Archive for ‘José Mourinho’

20/12/2012

Matar ou morrer

O sorteio para as oitavas da Champions é por si só um espetáculo.

Quando então ficou decretado que Real e United se cruzariam numa das partidas, sim, tudo tornou-se mais espetacular ainda. Eles jogarão por um torneio europeu após 9 anos, já que o último confronto ocorreu em 2003, também pela Liga, mas na ocasião o embate era pelas quartas. O tempo é distante, pois a equipe inglesa ainda tinha David Beckham e Ronaldo disputava sua primeira temporada pelos merengues. A classificação dos maiores vencedores da Europa veio após um revés por 4 a 3 em Old Trafford.

E o jogo que está por vir promete tanto quanto qualquer outro gigantesco confronto que já presenciamos antes. Por mais que a equipe de José Mourinho esteja em crise forte – definitivamente a maior que já teve por lá, uma das maiores da sua carreira – e o United lidere a Premier League – é só perguntar a Ferguson se ele gostaria de pegar de cara no mata-mata a equipe eneacampeã continental. Ninguém quer. Mas foi mesmo o próprio Real Madrid que se colocou em tanto perigo, além obviamente do tremendo Borussia Dortmund, que apesar de estar 12 pontos atrás do líder Bayern na Bundesliga, levou o grupo D da Champions League com mão forte, não perdendo jogo algum para a esquadra de Mourinho. E aí os espanhóis se colocaram no pote 2.

Se fossem tempos atrás, aliás, o Madrid decerto seria favorito. E também o seria por jogar a primeira partida em casa, onde na temporada passada padeceu apenas por uma vez, na derrota para o arquirrival catalão nos 3 a 1 de 10 de dezembro – a eliminação da UCL, afinal, veio nos pênaltis e não com revés no tempo normal. O Bernabeu não é uma tão grande arma dessa vez para os blancos. Mas a equipe de Mou tem nomes estratosféricos que assustam a todos, até mesmo aos líderes do nacional inglês. A questão pontual é que, se o Madrid de fato se acertar, ao menos para um jogo, pode derrotar o United pelo menos na primeira metade do confronto. Em Old Trafford, o Manchester virá babando e será favorito.
Ainda que conturbado o ambiente madridista, com Mou e Florentino Pérez se enfrentando internamente, e com o apoio dos jogadores ao técnico perdendo força, tanto pelas declarações que Mou concede à imprensa espanhola como pelo que deve fazer dentro de seu grupo, o Real Madrid tem algumas chances de jogar muito e derrotar o time de Sir Alex. Mas é delicado pensar como jogar tanto numa única partida apenas após uma temporada até agora excepcionalmente decepcionante. Talvez Cristiano Ronaldo possa se inspirar em Trafford. Ou talvez possa selar o destino madridista para o inferno. Pois, após algum tempo, a equipe não apresenta perspectiva para a temporada, e se for eliminada nessa etapa da Liga, deve muito bem rastejar por uma vaga na Champions da temporada seguinte, e só – o Madrid está 13 pontos atrás do Barça, e isso deixa quase impossível o bicampeonato de La Liga.

Passando ao lado vermelho, protagonismo do confronto pode ser para a dupla Wayne Rooney-van Persie, que tem funcionado esplendorosamente. Com o holandês em forma, a preocupação de Mou em marcá-lo será ainda maior do que o normal, além do mais para uma defesa tão insegura como se apresenta a do Real Madrid. Para Cristiano Ronaldo, é o reencontro com a equipe que lhe consagrou, lhe deu as maiores vitórias de sua carreira e o maior sucesso como futebolista com a conquista de 2008 do prêmio de melhor do mundo.

Aliás, certamente para os madridistas o jogo vale mais. Por mais que Mourinho não continue no comando da equipe para a temporada 2013/14, o que vale é a chance de seu terceiro título da Liga, e também a dignidade para uma temporada até agora que representa apenas o perfeito fracasso. Para o Real Madrid, muito mais do que para o United, o jogo vale a vida, o vigor da temporada, ainda que uma eliminação da Champions seja muito doída para qualquer clube – e isso para o Manchester afetaria significativamente a confiança do time. Se qualquer um dos times pode morrer nessa oitava, morrer tem um significado altamente mais comprometedor para os merengues. Afinal, do jeito que as coisas estão pelo lado do reino de Madrid, nem mesmo se sabe se Mou continua até o embate com os Devils, que ocorrerá em fevereiro.

Mas por si só esse jogo é um espetáculo.

Mou – logo após ver o resultado do sorteio

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14/09/2012

Ironia

As novelas de Ganso e Palmeiras, que possuem tom de suspense e drama, respectivamente, chamam muito a atenção pelo que já sabemos que representam. PH (ainda) é tido como um dos melhores meias de seu tempo, apesar de há algum não jogar nem próximo do que é considerado razoável. Ganso tornou-se um ilustre coadjuvante no decorrer de seu tempo como santista, e fica no plano secundário, atualmente. Neymar é o absoluto protagonista.

E o Palmeiras todos sabem do que se trata.

O irônico não é aquilo sobre Paulo Henrique, e nem isso sobre o possível – quem sabe até mesmo provável – rebaixamento palmeirense. É mais a respeito da polêmica que Cristiano Ronaldo conseguiu criar no meio madridista – que apesar da ótima conquista sobre os barcelonistas pela Supercopa da Espanha, não vem bem no campeonato nacional – em que se fez dito estar triste no segundo melhor time do mundo. E não é ironia o craque português, com todos seus atributos – e tributos (vide impostos) -, estar infeliz no Real?

Ronaldo recebe milhões de euros por temporada, faz milhares de gols por ano, e não é o melhor do mundo por um detalhe, somente um detalhe: Messi. O melhor europeu, ao menos para UEFA, porém, é Andrés Iniesta – outro blaugrana. O 7 merengue sofre – por alguma razão inexplicável, indetectável e, assim, inquestionável por sua existência – e com isso aparentemente mordendo o âmago absoluto, internamente, ele expõe, explicita o problema; ou a (muita) vaidade é tanta para tornar qualquer coisa uma grande coisa?

O conterrâneo Zé Mourinho já adorou a ideia de tê-lo triste e jogando bem assim, como quase sempre Cristiano faz. De fato, ele acha que está de excelente tamanho, Ronaldo, triste como se caracteriza, jogar tanto quanto joga. O avante português, que no Real serve como um saudoso ponta-esquerda – que é o que um 4-2-3-1 atribui a posição do setor de Cristiano -, não está de saída de Madri. Não é o que parece pela situação atual – apesar de existirem rumores de um pedido por sua parte.

Ronaldo pode estar muito bem milongando por algo bem menos prezável e aceitável. E certamente Mou sabe do que se trata. E se foi com ele mesmo, ele parece tentar fazer pouco caso do grande caso. Ácido, Mourinho deu de ombros para o que Cristiano sente atualmente. Mais que qualquer um, ele já adere aos problemas de relacionamento com Kaká – como o El País pôde notificar há algum tempo -, e agora mais essa questão com seu maior jogador pode ser tudo, menos uma boa coisa. E, melhor que qualquer um, ele sabe o quanto isso pode prejudicar o andamento do bom mas ainda incompleto trabalho no Real.

Incompleto pela óbvia falta da Liga dos Campeões, tão sonhada por ele, pelo clube e, claro, pelo dono da história toda que motivou a polêmica toda, Cristiano Ronaldo. Pois, quiçá, isso lhe dê a Bola de Ouro da FIFA – numa hipótese completamente válida, apesar de um tanto quanto distante pelo que o argentino Leo joga. Na última temporada, eles chegaram perto após a semifinal do Bernabeu com o Bayern – e CR7 saiu bem da Champions, batendo aquele penal premiado por Neuer.

Ironias deixadas de lado – e em ironias quero deixar fora desse conjunto repleto de subconjuntos, especificamente, a possibilidade de Ronaldo ser melhor do mundo pela segunda vez, desbancando Messi pelo menos mais uma vez -, o que o melhor português do mundo clarifica na situação é mais uma insatisfação, por algo ainda inexplicável, mais ainda incompreensível – como tal consequência -, porém, ainda assim, inquestionável, pelo que sabemos que não é.

Mas, pela figura arrogante, às vezes desprezível, ainda assim, apreciável pelo futebol apresentado em todos seus anos – e também por toda essa personalidade não muito gostável em momentos -, notamos que Cristiano pode estar fazendo muito caso do que não é relativamente um grande caso.

Sim, até Mou o ironizou.

Cristiano Ronaldo não sendo polêmico? Aí está uma ironia. Talvez até mesmo um paradoxo. Ou falta de redundância.

Cristiano – triste?

Por: Felipe Saturnino

24/07/2012

Saindo

Kaká pode estar deixando a capital espanhola, definitivamente.

As especulações surgiram dos diários Marca e As – ambos espanhóis, mas especialmente madridistas -, que frisaram uma reunião entre Mou e o médio brasileiro, com as presenças ainda de seu pai, Bosco Leite, que é seu empresário, nas edições de seus jornais. O tom da conversa é que não sabemos o quão duro que foi.

De fato, Mourinho espera que com a venda de Kaká ele tenha budget à suficiência para contratar Luka Modric, meia croata do Tottenham Hotspur, de Londres. O croata é mesmo um tremendo médio, técnico, habilidoso, que qualifica o passe para aquele setor do campo.

Kaká, é bem verdade, atua numa posição mais aguda, incisiva; sua disputa verdadeira é com Özil – um meia de centro que tem lampejos brilhantes, de técnica também apurada, um jogo de menos aceleração que o do brasileiro, mas que funciona perfeitamente no Madrid. O confronto de Kaká é mesmo com Mesut. E nisso ele tem desapontado.

Na última temporada, Mou acenou para uma possibilidade de utilizar dois meias – literais meias de centro de campo – na formatação ideal de seu 4-2-3-1. O time perde Di María, um dos melhores wingers – meia-extremo – do planeta dada essa situação. A opção não durou muito, e o argentino voltou para a equipe.

Aparenta a situação ter aspectos bem objetivos sobre as opções de Kaká, que são tão simples quanto sua alcunha, nesse caso: sair para arrumar espaço em outro clube, visando uma recuperação de terreno no futebol para o tão sonhado regresso à seleção dos Manos. A questão é onde ele pode fazer isso: aí seriam outras escolhas, que, bem verdade isto é, não possuem lá o brilho que um Kaká precisa para ser seduzido. Pelo dinheiro isso é bem provável que ocorra, e me refiro, no caso, apenas aos ricaços da MLS – que ainda assim não passariam perto do maior glamour que o PSG hoje ostenta para atrair os olhares de alguém como Kaká.

O ex-São Paulo já foi melhor do mundo em 2007, o último tupiniquim a conquistar tal feito num mundo que é hoje tão unipolar, a despeito de Messi, e, em ocasiões, bipolar, se Cristiano Ronaldo for posto em prova. Kaká, no seu melhor, talvez somente ele, e bem provavelmente ele, conseguiria bancar os dois, o argentino e o luso companheiro de time, quiçá até desbancá-los. A situação de hoje que o 8 madridista vive é algo absolutamente distinto e destinto – o futuro de Kaká parece sem brilho, sem aquela cor que uma vez já teve; e certamente não terá a mesma cor daquele seu apogeu, quando campeão da Champions League pelo Milan, em 2007.
O que dessa vez atinge Kaká, talvez nunca antes visto com o mesmo, é o realismo que abrange as decisões de seu comandante. Mourinho tomou uma decisão e foi simples, sucinto. Deu-a nas mãos de Kaká. E isso deve ter sido um baque, por ter sentido de perto e ao vivo a possível (provável) descrença de Mou na capacidade do último 10 do Brasil num Mundial.

É essa convicção de desconfiar constantemente de Kaká, progressivamente mais, que o faz cometer esse ‘absurdo’ – se fôssemos ver essa decisão de um ponto de anos atrás, seria um absoluto absurdo – de mandá-lo para longe de Bernabeu. Não o é pois Kaká não conseguiu jogar no Real, fazendo a posição de Mou justificar-se. E isso se deve a uma série de variáveis, algumas mais destacáveis, como a sequência de lesões, por exemplo. E, obviamente, por não ter concretizado uma série consistente de performances como titular dos maiores campeões da Champions.

Nessa posição e o contexto do que é no Real Madrid, Kaká pode pegar a mala com os pertences e mandar um ‘tchau’, que decerto seria um ‘adios’. Com ‘gracias’, pois o rapaz é educado.

Kaká – tchau e bênção

Por: Felipe Saturnino

19/02/2012

(Des)Confiando

O Real Madrid é virtual campeão espanhol. 10 pontos de vantagem sobre o Barça lhe deram o privilégio de controlar o topo da tabela como bem quis, e agora o primeiro caneco do campeonato nacional para o time forte de Madrid em três temporadas está ficando mais visível.

O Barcelona, porém, ainda é o melhor time do mundo. Por isso que é favorito na Champions League. Mas, a figura mudou um pouco.

Mudou pois o segundo melhor time do mundo, pela primeira vez consistente, consegue ameaçar o reinado da equipe da Catalunha. Consegue pois começa isso no campeonato espanhol – marca que vigora nas conquistas de Pep Guardiola com o Barcelona desde o início de seu comando, no ano de 2008. A hegemonia nacional deverá ter um fim após algum tempo, porém, a questão abrange diversos polos de discussão para a sucessão de trono do melhor time da Europa. Parcialmente, pelo menos.

Em dezembro, Mourinho falhou e, como aqui num post foi descrito posteriormente, ficou sem reação no momento que conflitava com o Barcelona em Bernabeu. O jogo encerrou-se na contagem de 3 a 1, com mais uma decepção para os madridistas.

Fica claro, se já não era óbvio, que a conquista do espanhol não representa uma satisfação total por parte dos madridistas. É preciso fazer mais, porque a rivalidade Real Madrid-Barcelona envolve muita dignidade e autoestima. Até por isso, com algumas cogitações devidamente borbulhadas, José Mourinho não deve permanecer no Real nesta temporada – ainda que conquiste o espanhol.

A figura muda novamente quando falamos de vitória em Champions League, pois se Mou conseguir vencer a competição pela terceira vez em toda sua carreira, ele pode, sim, ficar. O problema seria encarar o Barcelona por mais algumas vezes na carreira, e continuar sofrendo constantemente com isso, apesar de ser o único que realmente incomoda o poderoso esquadrão de Guardiola.

Dentre todas as dúvidas, o Real Madrid está simplesmente impecável, e, sem se arrepender de dizê-lo – mas podendo se arrepender depois -, está no primor de seu jogo em algum tempo. A equipe não tem fraquezas – como nunca teve – e joga bem com consistência, trucidando rivais, mesmo que sejam pequenos, em momentos, apenas. A liderança consta de 61 pontos e 79 gols, tendo sofrido 21. Então, o ‘clash’ entre os maiores do mundo pode ocorrer em estágios mais avançados da competição da Copa do Campeões, para decidirmos se o Barça manterá mesmo a coroa.

Os dois serão favoritos a chegarem às finais do torneio, indubitavelmente.

Assim como é sem dúvida que a confiança do Real Madrid está lá em cima. Com o espanhol praticamente ganho, a única dúvida vai ser em quanto a equipe pode chegar com pilha para o jogo contra o Barcelona no Camp Nou, para o returno. Aí sim, poderemos ter uma decisão prévia da temporada de ambos os times.

No nível dos melhores do mundo, a impressão é de definição por termos um dos melhores times da história do jogo em atividade e indefinição se o time de Mourinho pode detê-lo. Com a confiança – e desconfiança, ao mesmo tempo – que tem-se, o Madrid pode fazê-lo. Questão debatível mesmo é quanto significa vencer o espanhol para apenas realçar uma campanha que pode quebrar nas mãos barcelonistas, mais uma vez. Confiando e desconfiando, indo e vindo, os melhores do mundo vão se encontrar mais algumas vezes este ano. A coroa pode mudar de mãos, pelo menos parcialmente. E vai ser a última chance de Mourinho em Madrid. Ou melhor, desconfio que será.

Cristiano e Real Madrid - viajando na confiança e sendo desconfiados

Por: Felipe Saturnino

30/12/2011

O feio e o ano novo

Mesut Özil é um tremendo meio-campista: inteligente, técnico, sutil e eficiente na função. Ótimo jogador para se ter para quando precisa-se de um cara que pense seu jogo.

Agora, algo que o alemão não é muito popular se refere à beleza natural. Sem ofensas Mesut, entenda com inteligência – como faz dentro de campo. Aliás, se querem tomar um partido sobre o caso, pesquisem aí alguma imagem do 10 madridista.

E a piada que circula por aí é a do ‘filho feio’ de Mou, o próprio Özil, que considera o técnico português um ‘pai’ para si próprio. Talvez reflita a qualidade do lusitano em reunir um grupo e formar um time, coisas que Mourinho faz com maestria em sua trajetória no futebol.

A declaração do alemão transformou-se em piada de forma instantânea entre os jogadores do Madrid, que falaram que o português Mou nunca ‘teria um filho tão feio como Özil’. Bem possível. (Aliás, se vocês estão com a imagem aberta, balancem a cabeça de baixo para cima, concordando com o que foi falado pelos madridistas.)

E talvez a não-beleza de Özil possa ser analogada com a feiura de Mourinho nos jogos contra o maior rival dos merengues. E o ano novo, como sabemos, terá que ser dele para ser do Madrid. Talvez com a mesma finalidade da brincadeira dos jogadores do Real sobre o alemão possa se levar um jogo diante os blaugranas com a tranquilidade e sem a pilha que se tem tido para jogar com os melhores do mundo.

Pois, se a dada feiura de Özil não tem solução, assim como outras feiuras, quaisquer que sejam, vencer o Barcelona também não possui uma por ora, ou, pelo menos, não aparenta se ter uma. Neste caso, excepcionalmente, Mourinho terá de abater a sua diante o Barça, já que deixar Özil mais bonito não vai facilitar o jogo, tampouco funcionará na comparação aqui feita.

A resposta para a questão mor da carreira de José Mourinho até os tempos atuais, de fato, teremos no ano novo.

Mou - 'pai' de um feio e tratando a sua feiura diante o Barça para o ano novo

O blog volta dia 7. Bom ano novo para vocês, sem casos de ‘Özils’ – isto é, sem feiuras.

Por: Felipe Saturnino

13/12/2011

Reação

O jogo Real Madrid x Barcelona ainda possui mais questões do que apenas aquelas discutidas aqui, há dois dias atrás.

O que me ocorreu hoje foi que, se tivesse percebido com um pouco mais de sagacidade e malícia, Mourinho poderia ter interferido mais no resultado do que como aconteceu.

O mais impactante pra mim, porém, é que o português é um homem com resposta para (quase) tudo na questão tática do jogo. Por isso, aliás, está no lugar que está. Ainda assim, ficou sem resposta no entrave diante o Barça.

A questão tática fica muito centrada no mover das peças do lado esquerdo da defesa de Mou. Daniel Alves não avançou com o intuito de combater Marcelo – e assim bloquear uma saída do Real -, mas sim somente para agredir aquele lado. Com isso, a vantagem começou. As movimentações de Messi tornaram-se mais previsíveis, ao ponto que este se tornava mais estático no lado direito do ataque catalão, minando o número 12 brasileiro dos merengues. Assim, o 3-4-3 do Barcelona começava a reinar no Bernabeu. E reinou – como sabemos.
Neste caso, Mourinho tinha a opção de puxar Coentrão para a lateral-esquerda, trazer Lass para a direita e fazer com que Marcelo trabalhasse num ponto mais médio do campo. Não importa se Messi não teria tanta companhia assim, mas sim permanece o porquê de uma impossível mexida do técnico madridista.

E a questão apenas fez-me refletir hoje.

Pois, acima de tudo, José sabia que tinha de fazer um outro algo, uma coisa diferente. Impotência e timidez para modificar um time não condizem com sua condição de um técnico tão bem avaliado. Foi algo contrastante com sua personalidade. Mas também foi algo impensável para ele. Afinal, é Mourinho.

Mou - sem reação

Por: Felipe Saturnino

22/07/2011

Mou Manager

Estamos perto do começo da temporada europeia, então, nada melhor do que voltar ao assunto de futebol internacional.

O Real Madrid hoje anunciou que José Mourinho terá mais poder no seu clube. Quais poderes? Bem, esta é a questão.
O suposto desentendimento, que até hoje deixa algumas questões no ar, entre Mou e Valdano, pode ter sido uma questão de poderes e direitos internos. Aliás, com certeza, foi.

O motivo da briga entre os dois é incerto. Sabe-se que envolve uma questão de poder. Assim dada a “rixa”, rumores foram soltos nos mais diversos veículos de notícias. Mourinho teria recebido ofertas de clubes, e por conseguinte, poderia deixar os madridistas. Não ocorreu, como sabemos.

Quem saiu foi Jorge Valdano, campeão da Copa de 1986. E Florentino Pérez tratou de deixar claro que, no Madrid, quem manda é Mou. Entendido, tudo certo. Mourinho somava poderes já importantes.

Hoje, como já comecei falando, o Real Madrid deu a esta soma mais valores. José Mourinho é o novo manager do Real Madrid. Como Sir Ferguson no United, Wenger no Arsenal, e como alguns tentam fazer no Brasil, mas não se saem bem. Aliás, na Espanha os técnicos não assumem tanto poder como o português assumiu hoje. Na Premier League, ocorre. Então, é um caso diferenciado e peculiar.

Mourinho, então, hoje, manda mais no Madrid do que qualquer diretor. Até certo ponto, claro. Quando se trata de negociações, bem, agora Mou terá influência mais direta do que antes tivera.

Aliás, poder é importante, mas também tem de ser utilizado com responsabilidade. Agora Mourinho é mais que um técnico, é um manager. E que tenha ficado claro para todos: o homem manda mesmo.

Mou - manager e mandão

Por: Felipe Saturnino