – todos atributos de jogadores como Ygor, Coutinho e Elias, normalmente. Os resultados dos catarinenses foram surpreendentes no torneio, em geral. E os números também: a equipe venceu acumulou 50% dos pontos jogados fora de casa – vencendo times como Corinthians, Botafogo, Palmeiras, Santos e Grêmio; dentro de seus domínios, o desempenho vai para 52%, e, apesar de parecerem números pouco espetaculares, para um time recém-promovido à série A, são incríveis, absolutamente incríveis. Checando de uma forma mais ampla, o Figueirense é apenas a terceira equipe do últimos quatro campeonatos que, recém-chegadas, alcançaram o pelotão dos 10 primeiros – as outras equipes foram o Coritiba em 2008 e o Corinthians em 2009. Porém, o time de Jorginho é o primeiro recém-chegado, de 2008 para cá, a ficar no grupo dos oito do torneio.

Times como o Figueirense e o Fluminense, notoriamente, atuaram em um 4-3-1-2 em parte da campanha – fato atribuído em maior escala aos catarinenses. Mas o Flu modificou o seu jeito de jogar, transitando para o 4-2-3-1 em algumas situações. Contra o próprio Figueirense, aliás, a equipe de Abel merecia uma análise mais específica, já que podemos ponderar o resultado de 4 a 0 dos visitantes – os tricolores – com o fato de os catarinenses terem tido mais a bola em sues pés e, também, por eles terem arriscado mais. Muito se resumiu pela atuação excepcional de Fred, e pelo trunfo do 4-2-3-1: o trabalho versátil dos meias na linha ofensiva.

Com isso, o pragmatismo pode ser esquecido, mas, a exemplo do que aconteceu com o Brasil no jogo contra a Costa Rica, em que os jogadores dessa linha ficaram praticamente imóveis por toda a partida, o grande momento de um time na competição ocorreu em 10 jogos, e no pós desse momento, se deu a crise que poderia ter tirado a equipe da briga. Por este fato, uma análise do momento específico do Corinthians no tempo falado exige um outro post – mostrando que a equipe também tinha uma linhagem ao 4-2-3-1, escolhido por Tite, e que fracassou no jogo diante o Tolima.

O possível legado do campeonato nacional - 4-2-3-1

Por: Felipe Saturnino

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23/05/2011

Primeiras impressões

Flamengo x Avaí: Luxemburgo não quis modificar muito o esquema flamenguista do jogo anterior. A equipe atuou em um 4-4-2 em que Ronaldinho tinha que buscar jogo para criar ao lado de Thiago Neves. Parece que valeu a pena. Mas vale ressaltar que o Avaí jogou com seus reservas. Porém, de fato, Ronaldinho jogou bem, dando seus lampejos de gênio. 4 a 0 foi merecidíssimo no final das contas, por, obviamente, a equipe apresentar um bom futebol. Contudo, calma. Foi a primeira rodada contra um time que nada privilegia por ora, o Brasileirão. Calma. É só uma impressão.

Grêmio x Corinthians: Foi um dos jogos que eu acompanhei e achei muito baixo tecnicamente para o nível de grandeza das equipes. Mas, o Corinthians foi mais time no 4-2-3-1 que Tite mostrou novamente. E o Grêmio não estava em um dia inspirado. Douglas errou muito, e as investidas em Lúcio pela esquerda foram um fracasso. Apesar de acuar o Corinthians nos primeiros momentos de jogo, a equipe alvinegra arrumou um jeito de estabilizar o jogo, apenas ficando com a bola. O resultado justo, pelo geral apresentado, seria um empate. Mas o oportunismo de um dos melhores centroavantes no Brasil hoje faz do Corinthians um time de uma chance. A vitória é um resultado ótimo, mas a carência na criação ainda pena no Corinthians. Porém, uma vitória é uma vitória. Ao Grêmio, resta repensar o que fazer. Num time com tremendo apoio de Mário Fernandes, Lúcio e ainda de Neuton – que depois foi pra zaga – a equipe não teve Douglas, o jogador de armação da equipe. Com os volantes sobrecarregados, o Corinthians achou o pênalti e foi melhor. Ponto. 2 a 1 para o alvinegro.

Fluminense x São Paulo: O Sampa foi investidor no jogo, e saiu rico. Diante dos problemas, Carpegiani armou a equipe com Souto na proteção de zaga, aparentemente, três zagueiros, contando com ele mesmo. Wellington anulou Conca e Casemiro teve liberdade no tripé tricolor paulista. No outro tricolor, destaque negativo à zaga lenta, que simplesmente não teve uma proteção, como ocorreu com o Sampa. Apostando em Lucas, o São Paulo venceu o jogo bem diante das adversidades. Nada que me faça repensar minha opinião sobre a equipe. Tem muita a acertar. Se acertar, vira uma das possíveis candidatas ao título. 2 a 0 no Rio com tentos de Dagoberto – que fez um dos melhores jogos com a camisa do São Paulo – e claro, de Lucas.

Ceará x Vasco – Neste jogo, a impressão se restringe ao que se deve dizer de Bernardo. Apesar de não ser o titular no meio-de-campo, é ótimo jogador. Fez dois gols na boa vitória vascaína que parece ter atuado em uma 4-4-2 desdobrado em 4-2-3-1, com participação de Bernardo no meio-de-campo. 3 a 1 fora de casa pode contar futuramente. Se Gomes não é ótimo técnico, alguns resultados interessantes podem estar aparecendo. Porém, é só uma impressão.

De resto, o Palmeiras venceu. Jogou no 4-2-3-1, a moda de agora. 1 a 0 com gol de Kléber. Ao Botafogo resta se preocupar.

O Santos empatou num chato 1 a 1. Pior para o Inter. Um ponto ganho contra os bons reservas do Santos. Olha a juventude aí!

O Atlético-MG venceu com autoridade o xará de Paraná. 3 a 0. Vou tentar me informar mais sobre a equipe de Dorival.

No duelo dos times da série B, o Bahia saiu derrotado. 2 a 1 em Minas contra o América.

O outro Atlético, de Goiás, venceu o Coritiba, em Curitiba, por 1 a 0. Gol de Marcão.

E na zebra da rodada, o Figueira derrotou o Cruzeiro. Estranho, não? E o Cruzeiro jogou no tradicional 4-4-2, com Monti e tudo. Ribeiro jogou ao lado de Wallyson no ataque. Cuca tem algumas coisas a ver na equipe. Perder contra um time teoricamente mais fraco expõe a questão do dia: não há parâmetro. Não há jeito de se ter ideia se um time está pronto ou não. É tudo prognóstico.

Enfim, começou o Brasileirão. Mais imprevisível do que nunca.

Por: Felipe Saturnino

20/05/2011

O Brasileirão 2011 em prognóstico

Amanhã começa a competição de maior importância nacional: o Campeonato Brasileiro. Sabendo de todo o regulamento, da regra de turno e returno, da regra da soma em todo jogo, brevemente vamos ver o campeonato de mais competição. Mais que todos os outros. Simplesmente pelo fato de a maioria estar realmente preocupada com o Brasileirão. De 20 clubes, temos 15 que não dividirão atenções entre outras competições. De fato, apenas Vasco, Avaí, Ceará, Coritiba – que jogam a Copa do Brasil – e Santos, que está na disputa pela Libertadores, não olham para o Brasileirão com prioridade. Porém, brevemente, dois times por obrigação, terão que olhar para o mesmo com cuidado e carinho. E esses dois serão os perdedores das semifinais da Copa do Brasil. Quem sabe lá o que também pode acontecer com o Santos, apesar de ser mais time na Libertadores.

Sem mais enrolação, fiz uma distribuição de times por faixas de acordo com o rendimento que espero que os mesmos podem ter. São projeções. Para tanto, tive que recorrer ao analista de futebol André Rocha, que me auxiliou brevemente para todos os times no Brasileirão. Aliás, para quem quiser acessar o seu blog, deixo aqui o endereço e recomendação: http://globoesporte.globo.com/platb/olhotatico/

Vamos ao que interessa.

Faixa 1 – Zona dos “mais times”

Cruzeiro, que jogou sem Montillo no triunfo contra o Atlético-MG, lidera o grupo. A equipe joga em um 4-4-2 que pode sofrer alterações pelas opções que alguns jogadores lhe dão. Gilberto, atuando como meia e lateral-esquerdo é uma delas; Roger também é um veterano que dá variação à equipe de Cuca. No ataque, Thiago Ribeiro tem feito boas atuações, sem falar mesmo de Montillo, meia citado no início do trecho. O Cruzeiro é bom time. Sem dúvida, figura na Zona 1, a mais “nobre”.

Internacional, o time de Falcão que vai arriscar no esquema da moda nas táticas de futebol: o 4-2-3-1. Após o desastre que aconteceu em poucos minutos contra o Peñarol no Beira-Rio, a equipe venceu o Gaúcho. Resta saber se manterá o esquema da moda e, além de tudo, conseguirá algo que não consegue há 31 anos: vencer o Brasileirão. O time é de respeito, com destaque a mais para Leandro Damião, que tem 21 gols na temporada e é o melhor marcador. No meio-de-campo, D’Ale vai comandando as ações. Kléber jogou como meia esquerda na partida de volta diante do Grêmio e seu apoio é um ponto positivo. Nei é outro que consegue apoiar, porém espaços deixados pelas suas costas são os problemas colorados. Nada que não possa ser resolvido.

Santos, de Neymar. Time pragmático que, se não encanta, dá lampejos de futebol arte. E isso se restringe a Neymar e, quando joga, Ganso. A marcação é o ponto forte hoje na equipe. Além, obviamente, de Neymar. O jogador que está cada vez mais completo joga algo que nunca havia jogado antes. É um time que se por acaso não sair vitorioso da Libertadores, vai jogar no Brasileirão o que tem. E está na Zona “nobre” porque também tem comandante que conhece a competição como poucos: Muricy é apenas teracampeão da competição.

Faixa 2 – Zona dos “que tendem a evoluir”

São Paulo, de Ceni, tem muita coisa pra resolver. O problema é que a coisa não se restringe ao campo, o problema transita pelos ares do clube. Dentro do campo, a equipe vem atuando em algo parecido como 3-4-1-2. Lucas voltou recentemente de lesão e é o destaque. Retomemos aos defeitos. Outro problema tem sido Alex Silva e suas más atuações. O jogador joga no nome e por ser um zagueiro de bom nível técnico, tem coisas a ser resolvidas. Outra coisa: espaço deixado pelas frequentes subidas de volantes e, também, finalização. Como dizemos: tem muito a aprender. Tende mais a errar do que acertar no início. Vaga na Libertadores por hoje.

Corinthians, de Tite. Se as atuações não trazem grandes lembranças aos corintianos, o futuro poderá trazer. Alex é a contratação diferencial. O problema é a janela que permite a entrada do mesmo apenas na décima quarta rodada. A equipe que desde o começo do ano vem atuando no 4-2-3-1, pode migrar futuramente para um 4-4-2, se Alex, JH, Willian e Liédson jogarem juntos. Outro que vai brigar pela Libertadores e tem algumas deficiências. A pobre armação é uma delas. Outra é o apoio de laterais. Talvez mais proximidade entre laterais e meias tragam capacidade de jogadas mais criativas do Corinthians. Esperemos para ver.

Fluminense, de Conca. A base é a mesma e o esquema parece se desenhar em um 4-4-2. A equipe não entra no primeiro grupo por apresentar atuações decepcionantes. A mais recente delas, a vantagem estampada do Fluminense no duelo diante do Libertad terminou em eliminação por 3 a 0 no Paraguai. É time para evoluir também. Conca é o fator diferencial da equipe. Time de respeito, pelo menos por hoje. Abel Braga também é treinador de respeito que pode levar o time a um futuro bicampeonato. Para mim, a equipe começa de olho na Liberta. Outros pontos com ressalvas: Fred, atacante que pode estar na Seleção Brasileira, é um jogador que tem ido bem; laterais: apoiam com qualidade até a linha de fundo. É bom time.

Flamengo, de Ronaldinho Gaúcho. O craque já não habita seus melhores tempos. Ele não tem feito boas apresentações, apesar de elogios ao mesmo na partida de volta contra o Ceará, na Copa do Brasil, pelas quartas. O time que tem Gaúcho é de Neves. Gols decisivos o deram o aval de fator decisivo da equipe comandada por Luxemburgo. O padrão da equipe é no tradicional 4-4-2. O meio-de-campo parece, no papel, ser um de boa qualidade. Bottinelli, Willians, Renato e Thiago Neves. Ronaldinho ao lado de Wanderley ou até mesmo de Negueba. O time peca na marcação, rende espaços aos adversários por ter na lateral-direita um jogador de grande apoio: Léo Moura. Nisso está implícito um dos defeitos da equipe. Outra que, resolvendo problemas e defeitos, pode evoluir e chegar na tão sonhada Libertadores.

Grêmio, de Victor. Um time que parece ser forte. Parece. Ao meu ver, falta um atacante de maior qualificação à equipe de Renato Gaúcho. Douglas é o destaque, por ser o meia articulador que consegue armar as jogadas que seu time precisa. A equipe joga com Lúcio como meia pela esquerda, dando apoio as jogadas de meio de Douglas. Fábio Rochemback e Adilson compõem o meio-de-campo do time num 4-4-2. A contenção, o apoio e a capacidade de armação exaltam o Grêmio. Talvez haja falta mesmo de um atacante. Leandro é revelação. Na meta, Victor. Uma defesa com Mário Fernandes, Vilson e Rodolfo. Gilson é o lateral-esquerdo, dando suporte para as frequentes idas para frente de Lúcio. Um time que parece ser forte pode se confundir com mistos de inconsistência. Vou observar no domingo. Esperemos até lá.

Palmeiras, de Marcos e Felipão. A consistência do começo do ano em alguns jogos à derrota humilhante vinda de um Coritiba que deve ter algo mais. A equipe jogou a volta diante do Coritiba em um 4-4-2, com Chico, Márcio Araújo, Assunção e Lincoln no meio-de-campo; no ataque Kléber e Wellington Paulista completam a esquadra alviverde. E é em Kléber, acima de tudo, que está a esperança alviverde sobre gols. Wellington também é opção. Valdívia, lesionado, fará falta na faixa intermediária de campo enquanto estiver presente a sua ausência. A equipe de Felipão pode passar de um 4-4-2 para um 4-3-1-2 naturalmente, pelo posicionamento de seus volantes em faixas mais anteriores do campo. As carências se restringem à articulação de jogo e marcação. Há também falta de apoio dos laterais, que é quase nulo. Opção pela lateral-direita seria uma bela dica à Felipão, pela carência de um. João Vitor atuou na última partida, mas acho que não tem ido muito bem não. Perdeu pênalti e foi isso. Outra equipe que baba pela Libertadores da América. Tem deficiências a serem postas na mesa e serem acertadas também.

Vasco, de Ricardo Gomes. Poderia colocar o time das Colinas numa faixa em lugar separado que quaisquer outros times, por ser a incógnita para mim. A equipe evoluiu com Gomes, jogou o último jogo com Diego Souza fazendo boa apresentação, Éder Luís e Alecsandro atuantes na área de ataque. É, de fato, um time a ficar de olho para o decorrer do campeonato. No entanto, por ora, a equipe disputa a Copa do Brasil. Tem jogado com um padrão de 4-3-1-2. Destaco Bernardo. Jovem que começou no Cruzeiro é talentoso. Porém, o destaque aqui iria a Diego Souza. E o Vasco pode figurar nos candidatos à Libertadores, mas, de fato, é uma incógnita. Talvez a postura da equipe tenha que ser revista em alguns pontos. Espaços tem de ser reavaliados dentro do campo, em relação a marcação e cobertura de espaços. Tem um time que pode evoluir, até mais do que já evoluiu.

Faixa 3 – Zona intermediária

Botafogo, que não é mais de Joel. Outro time que está em incógnita. E minha dúvida pertinente: a saída de Joel foi boa? Enfim, o padrão da equipe parece ser um ortodoxo 4-4-2. Faltam opções de qualidade para o meio-de-campo, para que a bola chegue bem para Loco Abreu, Caio ou Herrera. Arévalo é o volante de contenção em um meio-de-campo que ainda conta com Marcelo Mattos. E neste tradicional 4-4-2 será que o Fogão consegue alguma coisa? Pelas opções atuais no elenco, acho que não. Time para brigar pela Copa Sul-Americana. De olho no rebaixamento.

Atlético-PR, de Paulo Baier. Com um tripé de respeito no meio-de-campo, Baier, Kléberson e Cléber Santana compõem a equipe dirigida por Adilson Batista. Ainda no setor intermediário, pelo esquema de 4-4-2, a equipe deve ter ainda mais um volante para fechar seu time. No ataque, Guerrón e Adaílton deverão editar a dupla do Furacão. Para mim, é um time que ainda vai se acertar e pode vir a briga pela Copa Sul-Americana. E a Libertadores? Em um campeonato como esse, os times que se acertarem mais rapidamente sairão vencedores na disputa de 20 clubes por 4 vagas na Libertadores. E o Atlético-PR não faz parte da minha lista.

Coritiba, de Marcelo Oliveira. Talvez o melhor time dessa zona. A equipe vem bem e clama pelo trunfo na Copa do Brasil dando a vaga na Liberta. Difícil? Na Copa do Brasil, não. No campeonato, será mais difícil. A equipe que carrega a moda do 4-2-3-1 está aí para ir ao maior torneio de clubes da América do Sul. E é um time bom. Vencer por 6 o Palmeiras não é algo para qualquer um. Mas, creio eu que, o gás acaba no Brasileiro. A falta de elenco talvez seja a principal causa de minha discórdia. Por isso, a equipe terá que se dedicar à Copa do Brasil, título nem tão distante assim. Aliás, mais perto do que se imagina.

Atlético-MG, de Dorival. Time que tem opção e é outro que transita de 4-4-2 para 4-2-3-1 durante jogos. O elenco parece ser bom e Kalil tem grana para trazer quem for. No entanto, não espero tanto quanto uma Copa Sul-Americana para a equipe. Rebaixada? Não. Vai brigar pra cima. Não tão para cima assim, mas sem tantas chances de ser rebaixado. Libertadores? Um passo bem longe. Para mim, a Sul-Americana bastará para um time com opção, mas sem time concreto.

Avaí, de Paulo Silas. Organização é o sobrenome. Eficiência é a assinatura. Em um pragmático esquema de três zagueiros, com liberdade para seu ala esquerdo, Julinho, o Avaí pode almejar coisas maiores do que antes almejava-se. Copa Sul-Americana é algo a ser prezado. Vaga direta na Liberta é algo mais hipotético. Porém, possível. Obteve bom resultado na ida contra o Vasco pela Copa do Brasil e joga forte e intensamente em casa. É um dos times mais frios que existem hoje no Brasil. Consciente do que faz, responsável, encaixotou o Sampa em seu esquema de 3-5-2. Destaque para o arqueiro Renan e claro, para Silas.

Faixa 4 – Zona dos “da degola”

Para mim, Ceará, Figueirense, Bahia, América-MG e Atlético-GO brigarão por seus futuros na Série A. Caso nenhum “figurão” se dê ao luxo de se perder no campeonato, quatro desses serão rebaixado e somente um ficará. E se fosse apostar em um, apostaria no Ceará. Parece ser um time forte quando atua em casa. Ainda não vi nenhum desses jogar e por isso, aqui acaba a análise geral do post.

Ainda ressalvo: as impressões tomadas para as projeções são referidas no processo atual de cada equipe. Não quero prever o futuro. Só uso lógica aqui.
Por tudo isso, amanhã começará o BR11. Depois da primeira rodada, as primeiras impressões.

Por: Felipe Saturnino

05/05/2011

Hello, Goodbye

Após uma das noites da semana passada da rodada das oitavas da Libertadores, me perguntava os confrontos sensacionais que poderiam haver nas quartas. O Santos pegando o Cruzeiro era o que eu cravava como certo. Ou melhor, quase. Porque ninguém brinca com futebol. Aliás, ninguém deveria brincar pois, enfim, novamente, o esporte é uma caixinha.

E fato é que não se deve brincar que a imprevisível virada do Once Caldas para cima do Cruzeiro aconteceu. E também, a virada para cima do Internacional vinda do Peñarol. Esse jogo, aliás, começava a série desastrosa dos brasileiros na Libertadores. O time com a posição mais confortável que os dois citados era o Fluminense. E também foi pro brejo. Perdeu de 3 a 0 para o Libertad. Novamente, a noite imprevísivel demonstrou o que diferencia o futebol dos outros esportes: as zebras acontecem com mais frequência, nem que venha com um futebol mais pragmático e de puro contra-golpe. Não sei se foi a questão para um dos quatro que foi eliminado, já que o Grêmio perdeu fora de casa, como já era esperado, para somente cair fora da Libertadores.
Os brasileiros como Inter e Cruzeiro fizeram ótima primeira fase. De novo, entra a questão do parâmetro. Outro fato que “desvaloriza” o exaltar das primeiras colocações na Libertadores é que dos últimos 5 campeonatos desse torneio, em 3 os campeões eram segundo colocados: Estudiantes em 2009, LDU em 2008 e o Boca Juniors em 2007.

E de todos os jogos de Copa do Brasil e Libertadores hoje, houve apenas o São Paulo de vencedor, que com certeza fez um dos jogos mais displicentes da temporada.

Ainda para os brasileiros da Libertadores: foi Hello, Goodbye. De que adianta começar tão bem para, depois, cair fora. Não é parâmetro. Para esses times, não foi.

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Por: Felipe Saturnino

02/05/2011

Parâmetro?

Flamengo, sem brilho, mereceu. É suficiente para o Brasileirão? Questão de parâmetro.

Para alguns, isso nem se discute. Para alguns, os fatos que ocorrem no momento não se ligam. Por isso, todos dizem que não há parâmetro de medição entre congruência para estadual e campeonato brasileiro.

Fato mesmo, é que, em lógica, não há.
Em princípio, digamos que um time não se acerte ao decorrer de um estadual. O mesmo pode, muito bem, vencer o nacional. Foi o que aconteceu com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008. No Paulistão dos respectivos anos, em 2006 foi vice-campeão, em 2007 foi eliminado pelo São Caetano, em jogo histórico para o time do ABC, com vitória no Morumbi. No ano seguinte, falhou no jogo contra o Palmeiras na volta, após vitória 2 a 1 em casa, e derrota por 2 a 0 no Palestra Itália, no fatídico dia da confusão generalizada dos vestiários da equipe tricolor.

Pois é, vemos que não há parâmetro. O São Paulo, desde 2005, não ganha um campeonato paulista. Porém, em 5 anos, conquistou 3 brasileirões.
Isso tudo que aqui é dito pode ser imposto ao Flamengo, que conquistou seu 32º estadual, o quinto sem sofrer alguma derrota. No período da década que já se foi, o Flamengo conquistou 5 vezes o estadual – 2001, 2004, 2007, 2008, 2009 – e no Brasileirão, nos anos de 2001, ficou em 24º, num campeonato de 28 clubes; em 2004, foi 17º, já nos pontos corridos; no ano de 2007, conseguiu uma das melhores posições, com o terceiro; em 2008, 5º, e só em 2009 que ocorreu “O título da década” para o Flamengo, com a conquista do Brasileirão. Nos anos anteriores a esse, exceção feita ao de 2007, a equipe ficou em segundo plano, com times de outros Estados ganhando forma no campeonato nacional. Talvez o apreço imenso do carioca ao seu estadual seja algo que não estamos aptos a ver. Quando digo isso, me refiro ao paulista. Não digo para todos, mas para alguns que conheço e desprezam o estadual.
Não é parâmetro. O time pode florescer no meio de uma temporada, após péssimo estadual e mesmo assim, tentar algo no Brasileirão. Por muitas vezes, conseguiu. No ano que passou, o Fluminense não chegou a uma final de Carioca, sendo eliminado na Guanabara e na Taça Rio por Vasco e Botafogo, respectivamente. Foi campeão brasileiro.

Nada disso importa, porém, se você venceu. O recado é para o Flamengo, que fez, talvez, a melhor apresentação do ano contra o Horizonte de Ceará.

Pouco interessa se você venceu seu maior rival, como Santos e Corinthians.
Palmeiras e São Paulo, após ótima primeira fase, caíram com detalhes, que jogaram para o ralo os primeiros 19 jogos do Paulistão.

O jogo que posso dizer que foi emocionante, Palmeiras e Corinthians, foi travadíssimo. Expulsão palmeirense logo na primeira etapa, após entrada faltosa de Danilo, me deixa na dúvida da interpretação do juiz. O palmeirense, ao primeiro momento, me pareceu o único a entrar violentamente, mesmo que tenha tocado na bola. Isso pouco importa, já que você faz ato faltoso. A questão foi se Liédson, também não fez falta. Ainda pensante, a expulsão foi válida. A questão é se Liédson não deveria ter sido mandado para fora.
No jogo em si, Valdívia foi brincar e se lesionou. O Palmeiras, com um a menos, foi melhor que a equipe corintiana. A equipe de Scolari conseguiu se acertar no jogo com a linha de 4 jogadores e somente Kléber a frente. O Corinthians, na base da pressão, chegava, sem poder de finalização. Após o gol de Leandro Amaro, a equipe de Tite resolveu ir para cima, com Willian, Liédson e JH. Este último cruzou no escanteio para o primeiro citado fazer o tento. 1 a 1.
A vitória corintiano nos pênaltis, foi merecida, pois a equipe foi melhor na disputa de penais. No jogo duro e puro, exalto o Palmeiras que jogou bem para um time com dez.
A respeito de Felipão, o argumento usado pelo árbitro é válido também. Ele expulsou somente porque o técnico do time alviverde fez um gesto com significado de roubo. Se não fosse isso, tivera Felipão ficado no banco. Mesmo se fosse isso, estivera eu apitando o confronto, expulsaria os dois. Ambos se agrediram verbalmente, mesmo com Felipão voltando às antigas e mostando seu velho lado, Tite também deu as suas.

Felipão reclamou, xingou, gritou, e foi embora. Depois, viu seu time ficar em vantagem com um a menos, e tomar gol de Willian. Nos penais, o Corinthians foi melhor

Agora, Santos e Corinthians disputam a final. E deu chance pro Corinthians, é difícil parar. Mesmo pensando que jogando dessa forma com a displicência, sem a criatividade e sem o poder de fogo apurado o campeão se resultará em Santos pela questão Ganso-Neymar-Elano, o Corinthians pode muito bem se acertar e “surpreender” na final. Esperemos até lá.

Ao Sampa, que seus torcedores não se aborreçam. A equipe tem time e bom jogo a evoluir para o ano inteiro. Que não seja uma simples eliminação a causa da demissão de Carpegiani. E que ele também se comporte melhor e fique menos ansioso quando as decisões da temporada estejam à flor da pele. E quarta tem confronto diante do Avaí, no Morumbi. Também esperemos até lá.

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Por: Felipe Saturnino

11/04/2011

15 dias de futebol: o que se passou?

Depois de 15 dias de baixa, o blog volta ao trabalho normal após um período de tempo-de-não-fazer-nada. Então, para acabar com a escassez de conteúdo em 15 dias, aqui estou eu para esclarecer o que se passou no mundo do futebol em 15 dias ou 360 horas ou 21.600 minutos desde o último post de O Pitaco Boleirístico.

Na Europa

– O confronto Real Madrid e Barcelona vai acontecer… apenas não será na final da Champions League. O clássico de maior abrangência mundial nos tempos atuais vai existir nas semi da Liga dos Campeões. E o mês será bom, já que teremos três Real Madrid x Barcelona: o primeiro vai ser o de sábado, pela volta do Campeonato Espanhol (praticamente ganho pelo Barcelona). O segundo seria no dia 20, pela Copa do Rei, no Mestalla, estádio do Valencia. O outro ocorreria exatamente pela UCL, no dia 26 ou 27. O jogo da volta aconteceria em 3 ou 4 de maio. O melhor mês do ano.

– Ainda na Champions, o Madrid jogou bem, mas pouco foi exigido pelo Tottenham. Crouch foi expulso antes dos 15 da etapa inicial e a equipe do comandante Redknapp não conseguiu produzir nada com um a menos. Adebayor fez dois de cabeça, Di María fez um gol primoroso e Cristiano deixou sua marca após passe sensacional de Kaká. O Barça fez 5 a 1 jogando como Barça. Só creio que o Shakthar poderia ter dado mais trabalho, já que desperdiçou chances que grandes equipes não desperdiçariam. Essa é a diferença entre um time médio em ascensão e um time grande: os jogadores suportam distintos níveis de pressão em jogos e não perdem tantas chances do tipo. A Inter foi engolida pelo Schalke: 5 a 2 para os alemães. Aquele equilíbrio que tinha citado simplesmente não existiu. A Inter sentiu a má sequência e perdeu em casa, quase que automaticamente anulando suas chances em Gelsenkirchen. Raúl deixou sua marca – mais uma vez. Leonardo balança no cargo. E no clássico inglês, Wayne Rooney deixou o suas inicias em Stamford Bridge. A vitória do muito consistente time de Ferguson que me contrariou e derrotou o Chelsea em Londres. E Torres, fez uma ótima atuação, com 0 gols.

– Na Itália, Milan. Na Espanha, Barça. Inglaterra, Manchester. Em terras germâncias, o Borussia Dortmund. Os campeonatos estão bem encaminhados.

No Brasil

– São Paulo passou para as oitavas da Copa do Brasil, com um pouco de muito sofrimento. Ceni tem tanto crédito que jogou no lixo seu penal pessimamente arrematado contra o Santa Cruz. Tudo para, no domingo, bater com certeza e celebrar 101 gols. O Sampa parece realmente se achar, e não perde há 3 jogos.

– Corinthians e sua dependência de Liédson. E quando nada funciona. Nem Liédson, nem Willian, nem JH? Talvez, o real problema seja a chegada da equipe ao ataque e não a conclusão. Para os que temem que o problema sejam ambos, melhor ficar com Adriano e Seedorf. O último, é uma boa ou não? Analiso melhor no próximo post, que deve acontecer amanhã.

– O Flu teve um fim de semana tranquilo, dentro dos seus limites. Fez 5 a 1 no Americano e está vivo na Taça Rio. Compensa a pífia campanha na Liberta? Não. Muito pouco para um time do nível do Flu.

– E o Inter tem Falcão. Boa? Pelo histórico, pelo que representa, pelo que entende, pode até ser. Mas, Roth não poderia ter ido agora. Ou ia em dezembro ou não agora. Simplesmente não compreensível o que fizeram com Roth.

– E o Vasco vai crescendo na Colina. Gomes parece que deu açúcar ao suco azedo vascaíno, e agora está no ponto. A equipe se acertou até chegar onde está hoje, líder do seu grupo e classificado para as semifinais da Taça Rio. Parâmetro para medir o nível nacional do time? É o único que temos por hora. A hora da verdade será mês que vem, no Brasileirão. E esse será muito bom de se ver.

– E o Santos, de Muricy, ainda está em um começo de acerto. Porém, ter Ganso e Neymar, em certos momentos, pode enganar quem vê a equipe. Tem bons jogadores, mas tem que se acertar em aspectos. Diferente do Palmeiras, que se acertou defensivamente, e isso faz com que seja a vertente de seu jogo. É o time mais pronto do Paulistão, junto com o São Paulo. Porém, torcedor, não se engane. Estar pronto não faz do time melhor ou pior. O padrão momentâneo da equipe, porém, favorece o jogo de um time entrosado. Santos e Corinthians têm elenco suficiente para ganhar um Paulistão, apenas têm que acertar alguns aspectos do seu jogo.

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Por: Felipe Saturnino

10/02/2011

Fora de hora

Na hora menos necessária de se jogar – não desmerecendo o Ituano e de de jeito algum o Paulistão – o Corinthians jogou na hora em que não era a mais necessária. Chegou atrasado.

Após a eliminação na Libertadores, a equipe do gaúcho Tite venceu o Ituano por exorbitantes 4 a 0. Placar que deixa os corintianos menos preocupados. Melhor. Só que jogou na hora que não era para tanto assim. O Corinthians tinha time para vencer o Tolima. Só que não conseguiu. Foi um time sem criação. Não fez um gol sequer e foi embora dando tchau com a mão fechada. E logo depois pegou o Palmeiras. E venceu. Com sorte e venceu. Com competência e venceu.

O que realmente me impressiona é o atraso para jogar bem. O Corinthians agora, só tem uma chance de levar um título no primeiro semestre: no Paulistão. Time pra isso tem. Só espero que não chegue atrasado.

Coisas que tenho que falar:

– O Corinthians tem time para vencer o Paulistão. Só que tem que se acertar e, no final das contas, é difícil vencer o Santos com Neymar, PH Ganso, Arouca e Elano jogando bem. No geral, com os times brasileiros, o Corinthians não está mais nos times de primeiro escalão, como o Fluminense e Santos, por exemplo.

Com casa vazia, Corinthians venceu e bem.

– O Fluminense empatou ontem pela primeira rodada na Liberta. O problema é empatar jogando em casa. Mesmo que seja contra um difícil Argentinos Juniors bem fechadinho. Mais uma vez, Muricy procura ganhar sua primeira Libertadores, título que não tira nada do prestígio que o tal possui.

Rafael Moura - comumente chamado de He-Man - fez dois no empate do Flu em casa em jogo difícil.

– O São Paulo é uma incógnita. É um time que se reformulou já que a geração do tricampeonato nacional já se perdeu pelo mundo. Acho, que com Lucas e Casemiro, a equipe possa dar liga. E ainda tem Rivaldo. Só que acho que é trabalho para longo prazo. Carpegiani ainda não deu um padrão tático para a equipe, e acho que não pretender definir isso tão cedo.

Mesmo com Rivaldo, São Paulo tem algumas deficiências e é uma incógnita na equação.

– Nos amistosos, Messi foi soberano sobre Cristiano, em um 2 a 1 para a Argentina, e Alemanha e Itália empataram. A Inglaterra venceu seu jogo e, como todos devem saber, o Brasil perdeu mais uma vez para os Les Bleus.

Por: Felipe Saturnino