Archive for ‘Itália’

03/07/2012

Manias de tendência

O sucesso espanhol faz-nos recordar os tempos brilhantes da seleção do canário, a nossa, que há algum tempo já não nos encanta.

Ora, o tempo é de renovação. É muito sofrida a transição, mas sempre é assim. Por mais que sejamos ‘os melhores’ – hoje em dia certamente não o somos, mas no ‘overall’ -, somos mortais. É bem verdade que já tivemos seleções que não aparentam, e de fato não são mortais – as memórias das seleções de 70 e 82, por exemplo, que não se rompem na consciência afetiva do torcedor, parecem se perpetuar nas lembranças da memória. É esse nível que os espanhóis de Del Bosque, mas que em 2008 eram de Aragonés, hoje, atingem.

A imortalidade é uma virtude. A arte de abstrair uma figura, ou, no caso mais adequado aqui, um conjunto de figuras – que juntas designam uma significativa força a um país que vive uma crise pra lá de séria – e torná-las constantes na história do esporte é algo que acontece poucas vezes e, por consequência, para poucos ‘humanos’ – mas imortais. Os espanhóis abrangeram um consenso, que em notoriedade aprova a posição da Espanha, a Fúria, como uma das maiores seleções da história do jogo.

E são eles os culpados do sentimento nostálgico que alguns de nós possui daquelas seleções brasileiras ‘memoráveis’. Ou melhor, num contexto mais adequado, a palavra fiel ao momentum seria ‘imortais’.

A tendência de aproximar os melhores aos melhores é natural. Quem dirá que, na Copa da Espanha, em 82, existira alguém mais perfeito do que o time brasileiro? É óbvio que utiliza-se, aqui, a noção plástica, clássica e romântica do futebol absoluto e absurdo praticado pelos canarinhos que padeceram a Paolo e outros tantos italianos – que, nem por falta de plasticidade, eram ruins.
A perfeição furiosa de ‘España’ é notável. Apesar de ter praticado o futebol mais vistoso somente na última partida do campeonato. Ainda assim, a qualidade chama a atenção e, sim, encanta. Encanta por ser monótono. Mas unidimensionalmente interessante e, quase sempre, fantástico.

A nostalgia aproxima. Mas, de fato, o futebol espanhol, mais especificamente a seleção espanhola e o Barcelona, aproximam-se e distanciam-se dos outros. Praticam um futebol baseado claramente no tiki-taka, pressing, conservação da bola, aproximação e disciplina para cobrimento de espaços no campo, infiltrações e etc. Mesmo que o esquema espanhol seja a moda mais do que recomendada do 4-2-3-1.

A influência de Michels e Cruyff é notável na vida do Barcelona. O técnico que foi da KNVB com aquele esquadrão também imortal dirigiu o time blaugrana e levou esses segmentos para lá. Johan, algum tempo depois, herdou um legado que deveria continuar.

O caso do Barcelona é excepcional. O time constroi seu futebol através de uma filosofia que progride continuamente e, como vimos na temporada passada, tardou a modificar-se durantes diversos jogos. Mas, decerto, são mudanças circunstanciais. A transição do 4-3-3 pro 3-4-3 é uma que pode – e deve – continuar, porém.

A mania de assimilar o futebol brasileiro com o espanhol é um caso de nostalgia. Simples assim. E é claro que é justo. Mas vale lembrar que a derivação do futebol espanhol, hoje, surgiu através de uma série de ligações com influências neerlandesas, fundamentalmente, que fizeram fluir o trabalho barcelonista que domina na seleção espanhola – apesar do sistema de Del Bosque ser um 4-2-3-1, que em horas torna-se um 4-3-3, as características técnicas são por total azulgranas.

O Brasil parece-se com a Espanha – na verdade, o inverso transforma-se no melhor para a sentença -, mas é um jeito derivado de outros estilos ímpares de se jogar futebol. Essa mania de preservar a posse, a bola, de pressionar, mas sem pressa, torna a admiração ainda mais compreensível. No entanto, num tempo em que a admiração vai virar constância com a imortalidade de Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, Casillas e outros mais na nossa consciência, é dever saudar os holandeses que inspiram, principalmente mas não unicamente, esse futebol – os canários também devem ser muito admirados entre os ‘furiosos’.

Resta, apenas, absorver as imagens da seleção espanhola e torná-las eternas na consciência. Sem manias, nem tendências.

Espanhóis festejam o tri da Euro e já tem lugar de imortalidade

Por: Felipe Saturnino

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30/06/2012

Às linhas dos finalistas

A Itália não mudou, mas pode mudar a história.

Quer dizer, mudou porque é diferente – mas ainda é a Itália.

Mudou por causa de Prandelli.

E está alegre por ter corrido por fora, na tangente, e ter batido os dirigidos por Löw.

A Itália muda, mas não muda. Parece que os genes que codificam a chave da vitória são passados de geração em geração.

A busca pelo bi da Euro está viva. Assim como a busca pelo euro, por lá, também está.

Na tentativa de fazer história, surgem os entusiasmados corintianos. E não é pra menos, e muito menos deve ser pra menos.

Romarinho bastou.

Isto é, foi só e tudo – suficiência não é algo atraente?

Mas é TUDO de que os corintianos precisam – ou alguém pensa que os boquenses morrem antes do último dia, e se quando morrem só basta um golpe?

A tentativa de fazer história existe, por ambas as partes. O Boca procura o 7º e empatar com o Independiente, e o outro time você sabe o quê.

Aliás, os protagonistas, italiano e corintiano, contrastam.

O mala é Balotelli. O instrospectivo é Romarinho.

Aliás, há paralelismos.

Espanha e Boca, os papões.

E Tite e Prandelli? Não se parecem?

Tanto no pragmatismo quanto na eficiência.

Aliás, como são diferentes e semelhantes esses finalistas.

Ou semelhança é relativa? Diferença também é.

Se um tenta fazer uma história que podemos saber o final, o outro pode fazer a história nova por renová-la – talvez até mesmo inová-la.

A única pergunta pode, e deve ser: por que sempre ele?

Ou, aos corintianos: por que sempre assim, tão sofrido?

Por: Felipe Saturnino

11/06/2012

Alemães confiam, italianos marcam e Andriy emociona

A primeira rodada do europeu de futebol de 2012 terminou nesta segunda-feira com um tanto mais do que emoção: anfitriões vencendo. E fazendo história.

Os italianos lograram êxito no domingo – sim, pois o ponto vale muito – com empate diante dos ibéricos espanhóis em Gdansk, no melhor jogo do torneio até o dado momento. A equipe de Prandelli obteve sucesso ao atuar com um sistema mais do que antiquado – dadas as circunstâncias atuais que apontam para a recomendação do 4-2-3-1 -, porém, pode ser a ‘novidade’ para o torneio. Numa compactação de 3-5-2, em que Pirlo teve uma ótima atuação – incrível que com seus 30 e tantos, ainda Andrea seja fenomenal quanto a lidar com o ritmo de bola do meio-de-campo – que constou da assistência para o gol de Di Natale, Balottelli e Cassano lançados ao ataque foram; os espanhóis vieram com um 4-3-3, que, em variações, tornava-se ou poderia tornar-se um 4-2-3-1 com uma infiltração mais aguda de um meia (Fàbregas, por exemplo). Aliás, no lance do gol, é o que ocorre: Xavi puxa da meia-esquerda, Silva, vindo do lado destro do campo, recebe a bola do barcelonista número 8 na Espanha e entrega para Cesc marcar o tento de igualdade. Ainda assim, foi interessante reparar a disposição dos italianos – francos atiradores na Euro – para com a manutenção do sistema: marcaram, definiram-se e perseveraram, ao final. De Rossi, de fato, foi uma espécie de líbero – apesar de não se plantar tão profundamente na zaga ele atuou na posição. Maggio, na ala-direita, teve uma participação razoavelmente boa, também.

A Ucrânia emocionou-nos não somente pela vitória em si, mas, também pela figura que a tornou factual: Andriy Shevchenko. O grande de passagens por Chelsea e Milan foi marcador dos dois tentos que sagraram a Ucrânia como a líder do grupo D da Eurocopa 2012.

Sheva, aliás, conseguiu prolongar sua brilhante carreira para fazê-la ainda mais brilhante com essa performance. Já aos seus 35 anos, o ucraniano, se não representa o mesmo de 5 ou 6 anos passados, vive pela figura que é e pelos lampejos brilhantes – mas vívidos e vivos – que ainda nos concede. A primeira rodada da Euro, se valeu por ver a Itália se mostrar forte e empatar com a campeã mundial e uma Alemanha jogando de forma razoável mas, como é característico, arrumando um caminho para o triunfo, valeu mais por reparar Andriy como um ainda fator decisivo. E como é bom recordar algum lampejo de um ex-grande artilheiro – que ainda é artilheiro.

Sheva – voando aos 35

Por: Felipe Saturnino

10/02/2011

Fora de hora

Na hora menos necessária de se jogar – não desmerecendo o Ituano e de de jeito algum o Paulistão – o Corinthians jogou na hora em que não era a mais necessária. Chegou atrasado.

Após a eliminação na Libertadores, a equipe do gaúcho Tite venceu o Ituano por exorbitantes 4 a 0. Placar que deixa os corintianos menos preocupados. Melhor. Só que jogou na hora que não era para tanto assim. O Corinthians tinha time para vencer o Tolima. Só que não conseguiu. Foi um time sem criação. Não fez um gol sequer e foi embora dando tchau com a mão fechada. E logo depois pegou o Palmeiras. E venceu. Com sorte e venceu. Com competência e venceu.

O que realmente me impressiona é o atraso para jogar bem. O Corinthians agora, só tem uma chance de levar um título no primeiro semestre: no Paulistão. Time pra isso tem. Só espero que não chegue atrasado.

Coisas que tenho que falar:

– O Corinthians tem time para vencer o Paulistão. Só que tem que se acertar e, no final das contas, é difícil vencer o Santos com Neymar, PH Ganso, Arouca e Elano jogando bem. No geral, com os times brasileiros, o Corinthians não está mais nos times de primeiro escalão, como o Fluminense e Santos, por exemplo.

Com casa vazia, Corinthians venceu e bem.

– O Fluminense empatou ontem pela primeira rodada na Liberta. O problema é empatar jogando em casa. Mesmo que seja contra um difícil Argentinos Juniors bem fechadinho. Mais uma vez, Muricy procura ganhar sua primeira Libertadores, título que não tira nada do prestígio que o tal possui.

Rafael Moura - comumente chamado de He-Man - fez dois no empate do Flu em casa em jogo difícil.

– O São Paulo é uma incógnita. É um time que se reformulou já que a geração do tricampeonato nacional já se perdeu pelo mundo. Acho, que com Lucas e Casemiro, a equipe possa dar liga. E ainda tem Rivaldo. Só que acho que é trabalho para longo prazo. Carpegiani ainda não deu um padrão tático para a equipe, e acho que não pretender definir isso tão cedo.

Mesmo com Rivaldo, São Paulo tem algumas deficiências e é uma incógnita na equação.

– Nos amistosos, Messi foi soberano sobre Cristiano, em um 2 a 1 para a Argentina, e Alemanha e Itália empataram. A Inglaterra venceu seu jogo e, como todos devem saber, o Brasil perdeu mais uma vez para os Les Bleus.

Por: Felipe Saturnino